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19 de maio de 2026

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Agronegócio do Sul questiona efetividade do Plano Safra 2025/26

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O anúncio do Plano Safra 2025/26, divulgado na última terça-feira (1º) pelo governo federal, gerou repercussão entre as entidades ligadas ao agronegócio nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. Representantes dos produtores rurais e cooperativas expressam preocupações com pontos do progrma que podem impactar a efetividade das medidas.

Anderson Sartorelli, do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), ressaltou que a destinação dos recursos não garante o acesso do produtor. “Um último dado desse Plano Safra 2024/25, agora de maio, [mostrou] que apenas 70% do que foi destinado foi contratado. Nós percebemos que muitas vezes o que é destinado, o que é colocado no plano safra, não chega para o produtor. Vai fazer a diferença para o agronegócio se ele chegar lá na ponta. Se não, caso contrário o objetivo do plano safra acaba não sendo cumprido.”

Sartorelli também apontou que a elevação da taxa Selic para 15% agrava o cenário fiscal, dificultando ainda mais a operacionalização do Plano Safra.

Salatiel Turra, analista técnico da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), reforçou a questão do investimento. “Com relação à parte de investimento, principalmente da agricultura empresarial no que tange a questão das cooperativas, a gente pode destacar uma redução do valor disponibilizado para investimentos, principalmente em algumas linhas que as nossas cooperativas podem utilizar recursos, então isso é um ponto de atenção que a gente tem que destacar.”

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No Rio Grande do Sul, entidades representativas do setor estão preocupadas com a capacidade dos produtores de acessar os recursos do Plano Safra, principalmente devido ao alto endividamento do setor. Há também apreensão em relação às mudanças no seguro rural e no Proagro.

Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), criticou o percentual de recursos equalizados. “O governo anuncia um plano agrícola fantástico, mas se olharmos bem, apenas 22% desse valor é que tem recursos equalizados.” Ele classificou o anúncio mais como “narrativa” e sem considerar a inflação, resultando em “mais do mesmo, só que piorado”, devido às taxas de juros elevadas.

Pereira também evidenciou a crise no seguro rural gaúcho: “As seguradoras praticamente se retiraram do Rio Grande do Sul. Elas levantaram o valor do prêmio e baixaram a quantidade de produto segurado. Praticamente seguro no Rio Grande do Sul não existe mais.”

Darci Hartmann, presidente do Sistema Ocergs, enfatizou a necessidade de capacidade financeira para o acesso ao crédito. “Ele precisa ter capacidade financeira para acessar crédito. Na agricultura empresarial esse volume é ainda maior, esse percentual é maior. Precisamos resolver esse problema do endividamento. E ninguém quer perdão da dívida ou não pagar. As pessoas querem um prazo mínimo. Se a securitização não dá para 20 anos que a gente faça de 10, 12 anos para pagar a sua dívida e continuar o processo produtivo”, disse.

Já para o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS), Paulo Pires, o grande desafio é a rentabilidade do produtor. “Olha o trigo. Por que ele caiu a área no Rio Grande do Sul de forma expressiva? Porque não tem rentabilidade. Tu não consegue convencer o produtor a fazer uma área expressiva de investimento se todos cálculos não sinalizam rentabilidade. Essa é uma questão muito importante, porque o preço não é o produtor que faz e isso é uma perspectiva negativa. Agora, em relação ao Plano Safra o endividamento preocupa porque quantos produtores vão ter acesso ao crédito? Se o produtor não tiver direito ou acesso ele não vai plantar”.

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Tecnologia prevê plantas daninhas antes da infestação

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A inteligência artificial começa a ganhar espaço também no manejo de plantas daninhas no campo. Um estudo desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), mostrou que algoritmos de aprendizado de máquina conseguem prever quais culturas têm maior chance de registrar infestação de invasoras em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

A pesquisa foi realizada no Cerrado, em Sete Lagoas (MG), e analisou dados relacionados ao clima, solo, sistemas de cultivo e ocorrência de plantas daninhas. O objetivo é entender melhor a dinâmica dessas espécies dentro dos sistemas integrados e apoiar tomadas de decisão mais eficientes no manejo agrícola.

Segundo os pesquisadores, o uso da inteligência artificial pode contribuir para reduzir aplicações desnecessárias de herbicidas, além de fortalecer estratégias preventivas no campo.

IA cruza dados de clima, solo e culturas

Para desenvolver o modelo, os pesquisadores reuniram três grupos principais de informações. O primeiro trouxe dados quantitativos sobre as espécies de plantas daninhas encontradas nas áreas avaliadas. O segundo considerou características dos solos e dos sistemas produtivos. Já o terceiro reuniu registros climáticos da região.

Com essas informações, os algoritmos conseguiram identificar padrões e relações entre ambiente, manejo e ocorrência das invasoras.

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Entre os modelos utilizados estão Support Vector Machine, Decision Tree, Random Forest e K-Nearest Neighbors. Segundo a doutora em Matemática e Ciências de Dados Ana Letícia Becker Gomes Luz, os algoritmos Decision Tree e Random Forest apresentaram os melhores resultados, alcançando precisão de 99% na previsão das culturas mais suscetíveis à presença de plantas daninhas.

Para o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Maurílio Fernandes de Oliveira, os resultados mostram que a tecnologia é tecnicamente viável e pode ser incorporada ao manejo agrícola.

“O uso dessa técnica pode contribuir na tomada de decisão sobre qual herbicida utilizar, considerando as características de cada área de plantio”, afirma.

Aplicação pode reduzir uso de herbicidas

De acordo com os pesquisadores, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária normalmente apresentam menor população de plantas daninhas quando comparados a modelos convencionais de cultivo.

Isso acontece, principalmente, pela presença das forrageiras utilizadas nas pastagens, que ajudam a manter o solo coberto e dificultam o desenvolvimento das invasoras.

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Além disso, o uso de inteligência artificial pode auxiliar produtores na adoção de práticas preventivas, definição do momento ideal de controle e aplicação localizada de herbicidas.

Segundo Oliveira, atualmente boa parte das tecnologias disponíveis atua depois que as plantas daninhas já emergiram na lavoura. Por isso, ferramentas preditivas podem representar um avanço importante no manejo.

“Os algoritmos ajudam a entender quais fatores ambientais favorecem o surgimento dessas plantas. Isso permite modificar práticas de manejo e reduzir as taxas de aparecimento e crescimento das invasoras”, explica.

Pulverização inteligente já é realidade

Os pesquisadores destacam que a inteligência artificial já vem sendo aplicada na ciência de plantas daninhas em outras frentes.

Hoje, existem equipamentos capazes de identificar invasoras por visão computacional e realizar pulverização seletiva com alta precisão, reduzindo desperdícios e ampliando a eficiência do controle químico.

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O novo estudo amplia esse conhecimento ao focar na prevenção e na previsão de ocorrência das plantas daninhas dentro dos sistemas ILP.

Pesquisa foi feita no Cerrado

O experimento foi conduzido na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, utilizando áreas de Integração Lavoura-Pecuária com milho consorciado com braquiária, sorgo com braquiária, soja e pastagem de braquiária.

As coletas ocorreram em diferentes períodos do ano, incluindo colheita, entressafra, pré-dessecação e fase inicial das culturas, antes da aplicação dos herbicidas.

Os pesquisadores avaliaram variáveis como número de plantas daninhas por espécie, biomassa, tipo de folha, área amostrada e estágio do sistema produtivo.

Sustentabilidade e aumento da produção

Segundo a Embrapa, a pesquisa também busca atender à necessidade de ampliar a produção de alimentos de forma sustentável.

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A estimativa é de que a população mundial alcance 9 bilhões de pessoas até 2050, aumentando a demanda por sistemas agrícolas mais eficientes e com menor impacto ambiental.

Nesse cenário, o controle de plantas daninhas segue como um dos principais desafios da produção agrícola. Atualmente, o manejo químico ainda é o método mais utilizado no campo.

Para o pesquisador Ramon Costa Alvarenga, responsável por sistemas ILP na Embrapa Milho e Sorgo, tecnologias capazes de reduzir a dependência de herbicidas ganham importância dentro da agenda de sustentabilidade da agropecuária.

O estudo foi publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), em edição especial comemorativa dos 60 anos do periódico.

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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

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Foto: Vlamir Brandalizze/ Arquivo pessoal

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.

As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.

Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.

O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.

Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.

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O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.

Como o levantamento é feito

A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.

As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.

De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.

A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.

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Agro forte sustenta valorização

A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.

Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.

As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.

*Com informações da assessoria de imprensa

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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.

Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.

Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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