Sustentabilidade
Trigo e canola no inverno gaúcho: por que a área recuou e por que as duas culturas se complementam – MAIS SOJA

Figura 1. Lavouras de trigo e de canola cultivadas lado a lado na região central do Rio Grande do Sul.
O trigo segue como o principal cereal de inverno do Rio Grande do Sul, mas a safra 2026 registrou uma das maiores retrações de área dos últimos anos. A Emater/RS-Ascar (2026) projeta 814.220 hectares, redução de 30,18% frente aos 1.166.163 hectares cultivados em 2025, com produção estimada em 2,2 milhões de toneladas (-36,39%). Na contramão, a canola mais que dobrou de tamanho, alcançando 353.397 hectares, alta de 102,64% sobre os 174.394 hectares do ciclo anterior (Figura 2). Ainda assim, a área total de inverno recuou 10,76%: a canola avançou, mas não repôs o espaço que o trigo deixou de ocupar.
Figura 2. Área cultivada com trigo e canola no Rio Grande do Sul, safras 2025 e 2026.

Por que o trigo perdeu área
Segundo a Emater/RS-Ascar (2026), a retração reflete a combinação de menor rentabilidade, custos de produção elevados, restrições de crédito e maior percepção de risco climático para o ciclo de inverno, acompanhada de redução do nível tecnológico em parte das áreas, com racionalização de insumos e maior uso de sementes salvas. O quadro é reforçado pela pressão de custos, que comprime a margem e reduz a tolerância do sistema a qualquer frustração de rendimento ou de qualidade.
O trigo é, historicamente, uma cultura de risco
Esse risco é climático e se concentra em janelas curtas do ciclo. Geadas em estádios críticos que comprometem a formação de flores e de grãos. O predomínio por atuação de chuvas formadas por sistemas frontais, que ocorrem com maior frequência ou permanecem estacionárias por vários dias, determinam excesso de chuva e falta de radiação solar no florescimento. Essa condição meteorológica favorece a incidência e a severidade do progresso da doença giberela: a extrusão das anteras é o período de maior suscetibilidade, e temperaturas de 20 a 25 °C com molhamento foliar de 48 a 72 horas criam a condição ideal de infecção (Embrapa Trigo). Já as chuvas próximas à colheita induzem a germinação do grão na espiga, reduzindo o peso do hectolitro e o Número de Queda. Nesse caso o prejuízo é duplo: colhe-se menos e recebe-se menos por quilo, pela classificação comercial de menor preço. A escolha de cultivar reduz o risco, mas não o elimina.
A visão técnica: rotação, não substituição
Do ponto de vista de mercado, trigo e canola disputam a mesma área de inverno. Do ponto de vista técnico, são complementares e devem ser planejadas em conjunto, dentro de um sistema de rotação (Figura 3).
Figura 3. Trigo e canola ocupando áreas contíguas dentro do mesmo sistema de produção

O trigo, gramínea de alta relação C/N, deixa palha de decomposição lenta, que sustenta a cobertura do solo e a qualidade do plantio direto; a canola deixa pouco resíduo. Na fitossanidade, o benefício é mútuo: a canola é hospedeira de Sclerotinia sclerotiorum, e a rotação com gramíneas não hospedeiras é a prática mais eficiente para reduzir o inóculo desse patógeno conhecido por mofo branco; o trigo, por sua vez, tem o ciclo de suas manchas foliares e podridões radiculares quebrado pelo cultivo de planta não hospedeira (Embrapa Trigo). O resultado prático é menor pressão de doença, menos aplicações e menor custo nas duas culturas, um ganho que aparece no sistema, ao longo dos anos, e não no resultado isolado de uma safra (Figura 4).
Figura 4. Benefício mútuo da rotação entre trigo e canola no sistema de produção de inverno.

Safra sob El Niño: manejo mais assertivo
Com a chuva mais frequente e acima da média, associada à menor disponibilidade de radiação solar, o ambiente torna-se mais favorável às doenças fúngicas e o erro de manejo fica mais caro. O momento e a qualidade da aplicação passam a ser determinantes: a aplicação precisa ser preventiva, antes do evento de chuva, com a espiga já protegida. O parcelamento da adubação nitrogenada e de potássio passa a ser mais importante para evitar maiores perdas desses nutrientes. Reduzir o nível tecnológico de condução da lavoura justamente nos anos de maior pressão devido ao El Niño tende a ampliar as perdas. Nesse contexto, o acompanhamento por assistência técnica qualificada e o planejamento da rotação de culturas, sem a substituição, são o caminho para reduzir custo e estabilizar a produtividade no médio e longo prazo. Os anos ou períodos de intensificação do evento El Niño são amplamente divulgados e de forma antecipada de forma a permitir orientar as decisões de manejo de forma assertiva.
Texto elaborado a partir de entrevista concedida ao jornal Diário de Santa Maria.

Referências e conferência de fontes:
CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra brasileira de grãos: safra 2025/26. Brasília: Conab, 2026. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/safras. Acesso em: 11 ago. 2026.
CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Custos de produção agrícola. Brasília: Conab, 2026. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/custos-de-producao. Acesso em: 11 ago. 2026.
EMATER/RS-ASCAR. Informativo Conjuntural: safra de inverno 2026. Porto Alegre: Emater/RS-Ascar, 25 jun. 2026. Levantamento realizado entre 4 de maio e 16 de junho de 2026.
EMBRAPA CLIMA TEMPERADO. Germinação na espiga em pré-colheita na cultura do trigo. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1132355/1/Viera-p32-MIC-MPG-2020-completo.pdf. Acesso em: 11 ago. 2026.
EMBRAPA TRIGO. Giberela. Agência Embrapa de Informação Tecnológica – Trigo. Passo Fundo: Embrapa Trigo. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/trigo/producao/doencas/giberela. Acesso em: 11 ago. 2026.
EMBRAPA TRIGO. Rotação de culturas. Agência Embrapa de Informação Tecnológica – Trigo. Passo Fundo: Embrapa Trigo. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/trigo/producao/rotacao-de-culturas. Acesso em: 11 ago. 2026.
EMBRAPA. Plantas de cobertura de solo para sistema plantio direto. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/485005/1/Plantascobertura.pdf. Acesso em: 11 ago. 2026.
Conferência dos dados citados no texto
- Trigo, safra 2026 no Rio Grande do Sul – 814.220 hectares, redução de 30,18% frente aos 1.166.163 hectares de 2025; produção de 2,2 milhões de toneladas (-36,39%); produtividade média de 2.701 kg/ha. Fonte primária: Emater/RS-Ascar, Informativo Conjuntural de 25/06/2026. Verificável em: https://revistacultivar.com.br/noticias/rs-safra-2025-26-semeadura-da-canola-esta-quase-concluida e https://www.canalrural.com.br/agricultura/puxado-pela-queda-no-trigo-safra-de-inverno-2026-do-rs-deve-ser-22-menor
- Canola, safra 2026 no Rio Grande do Sul – 353.397 hectares, aumento de 102,64% sobre os 174.394 hectares de 2025; produção de 571.975 toneladas; produtividade média de 1.619 kg/ha. Fonte primária: Emater/RS-Ascar, Informativo Conjuntural de 25/06/2026. Mesmos endereços do item 1.
- Área total das culturas de inverno – retração de 10,76%, passando de 1,77 milhão para 1,58 milhão de hectares; produção de 3,73 milhões de toneladas (-22,15%). Fonte: Emater/RS-Ascar, via https://www.canalrural.com.br/agricultura/puxado-pela-queda-no-trigo-safra-de-inverno-2026-do-rs-deve-ser-22-menor
- Causas da retração de área – menor rentabilidade, custos de produção elevados, restrições de crédito, maior percepção de risco climático, redução do nível tecnológico, racionalização de insumos e maior uso de sementes salvas. Fonte: Emater/RS-Ascar, Informativo Conjuntural de 25/06/2026.
- Giberela – a extrusão das anteras é o período de maior suscetibilidade; temperaturas de 20 a 25 °C com molhamento de 48 a 72 horas favorecem a infecção. Fonte: Embrapa Trigo, Agência Embrapa de Informação Tecnológica.
- Germinação na espiga – a atividade da enzima alfa-amilase induz a germinação sob umidade, reduzindo o peso do hectolitro e o Número de Queda; valores de Falling Number inferiores a 200 segundos indicam degradação das reservas de amido. Fonte: Embrapa Clima Temperado.
- Mofo branco e rotação – a canola é hospedeira de Sclerotinia sclerotiorum; a rotação com gramíneas, não hospedeiras do fungo, é a prática mais eficiente para reduzir o inóculo. Em áreas com alta infestação, recomenda-se rotação com culturas não suscetíveis por, no mínimo, quatro anos. Fonte: Embrapa Trigo, Rotação de culturas.
- Relação C/N e palhada – resíduos de gramíneas, com relação C/N elevada, apresentam decomposição mais lenta e mantêm a cobertura do solo por mais tempo, sustentando o sistema plantio direto. Fonte: Embrapa, Plantas de cobertura de solo para sistema plantio direto.
Autores:
Diego Nicolau Follmann – Engenheiro Agrônomo, Prof. Dr. do Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), coordenador do Grupo de Pesquisa em Plantas de Lavoura (CNPq). E-mail: diego.follmann@ufsm.br
Ricardo Barcellos Quatrin – Acadêmico de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Estagiário do Projeto de Extensão de Serviço em Culturas Anuais Produtoras de Grãos.
Astor Henrique Nied – Engenheiro Agrônomo, Prof. Dr. do Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), colaborador do Grupo de Pesquisa em Plantas de Lavoura (CNPq). E-mail: astor.nied@ufsm.br
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Agro Mato Grosso
BASF anuncia nova estrutura para Soluções para Agricultura

Reorganização amplia autonomia dos mercados locais e coloca Marcelo Batistela no comando da operação brasileira
A BASF Soluções para Agricultura anunciou nova estrutura organizacional com foco nos clientes e nos sistemas de cultivo. O modelo amplia a autonomia estratégica, financeira e operacional da companhia e entra oficialmente em vigor em 1º de janeiro de 2027.
No Brasil, Marcelo Batistela assume como vice-presidente sênior de Negócios e diretor-geral da BASF Soluções para Agricultura Brasil. Engenheiro agrônomo, o executivo acumula 23 anos na companhia. Sua trajetória inclui posições em vendas, marketing, excelência comercial e gestão de negócios no Brasil e no exterior. Desde 2023, lidera a divisão de Soluções para Agricultura no país.
A nova organização busca acelerar decisões nos países e ampliar a proximidade com agricultores. A estrutura também reforça a abordagem por sistemas de cultivo. O modelo conecta conhecimentos, inovações, produtos e serviços em soluções integradas para diferentes etapas, do plantio à colheita.
Outras mudanças
Christian Tell assumirá em 1º de janeiro de 2027 a vice-presidência de Negócios da BASF Soluções para Agricultura América LATAM West. Ele atua na BASF há 23 anos e lidera a área de Soluções para Agricultura na Itália desde 2023.
As operações do Brasil e de LATAM West passarão a responder diretamente à liderança global de Negócios, comandada por Maximilian Becker, membro do Conselho de Administração da BASF Soluções para Agricultura.
Sergi Vizoso Sansano, responsável pelos negócios agrícolas da BASF na América Latina desde janeiro de 2020, assumirá a vice-presidência sênior de Negócios da Ásia-Pacífico, com sede em Singapura.
A implementação da nova estrutura já começou. Segundo a empresa, a reorganização também apoia a evolução da unidade agrícola como negócio independente, dedicado exclusivamente à agricultura.
Sustentabilidade
Aprosoja/MS: Ferramenta gratuita reúne indicadores e amplia leitura dos riscos da safra 2026/2027 – MAIS SOJA

A análise dos diferentes fatores que influenciam a produção agrícola ganha uma nova ferramenta em Mato Grosso do Sul. A Aprosoja/MS disponibiliza o Painel de Risco da Safra 2026/2027, plataforma gratuita que reúne dados e tendências dos principais indicadores que podem impactar a decisão de produzir e os resultados da próxima safra.
A ferramenta reúne oito indicadores: área e produtividade, crédito rural, clima, mercado, comercialização, preços, custo e margem e frete. A proposta é concentrar essas informações em um único ambiente, facilitando a leitura integrada do cenário da safra.
Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, os indicadores representam diferentes aspectos que precisam ser considerados pelo produtor.
“Cada indicador representa uma variável que interfere, de alguma forma, na decisão e no resultado da produção. Área e produtividade mostram o comportamento e o potencial da produção; crédito rural está relacionado às condições de financiamento; clima acompanha um dos principais fatores de risco da atividade; mercado, comercialização e preços ajudam a entender o ambiente de negociação; custo e margem mostram a relação entre o que é investido e o resultado esperado; e o frete representa um componente importante da logística e do custo de escoamento. Ao reunir essas informações, conseguimos oferecer uma leitura mais integrada do cenário da safra”.
O painel foi desenvolvido como uma ferramenta de apoio à análise e ao planejamento, permitindo acompanhar diferentes variáveis que podem sofrer alterações ao longo do ciclo produtivo. A variação dos indicadores será acompanhada ao longo da safra, o que influencia diretamente no índice de risco.
“A ideia do painel é permitir que o produtor tenha essas diferentes informações reunidas em um só lugar para complementar a sua própria análise técnica e comercial”.
A ferramenta é gratuita e está disponível para consulta online. A ferramenta pode ser utilizada por produtores rurais e profissionais do setor como complemento às avaliações específicas de cada propriedade.
Acesse o Painel de Risco da Safra 2026/2027 clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
conheça sojicultor que resistiu às dificuldades e planta esperança no campo

Antônio Lira conhece a agricultura desde a infância. Nascido em Lagoa Vermelha, no interior do Rio Grande do Sul, foi criado no sítio da família, onde aprendeu desde cedo a rotina e os desafios do trabalho no campo. Na época, a produção era feita praticamente toda à força dos braços, sem o maquinário que hoje faz parte da realidade de muitas propriedades rurais.
Rumo a Mato Grosso
O sonho de trabalhar com uma agricultura mecanizada levou Antônio a olhar para Mato Grosso. Em 1976, ele chegou ao estado e, poucos anos depois, participou dos primeiros passos da produção de soja em Lucas do Rio Verde. Em 1981, plantou uma das primeiras lavouras de soja do município, utilizando sementes trazidas do Sul e adaptadas às condições locais.
“A gente sempre esteve na atividade agrícola. Quando chegamos a Lucas do Rio Verde, entramos na cultura do arroz. Só em 1981 começamos a primeira lavoura de soja. Em poucos anos, já estávamos plantando somente a cultura”, conta.
Hoje, aos 67 anos, ele continua dedicado à atividade. A propriedade trabalha principalmente com soja e milho na segunda safra. Ao longo das décadas, ele acompanhou as transformações do setor e investiu em estrutura e tecnologia para tornar a produção mais eficiente.
Há cerca de 15 anos, adquiriu uma propriedade em Nova Guarita, onde encontrou terras com custo mais acessível. Ali, ampliou a estrutura produtiva, com lavoura, secador e armazém, além de investir em máquinas e tecnologias. “Foi quando começamos a progredir e a permanecer no agronegócio. Montamos uma lavoura, investimos em secador, armazém e máquinas apropriadas. Com mais tecnologia, conseguimos prosperar”, comenta.
Na trajetória, pedras no caminho
A trajetória, no entanto, também foi marcada por períodos difíceis. Entre os principais desafios, Antônio lembra momentos em que os preços da soja ficaram tão baixos que a produção não era suficiente para cobrir as despesas.
Um dos períodos mais delicados ocorreu em 2004, quando produtores rurais foram às estradas em um movimento que ficou conhecido como “Grito do Ipiranga”. Segundo Lira, o preço da soja não era suficiente para pagar as dívidas bancárias, e os produtores precisaram buscar alternativas para atravessar a crise. “Foi um ano muito difícil. O preço da soja não pagava as contas do banco. Conseguimos um prolongamento da dívida, mas a caminhada continua”, relembra.
Com o passar dos anos, a expansão da produção de milho e a instalação de indústrias de etanol em Mato Grosso também trouxeram novas possibilidades para os produtores. Para o produtor, o milho passou a ter um papel fundamental na sustentabilidade financeira da atividade. “O milho tem ajudado muito a gente a pagar as contas da soja. Oficialmente, estamos dependentes do milho para poder pagar em dia nossas contas e manter a safra”, pontua.
Mais recentemente, outro fator voltou a preocupar o produtor: o clima. Depois de um período de preços baixos, a situação do mercado melhorou, mas a preocupação agora está voltada para os efeitos do fenômeno El Niño e para a possibilidade de períodos de seca. “Hoje o que tira o sono é o El Niño muito forte. Não sabemos o que vai acontecer. Vemos enchentes no Sul e a previsão é de seca. Estou torcendo para que isso não aconteça e pedindo a Deus que controle esse clima para a gente plantar uma safra boa de soja no estado”, afirma.
Muito além de plantar soja
Depois de quase cinco décadas vivendo em Mato Grosso, o sojicultor afirma que a relação com a agricultura vai muito além da atividade econômica. Para ele, produzir está diretamente ligado à fé, à esperança e à paixão pela terra. “Não existe agricultor que consiga permanecer no ramo sem ter fé em Deus, porque, se não, você não joga nem a semente no chão”, diz.
É justamente essa relação com a terra que, segundo ele, mantém viva a paixão pelo campo. “Somos apaixonados pela terra. Fico transtornado de felicidade quando vejo terra boa. Mesmo que não dê dinheiro ou aconteça uma catástrofe, estamos firmes e com fé”, comenta.
Para ele, poucas atividades representam tanto a combinação entre trabalho, risco e esperança quanto a agricultura. “É a única atividade em que você joga o dinheiro no chão e fica torcendo para florescer. Temos somente aquela fé em Deus e a certeza de que vamos colher e pagar a conta”, pontua.
Conselho para a próxima geração
Aos produtores mais jovens e às novas gerações que estão chegando ao campo, Antônio deixa uma mensagem baseada justamente nos pilares que sustentaram sua própria trajetória, coragem, fé e busca constante por conhecimento. Seu filho é seu sucessor e já acompanha de perto a rotina da propriedade, dando continuidade ao trabalho construído ao longo de décadas. “Tenham coragem, muita fé em Deus e procurem tecnologias. É preciso se aprimorar cada vez mais. Com tecnologia, manejo correto e trabalho, assim chegamos lá”, aconselha.
Depois de uma vida inteira dedicada ao campo, a mensagem do agricultor também resume o propósito que, para ele, está por trás de toda a atividade agrícola, que é produzir alimento. “Produzir alimento para todos e para o mundo. Esse é o compromisso”, pontua.
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