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24 de setembro de 2026

Business

Agro precisa furar a bolha e aproximar a sociedade, afirma especialista

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A comunicação do agronegócio precisa ultrapassar os limites do próprio setor para aproximar a sociedade das realidades enfrentadas por quem produz. Para a jornalista especialista em comunicação e agronegócio Gilkiane Cargnelutti, o desafio envolve apresentar os riscos da atividade rural, melhorar o diálogo com diferentes públicos e ampliar a conexão com os tomadores de decisão.

Com experiência de dez anos na assessoria parlamentar, Gilkiane acompanhou de perto as pautas do agronegócio no Congresso Nacional. A vivência também mostrou a complexidade de transformar as discussões de Brasília em uma linguagem acessível à população.

A jornalista conta que, ao se especializar em comunicação e marketing e, posteriormente, em agronegócio, identificou desafios que permanecem há anos. Entre eles está a dificuldade de fazer o setor alcançar pessoas que não têm contato direto com a produção rural.

Segundo Gilkiane, o próprio setor reconhece essa dificuldade: “A gente não consegue furar bolha, a gente fala para nós mesmos, a gente não consegue influenciar nas decisões”. Para ela, embora já existam movimentos nesse sentido, ainda falta coordenação entre as iniciativas.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Congresso propõe novas iniciativas para a comunicação do agro

É nesse contexto que surge o Congresso Brasileiro de Comunicação no Agro 2026, marcado para 11 de novembro, em Brasília. O evento integra um projeto que vem sendo desenvolvido há dois anos e que pretende avançar para além de um encontro pontual entre profissionais e entidades.

A proposta, conforme explica Gilkiane, não se limita à realização do congresso. “Eu não acredito que a gente vai mudar alguma coisa com o congresso”, afirma em entrevista ao programa Direto ao Ponto. Por isso, o trabalho vem sendo desenvolvido nos bastidores, com iniciativas que serão lançadas durante o evento.

Entre as propostas está a construção de um observatório de narrativas do agro, além da produção de conteúdo e de iniciativas voltadas à educação. A intenção é oferecer ferramentas para ampliar o alcance das informações, incluindo conteúdos destinados às rádios que chegam às regiões mais distantes.

Ao destacar a presença do rádio no cotidiano das comunidades rurais, a jornalista defende que é necessário fortalecer os meios que já alcançam esse público. “Então, nós precisamos dar ferramentas para essas rádios”, frisa.

O congresso também deve reunir entidades de diferentes segmentos, como agricultura, pecuária e produção de leite, para identificar possibilidades de atuação conjunta. A proposta é aproximar iniciativas que já são desenvolvidas pelas organizações e construir estratégias para alcançar públicos de fora do agronegócio.

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Conforme Gilkiane, a comunicação precisa apresentar o setor de maneira mais humanizada, mostrando que a produção rural envolve famílias, investimentos e riscos. Uma frustração de safra, provocada por seca ou enchente, pode comprometer a renda e a capacidade de pagamento do produtor.

“Nós precisamos conectar isso de uma forma mais humanizada para a sociedade”, pontua a jornalista, ao defender uma comunicação que mostre as diferentes realidades do campo.

A jornalista também defende a aproximação com influenciadores de fora do agro, como forma de alcançar pessoas que não recebem diretamente as informações produzidas pelas entidades do setor.

A estratégia, de acordo com ela, passa por reconhecer que diferentes comunicadores têm acesso a públicos distintos. “Eu talvez não chegue nesse público, então vamos pensar em quem está chegando com credibilidade também”, explica ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

A expectativa é que o trabalho seja desenvolvido no longo prazo, com ações coordenadas entre diferentes participantes. A proposta do projeto é ampliar o diálogo sobre o agronegócio e criar caminhos para que as informações cheguem a públicos que ainda estão distantes dessa realidade.

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Agro Mato Grosso

Algodão: custos pressionam rentabilidade em Mato Grosso

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Preço médio de R$ 129,67/@ cobre custos operacional efetivo e total, mas mantém margem do produtor apertada

A rentabilidade do algodão em Mato Grosso segue pressionada pelos custos de produção, apesar da valorização dos preços nos últimos meses. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra 2026/27 foi estimado em R$ 15.250,61 por hectare em agosto, enquanto o Custo Operacional Total (COT) alcançou R$ 16.264,37/ha.

O custeio da temporada foi estimado em R$ 10.617,82/ha, recuo de 0,11% em relação a julho. Já o COE apresentou alta mensal de 0,13%, influenciado principalmente pelo aumento de 4,72% nas despesas com arrendamento. O Custo Total (CT) ficou projetado em R$ 18.709,02/ha, avanço de 0,21% no mês.

Considerando a produtividade média dos últimos três anos, de 126,86 arrobas de pluma por hectare, o produtor precisa obter pelo menos R$ 120,06/@ para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço mínimo sobe para R$ 128,20/@, enquanto a cobertura do CT exige R$ 147,47/@.

Até agosto, o preço médio ponderado de comercialização da safra 2026/27 estava em R$ 129,67/@. Com esse valor, segundo o Imea, é possível cobrir o COE e o COT, mas a margem permanece apertada. O instituto destaca que, mesmo diante das altas recentes nos preços, a rentabilidade do cotonicultor continua pressionada, reforçando a importância de uma gestão eficiente no planejamento da próxima temporada.

Área deve crescer em Mato Grosso

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta aumento de 3,38% na área cultivada com algodão em Mato Grosso na safra 2026/27. Por ser o principal produtor nacional, o estado deve registrar, em termos absolutos, o maior incremento de área entre as unidades da federação.

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No cenário nacional, a área cultivada deve alcançar 2,09 milhões de hectares, alta de 3,68% em relação à safra 2025/26. Os maiores crescimentos percentuais são esperados em Rondônia, de 28,79%, Maranhão, de 9,48%, e Piauí, de 8,29%.

A produtividade brasileira, por outro lado, deve recuar 3,23% na comparação com a projeção para a temporada 2025/26. De acordo com o Imea, a estimativa considera as incertezas relacionadas aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño sobre as lavouras.

Mesmo com a redução esperada no rendimento, a expansão da área deve contribuir para sustentar a produção nacional. A Conab projeta 10,05 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2026/27, aumento de 0,33% ante a estimativa para o ciclo anterior.

Mercado

No mercado cambial, o dólar corrente avançou 1,15% na semana, em meio ao aumento da aversão ao risco global e às incertezas fiscais e institucionais no Brasil.

A cotação do caroço de algodão recuou 4,35% no período. Segundo o Imea, o movimento está relacionado ao avanço do beneficiamento e à consequente maior disponibilidade do coproduto no mercado.

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Já a paridade de exportação para o contrato de julho de 2027 caiu 2,85% na semana, acompanhando a desvalorização do contrato correspondente na Bolsa de Nova York.

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Agro Mato Grosso

Produtor de Mato Grosso calcula cada hectare antes de plantar a soja

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O plantio da soja em Mato Grosso começou, mas o avanço das máquinas ainda depende de uma combinação de chuva, condição do solo e custo de produção. Em diferentes regiões, produtores avaliam o momento de entrar com as plantadeiras para reduzir o risco de falhas na implantação da lavoura e de prejuízos ao longo da safra.

Em Ipiranga do Norte, parte dos agricultores aproveitou as chuvas recentes para iniciar a semeadura. O presidente do Sindicato Rural do município, Eder Ferreira Bueno, conta que a janela foi aberta em 7 de setembro e que alguns produtores começaram no próprio dia, principalmente aqueles com áreas irrigadas.

A estratégia, no entanto, não é acelerar todo o plantio de uma vez. O agricultor Valcir Batista Gheno pretende cultivar 4,7 mil hectares de soja nesta temporada, sendo 1,2 mil hectares irrigados por pivô. Cerca de 20% da área de sequeiro já foi plantada após acumulados de 110 a 120 milímetros em alguns talhões.

A estrutura de irrigação permite aproveitar melhor os momentos em que há umidade para avançar com a semeadura. “A gente faz a parte da gente. Choveu, tem umidade para nascer, a gente planta, para germinar, e essa ferramenta que a gente tem do pivô é para esses momentos, para a gente deslanchar um pouco mais essa janela do plantio de soja”, conta Gheno ao Patrulheiro Agro.

Em Mato Grosso, a semeadura da safra 2026/27 já alcançou 1,15% da área estimada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço está 0,60 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período da safra passada. Ainda assim, a condição encontrada em cada propriedade determina o ritmo do trabalho.

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Além da chuva, o produtor precisa colocar na conta o aumento das despesas para formar a lavoura. Gheno estima custos entre 15% e 25% maiores, considerando gastos com insumos, fertilizantes, combustível e operações.

O cenário também é acompanhado pelo Sindicato Rural de Ipiranga do Norte. Segundo Bueno, além da preocupação com o El Niño, produtores estão atentos aos juros e ao custo de produção, fatores que influenciam as decisões de investimento para a nova safra.

Para Gheno, o desafio será buscar produtividade suficiente para compensar as despesas. “Nós vamos fazer o plantio com um custo mais elevado, então talvez o desafio seja esse e o fator climático a gente fica preocupado”, avalia.

A preocupação aumenta diante da possibilidade de problemas depois que a semente já estiver no solo. O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Gilson Antunes de Melo, destaca que o cenário atual deixa pouco espaço para erros durante a implantação da lavoura.

“Nós não temos margem para erros, nossos custos estão muito alto e commodities barata. Então, assim, se tiver um replantio, se tiver uma lavoura mal implantada é certeza já de prejuízo lá na frente”, observa.

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Por isso, a recomendação é que o produtor não antecipe o plantio apenas para aproveitar a abertura da janela. A condição de umidade precisa ser suficiente para favorecer a germinação e o estabelecimento inicial da cultura.

Produtor testa semente antes de colocar na terra

A preocupação com uma boa implantação começa antes mesmo da entrada das plantadeiras. Em Vera, o agricultor Valcir Strapasson utiliza um canteiro para avaliar a qualidade da semente antes de levá-la para a lavoura.

No teste apresentado pelo produtor, 100 sementes foram plantadas e 90 germinaram. Além do percentual de germinação, ele observa o desenvolvimento das plantas para identificar possíveis sinais de doenças.

“Por mais que ela venha com garantia, a gente faz o teste para ver se confirma o que está em cima do bag”, explica Strapasson. De acordo com ele, a avaliação permite verificar se a semente está em condições de ser utilizada quando houver chuva suficiente para o plantio.

O produtor lembra que já houve situações em que o teste indicou problema e o lote precisou ser substituído antes de chegar à lavoura. A preocupação é evitar que uma falha de germinação seja descoberta somente depois da semeadura.

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A cautela também está relacionada ao histórico de chuva observado na propriedade. Strapasson conta que recebeu 93 milímetros em uma das precipitações recentes, mas acompanha a sequência das chuvas antes de decidir pelo plantio.

“Choveu, nós plantamos, aí planta sem trégua. Mas, por enquanto, vamos ter que esperar, é mais seguro a semente no barracão do que na lavoura”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.

plantio soja foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Janela precisa considerar também o algodão

A distribuição do plantio ao longo da janela é outra estratégia adotada para reduzir a exposição ao risco climático. Gheno explica que evita concentrar toda a área em poucos dias, justamente para não comprometer toda a safra caso ocorra uma interrupção das chuvas.

“Não vai concentrar todo em um período só, em uma semana ou em quinze dias. Vai dando um pouco mais de espaço. Já contando, se der algum atrapalho, você não comprometeu toda a safra”, comenta.

O planejamento também precisa considerar as culturas que vêm depois da soja. O produtor destaca que o algodão possui uma janela mais curta e, por isso, o calendário da oleaginosa precisa ser conduzido de forma a preservar espaço para a cultura.

A possibilidade de El Niño é acompanhada pelos agricultores. Gheno diz que a expectativa é de que, caso o fenômeno se confirme, não venha com intensidade agressiva a ponto de prejudicar o planejamento.

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Enquanto alguns produtores já avançaram, outros ainda aguardam. O meteorologista Arthur Muller, do Canal Rural, diferencia as áreas que receberam volumes elevados de chuva daquelas que ainda precisam de mais precipitações. Para quem já recebeu mais de 100 milímetros e tem boa palhada, a condição pode permitir o avanço. Já quem ainda espera por uma chuva mais consistente deve ter cautela neste início da semeadura.

“A tendência é dessa chuva começar a firmar a partir da segunda quinzena de outubro”, aponta Muller.

Chuva também influencia o milho segunda safra

A avaliação climática não termina com a implantação da soja. O comportamento das chuvas nos próximos meses também será importante para o planejamento do milho segunda safra em Mato Grosso.

Conforme Muller, a tendência é de que dezembro e janeiro sejam meses muito chuvosos no estado. Nesse cenário, o desafio estará em conciliar a colheita da soja com a implantação do milho.

“O maior problema no período vai ser de colher a soja e implementar esse milho segunda safra”, avalia o meteorologista.

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Ao mesmo tempo, ele considera que um eventual atraso no plantio do milho não representa, neste momento, um problema necessariamente grave, já que as condições climáticas de longo prazo não indicam uma interrupção antecipada das chuvas.

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Business

Trem carregado com milho tomba no interior de São Paulo; veja vídeo

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Um trem de carga carregado com milho descarrilou e tombou sobre a ponte do Ribeirão Tatu, em Limeira (SP) nesta quarta-feira (23).

A composição operada pela concessionária Rumo seguia com destino ao Porto de Santos quando ao menos sete vagões tombaram e derrubaram parte da carga na água.

O acidente não deixou vítimas ou feridos, e as equipes técnicas atuam nos reparos da via sem previsão imediata para a liberação do tráfego.



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Agro MT