Agro Mato Grosso
Produtor de Mato Grosso calcula cada hectare antes de plantar a soja

O plantio da soja em Mato Grosso começou, mas o avanço das máquinas ainda depende de uma combinação de chuva, condição do solo e custo de produção. Em diferentes regiões, produtores avaliam o momento de entrar com as plantadeiras para reduzir o risco de falhas na implantação da lavoura e de prejuízos ao longo da safra.
Em Ipiranga do Norte, parte dos agricultores aproveitou as chuvas recentes para iniciar a semeadura. O presidente do Sindicato Rural do município, Eder Ferreira Bueno, conta que a janela foi aberta em 7 de setembro e que alguns produtores começaram no próprio dia, principalmente aqueles com áreas irrigadas.
A estratégia, no entanto, não é acelerar todo o plantio de uma vez. O agricultor Valcir Batista Gheno pretende cultivar 4,7 mil hectares de soja nesta temporada, sendo 1,2 mil hectares irrigados por pivô. Cerca de 20% da área de sequeiro já foi plantada após acumulados de 110 a 120 milímetros em alguns talhões.
A estrutura de irrigação permite aproveitar melhor os momentos em que há umidade para avançar com a semeadura. “A gente faz a parte da gente. Choveu, tem umidade para nascer, a gente planta, para germinar, e essa ferramenta que a gente tem do pivô é para esses momentos, para a gente deslanchar um pouco mais essa janela do plantio de soja”, conta Gheno ao Patrulheiro Agro.
Em Mato Grosso, a semeadura da safra 2026/27 já alcançou 1,15% da área estimada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço está 0,60 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período da safra passada. Ainda assim, a condição encontrada em cada propriedade determina o ritmo do trabalho.
Além da chuva, o produtor precisa colocar na conta o aumento das despesas para formar a lavoura. Gheno estima custos entre 15% e 25% maiores, considerando gastos com insumos, fertilizantes, combustível e operações.
O cenário também é acompanhado pelo Sindicato Rural de Ipiranga do Norte. Segundo Bueno, além da preocupação com o El Niño, produtores estão atentos aos juros e ao custo de produção, fatores que influenciam as decisões de investimento para a nova safra.
Para Gheno, o desafio será buscar produtividade suficiente para compensar as despesas. “Nós vamos fazer o plantio com um custo mais elevado, então talvez o desafio seja esse e o fator climático a gente fica preocupado”, avalia.
A preocupação aumenta diante da possibilidade de problemas depois que a semente já estiver no solo. O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Gilson Antunes de Melo, destaca que o cenário atual deixa pouco espaço para erros durante a implantação da lavoura.
“Nós não temos margem para erros, nossos custos estão muito alto e commodities barata. Então, assim, se tiver um replantio, se tiver uma lavoura mal implantada é certeza já de prejuízo lá na frente”, observa.
Por isso, a recomendação é que o produtor não antecipe o plantio apenas para aproveitar a abertura da janela. A condição de umidade precisa ser suficiente para favorecer a germinação e o estabelecimento inicial da cultura.
Produtor testa semente antes de colocar na terra
A preocupação com uma boa implantação começa antes mesmo da entrada das plantadeiras. Em Vera, o agricultor Valcir Strapasson utiliza um canteiro para avaliar a qualidade da semente antes de levá-la para a lavoura.
No teste apresentado pelo produtor, 100 sementes foram plantadas e 90 germinaram. Além do percentual de germinação, ele observa o desenvolvimento das plantas para identificar possíveis sinais de doenças.
“Por mais que ela venha com garantia, a gente faz o teste para ver se confirma o que está em cima do bag”, explica Strapasson. De acordo com ele, a avaliação permite verificar se a semente está em condições de ser utilizada quando houver chuva suficiente para o plantio.
O produtor lembra que já houve situações em que o teste indicou problema e o lote precisou ser substituído antes de chegar à lavoura. A preocupação é evitar que uma falha de germinação seja descoberta somente depois da semeadura.
A cautela também está relacionada ao histórico de chuva observado na propriedade. Strapasson conta que recebeu 93 milímetros em uma das precipitações recentes, mas acompanha a sequência das chuvas antes de decidir pelo plantio.
“Choveu, nós plantamos, aí planta sem trégua. Mas, por enquanto, vamos ter que esperar, é mais seguro a semente no barracão do que na lavoura”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.
Janela precisa considerar também o algodão
A distribuição do plantio ao longo da janela é outra estratégia adotada para reduzir a exposição ao risco climático. Gheno explica que evita concentrar toda a área em poucos dias, justamente para não comprometer toda a safra caso ocorra uma interrupção das chuvas.
“Não vai concentrar todo em um período só, em uma semana ou em quinze dias. Vai dando um pouco mais de espaço. Já contando, se der algum atrapalho, você não comprometeu toda a safra”, comenta.
O planejamento também precisa considerar as culturas que vêm depois da soja. O produtor destaca que o algodão possui uma janela mais curta e, por isso, o calendário da oleaginosa precisa ser conduzido de forma a preservar espaço para a cultura.
A possibilidade de El Niño é acompanhada pelos agricultores. Gheno diz que a expectativa é de que, caso o fenômeno se confirme, não venha com intensidade agressiva a ponto de prejudicar o planejamento.
Enquanto alguns produtores já avançaram, outros ainda aguardam. O meteorologista Arthur Muller, do Canal Rural, diferencia as áreas que receberam volumes elevados de chuva daquelas que ainda precisam de mais precipitações. Para quem já recebeu mais de 100 milímetros e tem boa palhada, a condição pode permitir o avanço. Já quem ainda espera por uma chuva mais consistente deve ter cautela neste início da semeadura.
“A tendência é dessa chuva começar a firmar a partir da segunda quinzena de outubro”, aponta Muller.
Chuva também influencia o milho segunda safra
A avaliação climática não termina com a implantação da soja. O comportamento das chuvas nos próximos meses também será importante para o planejamento do milho segunda safra em Mato Grosso.
Conforme Muller, a tendência é de que dezembro e janeiro sejam meses muito chuvosos no estado. Nesse cenário, o desafio estará em conciliar a colheita da soja com a implantação do milho.
“O maior problema no período vai ser de colher a soja e implementar esse milho segunda safra”, avalia o meteorologista.
Ao mesmo tempo, ele considera que um eventual atraso no plantio do milho não representa, neste momento, um problema necessariamente grave, já que as condições climáticas de longo prazo não indicam uma interrupção antecipada das chuvas.
Agro Mato Grosso
Paraguaio é identificado entre os 3 mortos em queda de avião em MT

A identidade da terceira vítima ainda não foi divulgada, no entanto, segundo a perícia, ela também era de nacionalidade paraguaia.
Foi identificado como Luis Alberto Martinezz, de 44 anos, uma das três vítimas que morreram na queda de um avião na zona rural de Água Boa, a 730 km de Cuiabá, no dia 10 de setembro, conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). O dono da aeronave, Vanderlei Sattler, de 65 anos, foi identificado na última quinta-feira (17).
Luis era natural de Assunção, capital do Paraguai. Ainda não se sabe o que ele fazia dentro do veículo. Já Vanderlei era natural de Montenegro (RS) e sócio-administrador de uma empresa de assessoria aeronáutica. A identidade da terceira vítima ainda não foi divulgada, no entanto, segundo a perícia, ela também era de nacionalidade paraguaia.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a aeronave tinha como destino a Venezuela e pode ter sido usada no tráfico internacional de drogas.
A Polícia Civil também investiga a origem e o destino do voo, além das circunstâncias da queda e de um possível envolvimento da aeronave com o transporte de drogas.
Segundo a Polícia Civil, o avião é um Cessna, prefixo N401NA e não tem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Um dos pontos investigados é justamente a compra da aeronave. Levantamentos apontam que o avião teria sido adquirido por um valor elevado por uma pessoa cuja situação financeira, conforme a investigação, não seria compatível com a negociação.
O pagamento teria ocorrido parte em dinheiro e parte por meio de um veículo de alto valor. A polícia identificou que esse veículo já esteve registrado em nome de uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.
Além disso, um dos ocupantes do avião tinha pendências judiciais no país de origem e restrição para deixar o território nacional, conforme a investigação. Os nomes investigados não foram divulgados pela Polícia Civil para não prejudicar a apuração.
A investigação aponta ainda que a aeronave decolou de Goiânia sem documentação válida, autorização ou plano de voo aprovado. Essas circunstâncias são consideradas pela polícia como indícios que reforçam a hipótese de que se tratava de uma operação clandestina.
A análise do itinerário indica que o avião poderia seguir para um país vizinho, com possível destino à Venezuela. Segundo a Polícia Civil, familiares dos passageiros também relataram aos investigadores que um dos ocupantes havia informado que viajaria para o país.
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Queda e incêndio
O avião pegou fogo após cair em uma região isolada de Água Boa e foi destruído pelas chamas. Os três ocupantes foram identificados preliminarmente como um brasileiro e dois paraguaios.
A partir da reconstrução do itinerário e da análise de imagens de câmeras de segurança que registraram o embarque, os investigadores chegaram aos familiares dos ocupantes, que auxiliaram no reconhecimento das vítimas.
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Bombeiros tentam combater incêndio após queda de avião em MT — Foto: Reprodução
A Polícia Civil ressalta, porém, que a identificação definitiva depende dos exames periciais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Por questões de logística, os corpos foram encaminhados à Diretoria Metropolitana de Medicina Legal, em Cuiabá.
As investigações estão em fase final e aguardam a conclusão dos laudos periciais, especialmente os relacionados à identificação técnica das vítimas. A polícia também continua analisando a compra da aeronave, a forma de pagamento, o itinerário e as circunstâncias do voo para esclarecer se o avião estava relacionado ao tráfico internacional de drogas.
Agro Mato Grosso
BASF anuncia nova estrutura para Soluções para Agricultura

Reorganização amplia autonomia dos mercados locais e coloca Marcelo Batistela no comando da operação brasileira
A BASF Soluções para Agricultura anunciou nova estrutura organizacional com foco nos clientes e nos sistemas de cultivo. O modelo amplia a autonomia estratégica, financeira e operacional da companhia e entra oficialmente em vigor em 1º de janeiro de 2027.
No Brasil, Marcelo Batistela assume como vice-presidente sênior de Negócios e diretor-geral da BASF Soluções para Agricultura Brasil. Engenheiro agrônomo, o executivo acumula 23 anos na companhia. Sua trajetória inclui posições em vendas, marketing, excelência comercial e gestão de negócios no Brasil e no exterior. Desde 2023, lidera a divisão de Soluções para Agricultura no país.
A nova organização busca acelerar decisões nos países e ampliar a proximidade com agricultores. A estrutura também reforça a abordagem por sistemas de cultivo. O modelo conecta conhecimentos, inovações, produtos e serviços em soluções integradas para diferentes etapas, do plantio à colheita.
Outras mudanças
Christian Tell assumirá em 1º de janeiro de 2027 a vice-presidência de Negócios da BASF Soluções para Agricultura América LATAM West. Ele atua na BASF há 23 anos e lidera a área de Soluções para Agricultura na Itália desde 2023.
As operações do Brasil e de LATAM West passarão a responder diretamente à liderança global de Negócios, comandada por Maximilian Becker, membro do Conselho de Administração da BASF Soluções para Agricultura.
Sergi Vizoso Sansano, responsável pelos negócios agrícolas da BASF na América Latina desde janeiro de 2020, assumirá a vice-presidência sênior de Negócios da Ásia-Pacífico, com sede em Singapura.
A implementação da nova estrutura já começou. Segundo a empresa, a reorganização também apoia a evolução da unidade agrícola como negócio independente, dedicado exclusivamente à agricultura.
Agro Mato Grosso
Algodão: custos pressionam rentabilidade em Mato Grosso

Preço médio de R$ 129,67/@ cobre custos operacional efetivo e total, mas mantém margem do produtor apertada
A rentabilidade do algodão em Mato Grosso segue pressionada pelos custos de produção, apesar da valorização dos preços nos últimos meses. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra 2026/27 foi estimado em R$ 15.250,61 por hectare em agosto, enquanto o Custo Operacional Total (COT) alcançou R$ 16.264,37/ha.
O custeio da temporada foi estimado em R$ 10.617,82/ha, recuo de 0,11% em relação a julho. Já o COE apresentou alta mensal de 0,13%, influenciado principalmente pelo aumento de 4,72% nas despesas com arrendamento. O Custo Total (CT) ficou projetado em R$ 18.709,02/ha, avanço de 0,21% no mês.
Considerando a produtividade média dos últimos três anos, de 126,86 arrobas de pluma por hectare, o produtor precisa obter pelo menos R$ 120,06/@ para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço mínimo sobe para R$ 128,20/@, enquanto a cobertura do CT exige R$ 147,47/@.
Até agosto, o preço médio ponderado de comercialização da safra 2026/27 estava em R$ 129,67/@. Com esse valor, segundo o Imea, é possível cobrir o COE e o COT, mas a margem permanece apertada. O instituto destaca que, mesmo diante das altas recentes nos preços, a rentabilidade do cotonicultor continua pressionada, reforçando a importância de uma gestão eficiente no planejamento da próxima temporada.
Área deve crescer em Mato Grosso
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta aumento de 3,38% na área cultivada com algodão em Mato Grosso na safra 2026/27. Por ser o principal produtor nacional, o estado deve registrar, em termos absolutos, o maior incremento de área entre as unidades da federação.
No cenário nacional, a área cultivada deve alcançar 2,09 milhões de hectares, alta de 3,68% em relação à safra 2025/26. Os maiores crescimentos percentuais são esperados em Rondônia, de 28,79%, Maranhão, de 9,48%, e Piauí, de 8,29%.
A produtividade brasileira, por outro lado, deve recuar 3,23% na comparação com a projeção para a temporada 2025/26. De acordo com o Imea, a estimativa considera as incertezas relacionadas aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño sobre as lavouras.
Mesmo com a redução esperada no rendimento, a expansão da área deve contribuir para sustentar a produção nacional. A Conab projeta 10,05 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2026/27, aumento de 0,33% ante a estimativa para o ciclo anterior.
Mercado
No mercado cambial, o dólar corrente avançou 1,15% na semana, em meio ao aumento da aversão ao risco global e às incertezas fiscais e institucionais no Brasil.
A cotação do caroço de algodão recuou 4,35% no período. Segundo o Imea, o movimento está relacionado ao avanço do beneficiamento e à consequente maior disponibilidade do coproduto no mercado.
Já a paridade de exportação para o contrato de julho de 2027 caiu 2,85% na semana, acompanhando a desvalorização do contrato correspondente na Bolsa de Nova York.
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