Agro Mato Grosso
Primeiro Censo de primatas encontra espécies ameaçadas de extinção em espaços urbanos de MT; conheça

Pesquisa encontrou seis espécies de primatas, sendo quatro delas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
O primeiro censo de primatas realizado em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, identificou seis espécies em dois dos quatro fragmentos de vegetação localizados em áreas urbanas e periurbanas do município. Entre os animais registrados estão quatro espécies ameaçadas de extinção, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, considerado criticamente em perigo (assista acima).
O levantamento foi realizado neste ano pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e percorreu a Reserva Surucuá, a Fazenda Anacã, o Parque Zoobotânico e o Retiro dos Padres.
Foram registradas as seguintes espécies:
- bugio-vermelho (Alouatta puruensis);
- macaco-da-noite (Aotus azarae);
- macaco-aranha-da-cara-preta (Ateles chamek);
- mico-de-Schneider (Mico schneideri);
- zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi);
- macaco-prego (Sapajus apella).
De acordo com o biólogo e pesquisador associado ao Projeto Reconecta, Luan Goebel, ainda não há um número exato de indivíduos e grupos registrados. Segundo ele, como este foi o primeiro levantamento, a proposta é repetir o Censo e ampliar o esforço de campo para obter estimativas mais precisas sobre o tamanho e a distribuição das populações.
O biólogo João Biagini, que não participou do Censo e foi ouvido pelo especialista independente, avalia que a presença das seis espécies dá relevância ambiental aos fragmentos monitorados.
“A presença dessas seis espécies registradas demonstra que tais fragmentos possuem grande relevância ambiental, funcionando como refúgios onde ainda existem populações ativas vivendo, utilizando os recursos disponíveis e se reproduzindo”, disse.
Quatro espécies ameaçadas
Das seis espécies encontradas, quatro estão na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN): bugio-vermelho, macaco-aranha-da-cara-preta, mico-de-Schneider e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.
O zogue-zogue-de-Alta-Floresta está na categoria Criticamente em Perigo. Já o macaco-prego é classificado como Menos Preocupante.
Durante o trabalho, os pesquisadores também observaram os animais se alimentando e registraram as plantas utilizadas como recurso. Segundo Luan, essas informações podem orientar ações para melhorar a qualidade dos fragmentos e ampliar a oferta de recursos para os primatas.
Um dos animais que chama atenção pela dificuldade de observação é o macaco-da-noite, que possui hábitos noturnos.
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O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton
Drones ajudam a localizar animais
Além da observação realizada nas trilhas, o censo contou com drones equipados com câmera térmica. A tecnologia foi utilizada para ampliar a capacidade de localização dos animais, principalmente em locais de difícil acesso ou com vegetação densa.
Durante o levantamento, foram registrados com o auxílio do equipamento, indivíduos de macaco-prego, macaco-aranha e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.
“A câmera identifica o calor corporal dos animais, permitindo localizar indivíduos que poderiam passar despercebidos durante as buscas nas trilhas”, disse Luan.
O biólogo afirmou ainda que o drone permite observar os animais a uma distância maior e registrar imagens e vídeos de comportamentos que poderiam não ser percebidos durante as buscas tradicionais. Assim, a tecnologia funciona como complemento ao trabalho realizado em campo.
Para a bióloga e coordenadora do Projeto Reconecta, Fernanda Abra, a presença dessas espécies dentro do município deve ser valorizada como um patrimônio ambiental. Segundo ela, é possível encontrar espécies emblemáticas da Amazônia, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, símbolo do município e criticamente ameaçado de extinção, e o macaco-aranha.
“A presença desses animais deve ser vista, antes de tudo, como um patrimônio ambiental de Alta Floresta”, afirmou.
Para a bióloga, a conservação exige planejamento urbano, educação ambiental e medidas que permitam a permanência segura da fauna nos fragmentos.
Fragmentação e atropelamentos
A presença dos animais nos fragmentos, no entanto, também evidencia a necessidade de manter essas áreas e permitir a circulação dos primatas entre elas. Luan aponta a perda, a redução e o isolamento dos fragmentos florestais como alguns dos principais riscos para os primatas. Essas mudanças diminuem o espaço disponível e dificultam o deslocamento dos animais.
A falta de conexão entre as áreas pode fazer com que os animais precisem deixar as copas de árvores para chegar a outros fragmentos.
“Sem a continuidade das copas das árvores, os macacos não conseguem atravessar para outras áreas sem descer ao solo, e é exatamente ali que mora o perigo de serem atropelados”, explicou o biólogo João.
O atropelamento também é uma preocupação no município. Uma das estratégias adotadas é o Programa Alta Floresta Não Atropela, que utiliza pontes de dossel para permitir a passagem dos animais entre áreas de vegetação. Segundo Luan, as estruturas já registraram cerca de 15 mil travessias seguras e nenhum atropelamento nos trechos monitorados.
Outra orientação é que os moradores não alimentem nem tentem interagir com os animais silvestres. A recomendação integra ações de educação ambiental desenvolvidas no município e busca preservar o comportamento natural da fauna.
Fernanda destaca que os moradores também devem respeitar os limites de velocidade, principalmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais.
“A principal mudança no comportamento dos moradores seria respeitar os limites de velocidade, especialmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais, e nunca alimentar ou tentar interagir com os animais silvestres”, disse.
O levantamento
A expectativa dos pesquisadores é que o levantamento seja realizado todos os anos. Um único censo permite obter um retrato das populações em determinado momento, enquanto a repetição do trabalho pode revelar mudanças ao longo do tempo.
Para João, o acompanhamento contínuo pode revelar aspectos que não aparecem em um levantamento pontual.
“Enquanto um levantamento único serve essencialmente para inventariar as espécies que habitam o local, um acompanhamento continuado revelaria indicadores cruciais como a taxa de sucesso reprodutivo, o índice de mortalidade e os motivos reais pelos quais os primatas estão morrendo”, afirmou.
Fernanda também destaca que o monitoramento ao longo dos anos poderá mostrar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade e ajudar a avaliar a efetividade das medidas de conservação.
“Daqui a cinco ou dez anos, também será possível avaliar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade, identificar áreas prioritárias para conservação e verificar se ações como as pontes de dossel, a recuperação de áreas verdes e a educação ambiental estão contribuindo para a permanência dessas espécies”, contou.
Com o monitoramento contínuo, os pesquisadores esperam identificar mudanças na distribuição das espécies e ameaças à fauna ao longo dos anos. Os dados também poderão orientar novas ações de conservação e ajudar a entender como os fragmentos florestais de Alta Floresta podem continuar abrigando essas populações.
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Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster
Agro Mato Grosso
Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta Imea

Os dados foram apresentados aos produtores rurais em Brasnorte e fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso
Agro Mato Grosso
Biostimulantes ampliam ação de fungos contra Diaphorina citri

Mistura com silício e quitosana elevou mortalidade do psilídeo em condições ambientais favoráveis
A associação de fungos entomopatogênicos com biostimulantes à base de dióxido de silício e quitosana aumentou a mortalidade de Diaphorina citri em parte dos bioensaios realizados em casa de vegetação. O desempenho, porém, dependeu das condições ambientais. Temperatura de 34 graus Celsius e umidade relativa próxima de 35 por cento limitaram a ação dos agentes biológicos. Sob 26 graus Celsius e umidade relativa ao redor de 67 por cento, os tratamentos com fungos reduziram a sobrevivência do psilídeo.
Estudo avaliou formulações comerciais de Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Cordyceps fumosorosea, também apresentada no trabalho como sinônimo de Isaria fumosorosea. Os pesquisadores aplicaram os fungos isoladamente ou em mistura com biostimulantes contendo dióxido de silício e D-glucosamina proveniente de quitosana. O objetivo envolveu a avaliação da compatibilidade da mistura em tanque e de seus efeitos sobre a mortalidade de adultos de Diaphorina citri, principal vetor do Huanglongbing, o HLB (doi 10.3390/insects17090947).
Seis bioensaios
Os pesquisadores conduziram seis bioensaios em casas de vegetação da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. As plantas hospedeiras utilizadas foram de Murraya paniculata. Os insetos vieram de uma colônia livre de Candidatus Liberibacter asiaticus. Os adultos tinham entre sete e dez dias após a emergência.
O primeiro bioensaio ocorreu em casa de vegetação sem climatização, sob temperatura de 34 graus Celsius, com variação de dois graus, e umidade relativa próxima de 35 por cento. Nessas condições, Beauveria bassiana, aplicada sozinha ou com os biostimulantes, não elevou a mortalidade de Diaphorina citri em relação ao controle sem tratamento. Os pesquisadores relacionam o resultado ao ambiente desfavorável ao desenvolvimento dos fungos entomopatogênicos.
O segundo ensaio ocorreu sob temperatura de 26 graus Celsius, com variação de dois graus, e umidade relativa próxima de 67 por cento. Nesse ambiente, Beauveria bassiana e a combinação do fungo com os biostimulantes provocaram mortalidade superior à registrada no controle. Os bioensaios seguintes mantiveram essas condições ambientais.
Experimentos três a cinco
Nos experimentos três a cinco, os pesquisadores avaliaram também Metarhizium anisopliae e Cordyceps fumosorosea, além de Beauveria bassiana. No sexto bioensaio, o desenho experimental foi reduzido a seis tratamentos, contemplando apenas Beauveria bassiana e Cordyceps fumosorosea — isolados ou combinados aos biostimulantes —, além dos controles com água e com os biostimulantes sozinhos; Metarhizium anisopliae não fez parte desse último ensaio. O protocolo incluiu duas pulverizações. A primeira ocorreu 24 horas após a liberação dos insetos. A segunda ocorreu 192 horas após a liberação. Cada aplicação utilizou dez mililitros de calda por gaiola, com cinco mililitros dirigidos de cima para baixo e cinco mililitros de baixo para cima.
Os resultados indicaram ausência de antagonismo dos biostimulantes sobre os fungos comerciais. Em alguns ensaios, a associação aumentou a mortalidade do psilídeo em comparação com o fungo aplicado isoladamente. No quarto bioensaio, a combinação de Beauveria bassiana com os biostimulantes apresentou mortalidade superior à aplicação isolada do fungo na avaliação realizada após 192 horas. No quinto ensaio, a mesma associação também superou Beauveria bassiana aplicada sem os biostimulantes.
Sexto bioensaio
No sexto bioensaio, Cordyceps fumosorosea associado aos biostimulantes reduziu a sobrevivência dos insetos nas avaliações realizadas após 24, 192 e 480 horas. A combinação de Beauveria bassiana com os biostimulantes apresentou efeito significativo nas avaliações de 192 e 480 horas. No final do experimento, os tratamentos formados por fungos e biostimulantes superaram tanto o controle sem tratamento quanto a aplicação isolada dos biostimulantes.
A inclusão de um adjuvante organossiliconado, avaliada no quarto ensaio, não aumentou a mortalidade dos insetos. O estudo também mostrou vantagem do inseticida sintético usado como referência. A combinação de lambda-cialotrina e clorantraniliprole apresentou mortalidade inicial mais rápida e, em vários ensaios, superior à registrada com os agentes biológicos.
Segundo os pesquisadores, essa diferença no tempo de ação representa uma limitação importante no manejo de Diaphorina citri. Fungos entomopatogênicos demandam um período maior para infecção e morte do hospedeiro. Para um inseto vetor, a rapidez do controle ganha importância devido ao risco de transmissão do agente associado ao HLB.
Influência do microclima
Os dados também reforçam a influência do microclima sobre o controle biológico. O estudo não permite definir limites exatos de proteção oferecidos pelos biostimulantes em situações de calor e baixa umidade. Os próprios pesquisadores destacam uma limitação experimental: os dois primeiros bioensaios ocorreram em casas de vegetação diferentes e em momentos distintos. Assim, os efeitos de temperatura e umidade também ficaram associados a variações espaciais e temporais.
A pesquisa aponta a mistura em tanque de fungos entomopatogênicos comerciais com dióxido de silício e quitosana como alternativa compatível para programas de manejo integrado de Diaphorina citri. O resultado depende, contudo, de condições ambientais favoráveis à atividade dos fungos. Os pesquisadores recomendam novos estudos em câmaras climáticas, com diferentes combinações de temperatura e umidade relativa, além de ensaios em campo para avaliar persistência, eficiência operacional e viabilidade da estratégia em pomares comerciais.
O trabalho foi realizado por Éder M. Carrilho, Paulo S. G. Cremonez, Luciano M. de Oliveira, Fernando T. Hata, Maurício U. Ventura e Humberto G. Androcioli.
Agro Mato Grosso
VÍDEO: cobras ‘dançam’ durante disputa por fêmea e formam ‘bolo nupcial’ em MT

Registro mostra três cobras caninanas entrelaçadas durante o acasalamento. Segundo biólogo, dois machos se empurram e medem forças para conseguir acasalar com a fêmea.
Uma cena rara de acasalamento entre três cobras caninanas foi registrada em uma propriedade rural próxima a Cáceres, a 220 km de Cuiabá. O vídeo foi feito por Luís Felipe Monteiro César, de 25 anos, enquanto ele trabalhava no local, na última terça-feira (8).
Nas imagens, as três serpentes aparecem inicialmente entrelaçadas, formando o que os biólogos chamam de “bolo nupcial”. Em seguida, dois dos animais erguem parte do corpo e começam uma disputa que, à primeira vista, se assemelha a uma luta ou até mesmo a uma dança. Enquanto os dois machos se enfrentam, a fêmea permanece entrelaçada, acasalando com um deles (assista abaixo acima).
O biólogo Luiz Eduardo Saragiotto explicou que o comportamento faz parte da disputa reprodutiva da espécie. Segundo ele, os machos se empurram e tentam demonstrar força para conseguir acesso à fêmea.
A presença de mais de um macho também não é incomum nesse período. Uma mesma fêmea pode atrair diferentes parceiros e até acasalar com mais de um deles durante o ciclo reprodutivo.
“É comum a fêmea no ‘cio’ atrair mais de um macho, inclusive acasalar com mais de um. Essa dinâmica pode acontecer por horas ou até por mais de um dia”, afirmou.
De acordo com o especialista, apesar de esse tipo de comportamento fazer parte da reprodução das serpentes na natureza, conseguir presenciar e registrar a cena é raro.
🐍 Spilotes pullatus
Conhecida cientificamente como Spilotes pullatus, a caninana é uma das maiores serpentes do Brasil e pode ultrapassar 2,5 metros. Apesar de não ser peçonhenta, pode adotar postura defensiva quando se sente ameaçada, erguendo a cabeça, achatando o pescoço e podendo até morder.
Apesar da postura intimidadora, ela não possui veneno e não representa risco direto aos humanos. Ela pode ser encontrada em praticamente todos os biomas do país, com exceção dos Pampas.
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