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15 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Primeiro Censo de primatas encontra espécies ameaçadas de extinção em espaços urbanos de MT; conheça

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O primeiro censo de primatas realizado em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, identificou seis espécies em dois dos quatro fragmentos de vegetação localizados em áreas urbanas e periurbanas do município. Entre os animais registrados estão quatro espécies ameaçadas de extinção, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, considerado criticamente em perigo (assista acima).

O levantamento foi realizado neste ano pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e percorreu a Reserva Surucuá, a Fazenda Anacã, o Parque Zoobotânico e o Retiro dos Padres.

Foram registradas as seguintes espécies:

  • bugio-vermelho (Alouatta puruensis);
  • macaco-da-noite (Aotus azarae);
  • macaco-aranha-da-cara-preta (Ateles chamek);
  • mico-de-Schneider (Mico schneideri);
  • zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi);
  • macaco-prego (Sapajus apella).

De acordo com o biólogo e pesquisador associado ao Projeto Reconecta, Luan Goebel, ainda não há um número exato de indivíduos e grupos registrados. Segundo ele, como este foi o primeiro levantamento, a proposta é repetir o Censo e ampliar o esforço de campo para obter estimativas mais precisas sobre o tamanho e a distribuição das populações.

O biólogo João Biagini, que não participou do Censo e foi ouvido pelo especialista independente, avalia que a presença das seis espécies dá relevância ambiental aos fragmentos monitorados.

“A presença dessas seis espécies registradas demonstra que tais fragmentos possuem grande relevância ambiental, funcionando como refúgios onde ainda existem populações ativas vivendo, utilizando os recursos disponíveis e se reproduzindo”, disse.

 

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Quatro espécies ameaçadas

Das seis espécies encontradas, quatro estão na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN): bugio-vermelho, macaco-aranha-da-cara-preta, mico-de-Schneider e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.

O zogue-zogue-de-Alta-Floresta está na categoria Criticamente em Perigo. Já o macaco-prego é classificado como Menos Preocupante.

Durante o trabalho, os pesquisadores também observaram os animais se alimentando e registraram as plantas utilizadas como recurso. Segundo Luan, essas informações podem orientar ações para melhorar a qualidade dos fragmentos e ampliar a oferta de recursos para os primatas.

Um dos animais que chama atenção pela dificuldade de observação é o macaco-da-noite, que possui hábitos noturnos.

O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton

O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton

Drones ajudam a localizar animais

Além da observação realizada nas trilhas, o censo contou com drones equipados com câmera térmica. A tecnologia foi utilizada para ampliar a capacidade de localização dos animais, principalmente em locais de difícil acesso ou com vegetação densa.

Durante o levantamento, foram registrados com o auxílio do equipamento, indivíduos de macaco-prego, macaco-aranha e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.

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“A câmera identifica o calor corporal dos animais, permitindo localizar indivíduos que poderiam passar despercebidos durante as buscas nas trilhas”, disse Luan.

O biólogo afirmou ainda que o drone permite observar os animais a uma distância maior e registrar imagens e vídeos de comportamentos que poderiam não ser percebidos durante as buscas tradicionais. Assim, a tecnologia funciona como complemento ao trabalho realizado em campo.

Para a bióloga e coordenadora do Projeto Reconecta, Fernanda Abra, a presença dessas espécies dentro do município deve ser valorizada como um patrimônio ambiental. Segundo ela, é possível encontrar espécies emblemáticas da Amazônia, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, símbolo do município e criticamente ameaçado de extinção, e o macaco-aranha.

“A presença desses animais deve ser vista, antes de tudo, como um patrimônio ambiental de Alta Floresta”, afirmou.

Para a bióloga, a conservação exige planejamento urbano, educação ambiental e medidas que permitam a permanência segura da fauna nos fragmentos.

Fragmentação e atropelamentos

A presença dos animais nos fragmentos, no entanto, também evidencia a necessidade de manter essas áreas e permitir a circulação dos primatas entre elas. Luan aponta a perda, a redução e o isolamento dos fragmentos florestais como alguns dos principais riscos para os primatas. Essas mudanças diminuem o espaço disponível e dificultam o deslocamento dos animais.

A falta de conexão entre as áreas pode fazer com que os animais precisem deixar as copas de árvores para chegar a outros fragmentos.

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“Sem a continuidade das copas das árvores, os macacos não conseguem atravessar para outras áreas sem descer ao solo, e é exatamente ali que mora o perigo de serem atropelados”, explicou o biólogo João.

O atropelamento também é uma preocupação no município. Uma das estratégias adotadas é o Programa Alta Floresta Não Atropela, que utiliza pontes de dossel para permitir a passagem dos animais entre áreas de vegetação. Segundo Luan, as estruturas já registraram cerca de 15 mil travessias seguras e nenhum atropelamento nos trechos monitorados.

Outra orientação é que os moradores não alimentem nem tentem interagir com os animais silvestres. A recomendação integra ações de educação ambiental desenvolvidas no município e busca preservar o comportamento natural da fauna.

Fernanda destaca que os moradores também devem respeitar os limites de velocidade, principalmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais.

“A principal mudança no comportamento dos moradores seria respeitar os limites de velocidade, especialmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais, e nunca alimentar ou tentar interagir com os animais silvestres”, disse.

 

O levantamento

A expectativa dos pesquisadores é que o levantamento seja realizado todos os anos. Um único censo permite obter um retrato das populações em determinado momento, enquanto a repetição do trabalho pode revelar mudanças ao longo do tempo.

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Para João, o acompanhamento contínuo pode revelar aspectos que não aparecem em um levantamento pontual.

“Enquanto um levantamento único serve essencialmente para inventariar as espécies que habitam o local, um acompanhamento continuado revelaria indicadores cruciais como a taxa de sucesso reprodutivo, o índice de mortalidade e os motivos reais pelos quais os primatas estão morrendo”, afirmou.

Fernanda também destaca que o monitoramento ao longo dos anos poderá mostrar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade e ajudar a avaliar a efetividade das medidas de conservação.

“Daqui a cinco ou dez anos, também será possível avaliar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade, identificar áreas prioritárias para conservação e verificar se ações como as pontes de dossel, a recuperação de áreas verdes e a educação ambiental estão contribuindo para a permanência dessas espécies”, contou.

Com o monitoramento contínuo, os pesquisadores esperam identificar mudanças na distribuição das espécies e ameaças à fauna ao longo dos anos. Os dados também poderão orientar novas ações de conservação e ajudar a entender como os fragmentos florestais de Alta Floresta podem continuar abrigando essas populações.

Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster

Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster

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Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

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Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura

Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.

Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.

“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.

A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.

Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.

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“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.

O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.

“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.

Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.

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Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

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Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões

A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.

De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.

Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.

Inseticidas seguem na liderança

Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26
Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.

Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.

Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.

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Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.

Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.

Estudo representa 97% da área culutivada no país

Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.

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Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

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Projeção indica crescimento de 18,67% na produção estadual; em Lucas do Rio Verde, representantes da indústria e do setor agropecuário conheceram as operações da FS

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