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30 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Primeiro Censo de primatas encontra espécies ameaçadas de extinção em espaços urbanos de MT; conheça

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O primeiro censo de primatas realizado em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, identificou seis espécies em dois dos quatro fragmentos de vegetação localizados em áreas urbanas e periurbanas do município. Entre os animais registrados estão quatro espécies ameaçadas de extinção, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, considerado criticamente em perigo (assista acima).

O levantamento foi realizado neste ano pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e percorreu a Reserva Surucuá, a Fazenda Anacã, o Parque Zoobotânico e o Retiro dos Padres.

Foram registradas as seguintes espécies:

  • bugio-vermelho (Alouatta puruensis);
  • macaco-da-noite (Aotus azarae);
  • macaco-aranha-da-cara-preta (Ateles chamek);
  • mico-de-Schneider (Mico schneideri);
  • zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi);
  • macaco-prego (Sapajus apella).

De acordo com o biólogo e pesquisador associado ao Projeto Reconecta, Luan Goebel, ainda não há um número exato de indivíduos e grupos registrados. Segundo ele, como este foi o primeiro levantamento, a proposta é repetir o Censo e ampliar o esforço de campo para obter estimativas mais precisas sobre o tamanho e a distribuição das populações.

O biólogo João Biagini, que não participou do Censo e foi ouvido pelo especialista independente, avalia que a presença das seis espécies dá relevância ambiental aos fragmentos monitorados.

“A presença dessas seis espécies registradas demonstra que tais fragmentos possuem grande relevância ambiental, funcionando como refúgios onde ainda existem populações ativas vivendo, utilizando os recursos disponíveis e se reproduzindo”, disse.

 

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Quatro espécies ameaçadas

Das seis espécies encontradas, quatro estão na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN): bugio-vermelho, macaco-aranha-da-cara-preta, mico-de-Schneider e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.

O zogue-zogue-de-Alta-Floresta está na categoria Criticamente em Perigo. Já o macaco-prego é classificado como Menos Preocupante.

Durante o trabalho, os pesquisadores também observaram os animais se alimentando e registraram as plantas utilizadas como recurso. Segundo Luan, essas informações podem orientar ações para melhorar a qualidade dos fragmentos e ampliar a oferta de recursos para os primatas.

Um dos animais que chama atenção pela dificuldade de observação é o macaco-da-noite, que possui hábitos noturnos.

O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton

O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton

Drones ajudam a localizar animais

Além da observação realizada nas trilhas, o censo contou com drones equipados com câmera térmica. A tecnologia foi utilizada para ampliar a capacidade de localização dos animais, principalmente em locais de difícil acesso ou com vegetação densa.

Durante o levantamento, foram registrados com o auxílio do equipamento, indivíduos de macaco-prego, macaco-aranha e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.

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“A câmera identifica o calor corporal dos animais, permitindo localizar indivíduos que poderiam passar despercebidos durante as buscas nas trilhas”, disse Luan.

O biólogo afirmou ainda que o drone permite observar os animais a uma distância maior e registrar imagens e vídeos de comportamentos que poderiam não ser percebidos durante as buscas tradicionais. Assim, a tecnologia funciona como complemento ao trabalho realizado em campo.

Para a bióloga e coordenadora do Projeto Reconecta, Fernanda Abra, a presença dessas espécies dentro do município deve ser valorizada como um patrimônio ambiental. Segundo ela, é possível encontrar espécies emblemáticas da Amazônia, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, símbolo do município e criticamente ameaçado de extinção, e o macaco-aranha.

“A presença desses animais deve ser vista, antes de tudo, como um patrimônio ambiental de Alta Floresta”, afirmou.

Para a bióloga, a conservação exige planejamento urbano, educação ambiental e medidas que permitam a permanência segura da fauna nos fragmentos.

Fragmentação e atropelamentos

A presença dos animais nos fragmentos, no entanto, também evidencia a necessidade de manter essas áreas e permitir a circulação dos primatas entre elas. Luan aponta a perda, a redução e o isolamento dos fragmentos florestais como alguns dos principais riscos para os primatas. Essas mudanças diminuem o espaço disponível e dificultam o deslocamento dos animais.

A falta de conexão entre as áreas pode fazer com que os animais precisem deixar as copas de árvores para chegar a outros fragmentos.

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“Sem a continuidade das copas das árvores, os macacos não conseguem atravessar para outras áreas sem descer ao solo, e é exatamente ali que mora o perigo de serem atropelados”, explicou o biólogo João.

O atropelamento também é uma preocupação no município. Uma das estratégias adotadas é o Programa Alta Floresta Não Atropela, que utiliza pontes de dossel para permitir a passagem dos animais entre áreas de vegetação. Segundo Luan, as estruturas já registraram cerca de 15 mil travessias seguras e nenhum atropelamento nos trechos monitorados.

Outra orientação é que os moradores não alimentem nem tentem interagir com os animais silvestres. A recomendação integra ações de educação ambiental desenvolvidas no município e busca preservar o comportamento natural da fauna.

Fernanda destaca que os moradores também devem respeitar os limites de velocidade, principalmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais.

“A principal mudança no comportamento dos moradores seria respeitar os limites de velocidade, especialmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais, e nunca alimentar ou tentar interagir com os animais silvestres”, disse.

 

O levantamento

A expectativa dos pesquisadores é que o levantamento seja realizado todos os anos. Um único censo permite obter um retrato das populações em determinado momento, enquanto a repetição do trabalho pode revelar mudanças ao longo do tempo.

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Para João, o acompanhamento contínuo pode revelar aspectos que não aparecem em um levantamento pontual.

“Enquanto um levantamento único serve essencialmente para inventariar as espécies que habitam o local, um acompanhamento continuado revelaria indicadores cruciais como a taxa de sucesso reprodutivo, o índice de mortalidade e os motivos reais pelos quais os primatas estão morrendo”, afirmou.

Fernanda também destaca que o monitoramento ao longo dos anos poderá mostrar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade e ajudar a avaliar a efetividade das medidas de conservação.

“Daqui a cinco ou dez anos, também será possível avaliar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade, identificar áreas prioritárias para conservação e verificar se ações como as pontes de dossel, a recuperação de áreas verdes e a educação ambiental estão contribuindo para a permanência dessas espécies”, contou.

Com o monitoramento contínuo, os pesquisadores esperam identificar mudanças na distribuição das espécies e ameaças à fauna ao longo dos anos. Os dados também poderão orientar novas ações de conservação e ajudar a entender como os fragmentos florestais de Alta Floresta podem continuar abrigando essas populações.

Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster

Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster

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Garimpo ilegal é fechado em distrito de Nossa Senhora do Livramento I MT

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Um garimpo ilegal foi fechado pela Polícia Militar nesta quinta-feira (29), no distrito de Ribeirão dos Cocais, em Nossa Senhora do Livramento, a 40 km de Cuiabá.

Segundo a polícia, a equipe encontrou a atividade em funcionamento dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP), com sinais de retirada de vegetação nativa, escavações, movimentação de solo e degradação ambiental.

Com a chegada dos policiais, várias pessoas que trabalhavam no local fugiram e não foram encontradas. Um operador de escavadeira hidráulica foi abordado e encaminhado ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISC) do Parque do Lago, em Várzea Grande.

Durante a fiscalização, os policiais também encontraram outros seis equipamentos usados na atividade. O operador não soube informar quem era o responsável pela exploração mineral e não apresentou licenças ambientais ou autorizações para o funcionamento do garimpo.

Segundo a PM, foram identificados indícios de crimes ambientais relacionados à intervenção em área de preservação permanente, à extração mineral sem autorização e ao funcionamento de atividade potencialmente poluidora sem licença ambiental.

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Dois motores estacionários foram inutilizados no local, pois não havia condições de removê-los imediatamente. Já a escavadeira hidráulica foi apreendida e levada ao pátio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT).

A fiscalização também resultou na aplicação de uma multa administrativa de R$ 18 mil. Foram registrados autos de inspeção, apreensão, destruição e infração, além de um boletim de ocorrência.

A atividade foi paralisada, e a área poderá ser submetida a medidas administrativas de embargo, conforme a legislação ambiental.

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Projeto busca ampliar industrialização da soja em MT

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Biorrefinaria em Mato Grosso deve produzir proteína isolada e outros seis produtos de valor agregado

O Grupo MJFEO, de Mato Grosso, representa no Brasil a tecnologia israelense para implantação de uma biorrefinaria voltada à produção de proteína isolada de soja e outros seis produtos de valor agregado. O projeto prevê capacidade mínima de processamento de 30 mil toneladas por ano e busca ampliar a industrialização da soja no país, agregando valor à produção agrícola.

A tecnologia é desenvolvida pela israelense Robtech LLP, empresa que atua na implantação de unidades industriais de proteína isolada de soja em diferentes países. O Grupo MJFEO é seu representante na América Latina e ficará responsável pelos projetos no modelo turnkey, que abrange desde a estruturação da captação de recursos até a execução das obras.

A planta projetada terá capacidade para produzir 25 mil toneladas anuais de proteína isolada de soja e, segundo o grupo, deverá se tornar a maior unidade brasileira dedicada a esse produto.

Industrialização da soja

A iniciativa busca ampliar a participação brasileira nas etapas de processamento industrial da soja. Embora o Brasil seja um dos principais produtores mundiais do grão, parte expressiva da produção ainda é exportada sem processamento adicional.

Na safra 2025/26, a produção brasileira de soja foi estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 180,6 milhões de toneladas. Segundo os dados apresentados pelo Grupo MJFEO, cerca de 60% do volume ainda é exportado em grão.

O projeto também mira o mercado de proteína isolada de soja, ingrediente utilizado pela indústria de alimentos e pela nutrição animal. De acordo com as projeções citadas pela empresa, o mercado mundial do produto poderá crescer de US$ 4 bilhões para US$ 9,3 bilhões até 2035, com a produção atualmente concentrada na China.

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Segundo o diretor executivo do Grupo MJFEO, Cleber Breancini, a tecnologia já acumula mais de 15 anos de operação em nove plantas. A empresa afirma que o abastecimento da unidade projetada exigiria menos de 0,1% da safra brasileira. “Há dez anos, esse projeto seria uma aposta. Hoje, é uma decisão de execução”, afirma Breancini.

Sete produtos a partir do grão

Além da proteína isolada de soja, que apresenta teor mínimo de 90% de proteína, a biorrefinaria deverá gerar outros seis produtos: óleo de soja, lecitina, proteína concentrada, farelo, melaço e fibras.

A proteína isolada é utilizada na fabricação de carnes processadas, produtos de panificação, bebidas, fórmulas infantis e suplementos para nutrição esportiva. Na alimentação animal, pode ser empregada em dietas de alta digestibilidade e como alternativa à farinha de peixe na aquicultura e na nutrição de animais jovens.

Os demais produtos também atendem a diferentes segmentos industriais. O óleo pode ser destinado à indústria alimentícia e à produção de biodiesel; a lecitina atua como emulsificante nos setores de alimentos, cosméticos e farmacêutico; e a proteína concentrada é utilizada na fabricação de alimentos e rações.

O farelo constitui uma fonte proteica para a alimentação de bovinos, suínos e aves. Já o melaço, rico em açúcares, pode ser utilizado na nutrição de bovinos, enquanto as fibras encontram aplicação na alimentação animal.

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Participação de produtores rurais

O Grupo MJFEO apresenta o empreendimento como uma oportunidade para ampliar a participação dos produtores rurais na cadeia de valor da soja. O modelo proposto permite que agricultores participem como investidores da unidade industrial, com o objetivo de obter retorno também sobre o processamento do grão.

“A onda do etanol de milho ensinou o agronegócio brasileiro a industrializar uma das commodities mais valiosas do país. Agora chegou a vez da soja passar por essa transformação”, afirma Breancini.

Para Mato Grosso, a proposta é ampliar a geração de renda, empregos e arrecadação por meio da industrialização próxima às regiões produtoras. Segundo a empresa, o projeto já foi apresentado a agricultores do estado, e a primeira reunião com investidores registrou adesão significativa.

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El Niño tem alerta para mosca-branca na soja em Mato Grosso

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Especialistas alertam para risco de mosca-branca na soja em Mato Grosso. Praga pode causar perdas de até 70% sem controle adequado.

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