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22 de agosto de 2026

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Da semente à mente, com o agro não se mente

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O complexo do agronegócio, que reúne todos os elos desde a genética, das sementes até a mente dos cidadãos, dos consumidores finais, está reunido umbilicalmente cada vez mais. As percepções mentais de consumidores do mundo associam o alimento, flores, energia renovável, fibras, meio ambiente com a sua originação.

Na grande síntese, produtoras e produtores rurais serão compreendidos como agentes globais da saúde da terra em todos os sentidos. Portanto, não iremos mais ao futuro numa perspectiva de exploração da atividade agropecuária como vivemos até hoje, com raras exceções.

Definitivamente, supermercados, redes de fast food, deliveries, marcas agroindustriais, moda, cosmética, ou seja, tudo o que é originado na natureza de solos, águas, mares agora também exige os “ares”. O invisível carbono fica percebido e a rastreabilidade, com valorização de cada nutriente administrado nos solos, nas plantas, nos animais, nas águas, será identificado por sistemas de inteligência artificial apontado num QRCode numa embalagem, numa marca de onde veio, quem fez, por que fez aquele produto à disposição ali no e-commerce planetário ou nos novos empórios naturais das esquinas dos bairros, nas feiras ou mesmo na camionete que para na minha rua toda a semana vendendo a hortifruticultura na confiança direta de produtor para consumidor.

Não haverá mercado para truques, para um elo dessa umbilical cadeia produtiva levar vantagem sobre a outra. A responsabilidade social será estampada nas marcas e serão analisadas, consumidas ou rejeitadas pelo novo cidadão do planeta. Portanto, desde a mente do cliente até a ciência da genética da semente tudo irá ser contado e contará nessa “accountability” de nano precisão.

Ao precisarmos tratar agora de planos de estado para o futuro do agro tropical brasileiro é vital que as lideranças deem saltos muito ao futuro para o trazer ao valor presente. As decisões das novas gerações irão exigir natureza, uma bio beleza onde vida e saúde se complementem. Precisaremos ir além dos hard aparelhos das logísticas, sistemas governamentais de crédito, seguros por conta exclusiva de agricultores. Fertilizantes das profundezas de minas e, sim, cada vez mais as pesquisas de encontrar nutrição em cada grânulo dos solos.

A revolução genética será disruptiva e vejo um jovem técnico ou produtor rural num diálogo digital integrando a inteligência humana com a artificial, combinando a edição gênica com um geneticista em qualquer parte do mundo, totalmente adequada e exclusiva para a sua prioridade e para fins específicos de vendas e de mercados da sua produção já contando com a devida agregação de valor posterior a sua fazenda contratada.

Da semente à mente, com o agro não se mente. O futuro já se faz aqui no presente. Hora de replanejar o que entendemos por planejamento estratégico e plano agro público e privado.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Você viu? Caroço de açaí vira nanofertilizante e eleva crescimento do sorgo em 164%

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Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento do milho e do sorgo. Essa reportagem, escrita originalmente por Vitória Rosendo, foi uma das mais lidas da semana.

Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.

O caroço do açaí é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.

Foram utilizadas nos testes as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.

O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal, que gera nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.

Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese. 

Aumento da eficiência

O pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Cláudio Carvalho conta que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais.

Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente.

“Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.

De resíduo a riqueza

De acordo com Carvalho, apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades.

Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante.

“Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.

Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro.

“Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa. 

“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho.

Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.

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Milho ganha força enquanto soja espera por novos sinais de demanda internacional

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Foto: Jornal da USP

Os dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em agosto mostraram uma mudança importante no equilíbrio entre a soja e o milho. Enquanto o cereal começa a encontrar espaço para uma recuperação no mercado internacional, a oleaginosa ainda enfrenta um obstáculo conhecido: a demanda.

A analista de inteligência e estratégia da Biond Agro Isabella Pliego destaca que no milho, estoques menores aumentam a sensibilidade do mercado a novas perdas de produção ou surpresas na demanda. Já na soja, o aumento da oferta norte-americana mantém os preços mais dependentes de novos estímulos, especialmente das compras chinesas.

Entretanto, no Brasil, o comportamento das bolsas internacionais é apenas parte da formação dos preços, que também depende de câmbio, prêmios e demanda.

Na soja, a produtividade dos Estados Unidos foi revisada de 59,40 para 59,07 sacas por hectare, mas a área colhida aumentou 1,7%, para 34,72 milhões de hectares. Com isso, a produção chegou a 122,99 milhões de toneladas, acima das 121,8 milhões esperadas pelo mercado.

Conforme o USDA, os estoques finais ficaram em 8,71 milhões de toneladas, enquanto a previsão de importação da China permaneceu em 115 milhões de toneladas.

Isabella Pliego destaca que o aumento da oferta norte-americana reduz espaço para uma alta mais consistente. “O que trava a soja hoje é demanda. O esmagamento maior sustenta farelo e óleo, mas não resolve o excedente de grão que precisa sair dos Estados Unidos”, afirma.

A produção brasileira de soja para 2026/27 permanece projetada em 186 milhões de toneladas. Nesse cenário, o mercado passa a depender de novos sinais de demanda chinesa ou de perdas mais significativas nas lavouras norte-americanas para ganhar sustentação.

Milho tem estoques mais apertados

No milho, a analista da Biond Agro destaca que a combinação entre exportações maiores e estoques menores mudou a percepção do mercado. Isso porque os embarques norte-americanos para 2025/26 subiram de 84,46 milhões para 86,36 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem recuaram de 51,31 milhões para 49,40 milhões.

Para 2026/27, os estoques finais foram projetados em 41,98 milhões de toneladas, queda de 7,65%. “A relação estoque/uso americana saiu do cenário mais confortável e entrou em patamar justo, e assim o mercado começa a precificar risco: com pouco colchão, qualquer problema de clima ou surpresa de demanda gera reação de preço desproporcional ao tamanho do dado”, contextualiza Isabella.

Apesar da produção norte-americana continuar elevada, em 406,75 milhões de toneladas, o menor volume disponível reduz a margem para novas perdas de produtividade ou aumento das exportações. O relatório do USDA mostra que a relação estoque/uso caiu de 11,01% para 10,12%, reforçando a mudança no balanço do cereal.

Câmbio segue decisivo

No mercado brasileiro, Isabella considera que os efeitos desse cenário ainda dependem de fatores domésticos. A projeção de estoques finais de milho para 2026/27 caiu de 11,1 milhões para 10,1 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno subiu de 98 milhões para 100 milhões de toneladas.

Para a especialista, a movimentação internacional precisa ser analisada em conjunto com as condições do mercado brasileiro. “Câmbio, prêmios da soja e exportações brasileiras de grãos continuam definindo quanto do movimento externo chega ao produtor. No milho, o consumo doméstico brasileiro também ganha importância”, afirma.

O cenário desenhado pelos dados do USDA coloca milho e soja em momentos distintos. Enquanto o cereal passa a operar com menor margem de segurança nos estoques norte-americanos e fica mais sensível a fatores como clima e demanda, a soja ainda precisa de novos estímulos para reduzir a pressão provocada pela oferta.

Para o mercado brasileiro, Isabella contextualiza que a combinação entre esses fatores externos e as condições domésticas será determinante para definir os próximos movimentos de preços.

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O que diferencia os profissionais mais preparados no mercado de commodities agrícolas

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Fonte: Safras & Mercado

Em um mercado em que clima, câmbio, logística, política comercial e demanda global podem alterar rapidamente a formação dos preços, tomar boas decisões depende da capacidade de interpretar cenários cada vez mais complexos.

No mercado de commodities agrícolas, uma decisão raramente é tomada com todas as variáveis conhecidas. Em muitos casos, é preciso escolher entre antecipar uma compra, aproveitar uma portunidade de venda, proteger parte da margem ou aguardar novas informações sem perder a janela de negociação.

Produtores, cooperativas, indústrias, tradings e instituições financeiras podem acompanhar as mesmas cotações e chegar a conclusões diferentes. Isso não significa que uma das leituras esteja necessariamente errada. Cada agente parte de uma posição comercial, de um prazo, de uma necessidade de caixa e de uma exposição própria ao risco.

O profissional mais preparado, portanto, não é o que acumula mais notícias ou projeções, mas aquele que sabe separar o que realmente afeta a operação, explicar os critérios de sua recomendação e rever a estratégia quando as condições mudam.

Essa exigência ajuda a explicar por que empresas vêm investindo em inteligência de mercado, ferramentas de análise e formação especializada. O objetivo não é eliminar a incerteza, algo impossível nesse setor, mas melhorar a qualidade das perguntas e das decisões tomadas sob pressão.

Decisões melhores exigem uma visão integrada do mercado

Uma alta nas referências internacionais pode abrir uma oportunidade de venda para o produtor, encarecer a matéria-prima para uma indústria ou exigir que uma trading reveja sua posição antes de assumir novos compromissos. A informação é a mesma; o efeito sobre cada operação, não.

Por isso, preço nunca deveria ser analisado sozinho. Câmbio, frete, qualidade, prazo de entrega, disponibilidade regional, necessidade de abastecimento e alternativas de proteção podem transformar uma cotação aparentemente atraente em uma negociação pouco vantajosa.

Essa leitura obriga áreas comercial, financeira, de abastecimento, operação e gestão de risco a conversar antes da decisão, e não depois dela. Quando cada frente trabalha com uma referência diferente ou olha apenas para sua própria meta, riscos já presentes na operação podem aparecer tarde demais.

Rotinas de inteligência de mercado ajudam a reduzir esse problema ao reunir indicadores, análises e referências em uma base comum. O valor não está apenas em centralizar informação, mas em permitir que diferentes áreas discutam o mesmo cenário com critérios comparáveis.

A integração não elimina divergências. Ela as traz para o momento certo: antes de fechar a compra, confirmar a venda ou definir a proteção. É nesse confronto entre oportunidade comercial, impacto financeiro e capacidade de execução que a decisão tende a ganhar consistência.

Da informação à decisão: dados, análise e experiência

O volume de dados disponíveis cresceu, mas isso não tornou o trabalho mais simples. Cotações, estimativas de safra, relatórios, notícias, indicadores econômicos e projeções chegam em sequência. Sem uma pergunta clara, o profissional corre o risco de acompanhar tudo e concluir pouco.

Uma análise útil começa pela decisão que precisa ser tomada. Avaliar uma compra exige critérios diferentes dos usados para revisar uma venda, dimensionar uma exposição ou planejar o abastecimento. A partir daí, torna-se possível escolher quais informações merecem atenção e quais apenas aumentam o ruído.

Uma revisão de safra, por exemplo, pode ter efeitos distintos conforme a região, a qualidade disponível, o estágio da colheita, a situação logística e o ritmo de comercialização. O dado isolado descreve um movimento; o contexto mostra o que ele pode significar para aquela operação.

É justamente aí que plataformas de inteligência de mercado ganham importância. Ao reunir indicadores, notícias, séries históricas, referências de preços e análises, ajudam o profissional a comparar cenários e identificar mudanças que merecem uma resposta.

Ainda assim, nenhuma ferramenta substitui experiência. Uma retração nas compras pode refletir falta de interesse, restrição de crédito, espera por preços melhores ou dificuldade logística. Os números mostram o comportamento; o repertório profissional ajuda a investigar suas causas e seus limites.

A análise fica mais forte quando dados e experiência se corrigem mutuamente. O histórico impede que cada oscilação seja tratada como fato inédito, enquanto a informação atualizada evita que referências antigas sejam aplicadas automaticamente a um mercado que já mudou.

Fonte: Safras

Competências diferentes para responsabilidades diferentes

Nem todos os profissionais precisam dominar as mesmas ferramentas. Quem atua na comercialização deve compreender formação de preços, posição comercial, referências externas e condições de negociação. No abastecimento, pesam disponibilidade, custo, prazo e continuidade da operação. Na gestão de risco, o desafio é identificar a exposição real antes de escolher qualquer instrumento de proteção.

As competências também mudam ao longo da carreira. No início, pode ser necessário consolidar fundamentos de oferta, demanda, logística e preços. Com o aumento da responsabilidade, passam a contar a capacidade de estruturar operações, comparar alternativas e sustentar uma recomendação diante de outras áreas da empresa.

Por isso, a formação especializada funciona melhor quando parte de um problema profissional concreto. Em vez de apenas transmitir conceitos, precisa aproximar fundamentos de situações em que o participante terá de decidir, justificar uma escolha ou rever uma estratégia.

Quem precisa aprofundar decisões ligadas à formação de preços, importação e abastecimento no mercado de trigo ou de arroz, por exemplo, encontra mais valor em uma formação que conecte mercado internacional, Mercosul, paridades, câmbio e dinâmica doméstica do que em um conteúdo genérico sobre commodities.

O mesmo vale para profissionais que lidam com mercado físico, futuros, opções e estratégias de proteção. Nesse caso, a formação precisa mostrar como esses instrumentos se relacionam com a comercialização e com a exposição assumida pela empresa, e não apenas apresentar sua mecânica de forma isolada.

A troca entre participantes de diferentes elos da cadeia completa esse processo. Experiências de produtores, compradores, analistas, indústrias e tradings ajudam a revelar como uma mesma variável pode produzir decisões distintas e quais critérios permanecem úteis em contextos diferentes.

Como gestores transformam conhecimento individual em capacidade coletiva

Contratar profissionais experientes não resolve, por si só, o problema da decisão. Quando a leitura de mercado fica concentrada em poucas pessoas, a empresa se torna vulnerável: informações não circulam, premissas deixam de ser questionadas e recomendações passam a depender demais de uma visão individual.

O papel do gestor é criar rotinas em que comercial, financeiro, abastecimento, operação e risco consigam discutir cenários com uma linguagem comum. Isso exige fontes confiáveis, critérios claros e espaço para revisar hipóteses antes que a negociação seja executada.

Também exige ligar o desenvolvimento da equipe aos problemas reais do trabalho. Um comprador precisa comparar alternativas e impactos sobre o abastecimento. Um analista deve sustentar sua recomendação. O financeiro precisa dimensionar efeitos sobre margem e exposição. Quando a formação responde a essas responsabilidades, o aprendizado deixa de ser abstrato.

Treinamentos, estudos de caso e discussões internas podem transformar conhecimento individual em repertório coletivo. O ganho aparece quando a equipe identifica riscos mais cedo, entende por que uma decisão foi tomada e sabe em quais condições ela precisa ser revista.

Fonte: Safras

O que tende a ganhar importância nos próximos anos

A tendência é de maior integração entre mercado, finanças, abastecimento, operação e gestão de risco. As decisões continuarão especializadas, mas dependerão cada vez mais da capacidade de compreender os efeitos que uma escolha produz sobre as demais áreas.

O crescimento do volume de dados também aumenta a importância da seleção. O profissional não será valorizado apenas por acompanhar informações, mas por distinguir sinal de ruído, contextualizar movimentos e explicar o que muda para a operação.

Comunicar a análise será parte central desse trabalho. Não basta recomendar uma compra, uma venda ou uma proteção. Será necessário mostrar quais premissas sustentam a decisão, quais riscos permanecem e em que condições a estratégia deverá ser revista.

Nesse ambiente, tecnologia e formação cumprem papéis complementares. Uma organiza a informação e amplia a capacidade de acompanhamento; a outra desenvolve o julgamento necessário para aplicar esse conhecimento em situações concretas.

A Plataforma Safras reúne indicadores, notícias, análises e referências dos mercados agropecuários para apoiar esse processo. Já a formação especializada permite aprofundar competências diretamente relacionadas às decisões que cada profissional precisa tomar em sua área de atuação.

Nenhuma ferramenta decide pelo profissional, assim como nenhum treinamento elimina a incerteza. O valor está em ampliar a capacidade de interpretar cenários, comparar alternativas e sustentar escolhas em um mercado no qual velocidade importa, mas critério continua sendo decisivo.

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