Sustentabilidade
Atraso operacional transforma El Niño em risco efetivo de calendário ao arroz – MAIS SOJA

A retenção de arroz na fonte mantém o fluxo de cadência de lotes abaixo da necessidade de reposição da indústria, deslocando a queda de braço para a disponibilidade física: os engenhos precisam recompor estoques, mas encontram resistência vendedora e expectativas próximas de R$ 80 por saca livre. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Nesse ambiente, a liquidez reduzida não deve ser interpretada automaticamente como fraqueza de consumo. “Parte relevante do travamento decorre da falta de produtor disposto a vender”, frisa o analista.
Esse quadro ganha complexidade quando incorporada a disputa potencial entre indústria e porto. “Com estoque remanescente limitado, a paridade de exportação passa a funcionar como referência alternativa de valorização, elevando o custo de oportunidade do vendedor”, explica.
“O lote de oportunidade tende, portanto, a ser direcionado ao canal capaz de oferecer a melhor combinação entre preço, liquidez e segurança de pagamento”, adverte Oliveira. “No horizonte da próxima safra, os sinais são ainda mais relevantes”, acrescenta.
Na Fronteira Oeste, apenas cerca de 60% da área está preparada, contra aproximadamente 90% na média histórica. “O El Niño deixa de ser exclusivamente uma ameaça à produtividade e passa a representar risco de calendário, com chuvas restringindo preparo e semeadura”, pondera Oliveira. “E a restrição de capital pode transformar um problema climático em redução efetiva da área implantada”, destaca.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (13) cotado a R$ 75,10, alta de 3,98% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço foi de 22,63%, enquanto, em relação a 2025, a valorização atingiu 7,30%.
Autor/Fonte: Rodrigo Ramos/ Agência Safras
Sustentabilidade
Soja avança em Chicago com petróleo, demanda aquecida e expectativa com Crop Tour – MAIS SOJA

Os contratos futuros da soja fecharam com preços mais altos nesta segunda-feira, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A boa alta do petróleo, demanda aquecida por parte da China e a expectativa em torno da Crop Tour do ProFarmer asseguraram os bons ganhos na abertura da semana.
Segundo a agência Reuters, os participantes esperam o resultado do Pro Farmer nesta semana em busca de mais indicações sobre a produtividade das lavouras de milho e soja. As fortes chuvas registradas em partes do Meio Oeste dos Estados Unidos na semana passada também aumentaram as incertezas sobre a possibilidade de algumas lavouras estarem enfrentando excesso de umidade.
A Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) informou que o esmagamento de soja atingiu 216,647 milhões de bushels em julho, ante 214,340 milhões no mês anterior. A expectativa do mercado era de 221,5 milhões. Em julho de 2025, foram 195,699 milhões de bushels.
As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 270.201 toneladas na semana encerrada no dia 13 de agosto, conforme relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na semana anterior, as inspeções de exportação de soja haviam atingido 409.509 toneladas.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 23,50 centavos de dólar, ou 1,97%, a US$ 12,16 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,31 por bushel, com elevação de 23,25 centavos de dólar ou 1,92%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,40 ou 0,75% a US$ 318,70 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 70,82 centavos de dólar, com ganho de 1,85 centavo ou 2,68%.
Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua / Agência Safras
Sustentabilidade
Entendendo a dinâmica de formação do legume – MAIS SOJA

A fase de formação dos legumes inicia no estágio R3, popularmente conhecido como “canivete” (quando o legume atinge 0,5 cm de comprimento), e encerra no estágio R4 (quando atinge 2,0 cm de comprimento), considerando um dos últimos quatro nós com folhas completamente desenvolvidas na haste principal (Fehr & Caviness, 1977). Nesse período, o dreno da planta muda drasticamente: os fotoassimilados passam a ser direcionados prioritariamente para a formação dos legumes, ocorrendo a fixação, o desenvolvimento e o crescimento do tegumento que posterior mente abrigará os grãos em enchimento (Mundstock & Thomas, 2005). O estágio crítico para a fixação do legume vai da queda das pétalas até o início do enchimento dos grãos, estresses durante este período podem causar o abortamento do legume, afetando fortemente o número de legumes por planta (Figura 1).
Figura 1. Ilustração da evolução do crescimento e desenvolvimento de um legume. O crescimento do grão não inicia até que o legume apresente comprimento maior que 2 cm.
Ademais, a deficiência hídrica durante essa fase (R3-R4), pode causar restrições do crescimento do legume e/ou tegumento, caso ocorra, posteriormente, condições favoráveis para o enchimento dos grãos, podem ser produzidos sementes com tegumento rasgado (baixa qualidade para armazenamento) e/ou acarretar abertura dos legumes pela sua má formação (Figura 2).
Figura 2. Grãos com tegumento danificado antes da colheita (A) e grãos com tegumento preservado antes da colheita (B).


Referências:
FEHR, W.R. and CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Special Report 80, Iowa Agricultural Experiment Station, Iowa Cooperative External Series, Iowa State University, Ames, 1977.
MUNDSTOCK, C. M; THOMAS, A. L. Soja: fatores que afetam o crescimento e o rendimento de grãos. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005.
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

Sustentabilidade
MILHO/CEPEA: Mesmo com produção recorde, cotações no mercado interno seguem em alta – MAIS SOJA

Os preços do milho seguem avançando no mercado brasileiro, mesmo com novas estimativas apontando possível safra 2025/26 recorde. De acordo com o Cepea, o movimento é sustentado pela sobretudo pela posição retraída de produtores, que limita o volume de negócios no spot.
Segundo o Centro de Pesquisas, os valores internacionais, que elevam a paridade de exportação, o atraso da colheita no Brasil, e as preocupações com o clima no final do ano, devido aos possíveis impactos do El Niño, também têm influenciado as altas.
Pesquisadores do Cepea destacam que compradores seguem ativos nas negociações para a recomposição de estoques, mas mantêm as ofertas abaixo das pedidas. Esses agentes acreditam que, com o avanço da colheita, o interesse de vendedores nas negociações pode aumentar.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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