Business
Energia que não chega trava investimentos e compromete a produção em MT

A falta de energia elétrica de qualidade já interfere nas decisões de investimento e na própria continuidade de atividades rurais em Mato Grosso. Em Tapurah, produtores relatam projetos parados, equipamentos danificados e perdas provocadas por interrupções e oscilações no fornecimento.
O problema aparece tanto em propriedades que aguardam novas ligações quanto em locais onde a rede existente não acompanha a demanda. A necessidade de estruturas trifásicas para ampliar a produção se transforma em mais um obstáculo diante do custo para levar a rede até as fazendas.
Os reflexos chegam a diferentes segmentos do campo. Na agricultura, a falta de energia impede a instalação de estruturas básicas, como poços artesianos, e limita projetos de expansão. Na pecuária leiteira, as interrupções atingem diretamente a ordenha e a conservação da produção, aumentando os prejuízos e, em alguns casos, contribuindo para o abandono da atividade.
A situação também expõe um descompasso entre o crescimento do agronegócio e a infraestrutura disponível para atender as propriedades. É o que ocorre com o agricultor Gabriel Kirnev, que cultiva soja e milho com a família em 1,6 mil hectares em Tapurah.

Energia trava estruturas e abastecimento no campo
Na propriedade, materiais comprados há mais de um ano para a instalação de uma estrutura de caixa d’água e de um barracão continuam sem uso. A ligação de energia ainda não foi feita e, sem ela, também não foi possível avançar na instalação de um poço artesiano para garantir o abastecimento da fazenda. “A gente não tem água aqui, porque não foi possível furar o poço para termos o mais básico que é a água”, relata Kirnev ao Patrulheiro Agro.
A família passou a depender de caminhão-pipa e de água emprestada por vizinhos, inclusive para atender às necessidades da lavoura.
O agricultor diz que a rede trifásica está próxima da propriedade. Um armazém vizinho já conta com esse tipo de fornecimento e a rodovia passa em frente à área. Mesmo assim, a extensão necessária para levar a energia até a fazenda foi estimada em quase R$ 70 mil.
O valor é mais um fator que pesa sobre a decisão de investir. Para Kirnev, não faz sentido adquirir e instalar equipamentos e estruturas que podem permanecer sem utilização por falta de energia.
A dificuldade não se limita à ligação. As oscilações do fornecimento também provocam prejuízos recorrentes. O produtor calcula gastos de R$ 15 mil a R$ 20 mil por ano para substituir equipamentos e eletrodomésticos danificados. Em uma outra propriedade da família, relata à reportagem, é preciso “trocar cerca de cinco aparelhos de ar-condicionado por ano”.
Em alguns episódios, a interrupção chega a durar cinco dias até a chegada de atendimento técnico. Para quem pretende ampliar a estrutura da propriedade, esse cenário acaba funcionando como um freio adicional. “Às vezes a pessoa quer se equipar, quer começar um armazenamento e um sistema assim demanda trifásica também e aí a pessoa já pensa duas vezes”, afirma.

Produção de leite não suporta interrupções
Na pecuária leiteira, a dependência de energia é ainda mais crítica porque a rotina de produção está diretamente ligada à ordenha e ao resfriamento do leite. Uma interrupção no momento inadequado pode comprometer toda a produção do dia.
Em Tapurah, o produtor rural Leandro Galvan deixou a atividade depois de enfrentar esse tipo de problema. Ele mantinha 300 vacas leiteiras e produzia 2,3 mil litros de leite por dia em uma propriedade de mil hectares integrada a agricultura.
As falhas durante a ordenha dificultavam o manejo do rebanho, enquanto as oscilações prejudicavam o funcionamento dos resfriadores. Em períodos prolongados sem energia, o leite chegava a ser perdido.
“Às vezes passava 12 horas, o leite azedava e nós tínhamos que jogar fora”, conta Galvan ao Canal Rural Mato Grosso. O prejuízo, porém, não ficava restrito à produção descartada.
Sem a ordenha no horário adequado, o rebanho também ficava exposto a problemas de saúde. “Vai dar problema de úbere, vai dar mastite e outras doenças”, relata o produtor, que também chama atenção para o valor do custo de produção da atividade por animal.
Rede trifásica pesa no bolso
A expansão da rede elétrica é apontada pelo setor como uma necessidade para acompanhar o crescimento das propriedades e das demais atividades ligadas ao agronegócio. O presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, chama atenção especialmente para o custo de implantação da rede trifásica.
Em muitos casos, o produtor precisa fazer um desembolso inicial para levar a estrutura até a propriedade e aguardar posteriormente o ressarcimento. Para quem já enfrenta dificuldades financeiras, o investimento pode ser inviável.
“Essas propriedades para fazer uma trifásica geralmente você tem que bancar e depois ser restituído pela companhia”, afirma Dezem. O resultado é que projetos de melhoria acabam adiados e o produtor permanece dependente de uma rede que pode não oferecer a capacidade necessária.
Para o dirigente, a questão afeta toda a economia local. Armazéns, indústrias e comércio também dependem de um fornecimento capaz de sustentar o crescimento da produção rural.
“A Energisa precisa desses consumidores e nós precisamos da Energisa, dos armazéns funcionando, da indústria, assim como precisamos que o comércio tenha energia para eles que possam nos atender”, diz.
Crescimento aumenta demanda
A região de Tapurah está inserida em uma área de forte expansão do agronegócio, o que eleva a necessidade de energia para propriedades, armazenagem e demais estruturas da cadeia produtiva.
A Energisa reconhece o aumento da demanda e informa que tem ampliado os investimentos para reforçar a capacidade da rede. Conforme o coordenador da equipe de campo da empresa, Robson Cléber Lima, o crescimento da região exige novos projetos.
“Hoje é uma grande região do agronegócio, a gente tem um grande desafio de entregar cada vez melhor”, afirma. Segundo ele, uma nova estrutura foi construída em Sorriso para ampliar a capacidade energética regional.
A empresa informa ainda que os investimentos nas redes de distribuição devem superar R$ 2 bilhões em 2026. A proposta é ampliar a capacidade e melhorar a qualidade do fornecimento diante do avanço do consumo.
+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Energia que não chega trava investimentos e compromete a produção em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Máximas podem chegar a 36 °C em dois municípios da Bahia

A previsão da Climatempo indica temperaturas máximas de até 36 °C em dois municípios da Bahia, na janela entre sexta-feira (16) e sábado (17). Em Itapetinga, a máxima prevista fica 8,5 °C acima da normal climatológica; em Teixeira de Freitas, a diferença deve ser de 6,9 °C.
Em Itapetinga (BA), a máxima prevista para sexta-feira (16) é de 36 °C, ante a normal climatológica de temperatura máxima de 27,5 °C. A Climatempo prevê esse patamar de máxima por três dias seguidos.
Para Teixeira de Freitas (BA), a previsão também indica uma sequência de três dias com máxima de 35 °C. Esse é o valor esperado para sábado (17).
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Temperaturas máximas elevadas por dias seguidos estão associadas a risco de estresse térmico em animais, aumento da demanda por água e possíveis impactos no desenvolvimento de lavouras.
Em Teixeira de Freitas, a normal climatológica de temperatura máxima usada na comparação é de 28,1 °C.
Fonte: Climatempo Advisor API
Business
OIA reduz estimativa para produção de açúcar no Centro-Sul em 2026/27

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). A revisão foi apresentada no relatório de mercado de setembro, após a entidade reduzir sua projeção anterior, de 39 milhões de toneladas. O ajuste ocorre em meio ao avanço das chuvas, que tem prejudicado a colheita e a moagem de cana-de-açúcar.
Segundo a OIA, a produção na região terá dificuldades para alcançar 38 milhões de toneladas e poderá ficar bem abaixo desse volume se as chuvas previstas se confirmarem. Na primeira quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 30,2 milhões de toneladas de cana, queda superior a 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
No mesmo intervalo, a produção de açúcar somou 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas um ano antes. Com isso, o volume acumulado desde 1º de abril chegou a 26,1 milhões de toneladas até meados de setembro, abaixo das 30,4 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. Em 2025/26, a região produziu 40,4 milhões de toneladas de açúcar.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
O ritmo de moagem também perdeu força ao longo da safra. Em meados de agosto, o processamento acumulado de cana ainda estava 2,1% acima do observado um ano antes. Agora, está 1,5% abaixo, em 443,7 milhões de toneladas.
Outro fator destacado pela entidade é a maior destinação de matéria-prima para o etanol. Até o momento, as usinas direcionaram 53,8% do Açúcar Total Recuperável (ATR) disponível para a fabricação do biocombustível, acima dos 47,7% verificados na mesma etapa da temporada passada. De acordo com a OIA, os preços do etanol subiram, elevando a paridade entre açúcar e etanol para cerca de 16 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar o subsídio aos combustíveis introduzido recentemente.
Nas exportações, os embarques brasileiros de açúcar bruto também recuaram. Em agosto, o volume foi de 2,7 milhões de toneladas, contra 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, os embarques ficaram 2,2 milhões de toneladas abaixo dos registrados em igual intervalo do ano passado.
Apesar da perspectiva de menor oferta na temporada atual, a OIA observou que usinas brasileiras estariam realizando operações expressivas de hedge para 2027, aproveitando preços mais elevados. Segundo o relatório, esse movimento indica planos de ampliar a produção de açúcar no próximo ano.
Fonte: Estadão Conteúdo
Business
USDA destina US$ 86,6 milhões a projetos para culturas especiais nos EUA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quarta-feira (14) a destinação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos voltados ao aumento da competitividade de culturas especiais em 56 Estados e territórios do país. Os recursos serão concedidos por meio do Programa de Subvenções para Culturas Especiais (SCBGP), administrado pelo Serviço de Marketing Agrícola (AMS) do USDA.
Segundo o USDA, os projetos contemplados abrangem pesquisa, desenvolvimento de variedades de sementes, combate a pragas e doenças, segurança alimentar, educação nutricional e ações de marketing para ampliar o acesso dos produtores ao mercado.
O programa atende cadeias produtivas de frutas, hortaliças, nozes, frutas secas e plantas ornamentais, entre outras culturas enquadradas como especiais nos Estados Unidos. A proposta é direcionar recursos para iniciativas que fortaleçam a competitividade desses segmentos em diferentes frentes da produção e da comercialização.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Entre os valores informados para os beneficiários, o Estado de Michigan receberá mais de US$ 2,64 milhões. A Flórida contará com mais de US$ 4,3 milhões, enquanto o Texas terá mais de US$ 2 milhões e a Geórgia, mais de US$ 1,7 milhão.
A distribuição dos recursos alcança um conjunto amplo de projetos e territórios, com foco em temas técnicos e comerciais ligados às culturas especiais. Entre os eixos apoiados pelo programa estão medidas voltadas à melhoria de material genético, ao enfrentamento de problemas fitossanitários e à expansão das condições de comercialização para os produtores.
Com o anúncio, o USDA confirma a liberação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos do SCBGP, abrangendo 56 Estados e territórios e diferentes cadeias de culturas especiais nos Estados Unidos.
Fonte: Estadão Conteúdo
Featured21 horas agoProfessor Breno foi morto com 13 facadas, aponta laudo da Politec
Business22 horas agotecnologia brasileira ganha espaço no campo
Sustentabilidade21 horas agoMILHO/CEPEA: Baixa do dólar e retração compradora mantêm preços em queda – MAIS SOJA
Business20 horas agoUnipar conclui segunda fase de ampliação de fábrica na Bahia
Agro Mato Grosso22 horas agoBayer destaca inovação e sustentabilidade do algodão brasileiro
Featured19 horas agoMato Grosso exporta US$ 2,1 bilhões em setembro para 115 países; milho lidera embarques
Business17 horas agoMilho brasileiro tende a seguir pressionado pelo baixo preço do cereal norte-americano
Featured18 horas agoCármen Lúcia defende liberdade de imprensa durante visita à UFMT: “Essencial à democracia”

















