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No Dia do Produtor Rural, a história dos pioneiros que transformaram Sorriso na capital do agro

Sorriso chegou aos 40 anos como um dos principais polos de produção agrícola do Brasil, mas a dimensão alcançada pelo município não existia quando as primeiras famílias começaram a chegar à região. A paisagem que hoje reúne lavouras, armazéns, indústrias e sistemas de irrigação foi construída aos poucos, em meio a dificuldades que iam muito além do trabalho dentro da porteira.
São aproximadamente 580 mil hectares cultivados com soja e outros 470 mil hectares destinados ao milho segunda safra. O município também avançou na irrigação, com mais de 50 mil hectares, além da produção de feijão e algodão. A estrutura atual é resultado de décadas de investimentos, tecnologia e aumento de produtividade.
Para Diogo Damiani, presidente do Sindicato Rural de Sorriso, o desenvolvimento foi construído por produtores que chegaram principalmente de outros estados e apostaram no potencial da região. “Todo esse desenvolvimento de Sorriso, o que Sorriso é hoje vem das pessoas que acreditaram na época, na década de 70, 80, na década de 90 que vieram de outros estados e entraram aqui em Mato Grosso, principalmente na região de Sorriso, e desenvolveram toda essa região”.
O campo também passou a sustentar uma cadeia econômica que se espalhou pelo município. Agricultura, comércio, indústria e serviços cresceram conectados à produção rural, enquanto novos investimentos passaram a apontar para armazenagem, irrigação e industrialização. Ao mesmo tempo, a logística continua entre os principais desafios para uma região que amplia a produção.

Uma cidade construída em meio à falta de estrutura
A história dos pioneiros passa por famílias como Gemi, Capellari, Berdim, Pozzobon, Poleto e Schivinski, citadas por Leonir Fernandes Perin Vitale entre as que chegaram à região e participaram dos primeiros anos de construção do município.
A realidade encontrada era distante da estrutura disponível atualmente. “Chegamos aqui e nós tínhamos energia duas horas por dia. Quando tinha de manhã não tinha de tarde, quando tinha de tarde não tinha à noite e água não tinha. Tinha que fazer poço”, lembra Vitale em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Gerador e poço estavam entre as primeiras necessidades para quem pretendia permanecer e trabalhar.
A dificuldade também aparecia no abastecimento. Segundo ele, quando algum caminhão conseguia chegar de Santa Catarina com alimentos, era preciso aproveitar a oportunidade para garantir estoque. “Para conseguir as coisas aqui era um parto, quando conseguia vir um caminhão lá de Santa Catarina com frango, tu tinha que comprar o máximo o que podia para estocar”, conta.
Vitale destaca ainda o papel das mulheres nos primeiros anos da colonização. Com atendimento médico e outros serviços ainda precários, as famílias precisavam construir uma rotina em condições adversas. “O que nos ajudou muito aqui foram as nossas esposas. Médico, tudo o que nós tínhamos aqui era tudo precário, foram as mulheres que nos mantiveram aqui, se elas fossem embora nós tínhamos que ir junto”.
A expansão da produção e da infraestrutura mudou esse cenário ao longo das décadas. Hoje, Sorriso tem uma economia fortemente ligada ao agronegócio e busca ampliar a agregação de valor aos produtos que saem das lavouras.
O prefeito Alei Fernandes afirma ao Canal Rural Mato Grosso que a agricultura é a base da economia municipal e que comércio e indústria também se desenvolveram em torno dela. “A nossa característica é agro, então a fonte primária é agricultura. O comércio também é muito ligado ao agro, às indústrias que fornecem para o agro, e o comércio local se desenvolve em cima dessa riqueza que o agronegócio traz para a nossa região”.
Para o município, os próximos passos passam justamente pela verticalização da produção, com investimentos em armazenagem, irrigação e industrialização. A intenção é transformar parte da produção agrícola em produtos de maior valor agregado e ampliar a receita gerada dentro da própria região.
A logística, porém, continua sendo um ponto de atenção. Fernandes cita os avanços na BR-163 e a chegada das ferrovias, além das discussões sobre novas alternativas de transporte. “O grande desafio nosso hoje é a logística por mais que tenha avançado muito, com a duplicação da BR-163 em fase aí já do meio para o fim, as ferrovias começando a chegar discutindo já hidrovia logo aí perto”.

Da estrada de chão às grandes lavouras
Entre as famílias que fazem parte dessa trajetória do município estão Ilo e Nelci Pozzobon. Ele nasceu em Horizontina, no Rio Grande do Sul, e ela é catarinense. Os dois chegaram a Sorriso em julho de 1980, acompanhados dos dois filhos, quando o município ainda tinha pouca gente e uma estrutura bastante limitada.
A primeira área comprada por Ilo tinha 500 hectares. O início foi marcado pela abertura de áreas, muito trabalho e, principalmente, dificuldades de acesso. “Minha primeira compra foram 500 hectares, muita raiz, muito trabalho, muitas dificuldades. A maior foram estradas, atoleiros, muito atoleiros. As condições financeiras eram limitadas, fomos fazendo gradativamente conforme as condições nos deixavam”.
A comunicação com outras cidades também exigia viagens longas. Para resolver questões que hoje podem ser feitas em poucos minutos, era preciso seguir até Cuiabá, capital de Mato Grosso, por estradas de chão, enfrentando períodos de chuva e atoleiros. “Era muito ruim, enfrentava muitos atoleiros, muitos dias de viagem, quando a gente saia se perdia, não tinha comunicação, então só sabia que a gente ia e ficava no aguardo da volta, não se sabia o dia”, recorda à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Nelci viveu as mesmas limitações dentro de casa. Sem uma residência pronta, a família começou em um espaço improvisado junto ao galpão onde as máquinas eram guardadas. “Foi difícil, fui morar em um puxado em um galpão onde guardava as máquinas porque nem casa não tinha”, conta.
O frio e o vento também faziam parte da rotina. “Quando era vento frio tinha que ficar tudo em um lugar só porque tinha que se proteger, e assim a gente foi levando”, relata Nelci, que afirma nunca ter pensado em retornar. “Eu acho que se a gente planeja vir em um lugar para conquistar alguma coisa tem que sofrer também, né? Não adianta e eu faria tudo de novo”.
Quase meio século depois da chegada, a história dos Pozzobon se mistura à trajetória de Sorriso. O que começou com uma propriedade de 500 hectares, estradas difíceis e poucos recursos passou a fazer parte de uma região que hoje está entre as maiores produtoras agrícolas do país.

O nome que virou símbolo da cidade
A origem do nome Sorriso também carrega diferentes versões entre os pioneiros. A mais conhecida relaciona a escolha à esperança e ao otimismo de quem chegou à região nos anos 1970 acreditando que seria possível construir ali um novo futuro.
Entre descendentes de italianos que participaram da colonização, porém, existe outra explicação. A hipótese é de que o nome tenha surgido em referência ao arroz, cultura que ocupava espaço importante nos primeiros anos da ocupação, como explica Leonir Fernandes Perin Vitale.
Independentemente da versão, o nome permaneceu e acabou incorporado à identidade do município. Para Ilo Pozzobon, a escolha também representa o sentimento de quem participou da construção da cidade desde os primeiros anos. “Saiu o nome de Sorriso e deixaram esse nome para a cidade e a gente se orgulha muito com isso porque é um sinal de alegria, aqui não tem gente triste…”.
A história desses produtores ajuda a explicar como uma cidade ainda jovem conseguiu se transformar em uma referência do agronegócio. O crescimento de Sorriso não aconteceu apenas pela expansão das áreas cultivadas, mas pela combinação entre famílias dispostas a permanecer, investimentos, tecnologia e sucessivas melhorias na infraestrutura.
No Dia do Produtor Rural, a trajetória dos pioneiros também mostra que a força agrícola de Mato Grosso foi construída antes das grandes estruturas que hoje sustentam o setor. Em Sorriso, quem chegou quando faltavam estradas, energia, água e comunicação deixou como legado uma região que continua ampliando sua produção e buscando novos caminhos para agregar valor ao que nasce no campo.
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Colheita do milho safrinha 2025/26 avança para 58,3% no Brasil

A colheita do milho de inverno da safra 2025/26 atingiu 58,3% da área semeada no Brasil até o último sábado (25), informou nesta terça-feira (28) a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço foi de 8,5 pontos porcentuais em relação à semana anterior. Na comparação com igual período da safra passada, quando 66,1% dos trabalhos haviam sido concluídos, o ritmo está 7,8 pontos porcentuais abaixo.
O boletim semanal de progresso de safra da Conab também mostra que a colheita do milho safrinha segue abaixo da média dos últimos cinco anos, de 65,9%. Entre os principais estados produtores, Mato Grosso já concluiu 87,9% dos trabalhos, enquanto o Paraná, segundo maior produtor, havia colhido 29% da área semeada.
No milho verão 2025/26, a colheita alcançou 99% da área até sábado, com avanço de 1,1 ponto porcentual sobre a semana anterior. Em relação ao mesmo período da safra 2024/25, o ritmo está 0,3 ponto porcentual abaixo. Na comparação com a média de cinco anos, de 99,1%, os trabalhos estão praticamente no mesmo nível. Maranhão, com 95% da safra colhida, Piauí, com 96%, e Bahia, com 99%, ainda concentram as áreas restantes.
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Para o algodão 2025/26, a colheita chegou a 16,5% da área plantada, alta semanal de 3,7 pontos porcentuais. O percentual está 5,2 pontos abaixo do observado em igual momento da safra 2024/25 e também abaixo da média de cinco anos, de 25%. Mato Grosso, principal produtor da fibra, havia colhido 13,4% da área, enquanto Goiás registrava 42%.
No trigo da safra 2026, a colheita ainda é inicial e atingiu 1,8% da área semeada, com avanço semanal de 0,5 ponto porcentual. O índice fica abaixo dos 2,6% registrados no mesmo período da safra 2025 e da média de cinco anos, de 2,8%. Goiás, com 48% da área colhida, e Minas Gerais, com 9%, já iniciaram a retirada do cereal.
A semeadura do trigo 2026 alcançou 98,8% da área no País até o último sábado (25), avanço de 1,4 ponto porcentual na semana. O percentual supera em 0,5 ponto porcentual o registrado no mesmo período da safra passada e fica 0,2 ponto acima da média dos últimos cinco anos. No Sul, os trabalhos seguem em andamento no Rio Grande do Sul, com 98% da área semeada, e em Santa Catarina, com 91%.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Agro Mato Grosso
Aprosoja MT celebra o protagonismo do produtor no desenvolvimento, social do Brasil

A data reforça a importância do agro no campo para a produção de alimentos, geração de empregos e fortalecimento da economia brasileira
Neste 28 de julho, quando são celebrados o Dia do Produtor Rural e o Dia Nacional do Agricultor, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) destaca a relevância dos homens e mulheres do campo para o desenvolvimento do país. Eles são responsáveis por exercer papel estratégico na segurança alimentar, na geração de empregos, na movimentação da economia e no fortalecimento das comunidades onde estão inseridos.
Em Mato Grosso, estado líder nacional na produção de soja, milho e outras commodities agrícolas, o trabalho do produtor rural impulsiona o crescimento econômico, promove inovação tecnológica e contribui para consolidar o Brasil como uma das principais potências agropecuárias do mundo.
Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Lauri Pedro Jantsch, a data representa um momento de reconhecimento à dedicação de milhares de produtores que, diariamente, enfrentam desafios para garantir alimentos de qualidade à população e manter a competitividade do setor.
“Hoje, o produtor precisa ter muita resiliência e estar preparado para se adaptar a cada momento e a cada dificuldade. A cada ano surgem novos desafios, por isso é fundamental estar sempre se atualizando e buscando informações sobre mercado, clima e tudo o que envolve a atividade. Cada safra traz uma realidade diferente, e o produtor precisa estar preparado para enfrentar esses novos desafios”, destacou.
Lauri destaca ainda que o produtor rural moderno alia tecnologia, sustentabilidade e gestão para produzir cada vez mais em áreas já consolidadas, demonstrando que desenvolvimento econômico e preservação ambiental caminham lado a lado no campo.
“Ao longo da minha trajetória, as mudanças que mais impactaram a forma de produzir estão relacionadas, principalmente, à tecnologia embarcada no maquinário. Hoje, temos máquinas cada vez mais autônomas e eficientes. Isso proporciona um ganho operacional muito grande, facilita o trabalho e contribui diretamente para a rentabilidade do produtor. Outra mudança muito importante foi o desenvolvimento de novas biotecnologias aplicadas às sementes, que permitem alcançar uma produtividade muito maior na mesma área, favorecendo diretamente o produtor rural. Também temos observado um avanço significativo no uso de produtos biológicos, que estão cada vez mais eficientes, aliados ao monitoramento e ao controle de pragas. Então, hoje, essas são algumas das principais mudanças e tecnologias que vêm contribuindo para o desenvolvimento e o fortalecimento do setor”, exemplificou o vice-presidente Leste da Aprosoja Mato Grosso.
O produtor rural do núcleo de Sinop, Evandro Pellenz, vivencia diariamente a rotina de ser produtor rural em Mato Grosso e ressalta que a profissão exige dedicação, resiliência e capacidade de enfrentar desafios que vão desde questões climáticas até gargalos logísticos e oscilações do mercado.
“Ser produtor rural em Mato Grosso, hoje, é ser um verdadeiro guerreiro. Enfrentamos inúmeros desafios diariamente, principalmente relacionados à logística. Hoje, muita coisa evoluiu e parece estar bem estruturada, mas quem viveu o passado sabe o quanto sofremos para produzir e escoar a safra. Por isso, posso dizer que o produtor mato-grossense é, acima de tudo, um guerreiro”, ressaltou Evandro.
Na avaliação do produtor, embora a agricultura brasileira tenha avançado significativamente nas últimas décadas, ainda há obstáculos importantes que impactam o setor, bem como maior reconhecimento da sociedade ao trabalho desenvolvido pelos produtores.
“Acredito que o que mais precisa ser reconhecido e valorizado pela sociedade é o papel do produtor rural na produção de alimentos. Muitas vezes, ainda existe uma visão equivocada de que o produtor apenas degrada o meio ambiente, quando, na realidade, fazemos justamente o contrário. Produzimos alimentos com responsabilidade e preservamos uma parte significativa das nossas propriedades, como determina a legislação. Em Mato Grosso, especialmente nas áreas do bioma Amazônico, essa preservação é ainda mais evidente. Esse compromisso com a produção e com o meio ambiente precisa ser mais conhecido e valorizado pela sociedade”, avaliou Evandro.
Neste Dia do Produtor Rural e Dia Nacional do Agricultor, a Aprosoja MT reforça seu reconhecimento aos produtores que, com trabalho, inovação e compromisso, contribuem diariamente para o desenvolvimento de Mato Grosso e do Brasil.
Agro Mato Grosso
Legado que atravessa gerações: a história da família Giacomolli no campo

Entre desafios, trabalho e paixão pela agricultura, pais, filhos e netos mantêm viva uma história construída há mais de cinco décadas em Mato Grosso
Toda propriedade rural guarda uma história. Algumas começam com um pedaço de terra, outras com uma oportunidade. A história da família Giacomolli começou com uma decisão que exigiu a coragem de deixar o Sul do país para recomeçar a vida em uma região onde quase tudo ainda estava por ser construído.
Mais de 50 anos depois, essa escolha continua produzindo frutos. O que antes era apenas o sonho de uma família transformou-se em um legado que hoje une três gerações em torno da paixão por produzir alimentos e dar continuidade a uma história construída com trabalho, resiliência e amor pelo campo.
Foi em 1972 que o pai de Valmor Giacomolli decidiu investir em terras no então norte de Mato Grosso. Na época, a região ainda dava os primeiros passos no desenvolvimento agrícola e oferecia poucas das facilidades encontradas atualmente. Valmor acompanhou de perto esse processo. Ainda jovem, veio para o estado junto com a mudança da família e participou dos primeiros trabalhos na propriedade. Alguns anos depois, retornou ao Sul para se casar, mas não demorou a voltar definitivamente para Mato Grosso, onde decidiu construir sua própria trajetória.
“Meu pai veio para cá em 1972 e eu acompanhei toda essa mudança. Comecei a trabalhar nas terras com eles e, depois que casei, em 1977, voltei de vez. Nesse período consegui comprar minha própria área e começamos nossa caminhada. Não foi fácil, foi um grande sacrifício, mas valeu a pena.”
Ao lado dele estava Neusa Giacomolli, que também precisou deixar para trás a vida que conhecia para enfrentar os desafios de uma região que ainda estava sendo desbravada. Ela lembra que a decisão aconteceu ainda durante o namoro e que, apesar das dificuldades, nunca houve arrependimento.
“Foi um susto. A gente estava namorando quando surgiu a oportunidade de vir para Mato Grosso. Como ele gostou da região e nós já tínhamos planos de construir uma vida juntos, resolvemos encarar. Naquela época era muita chuva, estrada de chão, muito barro. Era de assustar, mas mesmo assim nós viemos.”
As lembranças daquele período revelam uma realidade muito diferente da atual. Estradas precárias, longas distâncias, pouca infraestrutura e inúmeras incertezas faziam parte do cotidiano dos primeiros produtores que chegaram à região. Ainda assim, desistir nunca foi uma opção.
Com o passar dos anos, o trabalho realizado pela família permitiu consolidar a propriedade e construir um ambiente em que a agricultura passou a ser muito mais do que uma atividade econômica. Foi nesse ambiente que cresceu César Anderson Giacomolli. Desde a infância, acompanhar os pais na lavoura fazia parte da rotina. Enquanto outras crianças passavam o tempo brincando, ele observava cada etapa do trabalho na fazenda, curioso para entender como tudo funcionava.
“Desde que me conheço por gente estou ligado ao agronegócio. Cresci dentro da fazenda acompanhando meus pais. Sempre admirei muito o trabalho deles e tinha aquele olhar curioso de quem queria aprender. Ver uma colheita acontecendo era algo que me encantava.”
O interesse surgiu cedo. Ainda criança, César já fazia questão de participar das atividades da propriedade e, antes mesmo da adolescência, começou a assumir pequenas responsabilidades no dia a dia da fazenda.
“Com 11 ou 12 anos eu já dirigia trator e ajudava no preparo do solo. Eu acredito que ser agricultor é uma vocação, assim como qualquer outra profissão. Desde pequeno me identifiquei com isso e hoje posso dizer, com muito orgulho, que sou agricultor.”
Mais do que ensinar o trabalho na lavoura, Valmor e Neusa transmitiram ao filho uma maneira de enxergar a atividade rural. Entre os ensinamentos que ficaram marcados, César destaca um valor que considera essencial para quem vive da agricultura: a capacidade de seguir em frente, independentemente das dificuldades.
“O que mais me marcou foi a determinação dos meus pais. Quando uma safra não era boa, eles sempre diziam que a próxima seria melhor. Esse otimismo faz parte da vida do agricultor e é isso que nos mantém firmes.”
Essa visão também influencia a forma como ele enxerga a sucessão familiar. Para César, assumir responsabilidades na propriedade nunca significou ocupar o lugar dos pais, mas continuar uma história que começou muito antes da sua geração.
“Eu estou nessa função de sucessor, mas, para mim, sucessão não significa substituir ninguém. Significa dar continuidade ao que eles construíram. Hoje nós trabalhamos juntos e seguimos construindo essa história como família.”
Valmor observa com satisfação o interesse do neto pela atividade rural e vê na terceira geração a continuidade do legado iniciado ainda na década de 1970. “Eu também nasci e me criei na roça. Hoje vejo meu neto vindo para a fazenda, gostando desse ambiente e aprendendo a trabalhar com as máquinas. Isso dá muito orgulho.”
Mais do que preservar um patrimônio, a família Giacomolli acredita que o maior legado está nos valores transmitidos entre as gerações: responsabilidade, dedicação, respeito à terra e confiança no futuro.
Por isso, César faz questão de deixar uma reflexão para os jovens que também se preparam para assumir o comando das propriedades rurais. “É importante que a nossa geração trabalhe da melhor forma possível para que as próximas também tenham condições de continuar essa história. O legado que recebemos precisa ser fortalecido todos os dias para seguir adiante.”
Cinco décadas depois da mudança que levou a família ao Mato Grosso, a propriedade continua sendo palco da mesma história iniciada por Valmor e Neusa, uma história construída com coragem para recomeçar, disposição para enfrentar os desafios do campo e a certeza de que o verdadeiro legado não está apenas na terra cultivada, mas nas pessoas preparadas para continuar cuidando dela.
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