Sustentabilidade
Algodão/Conab: Colheita ganha ritmo no país e produtividade surpreende – MAIS SOJA

Algodão/BR: 16,5% colhido. Em MT, as condições meteorológicas favoráveis e o avanço de novas áreas em ponto ideal de maturação conferiram ritmo à colheita. No manejo fitossanitário, permanece a prioridade no controle do bicudodo-algodoeiro. Na BA, a colheita segue em andamento e aproxima-se de 20% da área estimada de cultivo.
No MA, nos Gerais de Balsas, a colheita se aproxima da metade da área cultivada da primeira safra, dentro do planejamento operacional, com a colheita da segunda safra prevista para iniciar no final de julho.
Em MS, a colheita foi intensificada e atinge 50% da área. As lavouras da região dos Chapadões apresentam ótimo potencial produtivo. Na região Central, o calendário de plantio mais atrasado e a ocorrência de chuvas esparsas mantêm a colheita mais incipiente.
Em MG, as lavouras se desenvolveram em boas condições, favorecidas pelo clima. A colheita segue avançando com produtividade superando as estimativas iniciais. Em GO, a colheita avançou nas regiões leste e extremo sul, com boas produtividades, reflexo das condições climáticas favoráveis e do controle fitossanitário. No extremo sul, as chuvas recentes prejudicaram a pluma colhida. O peso manteve-se satisfatório, mas há certo grau de impurezas. As lavouras irrigadas seguem em boas condições, com previsão de início de colheita ainda em julho.
No PI, a colheita começa a ganhar ritmo, com produtividades superando as expectativas iniciais. Em SP, a colheita foi finalizada.
Previsão Agrometeorológica (20/07/2026 a 27/07/2026)
N-NE: Os maiores acumulados de chuva devem ocorrer no Oeste do AM e em RR. No litoral do PA, no AP e no AC, os acumulados serão menores e, nas demais áreas da Região Norte, são previstas precipitações pouco significativas. Na Região Nordeste, as chuvas devem se concentrar na faixa litorânea, com destaque para o MA. Na faixa entre a PB e o Sul da BA, os acumulados serão menores e, nas demais áreas do litoral nordestino, os volumes serão pouco significativos. Não há previsão de chuva no Sertão Nordestino. As condições continuarão favoráveis para a maturação e a colheita do algodão e do milho segunda safra. No Sealba, permanecerá a restrição hídrica para o feijão e o milho terceira safra.
CO: O tempo firme deve predominar ao longo da semana na maior parte da Região. Há previsão de chuva apenas para as áreas do Noroeste de MT e do Sul de MS, onde os acumulados serão pouco significativos. As condições permanecerão favoráveis para a maturação e a colheita do algodão e do milho segunda safra, além do trigo sequeiro. No Sudoeste de MS, a umidade no solo deve ser suficiente para as lavouras de trigo em floração e enchimento de grãos.
SE: O tempo deve permanecer estável ao longo da semana. Ainda assim, há previsão de chuvas fracas em áreas do litoral de SP, no Sul do RJ, no litoral Norte do ES e no Sul de MG, onde os acumulados serão pouco significativos. Nas demais áreas da Região, o predomínio será de tempo firme, com baixa probabilidade de ocorrência de chuva. No geral, as condições serão favoráveis para a maturação e a colheita dos cultivos de grãos, da cana-deaçúcar e do café.
S: A semana inicia com predomínio de tempo instável em grande parte da Região. O destaque é o RS, onde há previsão de tempestades, com possibilidade de queda de granizo e danos pontuais aos cultivos de inverno. Ao longo da semana, as instabilidades avançam em direção aos demais estados. Os maiores volumes de chuva devem ocorrer no RS, especialmente, até quarta-feira. Na quinta-feira, maiores acumulados de chuva podem se deslocar para SC e o PR. No final da semana, as chuvas voltam a se intensificar sobre o RS, com os maiores volumes concentrados na porção sul do estado.
Fonte: Conab

Sustentabilidade
TRIGO/CEPEA: Tensões geopolíticas elevam preço externo – MAIS SOJA

As cotações internacionais do trigo avançaram nos últimos dias, influenciadas pelo agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia e pelas preocupações climáticas em importantes regiões produtoras na Europa e nos Estados Unidos. Na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato Setembro/26 chegou a superar US$ 7/bushel.
No Brasil, por outro lado, a comercialização permanece lenta, em cenário típico de entressafra, com oferta restrita da temporada passada, moinhos abastecidos e produtores cautelosos nas negociações antecipadas da nova safra, de acordo com o Cepea.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Soja sucumbe à realização de lucros e cai cerca de 3% em Chicago – MAIS SOJA

Os contratos futuros da soja fecharam em forte baixa nesta segunda-feira, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Após atingir na semana passada os maiores patamares em mais de dois anos, o mercado sucumbiu a um movimento de realização de lucros e despencou cerca de 3% no início da semana.
A queda acentuada das cotações do petróleo no mercado internacional acelerou o movimento de vendas e acentuou a queda. Com a expectativa de retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos, o barril do petróleo teve um dia de fortes perdas, tanto em Londres como em Nova York.
Os exportadores privados americanos anunciaram a venda de 132 mil toneladas para a China e 126 mil toneladas de soja em grão para destinos não revelados. Hoje, os sinais de boa demanda foram insuficientes para conter as perdas.
O mercado aguarda agora a divulgação dos dados de condições das lavouras americanas, às 17h, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A expectativa é de que a taxa de lavouras entre boas e excelentes condições recue, reflexo do recente calor extremo sobre o cinturão produtor americano.
Os contratos da soja em grão com entrega em agosto fecharam com baixa de 39,50 centavos de dólar, ou 3,16%, a US$ 12,08 1/2 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 12,13 3/4 por bushel, com retração de 39,75 centavos de dólar ou 3,17%.
Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com baixa de US$ 10,50 ou 3,17% a US$ 320,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em setembro fecharam a 70,85 centavos de dólar, com perda de 2,62 centavos ou 3,56%.
Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua / Agência Safras
Sustentabilidade
Forrageiras: o investimento mais estratégico para agricultura moderna – MAIS SOJA

Por: Marcelo Ayres Carvalho, Pesquisador da Embrapa Cerrados
A eficiência no uso da terra e o controle dos custos de produção são fatores essenciais para a gestão das propriedades rurais. Em um cenário de variações nos preços das commodities agrícolas, do custo dos insumos e das taxas de juros, a eficiência do sistema produtivo impacta diretamente a estabilidade financeira das atividades rurais. Neste contexto, as plantas forrageiras deixam de ser apenas um componente da pecuária para assumir um papel estratégico na agricultura moderna.
Mais do que culturas de cobertura, elas contribuem para a saúde do solo, reduzem riscos de produção, aumentam a produtividade e fortalecem a rentabilidade das lavouras, especialmente em períodos de instabilidade econômica e climática.
O risco da safrinha e a armadilha do custo fixo
Historicamente, a “safrinha” de grãos (em geral, com milho ou sorgo) foi utilizada para diluir os custos fixos da propriedade. No entanto, em anos de crise financeira e instabilidade climática, essa estratégia pode se transformar em uma perigosa armadilha. Implantar uma segunda safra de grãos exige investimentos elevados em sementes, fertilizantes e defensivos. Quando o clima ou os preços forem desfavoráveis, a safrinha deixa de gerar receita e passa a representar um passivo financeiro.
A busca por eficiência operacional exige que o produtor repense o uso da terra. A exposição ao risco em janelas marginais de plantio tem levado à adoção de alternativas que demandam menor desembolso inicial e oferecem maior proteção ao sistema produtivo.
No entanto, a redução da dependência de safrinhas de alto risco não significa deixar a terra em pousio — o que seria um erro agronômico grave no Sistema Plantio Direto (SPD). A opção é a adoção de culturas que preparem o sistema para a safra principal com um custo significativamente menor.
As forrageiras como ferramentas estratégicas
O cultivo de espécies forrageiras, especialmente gramíneas e leguminosas tropicais, representa uma estratégia eficiente para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos. Ao contrário de uma cultura de grãos, a forrageira implantada após a safra de verão, atua como um “seguro biológico”. Ela não exige os mesmos investimentos em operações agrícolas, insumos e gestão, e entrega um retorno para o sistema que poucas tecnologias conseguem superar.
As forrageiras vão além da cobertura do solo. Seus sistemas radiculares promovem descompactação, infiltração de água, oxigenação do perfil, ciclagem de nutrientes, supressão de plantas invasoras, nematoides, pragas e doenças, além de favorecer o sequestro de carbono.
Em um cenário de crise, onde o produtor precisa extrair o máximo de cada quilo de fertilizante aplicado, ter um solo estruturado e saudável é fundamental para evitar perdas de produtividade e aumento de custos de produção.
Evidências técnicas e econômicas: o valor da saúde do solo
Estudos científicos demonstram que substituir a safrinha de grãos por forrageiras melhora o desempenho do sistema produtivo. Pesquisas têm demonstrado que a soja cultivada após o uso de forrageiras apresenta um incremento médio de 15% na produtividade, o que representa cerca de 515 quilos por hectare adicionais (ou mais de 8,5 sacas por hectare). O ganho está associado à melhora dos bioindicadores da saúde do solo, com aumento da atividade enzimática e da ciclagem de nutrientes.
Do ponto de vista financeiro, o retorno sobre o investimento (ROI) é bastante expressivo. Enquanto o custo de implantação de uma cobertura forrageira varia entre US$ 9 e US$ 30 por hectare em sementes, o retorno financeiro apenas em ganho de produtividade da soja subsequente é estimado em US$ 198 por hectare.
Forrageiras, uma poupança para o solo e para o produtor
Em tempos de insumos caros, as forrageiras funcionam como uma poupança de nutrientes. Cultivares de Brachiaria recuperam potássio e fósforo das camadas profundas do solo e os devolvem à superfície por meio da biomassa. Após a dessecação da forragem, esses nutrientes são liberados de forma gradual, reduzindo a dependência imediata de fertilizantes químicos de alta solubilidade e custo elevado.
Além disso, a palhada persistente sobre o solo reduz a temperatura superficial e mantém a umidade, mitigando os efeitos do estresse hídrico — um problema recorrente que tem dizimado margens de lucro em diversas regiões.
O uso de leguminosas forrageiras contribui também para a melhoria dos atributos físicos e biológicos do solo, promovendo o aporte de nitrogênio no sistema pela fixação biológica. Estudos mostram que leguminosas forrageiras podem fixar entre 50 e mais de 250 quilos de nitrogênio por hectare ao ano.
Elas podem ser utilizadas isoladamente ou em consórcio com gramíneas. As forrageiras também podem ser pastejadas, diversificando a renda. Estudos em fazendas mostram aumento de 18% na produtividade da soja em áreas pastejadas.
Essa estratégia amplia a competitividade do produtor brasileiro. A sustentabilidade aqui não é um conceito abstrato, mas uma ferramenta de resiliência econômica que permite produzir mais com menos interferência externa.
A maturidade do sistema de produção
O crescimento do mercado de sementes forrageiras mostra que investir na saúde do solo reduz riscos e aumenta a eficiência da safra principal. A adoção de sistemas integrados – a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) – ou o uso estratégico de forrageiras como plantas de cobertura para o sistema de plantio direto marca a maturidade do sistema de produção brasileiro.
O produtor que compreende a forrageira como um investimento em infraestrutura biológica estará, ao final dessa crise, em uma posição de liderança, com custos de produção mais baixos, solos mais férteis e uma operação significativamente menos vulnerável às oscilações climáticas e do mercado de commodities e insumos.
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