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Pecuaristas são contra ‘incorporação’ de exigências da UE à lei brasileira sobre uso de antimicrobianos na produção animal

Entidades que representam pecuaristas de diferentes regiões do país divulgaram, na última sexta-feira (10), uma nota conjunta em que se posicionam contra uma eventual incorporação de exigências da União Europeia à regulamentação brasileira sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Na avaliação do grupo, a medida poderia criar restrições para toda a pecuária nacional, independentemente do mercado atendido pelos produtores. O documento é assinado por 14 entidades do setor, entre elas Acrimat, Famato, Acrissul, Apron, Unapec, Sociedade Rural Brasileira, Assocon, Acripará, Abeg, ABCZ, ACNB, ACNMT, Grupo Pecuária Brasil e Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável.
As entidades defendem que regras comerciais adotadas por países importadores sejam aplicadas apenas às cadeias produtivas que optarem por acessar esses mercados, sem que isso resulte em novas obrigações para produtores voltados ao mercado interno ou a outros destinos internacionais.
O grupo também argumenta que a regulamentação brasileira já estabelece critérios para o uso de antimicrobianos na produção animal e que eventuais mudanças devem ser discutidas com base em critérios técnicos e científicos. “O Brasil possui um dos mais rigorosos sistemas de controle sanitário do mundo, garantindo que esses produtos sejam utilizados de forma segura e em conformidade com os padrões internacionais”.
Setor teme aumento de custos e novas restrições
A nota destaca ainda que os antimicrobianos autorizados pelo Codex Alimentarius, referência internacional reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), são considerados ferramentas importantes para a produção pecuária moderna. “Quando utilizados de forma responsável, contribuem para a saúde e o bem-estar animal, melhoram a eficiência alimentar e o desempenho dos rebanhos”.
Segundo as entidades, produtores que abastecem o mercado interno ou exportam para países com regras diferentes não deveriam ser submetidos automaticamente às exigências adotadas pela União Europeia. O documento afirma que isso pode aumentar custos e ampliar a burocracia para parte da cadeia produtiva. “As condições estabelecidas por países importadores devem ser cumpridas por aqueles que optam por acessar esses mercados, sem impor custos, limitações e burocracia aos produtores que atendem o mercado interno ou outros destinos com regras distintas”.
O grupo também demonstra preocupação com os efeitos futuros de uma eventual mudança na regulamentação. Para as entidades, a adoção de exigências externas na legislação brasileira pode abrir espaço para novas restrições relacionadas à produção agropecuária e influenciar a formulação de políticas públicas nacionais.
Outro ponto defendido pelas entidades é que qualquer alteração nas regras seja debatida com o setor produtivo antes de uma decisão definitiva, considerando estudos técnicos e as características da pecuária brasileira. “Essas exigências devem permanecer restritas às cadeias produtivas destinadas a esses mercados, preservando a autonomia do país para definir seu marco regulatório com base na ciência, na avaliação de riscos e nos interesses nacionais”.
Ao final da nota, as entidades afirmam confiar no sistema brasileiro de defesa agropecuária e defendem que as decisões sobre a regulamentação da produção animal continuem sendo tomadas no país. “assegurando que as decisões sobre a produção nacional continuem sendo tomadas no Brasil e fundamentadas em critérios técnicos e científicos, sem influência de pressões externas e narrativas”.
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Promessa de safra histórica de milho em MT esbarra na rentabilidade e acende alerta para o próximo ciclo

Mato Grosso deve colher uma nova safra recorde de milho em 2025/26. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima uma produção de 57 milhões de toneladas, reforçando o potencial produtivo do estado. O desempenho das lavouras, entretanto, não afasta as preocupações com a rentabilidade da atividade.
A projeção, divulgada nesta segunda-feira (13), supera as 55,434 milhões de toneladas colhidas na safra 2024/25, até então a maior da série histórica, e também fica acima da estimativa divulgada em junho, quando o instituto previa uma produção de 53,349 milhões de toneladas.
Os dados foram levantados pelo Imea durante 64 dias, onde a equipe percorreu mais de 30 mil quilômetros, entre 82 municípios, realizando 833 avaliações técnicas para mapear produtividade, ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas nas principais regiões produtoras.
O diagnóstico confirma mais um avanço da produção estadual, mas também reforça um cenário que vem se repetindo nas últimas safras: a produtividade tem sido decisiva para amenizar os efeitos dos custos elevados e dos preços pouco atrativos recebidos pelos produtores.

Produtividade supera o último recorde
O levantamento apontou produtividade média de 128,6 sacas por hectare, acima das 127,2 sacas registradas na safra passada, que até então representavam o melhor desempenho já observado pelo instituto.
O analista de Inteligência de Mercado e Clima do Imea, Henrique Eggers, explica ao Canal Rural Mato Grosso que o resultado foi construído por um conjunto de fatores identificados durante o trabalho de campo. Entre eles estão o aumento no número de espigas por hectare e a quantidade de grãos.
Esses indicadores, segundo ele, foram superiores aos registrados no último ciclo. “O ano passado era o nosso recorde, com 127,2 sacas por hectare, e neste ano atingimos 128,6 sacas por hectare, resultando em uma produção de 57 milhões de toneladas”.
Outro aspecto observado pelo levantamento foi a evolução do peso dos grãos, que cresceu 0,8% em relação à safra anterior. Para Eggers, esse avanço reforça que a agricultura mato-grossense continua ampliando sua capacidade produtiva.
O analista destaca ainda que o desempenho atual consolida uma sequência de evolução. A safra 2024/25, salienta o especialista, já havia apresentado peso superior ao ciclo 2023/24 e, neste ano, esse indicador voltou a avançar, fortalecendo o potencial produtivo das lavouras. “O peso dos grãos é um dos resultados primordiais para que tenhamos uma boa produtividade no final da safra”.
Podridão branca lidera entre as doenças
Além da produtividade, o levantamento avaliou as condições fitossanitárias das áreas visitadas. A podridão branca foi a doença mais encontrada nas lavouras, com incidência média de 2,64%. As maiores ocorrências foram registradas nas regiões Noroeste e Norte de Mato Grosso.
Mesmo com esses registros, o Imea avalia que o manejo adotado pelos produtores foi suficiente para evitar perdas expressivas de produtividade. Conforme Henrique Eggers, as ocorrências ficaram concentradas em algumas regiões e não representam um risco para o desempenho da safra estadual.
“A região Noroeste apresentou o maior índice de lavouras com espigas apresentando apodrecimento. A região Norte também teve um número elevado de áreas com esse panorama, mas, no contexto geral, não vemos um grande potencial redutor, uma vez que o manejo foi dentro do esperado para a região”.
O levantamento também analisou a presença de pragas e plantas daninhas, permitindo ao instituto traçar um panorama técnico que servirá de base para o planejamento das próximas safras.

Rentabilidade segue pressionada
Embora a produção caminhe para um novo recorde, o desempenho das lavouras não tem sido suficiente para garantir tranquilidade ao produtor. Nos últimos anos, a alta produtividade compensou parte das perdas provocadas pelos custos de produção elevados e pelos preços das commodities, que seguem sem reação consistente. Ainda assim, a margem da atividade permanece apertada.
“Foi ela que conseguiu recuperar parte desse movimento”, afirma o superintendente do Sistema Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, ao lembrar que preços e custos continuam desfavoráveis. Mesmo assim, ressalta, esse desempenho “ainda é insuficiente para salvar todo esse cenário”.
A preocupação aumenta para a próxima temporada. Segundo Gauer, além dos custos elevados e dos preços pressionados, a perspectiva de um ano marcado por estresse climático amplia as incertezas sobre a produção.
Na avaliação dele, justamente o fator que sustentou a rentabilidade nos últimos anos pode estar ameaçado. “Estamos indo para um ano de estresse climático, com perspectiva de um El Niño e grande instabilidade para o que produzimos aqui no estado”, afirma.
Caso a produtividade seja afetada, o cenário tende a ficar ainda mais delicado. “Nos últimos dois anos ela foi o que salvou esse movimento. Imagine um cenário em que já temos preços e custos pressionados e uma produtividade em risco”.
Produtores buscam reduzir custos
Diante desse cenário, os produtores já começam a ajustar o planejamento da próxima safra. A estratégia passa por rever a composição dos custos de produção, substituir alguns insumos por alternativas mais competitivas e reduzir parte dos investimentos, buscando preservar o caixa sem comprometer o potencial das lavouras.
Conforme Cleiton Gauer, esse movimento já vem sendo observado nos últimos meses. Os produtores têm buscado alternativas para diminuir a exposição ao risco diante de um ambiente econômico cada vez mais desafiador.
“Os custos de produção continuam subindo. O produtor tem tentado alterar a composição desse custo, trocar produtos e reduzir parte dos investimentos para conseguir mitigar essa situação e diminuir o risco de exposição para a próxima temporada”.
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Projeto sobre dívidas rurais deve ficar para depois do recesso parlamentar; MP ganha força

O Congresso Nacional inicia nesta semana o último período de votações antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 18 de julho, com uma série de pautas ainda pendentes. Entre elas está o Projeto de Lei 5.122/2023, que cria um programa de renegociação das dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos.
Segundo informou o repórter Bruno Amorim, durante o Mercado & Companhia, a expectativa é de que a votação do projeto de lei fique para depois do recesso parlamentar. Paralelamente, o governo federal e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) seguem negociando uma Medida Provisória (MP) como alternativa para estabelecer regras de renegociação das dívidas antes da retomada dos trabalhos legislativos.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o texto aprovado pelo Senado pode gerar um impacto de até R$ 140 bilhões nas contas públicas. Enquanto a equipe econômica defende uma solução por meio de medida provisória, a FPA mantém as negociações para ampliar o alcance do programa e definir as condições da proposta.
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Governo e agro ainda buscam consenso
Em entrevista ao Canal Rural, o ex-assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Ernesto Augustin, afirmou que o cenário atual é de negociação entre o Executivo e a bancada ruralista.
Segundo ele, enquanto a tramitação do PL 5.122/2023 deve avançar apenas após o recesso parlamentar, a expectativa é que o governo apresente uma medida provisória para atender parte das demandas do setor.
“Eu acredito que nesta semana o governo deve fazer uma medida provisória alternativa, conseguindo atender aos interesses de ambas as partes. Se não houver entendimento, a medida provisória passa a valer. O projeto continua em tramitação”, explicou.
Augustin também afirmou que o governo resiste a uma renegociação mais ampla por questões orçamentárias e por não concordar com a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar o programa.
Setor quer ampliar alcance da renegociação
O projeto em discussão prevê benefícios para produtores que sofreram perdas provocadas por eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e excesso de chuvas.
No entanto, representantes do setor defendem que a renegociação contemple também produtores que enfrentam dificuldades financeiras decorrentes da alta dos juros, da queda dos preços das commodities e do aumento dos custos de produção.
Fundo garantidor ganha força nas discussões
Além da renegociação das dívidas, Augustin defendeu a criação de um fundo garantidor para facilitar o acesso ao crédito rural.
Segundo ele, existem dois grupos que precisam de atenção: produtores que já não conseguem contratar novos financiamentos por causa do elevado nível de endividamento e aqueles que ainda mantêm a atividade, mas esgotaram as garantias exigidas pelas instituições financeiras.
“Nós temos um produtor que já está praticamente inviabilizado e outro que ainda está produzindo, mas sem garantias para acessar crédito. Se não ajudarmos esse segundo grupo agora, ele será o endividado do ano que vem, afirmou.
Crédito existe, mas produtores não conseguem acessar
Na semana passada, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Aprosoja e da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participaram de reuniões em Brasília com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, integrantes do Ministério da Fazenda e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo Augustin, o objetivo foi discutir mecanismos para destravar o acesso dos produtores às linhas do Plano Safra 2026/27.
Ele afirmou que há recursos disponíveis para o crédito rural, mas muitos agricultores não conseguem contratar financiamentos porque já esgotaram as garantias exigidas pelos bancos.
“Não adianta anunciar um Plano Safra de R$ 500 bilhões ou R$ 600 bilhões se o agricultor não consegue tomar esse recurso porque já não tem mais garantias”, disse.
Preocupação com a próxima safra
Para Augustin, a combinação de juros elevados, custos de produção ainda altos, preços pressionados das commodities e a possibilidade de novos impactos climáticos aumenta o risco de agravamento do endividamento no campo.
Segundo ele, além de buscar uma solução para quem já enfrenta dificuldades financeiras, é necessário criar mecanismos que permitam aos produtores manterem a atividade e financiarem a próxima safra.
“Precisamos encontrar uma solução para quem já está em dificuldade, mas também para quem ainda está produzindo e precisa de um fôlego para atravessar mais uma safra, concluiu.
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Agro Mato Grosso
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