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17 de outubro de 2026

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Egito, Irã e Vietnã lideram como os principais destinos do milho mato-grossense

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Egito, Irã e Vietnã lideram na safra 2024/25 como os principais destinos do milho produzido em Mato Grosso. Juntos os três países somam 11,29 milhões de toneladas importadas, cerca de 46,3% das 24,35 milhões de toneladas embarcadas durante a temporada pelo estado.

Somente para o Egito o estado enviou 5,43 milhões de toneladas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume representa um aumento de 40,37% em comparação com a temporada 2023/24. Já para o Irã foram 3,10 milhões de toneladas, um crescimento de 25,44%.

Terceiro maior consumidor do cereal mato-grossense, o Vietnã importou 2,76 milhões de toneladas, 9,61% abaixo ante o ciclo anterior.

Ao se analisar as embarcações brasileiras, no acumulado da safra 2024/25 o país enviou para o mercado externo 42,38 milhões de toneladas de milho, 11,88% a mais do que a temporada anterior. Mato Grosso foi responsável por 55,48% do volume exportador.

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“Com o encerramento das exportações da safra 2024/25, o mercado volta as atenções para os embarques da temporada 2025/26, que ganham ritmo com o avanço da colheita”, frisa o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).


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Universidade faz programação ‘Amazônia Delas’ e foca em inovação e empreendedorismo feminino

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A Universidade do Estado do Pará (Uepa) receberá, nos dias 27 e 29 de outubro, atividades do Amazônia Delas, iniciativa que propõe aproximar ciência, inovação, empreendedorismo e conhecimentos tradicionais amazônicos.

A programação será realizada presencial no Campus XVIII, em Cametá, e no auditório do Centro de Ciências Naturais e Tecnologia (CCNT), em Belém, com atividades voltadas à transformação de pesquisas e saberes regionais em produtos, negócios e soluções inovadoras. 

A Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) fomenta o evento, por meio da Chamada Pública nº 015/2026, no contexto da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2026), com a temática “Ciência Delas”.

Programação primeiro dia

No dia 27 de outubro, das 8h30 às 18h, o encontro terá como tema “Mulheres transformando a biodiversidade e saberes amazônicos em inovação” em Cametá, Pará.

A programação inclui uma mesa-redonda interativa sobre como a Uepa pode contribuir para que invenções cheguem ao mercado, além de atividades voltadas à valorização dos produtos da agricultura familiar, à qualidade da produção e à regularização necessária para a comercialização.

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À tarde, das 14h às 16h, será realizado o pitch “Elas Inovam”, com apresentações curtas de tecnologias e produtos técnico-tecnológicos liderados ou desenvolvidos com participação feminina.

Também estão previstas oficinas práticas sobre a elaboração de biojoias a partir da concha do mexilhão-dourado, a transformação do cacau em chocolate e a produção de iogurte e sorvete de açaí. O encerramento está previsto para às 18h, após a entrega de menções de destaque da mostra de produtos.

A programação é direcionada para:

  • Estudantes da educação básica e superior;
  • Pesquisadoras;
  • Agricultoras familiares;
  • Produtoras rurais;
  • Batedoras de açaí;
  • Artesãs;
  • Empreendedoras;
  • Representantes de associações e cooperativas;
  • Comunidades tradicionais;
  • Sociedade em geral.

Programação segundo dia

Na capital paraense, o evento será realizado no dia 29 de outubro, das 8h às 18h, no auditório do CCNT da Uepa, com o tema ‘Da pesquisa à prateleira: mulheres transformando negócios e ciência em inovação’.

As atividades começam com o credenciamento e a abertura da Prateleira Uepa, seguidos da abertura institucional e de uma mesa-redonda interativa sobre como as mulheres transformam ciência em inovação e impacto.

Também estão previstas conferências sobre a aproximação entre programas de pós-graduação e mercado, validação de tecnologias, modelos de negócio e possibilidades de empreendedorismo a partir da pesquisa.

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Às 11h30, o pitch “Elas Inovam” reunirá apresentações curtas de tecnologias e produtos técnico-tecnológicos liderados ou desenvolvidos com participação feminina.

No período da tarde, a programação abordará propriedade intelectual, transferência tecnológica e a aplicação prática da Política de Inovação da Uepa, incluindo direitos, responsabilidades e oportunidades para pesquisadores e estudantes.

O encontro contará ainda com uma mesa-redonda sobre as demandas das empresas e as possibilidades de parceria com universidades, uma sessão dedicada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI).

O encerramento está previsto para às 18h, após a entrega de menções de destaque da Mostra de Produtos Técnico-Tecnológicos.

A programação é destinada para:

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  • Pesquisadores;
  • Docentes;
  • Estudantes de graduação;
  • Pós-graduação;
  • Bolsistas PIBITI;
  • Empreendedores;
  • Startups;
  • Instituições de apoio à inovação;
  • Comunidade em geral.
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Embrapa testa cereal que pode substituir trigo e transformar indústria de biscoitos

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O triticale, um cruzamento entre trigo e centeio, ganhou aval da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para o uso na composição de produtos destinados à alimentação humana. Testes de panificação e confeitaria realizados pela empresa Vilma Alimentos (MG), parceira da Embrapa Trigo (RS), indicam a viabilidade de substituição da farinha de trigo pela farinha de triticale na composição, principalmente, de biscoitos.

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Segundo a pesquisadora da Embrapa Trigo, Jane Machado, a indústria de biscoitos deve ser um dos principais mercados para o triticale no Cerrado porque “o triticale garante a crocância e a firmeza dos biscoitos, permitindo eliminar o uso de aditivos químicos para atingir esses atributos”. Ela também destaca que os grãos de triticale, inteiros ou moídos, podem ser utilizados em cereais matinais e produtos dietéticos.

O triticale é um cereal de inverno, desenvolvido por meio do cruzamento do trigo com o centeio por melhoramento genético. O resultado foi a criação de uma planta com a qualidade do trigo e a rusticidade do centeio.

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“Avaliamos a aplicação da farinha de triticale em 11 produtos. Os testes mostraram que é possível utilizá-la em seis deles, sendo que em dois foi possível substituir totalmente a farinha de trigo pela farinha de triticale sem perder qualidade”, conta Sérgio Gonçalves, diretor técnico da Vilma Alimentos.

A empresa elaborou uma tabela resumindo as conclusões dos testes práticos:

Imagem: Vilma Alimentos, agosto de 2026.

Na produção de biscoitos moldados, a substituição pode chegar a 100%, mantendo boa expansão e atributos similares ao padrão elaborado somente com farinha de trigo. Na panificação, a mistura indicada ficou em 50% de trigo e 50% de triticale, limitada à fabricação de pães de baixo crescimento.

No caso de biscoitos laminados doces (conhecidos no mercado como biscoito de maisena), os testes mostraram que é possível substituir até 30% da farinha de trigo por triticale, mantendo o padrão de textura, cor e sabor característicos dos produtos.

Mais de 40 anos de presença

Apesar dos testes práticos para produção industrial serem novos, o triticale começou a chegar às lavouras brasileiras na década de 1980, em razão dos primeiros trabalhos da Embrapa Trigo na adaptação das cultivares trazidas do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), com sede no México.

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Desde então, a cultura tem sido utilizada principalmente na Região Sul, como forragem na produção agropecuária ou como ração de suínos e aves. A primeira cultivar desenvolvida no Brasil é a BRS Minotauro, lançada pela Embrapa em 2005.

Atualmente, existem 24 cultivares de triticale cadastradas no Registro Nacional de Cultivares do Mapa, indicadas aos mais diversos usos. Em 2024, uma carga de 20 toneladas da cultivar de triticale BRS Saturno saiu do Rio Grande do Sul para ser avaliada no Cerrado Mineiro.

Os resultados iniciais mostraram que, na panificação, a farinha de triticale é mais escura e com menor força de glúten, exigindo mesclas com a farinha de trigo. Naquela ocasião, o triticale já se mostrou uma opção viável para uso na fabricação de biscoitos, massas para pizzas ou em misturas para bolo.

Na Fazenda Lagoa, em Carandaí, na Zona da Mata de Minas Gerais, foram conduzidos experimentos em oito hectares de triticale em 2026, um para cada cultivar disponível no mercado: BRS Piapara, BRS Saturno, BRS Surubim, BRS Tambaqui, BRS TL 51 e BRS Zênite (Embrapa e Fundação Meridional), além das cultivares IPR Aimoré e IPR Goitacá (IDR Paraná). A semeadura foi realizada em maio com colheita em setembro, sob irrigação.

Uma alternativa para o Brasil

No Brasil, que sempre enfrentou desafios na produção de trigo, o triticale apresenta uma possibilidade importante para a indústria nacional.

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A média de produtividade do triticale no Cerrado varia de três a quatro toneladas por hectare em sistema irrigado, mas o rendimento em Carandaí superou as expectativas: “As parcelas de triticale chamaram a atenção dos produtores da região, mostrando excelente sanidade e com espigas bem formadas. O rendimento de grãos passou das seis toneladas por hectare”, avalia o engenheiro agrônomo Luiz Tarcísio Behm.

De acordo com Osmar Conte, pesquisador da Embrapa Trigo, o triticale também pode apresentar bom desempenho no cultivo de sequeiro: “O triticale tem boa tolerância à seca, com plantas de raízes profundas, bem adaptadas a solos ácidos e arenosos”, explica Conte, lembrando que nem todas as cultivares testadas são indicadas para produção de grãos no Cerrado. Após a colheita serão realizadas avaliações para subsidiar melhor as orientações técnicas.

A destinação de triticale para a alimentação humana ganhou impulso nos últimos anos, fomentada pelo marketing dos alimentos funcionais, com os grãos destinados à indústria de alimentos integrais, como pães e biscoitos.

O cultivo deste cereal no Cerrado ainda não aparece nas estatísticas oficiais, mas esta realidade pode mudar nos próximos anos com a adaptação de novas cultivares pela pesquisa e o interesse da indústria de alimentos.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Desastre de Mariana desequilibra população de abelhas e ameaça a polinização na região

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O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, causou graves impactos ambientais na bacia do Rio Doce, e os efeitos do rejeito da mineração sobre os polinizadores revelaram um cenário ecologicamente complexo.

Ao investigar as áreas degradadas, pesquisadores constataram que os locais inundados pelo rejeito registraram quantidade de abelhas superior à encontrada em matas preservadas, mas esse aumento numérico reflete um forte desequilíbrio do ecossistema.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv), da UFMG, Universidade de Oxford, Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto Nacional de Biodiversidade, do Equador, e Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O grupo avaliou áreas cobertas por rejeitos e locais de referência para entender os efeitos da degradação. 

Durante os trabalhos de campo, as equipes de pesquisadores coletaram 10.721 indivíduos pertencentes a 88 espécies e cinco famílias diferentes de abelhas. A média de espécies encontradas por localidade impactada foi de 14, número estatisticamente semelhante às 12 espécies registradas nas matas de referência, áreas preservadas. 

Quantidade não é qualidade

Apesar da diversidade de espécies ser parecida, a abundância total dos insetos chamou a atenção imediata dos pesquisadores envolvidos no projeto. Foram identificados, em média, 197 indivíduos por ponto de coleta nas áreas devastadas pelo rejeito de minério. Nas matas bem preservadas, esse número ficou na casa de 160 abelhas por ponto amostrado. 
 
Dar sentido a esses números exige um olhar mais aprofundado. “Entender a estrutura da comunidade de polinizadores, no caso as abelhas, é essencial para políticas públicas de restauração ambiental”, destaca a autora principal do estudo, Kamilla Castelan. Ela destaca que o rigoroso levantamento de campo conecta a sociedade à real e assustadora escala dos danos causados à biodiversidade. 

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Abelhas generalistas x especialistas

Com base nessa análise, os cientistas alertam que a abundância nas áreas afetadas está associada à predominância de abelhas classificadas como generalistas.

Esses polinizadores comuns têm dieta ampla, não exigem plantas específicas e apresentam altíssima capacidade de adaptação. Capazes de tolerar o ambiente degradado, eles dominam a região de forma oportunista e criam uma falsa impressão de saúde ecossistêmica. 
 
Por outro lado, o desastre causou o sumiço das espécies definidas pelos biólogos como especialistas. Por terem maior especialização trófica, essas abelhas dependem vitalmente de plantas específicas para sobreviver. Como o rejeito destruiu sua fonte exata de alimento, esses insetos ficaram restritos apenas às matas preservadas, gerando enorme perda de interações ecológicas. 

Comportamento na seca

Além das mudanças na composição de espécies, outro achado profundamente contraintuitivo revelado pela pesquisa diz respeito à influência direta das estações do ano. A maior quantidade de abelhas nas áreas atingidas foi registrada justamente durante o longo período seco, contabilizando 4.165 indivíduos. Já na época chuvosa, foram encontradas apenas 1.754 abelhas nesses mesmos locais amostrados. 
 
Castelan detalha que as rigorosas amostragens ocorreram “por método de armadilhas durante as estações secas e chuvosa”, e o minucioso trabalho de monitoramento da fauna já avança para novas etapas.

“Queremos saber se o ambiente seleciona ou exclui abelhas com determinadas características e se a presença do rejeito é uma barreira para a ocorrência de alguma espécie baseada em algum atributo funcional”, explica a pesquisadora. 
 
Esses dados chamam a atenção porque, em ambientes tropicais, o padrão ecológico comum é que a diversidade atinja sempre o seu nível de pico no período volumoso de chuvas.

A inversão observada agora sugere que a extrema falta de flores na seca força as abelhas a voarem para mais longe, concentrando-se nos refúgios florestais. O tempo seco também impede que os ninhos de solo acabem alagados. 

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Refúgios florestais e solo

Independentemente da estação do ano, o grande e vital trunfo ecológico para a inesperada resiliência das abelhas na região devastada é a cobertura florestal remanescente. O levantamento constatou que a abundância cresce de forma diretamente proporcional à presença de fragmentos de floresta nativa conservada num raio de até 500 metros. 
 
Funcionando como essenciais “ilhas verdes”, essas matas ciliares incrivelmente preservadas atuam como refúgios de salvação da vida silvestre no meio da paisagem severamente alterada. Elas fornecem tanto os recursos florais para alimentação contínua quanto as cavidades nas árvores adultas onde as abelhas constroem os ninhos. Sem essas matas, a recolonização regional seria um processo impossível.
 
Mas, se as árvores oferecem abrigo, o cenário no chão é limitante. A textura do novo solo impôs limites drásticos e muitas vezes fatais para a sobrevivência das espécies que constroem seus ninhos na terra.

O rejeito depositado torna o chão da bacia extremamente compactado, o que impede o trabalho de escavação dos insetos. Solos argilosos e sem contaminação, por sua vez, são capazes de abrigá-los com sucesso. 

Caminhos para a conservação

Diante dessa dependência dupla estrutural, a equipe do Biodiv propõe que a proteção dos raros remanescentes de floresta nativa se torne uma prioridade máxima de gestão. Para que o frágil ecossistema local possa se recuperar e florescer plenamente, é urgente garantir que esses fragmentos não sofram impactos adicionais, mantendo a função de pilar ecológico central.

No entendimento dos pesquisadores, os complexos esforços de recuperação ambiental na bacia do Rio Doce precisam ir muito além do simples plantio de árvores.

É fundamental aplicar técnicas que consigam restaurar as propriedades físicas originais do solo, descompactando a terra endurecida pelo minério, para viabilizar definitivamente o retorno dos polinizadores. 

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