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28 de setembro de 2026

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Genética e nutrição podem elevar em até 32% a produtividade do cacau, aponta estudo

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Foto: Freepik

A vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) é um fungo que dizimou lavouras de cacau no sul da Bahia nos anos 1990, foi tema de novela da Globo e continua sendo um problema para a cadeia produtiva do chocolate na Amazônia.

Pesquisa identifica clones de cacau mais resistentes à vassoura-de-bruxa e mostra que o equilíbrio nutricional pode elevar a produtividade em até 32%, reduzindo a dependência de fungicidas.

Um estudo publicado na revista Scientific Reports mostra que é possível garantir aumento na produtividade sem depender tanto do uso de fungicidas e fertilizantes, desde que se escolham cultivares com a genética certa: mais resistentes ao fungo e capazes de manter o equilíbrio nutricional mesmo em solos desafiadores.

Conduzida na Estação Experimental Frederico Afonso (Ceplac), em Rondônia, a pesquisa avaliou 25 cultivares de cacau e identificou dois com desempenho superior. Ambos demonstraram maior capacidade de manter alta produtividade mesmo em solos pobres de minerais e sob ataque da vassoura‑de‑bruxa, que na região é conhecida como lagartão.

O resultado foi um aumento de até 32% na produção em comparação a variedades mais suscetíveis ao fungo.

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“Os resultados demonstram, na prática, que combinar melhoramento genético e manejo nutricional é a estratégia mais sustentável e perene para a produção de cacau”, afirma o professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, Renato de Mello Prado.

Clones

Entre os clones avaliados, dois se destacaram por combinar alta produtividade de sementes com maior equilíbrio nutricional e maior tolerância à vassoura-de-bruxa sob as condições climáticas da Amazônia: o EEOP 63 e o EEOP 65.

Um clone, no contexto agrícola, é uma população de plantas geneticamente idênticas entre si, pois foram todas originadas de um único indivíduo (planta-matriz) exclusivamente por meio de reprodução assexuada (vegetativa).

Segundo os pesquisadores, é necessário investir em estudos semelhantes e mais amplos na região amazônica para a obtenção de novos clones que tenham as três características: alta eficiência nutricional, alta produtividade e resistência a doenças.

“Isso é importante, pois só assim o produtor rural poderá ter diferentes opções de clones para cultivar em sua propriedade. E essa é uma estratégia essencial para enfrentar os desafios atuais da cultura do cacau de forma sustentável”, diz Prado.

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Dilema biológico

Tanto o cacau quanto o lagartão são originários da região amazônica e é no clima característico da floresta, de chuvas intensas e muito calor e umidade, que o fungo encontra o cenário propício para se desenvolver.

Além disso, em algumas áreas da região, o solo tem desequilíbrio mineral, tornando-se ácido e com baixa proporção de nutrientes essenciais prontamente disponíveis para as raízes (como cálcio, magnésio e potássio), o que molda o desempenho das plantas.

“O estudo confirma que a tolerância à vassoura-de-bruxa na Amazônia não é uma característica isolada e pode ser modulada pelo equilíbrio nutricional e pela capacidade produtiva sob estresse de um cultivar”, explica a primeira autora do artigo, Edilaine Istéfani Franklin Traspadini.

O diferencial dos dois clones selecionados está na qualidade dos perfis minerais presentes nas plantas, especialmente as altas concentrações de fósforo, potássio, cálcio e magnésio.

“Diante de um ataque, a planta enfrenta um dilema biológico: depositar energia no crescimento ou na resistência ao patógeno. Quando recebe a nutrição adequada e tem a genética certa, consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo e supera essa limitação”, complementa Prado.

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O solo amazônico

Outro aspecto determinante para o desempenho dos clones de cacau está relacionado às condições naturais dos solos amazônicos. Como destaca Traspadini, eles são altamente intemperizados (sujeitos a processos severos de degradação física e química causados pelo excesso de chuvas) e naturalmente pobres em nutrientes. E isso impacta diretamente na saúde da planta.

Ao analisar o estado nutricional das plantas amostradas, os pesquisadores identificaram padrões claros de desequilíbrio, com destaque para o excesso de nitrogênio e a deficiência de boro. Traspadini alerta que o acúmulo de nitrogênio não metabolizado na planta gera compostos que funcionam como alimento para o fungo da vassoura-de-bruxa. Por outro lado, a falta de boro enfraquece a estrutura do cacaueiro.

“Observamos uma tendência consistente de deficiência desses elementos nos clones avaliados, especialmente de boro, que é fundamental tanto para a integridade das paredes celulares quanto para processos reprodutivos”, afirma a pesquisadora.

Diante desse cenário, o estudo demonstra que o equilíbrio nutricional não apenas reduz a vulnerabilidade à vassoura-de-bruxa, mas garante que a planta mantenha sua capacidade produtiva mesmo sob estresse.

“Isso reforça a importância da adubação equilibrada, com atenção também aos micronutrientes, que muitas vezes são negligenciados, para sustentar a produtividade e a resistência”, destaca Traspadini.

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Com o manejo adequado, a planta não precisa escolher entre produzir ou se defender: “O equilíbrio nutricional fortalece o sistema de defesa, permitindo que crescimento e resistência ocorram simultaneamente, sem dependência excessiva de agroquímicos”, conclui.

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Derivado da cúrcuma combate fungo causador de micoses, aponta estudo

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Um estudo conduzido na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) revelou que um composto sintético derivado da curcumina – o princípio ativo da cúrcuma ou açafrão-da-terra – possui dupla ação contra o Trichophyton rubrum, fungo responsável pelas micoses mais comuns.

Em parceria com a Universidade de Saskatchewan (Canadá), os pesquisadores demonstraram que a molécula não apenas inibe o crescimento do patógeno, como também ajuda a controlar a resposta inflamatória do organismo.

O microrganismo é o principal agente de infecções superficiais na pele, pelos e unhas no mundo. No entanto, ele tem sido cada vez mais associado a doenças invasivas, particularmente em indivíduos imunocomprometidos e diabéticos.

“Nesses casos, os fungos podem ultrapassar a barreira cutânea, atingindo camadas mais profundas, incluindo a derme e a hipoderme, com potencial disseminação para os linfonodos e, em casos mais graves, para a corrente sanguínea”, conta Ana Lucia Fachin Saltoratto, pesquisadora da Unidade de Biotecnologia e professora do Curso de Medicina, Farmácia e Nutrição da Unaerp.

Combate

Um dos fatores que dificultam a eliminação desse patógeno é o fato de que, em geral, ele desencadeia respostas inflamatórias fracas no organismo, ou seja, ocorre uma discreta ativação do sistema de defesa do corpo.

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Além disso, algumas linhagens do T. rubrum apresentam resistência aos antifúngicos comerciais utilizados atualmente. Isso tem gerado um crescente interesse no desenvolvimento de novos agentes capazes de combater a infecção, particularmente os formulados com compostos naturais ou seus derivados.

Nesse cenário, a curcumina tem sido extensivamente pesquisada, pois estudos recentes demonstraram que a substância e seus análogos apresentam amplo espectro de atividades farmacológicas, incluindo efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antimicrobianos e antifúngicos, e agem sinergicamente com antifúngicos clássicos, promovendo a morte de diferentes espécies de fungos causadores de doença.

No entanto, a aplicação clínica da substância é limitada por sua baixa solubilidade em água, instabilidade química e baixa biodisponibilidade, ou seja, apenas uma pequena fração da substância consegue efetivamente chegar à circulação sanguínea e fazer efeito no organismo. Mesmo em altas doses, sua eficácia terapêutica é comprometida pela rápida degradação e eliminação.

Por essa razão, os pesquisadores se propuseram a analisar a ação antifúngica de moléculas sintéticas inspiradas na curcumina. Os compostos foram aplicados em diversas concentrações sobre o fungo cultivado em laboratório em condições controladas. A molécula denominada 2102 foi a que se mostrou mais efetiva, ou seja, foi necessária uma concentração menor desse curcuminoide para paralisar o crescimento do fungo.

O grupo então testou o efeito do composto 2102 em cultura de macrófagos humanos, células que constituem a primeira linha de defesa do sistema imune. Os resultados indicam que a substância não é tóxica e foi bem tolerada.

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Na sequência, foi feito um ensaio visando mimetizar uma infecção profunda pelo T. rubrum. “Usamos uma linhagem celular [de macrófagos humanos] que permite estudar a interação entre o fungo e as células imunológicas presentes nesses tecidos”, explica a pesquisadora.

Avaliação

Os pesquisadores então avaliaram nessa linhagem celular a liberação de citocinas – substâncias secretadas pelos macrófagos que atuam como mensageiros químicos para regular a inflamação.

Para isso, compararam macrófagos infectados pelo fungo sem nenhum tratamento (grupo-controle) com macrófagos infectados e tratados com o análogo da curcumina.

Observou-se que as células tratadas com o composto 2102 liberaram menos citocinas (indicando um efeito anti-inflamatório) e aumentaram a produção de substâncias oxidantes (a “munição” usada pelas células de defesa para matar patógenos).

Apesar da resposta promissora obtida no experimento, ainda são necessários alguns passos para que a substância possa ser aplicada na prática, como testes em animais e ensaios de segurança em humanos.

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O próximo passo da equipe da Unaerp será sequenciar o material genético do T. rubrum a partir de amostras obtidas de pacientes infectados.

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Cursos gratuitos oferecem 34 vagas para capacitação na área rural

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A Secretaria Municipal de Pesca e Agropecuária está com inscrições abertas para novas vagas nos cursos gratuitos de capacitação profissional que serão realizados durante o mês de outubro, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Projeto de Educação Ambiental Rede Observação. As formações acontecerão no Centro de Apoio ao Produtor Rural, em Cantagalo.

Ao todo, estão disponíveis 34 vagas, distribuídas em três cursos: Equideocultura: ferrageamento e casqueamento, Mulheres em Campo e Avicultura: estrutura de legalização. As capacitações são voltadas a pessoas interessadas em ampliar conhecimentos e desenvolver atividades relacionadas ao meio rural.

Para participar, é necessário ter idade mínima de 16 anos e Ensino Fundamental incompleto. As vagas serão preenchidas por ordem de chegada.

Inscrições

As inscrições serão realizadas exclusivamente de forma presencial, no dia 30 de setembro, das 8h às 17h, no Centro de Apoio ao Produtor Rural, em Cantagalo, Rio de Janeiro. No momento da inscrição, os interessados deverão apresentar RG, CPF e comprovante de residência.

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Cursos e datas

  • Equideocultura: ferrageamento e casqueamento: será realizado de 5 a 10 de outubro e contará com 10 vagas.
  • Mulheres em Campo: terá encontros nos dias 6, 13, 20 e 27 de outubro, das 9h às 17h, com 12 vagas.
  • Avicultura: estrutura de legalização, SIM e SISB: será realizado de 21 a 23 de outubro, também das 9h às 17h, com 12 vagas.

O resultado da seleção será divulgado no dia 2 de outubro, no Jornal Oficial do Município de Rio das Ostras.

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Oito mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre azeite

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Os azeites virgens e extra virgens concentram compostos fenólicos, propriedades antioxidantes benéficas à saúde humana. De acordo com a coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3.

“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol”, afirma a especialista.

O produto está cada vez mais presente no dia a dia do prato dos brasileiros. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.

O diretor da Filippo Berio no Brasil, Eduardo Casarin, ressalta que o azeite é um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. “O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma.

Com o aumento do consumo e da oferta, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite. Confira alguns mitos e verdades:

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“O azeite é fonte de gordura monoinsaturada”

VERDADE

O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.

VERDADE

Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.

“Quanto mais picante, melhor o azeite”

MITO

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Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.

“O azeite pode ser usado para cozinhar”

VERDADE

O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.

MITO

A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.

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VERDADE

Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.

“A cor mais verde significa que o azeite é melhor”

MITO

A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.

A forma de conservação influencia a qualidade

VERDADE

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Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.

Amargor é sinal de azeite estragado

MITO

Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.

Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.

“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.

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