Business
Pesquisa revela fungo responsável por perdas de mais de R$ 100 mil em milharais de MT

Por fora, a palhada aparenta estar sadia. Mas, ao abrir a espiga, o produtor encontra grãos comprometidos por mofo e uma perda que já pesa na conta da safra. Em São José do Rio Claro, o problema afetou áreas de milho segunda safra e trouxe prejuízos superiores a R$ 100 mil em uma propriedade.
O agricultor Cleverson Bertamoni cultivou 1.550 hectares de milho nesta temporada. Nos primeiros talhões colhidos, ele já contabiliza perdas de mais de 19 sacas por hectare, diante de espigas que, externamente, não indicavam o comprometimento dos grãos.
A situação foi identificada em diferentes pontos da propriedade. Conforme Cleverson, o problema aparece de dentro para fora e pode passar despercebido durante uma primeira observação da lavoura. “Você vai andando e já acha o problema. Ela vem com esse mofo debaixo para cima”.
Ao abrir as espigas, o produtor encontrou grãos deteriorados e com odor de mofo. A palha, no entanto, permanecia aparentemente preservada. “Você olha aqui a palha está sadia, se você não abre você não vê”, mostra para a reportagem do Patrulheiro Agro.
O agricultor afirma que foram realizadas três aplicações de fungicidas, com alternância de princípios ativos e uso de produto protetivo, mas o problema foi constatado durante a colheita. “Nós tivemos um talhão de 220 hectares em que perdemos mais de 10% só por causa dessa doença aqui”.
O impacto financeiro estimado por Cleverson já passa de R$ 100 mil, sem considerar os custos das aplicações realizadas na lavoura. Inicialmente, ele e outros produtores associaram os sintomas à podridão-salmão da espiga, pela coloração observada nos grãos. “Está sendo tratada até agora para nós aqui como podridão-salmão da espiga, pois deixa essa coloração meio salmão aí na espiga”, frisa.

Diagnóstico descartou nova doença
A suspeita de uma doença ainda desconhecida foi descartada após a avaliação de amostras coletadas na propriedade. O trabalho buscou identificar o fungo presente nos milharais, avaliar os impactos na produção e apontar medidas que possam reduzir a proliferação na próxima safra.
Especialista em doenças de plantas, o pesquisador Erlei Melo Reis esteve em Mato Grosso, a convite da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), para acompanhar os talhões. Na análise, foram feitas amostragens em trechos de dez metros, com contagem de plantas e retirada de espigas para diagnose.
De acordo com Reis, entre 15% e 20% das espigas avaliadas apresentavam podridão visível. A presença de micélio, o mofo branco, porém, indicou que o fungo estava disseminado nas áreas observadas.
“Nós encontramos então nessa lavoura de 15% a 20% das espigas que tem uma podridão, só que na realidade, pela experiência que tenho como fitopatologista, todas as espigas tem a podridão branca da espiga, porque tem o micélio, o mofo branco que identifica o fungo Stenocarpella s.p”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.
A análise em microscópio permitiu visualizar e medir os esporos das amostras enviadas de Mato Grosso. Conforme o pesquisador, o resultado confirmou a espécie Stenocarpella maydis, doença já registrada no estado e também identificada na safra anterior. A Diplodia recebeu nova classificação científica e passou a ser chamada de Stenocarpella maydis.
O pesquisador explica que há diferentes fungos associados às podridões de espiga no milho. Entre eles, estão o Fusarium verticillioides, relacionado à podridão rosada na base da espiga ou em grãos individuais, e o Fusarium graminearum, também chamado de Gibberella zeae, ligado à podridão vermelha na ponta da espiga.
“E das brancas, nesse caso aqui, são as chamadas Diplodia. Nós recebemos várias amostras de Mato Grosso e com microscópio visualizamos os esporos, esses esporos foram medidos e confirmados através da literatura por ser esporos relativamente pequenos que pertencem então a espécie Stenocarpella maydis”, pontua o especial ao Canal Rural Mato Grosso.

Manejo exige atenção à palhada
Segundo o Sindicato Rural, São José do Rio Claro cultivou aproximadamente 100 mil hectares de milho nesta safra. O atraso no plantio levou muitos produtores a reduzirem o investimento na cultura.
Para Reis, a presença de sementes infectadas, a monocultura e a permanência de palhada com restos de lavouras afetadas podem favorecer a disseminação do fungo. As chuvas mais frequentes entre o pendoamento e a colheita também estão entre os fatores que precisam ser avaliados nesta temporada.
Em áreas com palhada de monocultura que registraram a doença na safra anterior, a quantidade de inóculo pode ser elevada. “Se nós tivermos a palhada de monocultura que teve a doença na safra anterior nós temos uma abundância de inóculo”, afirma.
A rotação de culturas é uma das medidas citadas pelo pesquisador. Quando ela não é possível, ele aponta práticas que podem acelerar a decomposição da palhada, como melhorar a trituração dos resíduos durante a colheita e aumentar o contato desse material com o solo. “Se procedermos, por exemplo, a uma escarificação também vai haver um maior contato dessa palha com o solo, o que acelera a sua decomposição”.
Reis ressalta que ainda não há dados de pesquisa que comprovem a redução da podridão das espigas com aplicações de fungicidas. “A pesquisa não tem dados sobre essa doença, a podridão das espigas do milho, que possa ser minimizada com a aplicação de fungicidas, não temos essa informação ainda”.
O pesquisador também afirmou que as amostras analisadas não confirmaram a presença de uma nova podridão-salmão nos milharais de Mato Grosso. Conforme ele, a podridão-salmão é uma doença antiga, causada pelo fungo Rhizoctonia zeae, atualmente reclassificado no gênero Waitea. “Em todas as amostras que nós recebemos de Mato Grosso, nesta jornada, nesta lavoura que estamos nesse momento, nós confirmamos que encontramos somente Stenocarpella maydis”.
+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Pesquisa revela fungo responsável por perdas de mais de R$ 100 mil em milharais de MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Produtores de arroz seguram vendas à espera de R$ 80 por saca no RS

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue firme, sustentado pela menor disposição dos produtores para negociar e pela necessidade de compra das indústrias. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta reduzida de lotes limita a liquidez, enquanto compradores encontram dificuldades para recompor os estoques.
Os produtores permanecem cautelosos nas vendas e aguardam preços mais atrativos. De acordo com o Cepea, a expectativa está em valores próximos de R$ 80 por saca de 50 quilos, livre, patamar considerado mais compatível com a remuneração esperada pelos vendedores.
A postura retraída no campo contribui para sustentar as cotações do arroz em casca. Por outro lado, o repasse dessa valorização para o produto beneficiado ainda encontra resistência, o que limita a margem para avanços nas negociações ao longo da cadeia.
Indústrias enfrentam dificuldade para recompor estoques
Do lado comprador, a necessidade de reposição mantém as indústrias ativas no mercado. No entanto, a baixa disponibilidade interna de arroz dificulta a formação de estoques e aumenta a disputa pelos lotes colocados à venda.
O cenário ajuda a explicar também o movimento observado no comércio exterior, com aumento da entrada de produto estrangeiro no país.
Segundo o Cepea, as importações cresceram diante da necessidade das indústrias de recompor estoques, em um momento de oferta doméstica restrita.
Exportações de arroz recuam em julho
Enquanto as importações avançaram, as exportações brasileiras perderam força. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam redução nos embarques de arroz em julho, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de forte crescimento.
Pesquisadores do Cepea relacionam esse movimento ao encerramento dos leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e à valorização do arroz no mercado doméstico.
Com produtores resistentes em negociar aos preços atuais e indústrias ainda buscando matéria-prima, a disponibilidade de arroz no mercado interno permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações.
O post Produtores de arroz seguram vendas à espera de R$ 80 por saca no RS apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no primeiro trimestre de 2026

O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte de levantamento da Serasa Experian e consideram produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agro.
Segundo a empresa, o avanço ocorre em um cenário de crédito mais seletivo, custos de produção elevados e maior nível de alavancagem de parte dos produtores. Esses fatores têm pressionado o fluxo de caixa no campo.
Apesar do crescimento na comparação anual, o número de pedidos ainda permanece abaixo dos patamares mais elevados observados em meados de 2025.
Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o comportamento dos pedidos ao longo dos próximos meses dependerá, entre outros fatores, da capacidade de geração de receita, das margens e das condições disponíveis para renegociação das dívidas.
“Renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.
Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro
Na divisão por estados, Mato Grosso liderou o país, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O levantamento considera, nesse recorte, as solicitações de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.
Na sequência aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Pedidos entre produtores rurais PJ disparam 73,5%
Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica (PJ) foram o grupo com maior número de solicitações no primeiro trimestre.
Foram contabilizados 196 pedidos, crescimento de 73,5% diante dos 113 registrados nos três primeiros meses de 2025. Foi também a maior alta anual entre os três perfis analisados.
O cultivo de soja concentrou 137 pedidos, enquanto a criação de bovinos apareceu em seguida, com 42 solicitações. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o ranking estadual desse grupo.
Recuperação judicial cai entre produtores pessoa física
O movimento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física (PF). Foram registrados 182 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, queda de 6,7% em relação aos 195 contabilizados no mesmo período de 2025.
Entre esses produtores, aqueles classificados como “sem propriedades” concentraram 60 solicitações. Segundo a metodologia do levantamento, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.
Os pequenos proprietários tiveram 44 pedidos, seguidos pelos grandes, com 41, e médios, com 37. Mato Grosso também liderou nesse recorte, seguido por Paraná e Goiás.
Empresas da cadeia do agro registram alta de 18,5%
As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio apresentaram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, avanço de 18,5% ante as 81 solicitações do mesmo período de 2025.
As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Depois aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.
Nesse grupo, Paraná, São Paulo e Mato Grosso foram os estados com maior número de solicitações.
Serasa aponta uso de inteligência artificial para avaliar riscos
A Serasa Experian afirma utilizar inteligência artificial e modelos preditivos para identificar antecipadamente mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas do agronegócio.
Um dos instrumentos é o Agro Score, desenvolvido para considerar características específicas da atividade rural. Segundo a companhia, análises feitas com a ferramenta indicaram que o score médio dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente entraram com pedidos de recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do processo.
De acordo com Pimenta, a análise de informações específicas do setor pode ajudar a identificar diferentes níveis de risco e apoiar a concessão de crédito sem restringir de maneira generalizada o acesso a recursos.
O post Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no primeiro trimestre de 2026 apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
México e Chile querem ampliar vendas de frutas e hortaliças para o Brasil

O Brasil é visto como um dos principais mercados estratégicos para a expansão das vendas de frutas frescas e hortaliças advindas de México e Chile, na avaliação dos gerentes nacionais da International Fresh Produce Association (IFPA) dos dois países, que participaram da The Brazil Conference & Expo, em São Paulo, nos dias 4 e 5 de agosto.
Terceiro maior exportador mundial de frutas frescas, o México movimentou US$ 18,12 bilhões em embarques de legumes, verduras e frutas em 2024. Atualmente, 91% desse volume tem como destino os Estados Unidos, o que mostra a necessidade que o país tem em diversificar seus mercados diante de recorrentes tarifas por parte de Donald Trump e do atual encolhimento de compras pelos norte-americanos.
Segundo Rubéns Ramirez, da IFPA mexicana, o Brasil está entre os parceiros mais promissores da estratégia de diversificação adotada pelo seu país. “O México é forte, mas vulnerável por concentrar suas exportações nos Estados Unidos. Estamos buscando ampliar nossa presença no Oriente Médio, Índia, Ásia e também no Brasil. Nossos mercados são complementares: somos o primeiro em hortaliças e o Brasil é o número um na produção de frutas”, afirmou.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
O executivo destacou ainda o crescimento da demanda brasileira por produtos mexicanos, citando como exemplo o abacate Hass, cujo consumo no Brasil dobrou nos últimos cinco anos.
O Chile também vê o mercado brasileiro como uma oportunidade para ampliar sua presença na América do Sul. O país possui cerca de 17 mil unidades produtoras e exportou US$ 7,6 bilhões em frutas frescas até maio de 2026, tendo a China e os Estados Unidos como principais destinos, respondendo por 44,6% e 17% do volume total de exportações, respectivamente.
As duas frutas com maior participação são as cerejas (21% em volume e 44% em valor) e as maçãs e peras (23% do volume e 11% do valor).
Para Correa, embora o Brasil ainda represente uma participação modesta nas exportações chilenas, o potencial de crescimento é significativo. “O Brasil é um mercado emergente e muito importante para o Chile. Ainda precisamos avançar em questões fitossanitárias, especialmente na digitalização dos processos de certificação, para facilitar e ampliar esse comércio”, destacou.
O post México e Chile querem ampliar vendas de frutas e hortaliças para o Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.
Sustentabilidade23 horas agoColheita do milho chega à reta final em Mato Grosso – MAIS SOJA
Featured21 horas ago‘Os javalis estão por todo o Brasil e são cada vez mais avistados onde há soja’, diz analista da Famato
Business23 horas agoBNDES aprova R$ 53,99 milhões para modernizar irrigação e energia da Agrovale
Business22 horas agoCientistas identificam ‘impressão digital química’ para rastrear a origem do pescado
Featured22 horas agoTSE julga uso de “deepfake” de Jair Bolsonaro em campanha de Flávio à Presidência
Sustentabilidade16 horas agoProdutores gaúchos ganham programa exclusivo para a compra de sementes certificadas de soja Bayer na safra 2026/2027 – MAIS SOJA
Sustentabilidade17 horas agoIMEA: Preços firmes e cautela com El Niño marcam a comercialização do Milho em MT – MAIS SOJA
Sustentabilidade20 horas agoIMEA: Com vendas em 93%, entressafra eleva preços da soja em Mato Grosso – MAIS SOJA
















