Agro Mato Grosso
Raízes que transformam: a história de Osmar e Diovani Frizzo em Querência MT

Vindos do Rio Grande do Sul, Osmar e Diovani Frizzo ajudaram a construir uma história marcada pelo pioneirismo e amor por Mato Grosso
A cerca de 700 quilômetros de Cuiabá, o casal Osmar Frizzo e Diovani Roselei Frizzo construiu uma trajetória sólida e inspiradora em Querência. Há mais de 30 anos, eles estabeleceram raízes no município mato-grossense, trazendo do Rio Grande do Sul a determinação herdada dos antepassados e o sonho de crescer junto com a terra.
Foi ainda jovem que Osmar decidiu qual caminho queria seguir. Para ele, o segredo para construir uma trajetória sólida sempre esteve ligado a princípios simples, mas fundamentais. “Para ter sucesso, são três coisas importantes. A primeira coisa é fazer aquilo que você gosta. A segunda coisa é saber fazer aquilo. E a terceira coisa é o que sustenta tudo isso. Você tem que ganhar dinheiro com isso”, afirma.
Foi ao lado de Diovani que ele decidiu transformar sonhos em realidade. Após o casamento, o casal começou a planejar uma nova vida. A ligação com o agro já fazia parte da história da família de Diovani há gerações. “Meu pai, como a gente já produzia há muitos anos no Rio Grande do Sul, venho de uma família dentro do agro”, relembra.
O desejo de migrar para Mato Grosso surgiu justamente através do pai dela, Pedro, que acreditava no potencial da região. Osmar conta que o convite aconteceu de forma direta. “Ele queria que eu trabalhasse com ele. Falei para ele que se eu fosse mexer com lavoura, que eu mexeria só no Mato Grosso.”
Segundo Diovani, a decisão nasceu da união entre sonho e oportunidade. “Aí uniu as vontades, onde eles começaram realmente buscando uma melhor região, onde o preço das áreas de terra seriam adequadas à nossa realidade da época.”
A mudança definitiva aconteceu em agosto de 1994. Na memória do casal, aquele momento marcou o início de uma nova vida. “Eu falei para minha esposa: é só uma viagem de ida, mas o importante era vir com o objetivo de ficar. Nós sabíamos que íamos enfrentar dificuldades”, destaca.
E as dificuldades realmente vieram. O início da trajetória em Querência foi marcado por muito trabalho e resiliência. “Nós começamos a plantar 100 hectares. Depois começamos a abrir mais áreas e começar a plantar soja, milho e milheto”, conta Osmar.
Com o passar dos anos, o crescimento da produção caminhou lado a lado com o desenvolvimento do município. Para o produtor, os pioneiros da região tiveram papel fundamental na construção da cidade. “Os produtores aqui de Querência têm esse espírito de pioneirismo mesmo”, afirma.
Esse espírito comunitário ultrapassou as porteiras das fazendas. Osmar relembra que produtores rurais participaram ativamente da construção de estruturas importantes para o município. “Nós, produtores, construímos o CTG. Nós ajudamos a construir as delegacias aqui em Querência. Ajudamos a construir colégios. O fórum aqui de Querência foram nós, produtores, que construímos.”
Entre os momentos mais marcantes dessa trajetória, Osmar recorda aquele que ganhou significado especial durante a pandemia da Covid-19. Na época presidente do sindicato rural, Osmar liderou uma mobilização para ajudar o município na construção de uma UTI. “Eu convoquei os produtores rurais no domingo de manhã e os produtores atenderam ao chamado. Naquele dia, nós conseguimos 500 mil reais. Era cheque, era depósito”, conta. Ao final da campanha, mais de R$1,2 milhão haviam sido arrecadados.
O resultado da união ainda permanece como legado para a cidade. “Nós construímos essa UTI. Na época, ajudou a salvar muitas pessoas aqui de Querência e ainda, até hoje, está funcionando. Então eu acho que foi um marco muito importante aqui para Querência e um feito que realmente fez a diferença.”
A trajetória da família Frizzo também carrega marcas de superação e memória. Um dos maiores incentivadores da mudança para Mato Grosso foi Pedro, pai de Diovani. Sonhador e apaixonado pelo agro, ele desejava reunir toda a família em Querência. No entanto, um acidente interrompeu precocemente esse sonho. “Infelizmente, houve um acidente no ano de 2000. Em janeiro de 2001, ele acabou falecendo. Ele não conseguiu concluir o sonho que ele tinha de vir, trazer toda a família para o Mato Grosso”, relembra Diovani.
Mesmo diante da dor, permanecer em Querência se tornou uma forma de honrar a história construída por ele. “Nós, por opção, junto com toda a família, optamos por seguir aqui em Querência, como era o sonho dele. E nós continuamos e ficamos aqui, e honramos toda essa história que foi construída a partir do nosso pai.”
Hoje, ao olhar para trás, Osmar e Diovani enxergam muito mais do que lavouras cultivadas. Veem uma vida construída com coragem, trabalho e propósito. Uma história que cresceu junto com Querência e que segue fazendo a diferença na vida de muitas pessoas.
Agro Mato Grosso
120 cabeças de gado é apreendido em fazenda suspeita de esconder animais furtados em MT

Polícia identificou 16 animais pertencentes a vítimas de furto e encontrou gado com marcas sobrepostas e sinais de remarcação. Responsável pela propriedade é investigado e não foi localizado.
Um rebanho de 120 cabeças de gado foi apreendido em uma propriedade rural de Dom Aquino, a 172 km de Cuiabá, após investigadores encontrarem animais furtados e indícios de alterações nas marcas de identificação. A ação ocorreu nessa segunda-feira (10), durante a Operação Curral do Crime II.
Segundo a Polícia Civil, 16 animais foram reconhecidos como pertencentes a duas vítimas de furtos de gado investigados desde junho. Uma delas teve mais de 60 cabeças levadas.
A investigação aponta que a propriedade pode ter sido utilizada para guardar, concentrar e esconder animais provenientes de crimes patrimoniais na região. Durante a conferência individual do rebanho, os policiais também encontraram animais com marcas sobrepostas, remarcações e sinais aparentes de alteração na identificação.
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Animais estavam com marcas sobrepostas e sinais aparentes de alteração na identificação — Foto: Polícia Civil
Ainda conforme a polícia, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar, naquele momento, a procedência regular de todo o gado encontrado na propriedade.
Ao todo, foram apreendidos cautelarmente 85 animais adultos e 35 bezerros. A polícia informou que vai analisar a origem de cada um por meio do cruzamento das marcas com Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais, registros de aquisição e informações sobre movimentações de rebanhos.
A investigação também apura a possível participação do responsável pela propriedade nos crimes. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam possível envolvimento do investigado, que não foi localizado.
As apurações continuam para identificar a procedência de todo o rebanho apreendido e localizar os demais animais furtados.
A polícia oriente que produtores que reconhecerem animais ou marcas podem procurar a Delegacia de Jaciara e apresentar documentos que auxiliem na identificação e comprovação da propriedade do gado.
Agro Mato Grosso
Efetor fúngico determina desfolha do algodoeiro e da oliveira

Gene presente em Verticillium dahliae controla patogenicidade e pode ter sido transferido entre fungos
Um único efetor secretado por Verticillium dahliae determina a desfolha causada por linhagens do patótipo desfolhante em algodoeiro e oliveira. A conclusão vem de estudo conjunto de pesquisadores de universidades de diversos países. A eliminação simultânea das duas cópias do gene, denominado D, suprimiu a patogenicidade e a desfolha nas duas culturas.
Os cientistas identificaram o gene por genômica comparativa. A análise inicial encontrou cerca de 200 quilobases exclusivos de linhagens desfolhantes. A comparação com outros genomas reduziu a região candidata para cerca de 24 quilobases. Nesse intervalo, dois genes idênticos codificavam proteínas secretadas e apresentavam expressão durante a infecção do algodoeiro.
A exclusão de apenas uma cópia do gene reduziu a agressividade de V. dahliae. A remoção das duas cópias impediu sintomas e eliminou a biomassa fúngica detectável no algodoeiro. A reintrodução do gene restaurou a capacidade de causar doença. A inserção do gene em uma linhagem não desfolhante também elevou a agressividade e provocou desfolha.
A proteína D purificada provocou murcha, clorose e queda de folhas em plântulas de algodoeiro sem necessidade de colonização extensa pelo fungo. Ensaios com Nicotiana benthamiana e Arabidopsis thaliana indicaram participação do efetor na patogenicidade além da desfolha.
Homólogos do gene D também ocorrem em espécies de Fusarium. As análises filogenômicas apontaram episódios de transferência horizontal entre fungos. Os pesquisadores relacionaram esse processo a grandes elementos transponíveis conhecidos como Starships. A estrutura tridimensional de um homólogo de Fusarium oxysporum revelou ainda um dobramento proteico não caracterizado anteriormente, o que sustenta a existência de uma nova família de efetores fúngicos (doi 10.1038/s41467-026-74504-z).
Agro Mato Grosso
Colheita do milho chega à reta final em Mato Grosso

Chuvas em excesso, atraso no plantio e custos elevados desafiaram os produtores nesta temporada; Dados são da Pesquisa de safra do Imea em parceria com a Aprosoja MT
Mato Grosso caminha para o fim da colheita do milho segunda safra 2025/26. Até 08 de agosto, 99,10% da área já havia sido colhida, com a produção estimada em 57,39 milhões de toneladas. Os dados integram o relatório de agosto do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e se apoiam na pesquisa de safra realizada em campo, em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), junto aos produtores do estado.
A área plantada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, alta de 2,41% na comparação anual e de 0,57% ante o relatório de julho. O levantamento combina geoprocessamento e sensoriamento remoto, técnica que identifica a cultura ao longo do ciclo e a distingue de outras coberturas do solo. A produtividade média manteve-se estável em 128,67 sacas por hectare.
Pelo lado do consumo, o instituto projeta demanda de 57,20 milhões de toneladas para 2025/26, praticamente em linha com a produção estimada. O consumo interno responde por 22,10 milhões de toneladas, alta anual de 9,12%, puxada pela expansão e pelo ritmo aquecido das usinas de etanol de milho instaladas no estado. O mercado interestadual deve absorver cerca de 11 milhões de toneladas, 6,18% a mais que na temporada passada, movimento que reforça o papel do milho mato-grossense no abastecimento de regiões com produção em retração. Com a maior absorção pelo mercado doméstico, a projeção de exportações recuou 1,09%, para 24,10 milhões de toneladas.
Clima adverso pesou sobre as lavouras – No campo, o resultado veio acompanhado de dificuldades. “Na região Oeste, por exemplo, houve produtores que aumentaram a produção e muitos que perderam em relação ao ano passado”, afirma Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT. Segundo ele, o excesso de chuva em março e abril favoreceu doenças e reduziu a eficiência da adubação nitrogenada em parte das áreas.
O dirigente aponta as janelas de plantio como o principal fator determinante da temporada. “Muitas regiões tiveram início de plantio cedo, no fim de setembro, mas depois choveu e muitas áreas foram plantadas a partir de 15 de outubro”, diz. O atraso empurrou parte da semeadura para o fim de janeiro e a segunda quinzena de fevereiro, expondo as lavouras a um período de maior umidade.
Em Porto dos Gaúchos, o produtor rural do núcleo do Vale dos Arinos, Peterson Piovezan Staniszewski encerrou a colheita em 9 de julho, com resultado pouco abaixo do esperado. “Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos”, conta.
Com a produção estocada em silo e silo bolsa na propriedade, ele aguarda a reação do mercado para vender. Cerca de 20% do volume é consumido na pecuária da fazenda; o restante será negociado. A expectativa é negociar a saca em R$ 50 via cooperativa. Do lado do ciclo anterior, os estoques finais de 2024/25 recuaram 32,14% no mês, para 974 mil toneladas, ainda acima do nível de 2023/24, mas em movimento que dá suporte à aposta em preços mais firmes.
Custos da próxima safra preocupam produtor – A atenção do setor já se volta ao ciclo seguinte, e a conta de produção é o que mais pesa. Gilson Antunes de Melo lembra que a decisão de plantio está próxima e que o milho ocupa boa parte das áreas de soja. “A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta”, afirma, ao projetar um ano desafiador e recomendar cautela.
Staniszewski ainda não fechou a compra de insumos para o próximo plantio. “Tenho um planejamento, mas o mercado é que vai ditar se vamos seguir ou não”, diz. Ele condiciona o tamanho do investimento ao preço e ao clima: um cenário de El Niño forte, em sua avaliação, pode atrasar o plantio de soja e milho, o que reduzirá a produtividade no futuro, significando ser menos viável investir alto nesse ciclo.
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