Agro Mato Grosso
Aprosoja MT percorre 9 mil km e leva resultados de pesquisas a 33 núcleos na Rodada Técnica

Evento teve quase 1,9 mil participantes e ainda passará por mais dois núcleos
Após percorrer 9 mil quilômetros por Mato Grosso, a Rodada Técnica da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) concluiu 33 núcleos na sua 3ª edição. O evento ocorre uma vez por ano e é o momento em que os pesquisadores dos Centros Tecnológicos (CTECNOs) levam aos núcleos da entidade os conhecimentos adquiridos nos campos experimentais. A edição teve início no dia 4 de maio e tem mais duas últimas datas marcadas, com a previsão de se encerrar em julho.
Com a participação de 1.878 pessoas, até o momento, entre produtores rurais, engenheiros agrônomos e técnicos, a Rodada Técnica contou com a presença dos coordenadores de pesquisa Rodrigo Hammerschmitt, do CTECNO Parecis, e André Somavilla, do CTECNO Araguaia, além da colaboração das pesquisadoras Daniela Facco e Isley Bicalho e dos consultores Douglas Teixeira e Autieres Farias. O vice-coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, realizou a abertura dos eventos e destacou a importância do conhecimento compartilhado.
“Recebemos em Nova Mutum os pesquisadores do Centro Tecnológico, que trouxeram informações e resultados das pesquisas desenvolvidas no campo. Cada conhecimento compartilhado sobre soja e milho contribuiu para a tomada de decisões dentro das propriedades. O evento foi uma importante oportunidade para os produtores conhecerem novas informações e tecnologias voltadas à produção agrícola”, disse.
A Rodada Técnica tem o objetivo de levar conhecimento técnico, promover a troca de experiências e aproximar os produtores das pesquisas desenvolvidas nos CTECNOs Parecis e Araguaia. O evento apresentou os principais resultados obtidos nos campos experimentais da entidade, além de esclarecer dúvidas dos participantes. Entre os temas debatidos estiveram doses e modos de aplicação de calcário, adubação potássica, adubação fosfatada, adubação sulfatada, adubação nitrogenada nas culturas de segunda safra, consórcio de milho com plantas de cobertura, adubação foliar para a cultura da soja, rotação de culturas com soja e rentabilidade, manejo de plantas daninhas no sistema de produção, estudos fitotécnicos em soja, milho, gergelim e sorgo. Esses temas são levados aos agricultores, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura mato-grossense, como destacou a pesquisadora Daniela Facco.
“A Rodada Técnica é uma ação muito importante da Aprosoja Mato Grosso porque leva aos produtores os resultados das pesquisas desenvolvidas nos Centros Tecnológicos dos Parecis e Araguaia. Ela permite que essas informações cheguem também aos núcleos mais distantes, onde muitos produtores não conseguem visitar os centros de pesquisa com frequência. Dessa forma, o conhecimento gerado pela pesquisa é compartilhado diretamente com quem está no campo, contribuindo para uma melhor eficiência no uso de nutrientes, maior rentabilidade e melhores resultados nas lavouras”, explicou.
Nesta última semana, a equipe da Defesa Agrícola finalizou a programação na Região Norte de Mato Grosso. O primeiro núcleo a receber os pesquisadores foi o Vale do Arinos, em Tabaporã. A delegada coordenadora do núcleo, Carina Ossani, destacou a relevância de levar os resultados das pesquisas aos agricultores.
“Estive no Centro Tecnológico dos Parecis e pude ver na prática o desenvolvimento das pesquisas e dos manejos. Receber a Rodada Técnica aqui é importante porque nos permite conhecer esses resultados, aprender novas técnicas e aplicá-las nas nossas lavouras para melhorar a produtividade”, contou.
Seguindo para o segundo dia, a equipe da Rodada Técnica esteve, oficialmente, pela primeira vez no recém-criado núcleo de Itanhangá. No local, cerca de 70 pessoas prestigiaram a palestra e puderam aprender mais sobre manejo de plantas daninhas, aplicação de calcário, rotação de culturas com soja e rentabilidade. O delegado coordenador do núcleo, Ivam Franceschet, afirmou que os estudos são muito proveitosos, já que refletem as condições do solo do município.
“O recém-criado Núcleo de Itanhangá recebe pela primeira vez a Rodada Técnica, trazendo resultados de pesquisas e informações importantes para os nossos associados. Em um cenário de altos custos de produção, esse conhecimento é fundamental para ajudar o produtor a aumentar a produtividade e melhorar os resultados da lavoura. Também tivemos a oportunidade de conhecer estudos realizados em áreas arenosas, que representam grande parte da realidade do nosso município”, explicou.
Já no núcleo de Sorriso, a delegada coordenadora, Aline Beledelli, destacou o espaço criado pela Aprosoja MT para a troca de conhecimento entre produtores, pesquisadores e profissionais da área agrícola.
“A Aprosoja traz os pesquisadores dos Centros Tecnológicos até os produtores, permitindo que mais pessoas tenham acesso às informações e às novidades que estão sendo desenvolvidas. É um momento de grande importância para conhecer novas práticas de manejo, produtividade e variedades, além de promover a troca de experiências entre produtores, agrônomos, técnicos agrícolas e todos que fazem parte do agro”, disse.
Seguindo com a programação, o delegado coordenador do núcleo de Nova Ubiratã, Rodrigo Franzoi, destacou a importância de levar o conhecimento dos pesquisadores aos núcleos, já que os centros de pesquisa estão localizados em Campo Novo do Parecis e Nova Nazaré, o que dificulta o acesso de muitos associados.
Além da distância dos CTECNOs, a delegada coordenadora do núcleo de Lucas do Rio Verde, Taisa Botton, ressaltou que os dias de visitação aos campos experimentais geralmente coincidem com períodos de plantio ou colheita, dificultando a participação dos produtores.
“A oportunidade que a Aprosoja MT nos dá é magnífica, porque muitas vezes os eventos nos Centros Tecnológicos acontecem em períodos em que estamos no campo, no plantio ou na colheita, e o tempo para participar é muito curto. Trazer esse conhecimento até nós é algo extraordinário. É o conhecimento técnico e científico dos pesquisadores sendo aplicado diretamente à realidade do produtor e de toda a cadeia do agro”, destacou.
Encerrando a programação da semana, a Rodada Técnica passou pelo núcleo de Nova Mutum, onde o delegado coordenador, Marcos Sfredo, ressaltou que receber o evento contribui para o desenvolvimento agrícola local e reforça o compromisso da entidade com os produtores rurais.
“A Rodada Técnica foi muito importante para produtores e consultores, pois permitiu conhecer os resultados das pesquisas desenvolvidas nos Centros Tecnológicos. Esse conhecimento agrega valor ao dia a dia e auxilia na tomada de decisões dentro da propriedade. Muitas vezes o produtor não consegue visitar os centros de pesquisa por estar envolvido com o manejo da lavoura ou a colheita, por isso é fundamental que essas informações cheguem até ele por meio de iniciativas como essa”, afirmou.
Ao longo de quase dois meses, a Rodada Técnica reforçou o compromisso da Aprosoja MT com a difusão do conhecimento e a aproximação entre pesquisa e produtor rural. Percorrendo quase todos os núcleos da entidade, o projeto levou informações atualizadas, promoveu a troca de experiências e apresentou soluções desenvolvidas nos CTECNOs Parecis e Araguaia, contribuindo para a tomada de decisões no campo e para o fortalecimento da agricultura mato-grossense.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT articula com o Governo solução emergencial para o endividamento rural

Presidente da Aprosoja MT participou da inauguração da extensão ferroviária da Ferronorte, em Dom Aquino, e reforçou a necessidade de diálogo rápido entre Executivo e Legislativo sobre o PL 5.122/2023
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, participou, neste sábado (20.06), em Dom Aquino, da cerimônia de inauguração da extensão do trecho ferroviário da Ferronorte, no Terminal Rodoferroviário da Rumo, às margens da BR-070.
Durante a agenda, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente da entidade entregou um ofício ao Governo Federal solicitando apoio institucional para a construção de uma solução urgente em relação ao endividamento do setor agropecuário.
No documento, a Aprosoja MT alerta para o agravamento do cenário financeiro enfrentado pelos produtores rurais, marcado pela combinação de queda nos preços das commodities, aumento dos custos de produção, juros elevados, eventos climáticos adversos, compressão das margens operacionais e maior restrição na concessão de crédito para a próxima safra.
A entidade também reforça a necessidade de que o Executivo colabore para a construção de um consenso rápido em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados e trata de mecanismos para renegociação e alongamento de dívidas rurais.
Segundo o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o momento exige responsabilidade institucional e diálogo efetivo entre os Poderes.
“O vice-presidente Geraldo Alckmin foi receptivo e atencioso com a demanda dos produtores. Levamos a preocupação do setor e colocamos nosso corpo técnico à disposição para contribuir com um diálogo rápido, objetivo e efetivo entre o Executivo e o Legislativo. O setor precisa de uma solução urgente, construída com equilíbrio, para pacificar esse tema e desafogar produtores que estão sendo atingidos em todo o Brasil”, afirmou.
No ofício, a Aprosoja MT também solicita a adoção de medida emergencial, transitória e suplementar à tramitação do PL 5.122/2023, com a suspensão temporária da exigibilidade das dívidas rurais em 2026. A entidade destaca que a proposta não representa perdão de dívida ou anistia, mas uma medida excepcional de estabilização, necessária para evitar o agravamento da inadimplência, preservar o acesso ao crédito e permitir que o Congresso Nacional conclua a análise da matéria com segurança.
Dados citados pela entidade, com base no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), apontam que, até abril de 2026, a carteira ativa de crédito rural em Mato Grosso somava R$ 108,028 bilhões, dos quais R$ 21,784 bilhões já estavam classificados como saldo problemático. No Brasil, a carteira ativa chegava a R$ 895,183 bilhões, com R$ 186,521 bilhões em saldo problemático.
Para Lucas Costa Beber, a deterioração do crédito rural deixou de ser uma preocupação pontual e passou a representar risco sistêmico para a continuidade da atividade produtiva, especialmente diante da necessidade de capital para o próximo ciclo agrícola.
“A urgência decorre do fato de que o tempo é decisivo no crédito. Quando o produtor fica inadimplente e esse atraso ultrapassa determinados marcos temporais, as provisões bancárias e as regulações prudenciais do sistema financeiro dificultam ainda mais a efetividade de políticas públicas voltadas à renegociação e ao alongamento de dívidas. Esse é um ponto técnico relevante, porque pode inviabilizar a tomada de crédito para o custeio da próxima safra por milhares de agricultores em todo o Brasil. Por isso, precisamos de uma solução rápida, com comprometimento, sensibilidade e diálogo entre todas as esferas do Poder Público”, completou ele.
A Aprosoja MT defende que a construção de uma saída para o endividamento rural deve preservar a segurança jurídica, a estabilidade do crédito e a viabilidade econômica no campo, sem comprometer o abastecimento, a geração de empregos, a arrecadação e a contribuição do setor agropecuário para a economia brasileira.
Agro Mato Grosso
Raízes que transformam: a história de Osmar e Diovani Frizzo em Querência MT

Vindos do Rio Grande do Sul, Osmar e Diovani Frizzo ajudaram a construir uma história marcada pelo pioneirismo e amor por Mato Grosso
A cerca de 700 quilômetros de Cuiabá, o casal Osmar Frizzo e Diovani Roselei Frizzo construiu uma trajetória sólida e inspiradora em Querência. Há mais de 30 anos, eles estabeleceram raízes no município mato-grossense, trazendo do Rio Grande do Sul a determinação herdada dos antepassados e o sonho de crescer junto com a terra.
Foi ainda jovem que Osmar decidiu qual caminho queria seguir. Para ele, o segredo para construir uma trajetória sólida sempre esteve ligado a princípios simples, mas fundamentais. “Para ter sucesso, são três coisas importantes. A primeira coisa é fazer aquilo que você gosta. A segunda coisa é saber fazer aquilo. E a terceira coisa é o que sustenta tudo isso. Você tem que ganhar dinheiro com isso”, afirma.
Foi ao lado de Diovani que ele decidiu transformar sonhos em realidade. Após o casamento, o casal começou a planejar uma nova vida. A ligação com o agro já fazia parte da história da família de Diovani há gerações. “Meu pai, como a gente já produzia há muitos anos no Rio Grande do Sul, venho de uma família dentro do agro”, relembra.
O desejo de migrar para Mato Grosso surgiu justamente através do pai dela, Pedro, que acreditava no potencial da região. Osmar conta que o convite aconteceu de forma direta. “Ele queria que eu trabalhasse com ele. Falei para ele que se eu fosse mexer com lavoura, que eu mexeria só no Mato Grosso.”
Segundo Diovani, a decisão nasceu da união entre sonho e oportunidade. “Aí uniu as vontades, onde eles começaram realmente buscando uma melhor região, onde o preço das áreas de terra seriam adequadas à nossa realidade da época.”
A mudança definitiva aconteceu em agosto de 1994. Na memória do casal, aquele momento marcou o início de uma nova vida. “Eu falei para minha esposa: é só uma viagem de ida, mas o importante era vir com o objetivo de ficar. Nós sabíamos que íamos enfrentar dificuldades”, destaca.
E as dificuldades realmente vieram. O início da trajetória em Querência foi marcado por muito trabalho e resiliência. “Nós começamos a plantar 100 hectares. Depois começamos a abrir mais áreas e começar a plantar soja, milho e milheto”, conta Osmar.
Com o passar dos anos, o crescimento da produção caminhou lado a lado com o desenvolvimento do município. Para o produtor, os pioneiros da região tiveram papel fundamental na construção da cidade. “Os produtores aqui de Querência têm esse espírito de pioneirismo mesmo”, afirma.
Esse espírito comunitário ultrapassou as porteiras das fazendas. Osmar relembra que produtores rurais participaram ativamente da construção de estruturas importantes para o município. “Nós, produtores, construímos o CTG. Nós ajudamos a construir as delegacias aqui em Querência. Ajudamos a construir colégios. O fórum aqui de Querência foram nós, produtores, que construímos.”
Entre os momentos mais marcantes dessa trajetória, Osmar recorda aquele que ganhou significado especial durante a pandemia da Covid-19. Na época presidente do sindicato rural, Osmar liderou uma mobilização para ajudar o município na construção de uma UTI. “Eu convoquei os produtores rurais no domingo de manhã e os produtores atenderam ao chamado. Naquele dia, nós conseguimos 500 mil reais. Era cheque, era depósito”, conta. Ao final da campanha, mais de R$1,2 milhão haviam sido arrecadados.
O resultado da união ainda permanece como legado para a cidade. “Nós construímos essa UTI. Na época, ajudou a salvar muitas pessoas aqui de Querência e ainda, até hoje, está funcionando. Então eu acho que foi um marco muito importante aqui para Querência e um feito que realmente fez a diferença.”
A trajetória da família Frizzo também carrega marcas de superação e memória. Um dos maiores incentivadores da mudança para Mato Grosso foi Pedro, pai de Diovani. Sonhador e apaixonado pelo agro, ele desejava reunir toda a família em Querência. No entanto, um acidente interrompeu precocemente esse sonho. “Infelizmente, houve um acidente no ano de 2000. Em janeiro de 2001, ele acabou falecendo. Ele não conseguiu concluir o sonho que ele tinha de vir, trazer toda a família para o Mato Grosso”, relembra Diovani.
Mesmo diante da dor, permanecer em Querência se tornou uma forma de honrar a história construída por ele. “Nós, por opção, junto com toda a família, optamos por seguir aqui em Querência, como era o sonho dele. E nós continuamos e ficamos aqui, e honramos toda essa história que foi construída a partir do nosso pai.”
Hoje, ao olhar para trás, Osmar e Diovani enxergam muito mais do que lavouras cultivadas. Veem uma vida construída com coragem, trabalho e propósito. Uma história que cresceu junto com Querência e que segue fazendo a diferença na vida de muitas pessoas.
Agro Mato Grosso
Déficit de armazenagem em MT impulsiona uso de silo bolsa para estocar milho nas propriedades

Produtores recorrem ao silo bolsa para ganhar autonomia e reduzir a pressão logística durante a colheita
Atualmente, a capacidade de armazenagem de grãos no Brasil, está estimada em cerca de 225 milhões de toneladas, mostrando-se insuficiente frente à produção nacional. Este número faz com que grande parte da produção precise ser escoada imediatamente após a colheita, pressionando a logística, aumentando filas em unidades recebedoras e reduzindo a capacidade de negociação do produtor rural.
Diante desse cenário, cresce o uso do silo bolsa como alternativa temporária ou complementar para armazenagem dentro das fazendas. Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o déficit de armazenagem continua sendo um dos principais desafios estruturais enfrentados pelo produtor mato-grossense, comprometendo o planejamento da propriedade e reduzindo a autonomia do produtor na hora de comercializar a produção.
“Quando chega o momento da colheita, o produtor muitas vezes não tem onde armazenar a produção. Em várias cidades de Mato Grosso há apenas um ou dois armazéns, e todos acabam colhendo praticamente no mesmo período. Com isso, surgem as filas para descarregar e o produtor fica dias com os caminhões aguardando. Esse atraso afeta diretamente a colheita, reduz a produtividade e compromete a rentabilidade. Na prática, ele acaba ficando refém das tradings e de quem tem estrutura para receber e armazenar esse produto. E, claro, sem o produto em mãos, ele não consegue negociar no momento que considera mais adequado, mas sim quando o mercado está comprando. Se ele tivesse o produto estocado dentro da própria propriedade, com estrutura de armazenagem, poderia escolher o melhor momento para vender, conseguindo melhores preços e maior rentabilidade”, pontuou.
Diante desse cenário, Gilson avalia que o silo bolsa tem se consolidado como uma alternativa eficiente e economicamente viável para ampliar a capacidade de armazenagem dentro das propriedades.
“O silo bolsa caiu como uma luva nesse cenário. Se considerarmos que a capacidade de armazenagem cobre cerca de 50% da safra, o restante acaba ficando na lavoura ou nos caminhões. Nesse contexto, a silo bolsa se tornou uma das primeiras alternativas dos produtores para armazenar a produção. Ela não exige um custo elevado para implantação, mantém a qualidade dos grãos e permite que o produtor comercialize em um momento mais estratégico, quando o mercado não está em plena colheita, o que geralmente resulta em melhores preços. Hoje, depois dos armazéns convencionais, a silo bolsa é uma das alternativas mais viáveis, especialmente para a segunda safra. É uma solução que garante a conservação do produto com um custo relativamente baixo, considerando os benefícios que oferece”, salientou Gilson Antunes de Melo.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), embora Mato Grosso possua a maior capacidade instalada do país, com cerca de 57,9 milhões de toneladas, esse volume é suficiente para armazenar 52% da produção total de grãos do estado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e 56% se considerada apenas as culturas de soja e milho, gerando um déficit estimado em 45,28 milhões de toneladas. Esse descompasso evidencia um gargalo estrutural, no qual a expansão da produção supera de forma consistente a evolução da infraestrutura.
O produtor rural de Campos de Júlio, Ivo Frohlich Júnior, relata que a falta de espaço para armazenar a produção dentro da propriedade muda completamente a dinâmica da colheita e da venda do milho.
“O principal motivo que nos levou a adotar o uso da silo bolsa foi a possibilidade de obter um preço melhor. Na entressafra, é possível alcançar valores mais atrativos, o que acaba compensando todos os custos do sistema e garantindo rentabilidade. Outro ponto importante é a questão do frete, já que a contratação de caminhões, especialmente no caso do milho, eleva significativamente os custos logísticos. Além disso, há também os descontos praticados pelas empresas e os custos de armazenagem. Com a silo bolsa, o produtor ganha mais autonomia, uma vez que ele fica livre para negociar no mercado, vender para quem quiser e quando puder, inclusive para o mercado interno, sem pagar custos de armazenagem. Para mim, ela continua sendo uma das melhores opções disponíveis”, afirmou.
Na prática, o uso do silo bolsa tem ganhado cada vez mais espaço entre os produtores como alternativa para ampliar a autonomia na armazenagem e melhorar a estratégia de comercialização. Para Ivo, a ferramenta já se tornou essencial dentro da propriedade, principalmente diante das limitações da estrutura tradicional de armazenagem no estado.
“Para mim, a silo bolsa se tornou uma ferramenta indispensável. Sem sombra de dúvida, o produtor que ainda não utiliza essa alternativa acaba deixando muito dinheiro para as tradings. Eu vejo a silo bolsa como uma das tecnologias de armazenamento que chegaram para ficar e que têm sido cada vez mais utilizadas. Quem adotou essa ferramenta até hoje, em geral, não se arrepende, justamente pelos benefícios que ela oferece. E a tendência é que cada vez mais produtores passem a utilizá-la”, disse Ivo.
Devido ao aumento constante da produção e da defasagem estrutural, o uso do silo bolsa surge como uma alternativa cada vez mais presente no campo, enquanto o setor busca soluções de longo prazo para equilibrar a oferta de grãos e a capacidade de armazenamento no estado. Para a entidade, ampliar a infraestrutura de armazenagem segue como uma das pautas estratégicas para o fortalecimento do setor.
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