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12 de agosto de 2026

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Polarizações percebidas e polarizações reais

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Na semana passada, a UFMT, campus Cuiabá, promoveu um debate sobre extremismo em suas diferentes nuances, particularmente o que chamam de extremismo político.

Em um artigo anterior (João e Pedro, MPB e Música Sertaneja, Esquerda e Direita), abordei o tema da polarização política, apresentando o argumento de dois cientistas políticos estadunidenses. Fiorina e Abrams relatam que em suas investigações sobre diferenças de opinião nos EUA, encontraram muito poucas situações que pudessem ser classificadas como polarização. Muitos estudiosos, afirmam eles, têm uma noção intuitiva da polarização como uma distribuição bimodal, o que ocorre quando as preferências dos eleitores se distribuem em dois polos quase que incomunicáveis.

Em artigo publicado em 2024, na revista Social Psychological and Personality Science, Lukas Wolf e Paul Hanel, do Reino Unido, contrariam a visão comum de partidos políticos e da própria mídia de que existe uma polarização entre os eleitores republicanos e democratas nos Estados Unidos. Eles sugerem que essa divisão é mais percebida do que real, com republicanos e democratas superestimando suas diferenças em termos de preferências políticas, engajamento político e apoio à violência partidária.

Embora a polarização real entre os grupos esteja bem documentada, essa evidência geralmente se baseia em testes de diferenças médias e ignora as variabilidades intragrupo. Por exemplo, um tamanho de efeito médio (d de Cohen = 0,50) é considerado uma diferença considerável, mas na verdade reflete uma sobreposição de 80% entre os grupos.

No Brasil, petistas e bolsonaristas têm mais semelhanças do que ambos estão dispostos a reconhecer. Grupos de WhatsApp de bolsonaristas e petistas têm muitas semelhanças no que se refere a: intolerância para divergências, críticas aos seus líderes e dificuldade de avaliar suas propostas com base na realidade. Mas, Wolf e Hanel estão falando de níveis de semelhanças mais significativos no que se refere a grupos humanos.

Paul Hanel adverte que cientistas sociais quantitativospodem estar, inadvertidamente, contribuindo para fomentar as crenças de que os grupos políticos à esquerda e à direita são polarizados, ao se concentrar nas diferenças entre os grupos e negligenciar a importância e a relevância das semelhanças existentes entre eles.

Quando cientistas sociais quantitativistas apresentam os resultados de suas pesquisa, normalmente se concentram em médias, gráficos de linhas, gráficos de barras, níveis de significância (p) ou fatores de Bayes. Esses indicadores expressam fundamentalmentediferenças, ou seja, quando dois ou mais grupos são comparados, os pesquisadores tendem a presumir que uma diferença nula indica alta similaridade, enquanto um resultado estatisticamente significativo reflete baixa similaridade. No entanto, embora a diferença nula possa potencialmente afirmar (ou pelo menos não refutar) alta similaridade, uma diferença significativa e/ou grande não é indicativa de baixa similaridade.

A falta de reconhecimento da importância das semelhanças é significativa porque diferenças entre grupos com os chamados tamanhos de efeito “grandes” podem ocorrer mesmo quando dois grupos são muito mais semelhantes do que diferentes.

Wolf e Hanel descobriram que, apesar das diferenças significativas entre os valores humanos de republicanos e democratas, a sobreposição mediana entre eles foi de 90,9%. Ou seja, pesquisas que se concentram nas diferenças e ignoram a sobreposição podem ser enganosas ao comunicar seus resultados ao público, especialmente à luz de evidências recentes de que a percepção de que os partidários opostos são extremistas leva os indivíduos a adotarem visões mais extremistas.

Politicamente, em termos estratégicos, investigações que ignoram informações sobre semelhanças, desenvolvidas com um foco exclusivo nas diferenças, tendem a não produzir percepções mais precisas dos resultados e atitudes mais positivas em relação ao adversário político , pois alimentam a ideia de que o extremista é o outro por seus valores e visão de mundo.

A maioria das estatísticas inferenciais e tamanhos de efeito utilizados são apropriados apenas para medir diferenças médias, e estudos que “não conseguem” encontrar diferenças significativas são relegados a uma gaveta, literal ou metaforicamente.

Se petistas e bolsonaristas tiverem mais semelhanças do que diferenças, poderão pensar suas estratégias políticas em outros termos. Poderão, por exemplo, reformular a visão distorcida de uma polarização irreconciliável. Isso não vai mudar o mundo, mas fica mais fácil conversar sobre ele. Concorda, leitor?

André Luís Ribeiro Lacerda – Psicólogo social, sociobiologista e professor de ciência e tecnologia na UFMT, campus Várzea Grande.

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Na Assembleia, Wilson Santos defende Mauro Carvalho após Operação Heritage

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Parlamentar citou trajetória empresarial e afirmou não ver elementos suficientes contra o ex-secretário

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) fez um desagravo ao ex-secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho durante a sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta quarta-feira (12). O parlamentar afirmou ter dúvidas sobre o envolvimento de Carvalho nas suspeitas investigadas pela Operação Heritage, da Polícia Federal.

Wilson destacou a trajetória empresarial do ex-secretário e sua passagem pela Casa Civil. Segundo o deputado, Carvalho construiu seu patrimônio no setor privado antes de ingressar no serviço público e, até o momento, não haveria elementos que justificassem colocá-lo entre pessoas que considera desonestas.

“Ele fez carreira na vida privada, ganhou dinheiro honesto como empresário, gerou milhares de empregos no Estado de Mato Grosso, paga mais de R$ 400 milhões por ano de impostos”, afirmou.

Wilson também lembrou dos serviços prestados por Mauro Carvalho na Casa Civil. De acordo com Wilson, talvez Mauro tenha sido o melhor secretário a ocupar a pasta.

“Foi o mais longevo secretário-chefe da Casa Civil da história republicana de Mato Grosso. E eu tenho muita dúvida do envolvimento dele nisso. Um secretário exímio, educado, dinâmico, cumpridor dos compromissos”, comentou.

Mauro Carvalho deixou o comando da Casa Civil na terça-feira (11), cinco dias após ser alvo da Operação Heritage. Em carta publicada nas redes sociais, afirmou que pretende se dedicar à família, às empresas e ao esclarecimento dos fatos investigados. Ele também negou participação no acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi.

A Operação Heritage investiga suspeitas de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro relacionadas ao acordo. A Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Entre os nomes citados estão o ex-governador Mauro Mendes (União), o deputado federal Fábio Garcia (União) e outros agentes públicos, empresários e advogados.

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Reinaldo Morais é convidado por Michelle Bolsonaro para ser vice de Wellington

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O produtor rural Reinaldo Morais (Novo) foi convidado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) para concorrer como vice do senador Wellington Fagundes (PL) na chapa ao governo.

A intenção seria apaziguar a turbulência dentro do Partido Liberal (PL), especialmente entre a ala dos bolsonaristas mais “raiz”, que vê no empresário uma figura mais próxima de seus valores.

A estratégia teria começado a mostrar efeito. Fonte ouvida pelo Livre afirmou que, nos últimos dias, Reinaldo Morais passou a receber apoio do grupo de Wellington e dos bolsonaristas “raiz”.

O senador, no entanto, ainda não tomou sua decisão. Ela deve ser anunciada no fim de semana, quando se encerra o prazo para o registro de candidaturas. Oficialmente, o médico Alencar Farina continua como candidato a vice.

Michelle Bolsonaro ligou para Reinaldo Morais na semana passada. Ele já havia sido indicado por ela como o nome mais adequado para compor a chapa com Wellington.

A preferência teria relação com a aliança construída em 2021, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL para concorrer à reeleição. Reinaldo participou da campanha em Mato Grosso e, desde então, passou a ser visto como uma figura capaz de unir a corrente bolsonarista e o eleitorado geral.

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Mal-estar de líder petista adia projeto que reduz preço da gasolina diante de conflito EUA x Irã

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Pedro Uczai precisou de atendimento médico às pressas na Câmara. Pauta era prioridade do “esforço concentrado” antes das eleições

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), passou mal nesta terça-feira (11), durante reunião do Colégio de Líderes, e precisou de atendimento médico. Ele chegou a ser socorrido por outros parlamentares, incluindo o próprio presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que é médico, até ser conduzido ao Departamento Médico da Câmara, onde permaneceu sob cuidados da equipe de saúde. Em nota, a Liderança do PT informou que Uczai sentiu-se indisposto, desmaiou, mas em seguida recuperou os sentidos e foi estabilizado.

“Como medida preventiva e para realização de exames complementares mais aprofundados, ele foi transferido para o hospital DF Star, onde dará continuidade ao acompanhamento diagnóstico”, disse a Liderança petista, em nota.

Por causa do incidente, a ordem do dia no plenário da Câmara, que votaria medidas importantes de interesse do governo, acabou sendo adiada. A reunião de líderes discutia justamente o que iria à votação.

Mais cedo, antes do encontro com os líderes, Hugo Motta informou, em entrevista à imprensa, que a prioridade seria a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que autoriza redução ou isenção de impostos federais sobre gasolina, diesel e etanol em momentos de forte alta do petróleo no exterior.

O objetivo do projeto encaminhado pelo governo é diminuir o impacto de choques nos preços internacionais de petróleo sobre o consumidor brasileiro, em meio a conflitos em curso no Oriente Médio, com a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que fechou a principal rota estratégica de exportação do petróleo. A proposta é uma das prioridades nesta semana de esforço concentrado na Câmara.

Segundo o presidente da Câmara, a relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), discute com a equipe econômica do governo para acertar os detalhes do texto, que deve incluir, além de subsídios aos combustíveis, estímulos à produção de fertilizantes, uma política de isenção fiscal para a exploração de minerais críticos e a antecipação de receitas para o Ministério da Defesa.

“Já conversamos com o Senado, e, se a Câmara avançar, o Senado ainda esta semana deverá se debruçar sobre esse tema. São temas consensuais, convergentes, temos que fazer todo o esforço para ter celeridade, diante do fato de não termos sessões nas próximas semanas”, disse Motta.

O Congresso Nacional retomou a agenda legislativa essa semana, após o recesso parlamentar, em um esforço concentrado para votar proposições em plenário e nas comissões. De acordo com os presidentes da Câmara e do Senado, serão duas semanas de esforço concentrado antes das eleições: entre 10 e 14 de agosto, e entre 31 de agosto e 3 de setembro.

Nesses dois períodos, a expectativa é de serem votadas principalmente medidas provisórias (MPs) que abrem crédito extraordinário e que precisam de aprovação parlamentar para não perderem a validade ao longo das próximas semanas.

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