Sustentabilidade
USDA projeta menor safra norte-americana de trigo desde 1972; mercado brasileiro segue travado – MAIS SOJA

O mercado de trigo viveu uma semana de forte volatilidade, marcada pelo impacto do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pela continuidade da baixa liquidez no mercado brasileiro. Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, os negócios domésticos permaneceram travados, com produtores firmes nas pedidas e moinhos atuando apenas em coberturas pontuais e imediatas.
O principal fator de movimentação ocorreu na terça-feira (12), após o USDA projetar a menor safra norte-americana de trigo desde 1972. O relatório provocou forte disparada nos contratos futuros negociados em Chicago e Kansas, levando o mercado às maiores altas percentuais diárias desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
Mesmo com expectativas já mais cautelosas devido à piora das lavouras de inverno, os números vieram muito abaixo do esperado. A produção dos Estados Unidos em 2026/27 foi estimada em 1,561 bilhão de bushels, frente à expectativa do mercado de 1,731 bilhão. Na safra anterior, o volume foi estimado em 1,985 bilhão de bushels.
Os estoques finais dos Estados Unidos foram projetados em 762 milhões de bushels, abaixo dos 841 milhões esperados pelos agentes. O cenário reforçou a percepção de forte aperto na oferta para a próxima temporada.
A produção de trigo de inverno dos Estados Unidos deve atingir o menor volume desde 1965. As lavouras seguem afetadas pela seca nas Planícies norte-americanas, com apenas 28% das áreas classificadas entre boas e excelentes, enquanto as lavouras em condições ruins ou muito ruins somam 40%. No Kansas, principal estado produtor, a produtividade foi estimada em 39,3 bushels por acre, abaixo dos 53,3 bushels registrados na safra passada.
Brasil irá plantar menos em 2026/27
No Brasil, a Safras & Mercado apontou perspectivas negativas para a safra 2026/27. A segunda pesquisa de intenção de plantio da consultoria indicou redução de 17,3% na área cultivada, para 1,943 milhão de hectares. O potencial de produção foi estimado em 6,155 milhões de toneladas, queda de 23,3% frente à temporada anterior.
Com a menor oferta interna, o país deverá ampliar a dependência das importações. A necessidade de compras externas foi projetada em 8,695 milhões de toneladas para atender uma demanda doméstica de aproximadamente 13 milhões de toneladas destinadas à moagem.
“Os elevados custos de produção, as margens apertadas e o alto endividamento do produtor rural seguem limitando o avanço da cultura no país”, disse Bento.
No mercado físico, as cotações permaneceram sustentadas pela escassez de oferta disponível. No Paraná, os preços giraram ao redor de R$ 1.430,00 por tonelada FOB. No Rio Grande do Sul, o distanciamento entre compradores e vendedores continuou limitando os negócios, com indicações de compra em torno de R$ 1.300,00 e ofertas de venda acima de R$ 1.350,00 FOB interior.
A indústria gaúcha também relatou dificuldades no repasse dos custos, já que os preços da farinha e do farelo não acompanharam a valorização do grão, reduzindo o apetite de compra dos moinhos.
O mercado encerrou a semana sustentado pela combinação entre oferta restrita no mercado spot brasileiro e valorização do trigo argentino. O cereal da Argentina chegou a ser indicado a US$ 255 por tonelada, enquanto o dólar próximo de R$ 4,98 ajudou a limitar parte das altas no mercado doméstico. A perspectiva segue de abastecimento ajustado e maior dependência brasileira das importações do Mercosul nos próximos meses.
Fonte: Agência Safras
Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Baixa oferta sustenta cotações no RS – MAIS SOJA

A disponibilidade restrita de arroz em casca segue dando suporte às cotações no Rio Grande do Sul. Segundo o Cepea, a necessidade de compra das indústrias e as dificuldades de carregamento provocadas pelas chuvas reforçam esse cenário.
De acordo com o Centro de Pesquisas, produtores permanecem retraídos, diante da expectativa de valores mais elevados. Embora a diferença entre os preços ofertados pelos compradores e os pretendidos pelos vendedores tenha diminuído, a liquidez segue limitada. Neste cenário, algumas indústrias elevaram as ofertas de compra nos últimos dias e, em casos pontuais, chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir matéria-prima suficiente para atender novos pedidos.
Pesquisadores do Cepea ressaltam ainda que as chuvas dificultaram o carregamento do cereal em algumas regiões, aumentando a preferência por lotes já depositados nas unidades de beneficiamento.
Fonte: CEPEA
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
IPPA/CEPEA: Índice registra alta impulsionado pelos IPPA-Cana-Café e IPPA- Grãos – MAIS SOJA

O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou alta nominal de 1,53% em julho frente a junho. Segundo o Cepea, o resultado mensal foi impulsionado, sobretudo, pelas altas do IPPA-Cana-Café (6,61%) e do IPPA-Grãos (5,24%), que mais do que compensaram as quedas observadas no IPPA-Hortifrutícolas (-11,50%) e no IPPA-Pecuária (-3,00%).
De acordo com o Centro de Pesquisas, entre os produtos, destacaram-se as altas de café, arroz, milho, soja, trigo, leite, laranja e uva, enquanto cana-de-açúcar, algodão, boi gordo, frango vivo, suíno vivo, ovos, batata, tomate e banana exerceram influência baixista sobre seus respectivos grupos.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 2,59%. Com isso, mesmo perante a valorização de 0,27% do Real frente ao dólar, os preços internacionais dos alimentos medidos em reais registraram alta de 2,32%, apontam pesquisadores do Cepea.
Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
APROSOJA MS: EUA reduz estoques de milho e cenário pode favorecer preços em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

O mercado internacional de milho ganhou um novo fator de sustentação com a divulgação do relatório WASDE de agosto, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento, divulgado em 12 de agosto, apresentou a estimativa de produtividade norte-americana baseada em levantamentos de campo para a safra 2026/2027 e apontou redução na produtividade, nas exportações e nos estoques finais projetados para o país.
A produtividade do milho nos Estados Unidos foi revisada de 183 para 180,7 sacas por acre entre julho e agosto. Ao mesmo tempo, a previsão de exportações subiu de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels, enquanto os estoques finais recuaram de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels. O preço médio recebido pelos produtores norte-americanos também foi revisado de US$ 4,40 para US$ 4,50 por bushel.
No cenário global, o estoque final de milho projetado para a safra 2026/27 caiu de 275,26 milhões para 274,66 milhões de toneladas entre os relatórios de julho e agosto. Para o Brasil, o USDA também reduziu de 11,10 milhões para 10,10 milhões de toneladas a projeção de estoques finais de milho para o próximo ciclo.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário internacional se soma a uma oferta estadual menor. De acordo com o acompanhamento da Aprosoja/MS e do Projeto SIGA-MS, a segunda safra de milho 2025/26 tem área cultivada estimada em 2,206 milhões de hectares, aumento de 3% em relação ao ciclo anterior. Apesar da maior área, a produtividade média está estimada em 84,2 sacas por hectare, queda de 22,4%, resultando em uma produção projetada de 11,139 milhões de toneladas, 20,1% abaixo da safra anterior.
A colheita também segue em ritmo inferior ao observado no mesmo período da safra passada. No acompanhamento de 11 de agosto, o SIGA-MS registrava avanço de metade da área monitorada, 6,4 pontos percentuais abaixo do ritmo registrado no mesmo período de 2025. Chuvas irregulares, ventos fortes e ocorrências pontuais de granizo permanecem entre os principais fatores de atenção para o encerramento da colheita.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a combinação entre o cenário internacional e a menor oferta estadual merece atenção do produtor no momento da comercialização.
“O que temos neste momento é uma combinação de fatores que tende a dar sustentação ao mercado do milho. De um lado, o USDA reduziu os estoques projetados nos Estados Unidos e no mercado mundial. Do outro, Mato Grosso do Sul deve colher uma safra menor, enquanto a colheita ainda está em andamento. Isso não significa que os preços necessariamente vão subir, mas cria um ambiente mais favorável para a sustentação das cotações e reforça a importância de o produtor acompanhar o mercado antes de definir suas estratégias de venda.”, avalia.
Outro fator relevante para o mercado sul-mato-grossense é o crescimento da demanda interna. O informativo da Aprosoja/MS destaca a expansão da indústria de etanol de milho, que disputa a matéria-prima com o mercado exportador, enquanto o estado também enfrenta um déficit estrutural de armazenagem.
Nesse cenário, a decisão de comercialização deve considerar não apenas a cotação internacional, mas também o ritmo da colheita, a disponibilidade regional de armazenagem, a demanda das indústrias e as condições logísticas.
Soja apresenta cenário mais estável
Enquanto o milho apresenta sinais de maior sustentação, a soja segue em cenário mais equilibrado. O USDA manteve, em agosto, a projeção de 186 milhões de toneladas para a produção brasileira de soja na safra 2026/27 e de 118 milhões de toneladas para as exportações. No mercado norte-americano, a produção foi revisada de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels, mas o aumento do esmagamento também contribuiu para absorver parte dessa oferta adicional.
Em Mato Grosso do Sul, a safra 2025/2026 de soja encerrou com produção de 16,744 milhões de toneladas, crescimento de 19,1% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média estadual alcançou 60,40 sacas por hectare, alta de 16,6%.
De acordo com a análise da Aprosoja/MS, sem um choque de oferta no mercado internacional, brasileiro ou estadual, o comportamento dos preços da soja no curto prazo tende a depender principalmente de fatores como câmbio, frete e ritmo das compras externas, especialmente da China.
O próximo relatório WASDE do USDA está previsto para 11 de setembro. Em Mato Grosso do Sul, novas atualizações do Projeto SIGA-MS devem acompanhar o avanço e o fechamento da colheita da segunda safra de milho nas próximas semanas.
O boletim completo pode ser acessado aqui.
Autor: Aprosoja MS – Texto: Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
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