Sustentabilidade
Máquinas agrícolas acumulam queda de 16,4% no primeiro trimestre, diz Abimaq

O setor de máquinas agrícolas registrou queda de 16,4% no primeiro trimestre de 2026, com retração de quase 20% no mercado doméstico. Os dados foram apresentados pelo presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, durante coletiva de imprensa na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP).
O segmento é o que apresenta o pior desempenho dentro da indústria de máquinas e equipamentos. A desaceleração das vendas ao usuário final vem sendo observada desde novembro do ano passado, enquanto o movimento de retração do mercado começou ainda entre julho e agosto de 2025.
A Abimaq atribui a queda principalmente à redução da rentabilidade do produtor rural, especialmente nas culturas de soja e milho, além do elevado custo do crédito. “O agricultor está segurando investimento e priorizando o custeio, porque o juro está muito caro”, disse Estevão.
No mercado externo, as exportações de máquinas agrícolas cresceram 20,6%, em movimento considerado conjuntural pela entidade, diante da sobra de equipamentos no mercado interno.
O dirigente destacou que o produtor passou por um forte ciclo de investimentos entre 2020 e 2023, período em que houve expansão de aproximadamente 15 milhões de hectares cultivados no país. Segundo ele, o cenário atual é de maior dificuldade financeira no campo.
“A inadimplência está muito alta, em torno de 7%, e os bancos restringiram o crédito”, afirmou.
Diante desse contexto, a entidade mantém projeção de retração de 8% para o setor de máquinas agrícolas em 2026, ainda com viés de baixa.
No detalhamento mais recente do desempenho do setor, as vendas internas de máquinas agrícolas renderam R$ 3,824 bilhões em março, de acordo com a Abimaq. O valor é 21,8% menor do que o registrado no mesmo mês de 2025 e 2,2% superior ao de fevereiro. No acumulado do primeiro trimestre, a receita soma R$ 10,636 bilhões, queda de 19,9% frente ao mesmo período do ano passado.
A receita com exportações de máquinas agrícolas totalizou US$ 183,41 milhões em março, crescimento de 50,4% em relação a fevereiro e de 40,1% na comparação com março de 2025. No acumulado do ano, as exportações atingem US$ 422,90 milhões, aumento de 20,6% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.
A receita líquida total do setor chegou a R$ 4,784 bilhões em março, alta de 9,4% frente ao mês anterior, mas queda de 15,5% na comparação com igual mês de 2025. No acumulado do ano, o total alcança R$ 12,862 bilhões, recuo de 16,4% na comparação anual.
Tratores
As vendas de fábrica de tratores cresceram 53,8% em março frente a fevereiro e 20,1% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de 2026, ainda apresentam queda de 16,3%.
As vendas ao usuário final avançaram 47,9% na comparação mensal e 3,9% ante março de 2025. No acumulado do ano, há recuo de 8,6%.
As exportações de tratores subiram 34,9% em relação a fevereiro e 46,9% na comparação anual. No acumulado de 2026, avançam 25,7%.
Colheitadeiras
As vendas de fábrica de colheitadeiras caíram 10,9% em março frente a fevereiro e recuaram 50,8% na comparação com março de 2025. No acumulado do ano, a queda é de 42,7%.
As vendas ao usuário final cresceram 3,3% na comparação mensal, mas recuaram 36,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2026, a retração é de 40,2%.
As exportações de colheitadeiras avançaram 81,3% frente a fevereiro e 176,2% na comparação anual. No acumulado do ano, apresentam queda de 4,5%.
Desempenho da Agrishow 2026
Considerada a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, o evento internacional concentra tradicionalmente decisões de compra e renovação de máquinas por parte dos produtores rurais. Segundo Estevão, a edição de 2026 está dentro das expectativas. Pelo que conversei com as empresas, existe esforço para vender e a feira não deve ser muito diferente da do ano passado, afirmou.
A Abimaq também defende ampliação do crédito subsidiado no próximo Plano Safra e pleiteia taxas de juros de um dígito para o Moderfrota. Segundo ele, a expectativa é de um programa semelhante ao do ano passado, possivelmente com mais recursos, mas sem mudanças significativas.
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade
Exportações de soja avançam e milho ganha espaço no mercado interno – MAIS SOJA

As exportações de soja de Mato Grosso do Sul mantiveram desempenho positivo em agosto de 2026. O Estado embarcou 530,5 mil toneladas, volume 36,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Em valores, as vendas externas chegaram a US$ 239,1 milhões, alta de 48,9% na comparação anual. O resultado ficou acima do desempenho nacional, que registrou queda de 3,2% no volume exportado e crescimento de 5% em valores no mesmo período.
O desempenho confirma a importância da soja para o comércio exterior sul-mato-grossense. A China permanece como principal destino, concentrando 81,2% das exportações do produto, seguida por Vietnã e Paquistão.
Embora agosto tenha apresentado redução de 43,1% no volume embarcado em relação a julho, o resultado anual permanece positivo e coloca a soja entre os principais produtos da pauta exportadora do Estado.
“A soja continua apresentando um desempenho bastante relevante nas exportações de Mato Grosso do Sul, com crescimento superior ao observado no cenário nacional”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
Milho muda de destino e fortalece o processamento dentro de MS
Em agosto, Mato Grosso do Sul exportou 100,1 mil toneladas de milho, ante 498 mil toneladas no mesmo período de 2025. Em valores, os embarques passaram de US$ 99 milhões para US$ 21,7 milhões.
Apesar da redução nas exportações, o movimento revela uma transformação na dinâmica do cereal dentro da economia estadual. O boletim econômico da Aprosoja/MS aponta que o milho está apresentando atraso no período de exportação, mas também destaca uma mudança: o grão passa a ser direcionado como matéria-prima para transformação dentro do Estado.
Na avaliação de Linneu, esse processo representa uma oportunidade de agregação de valor à produção sul-mato-grossense.
“Parte da produção que antes poderia seguir diretamente para outros países passa a encontrar demanda em Mato Grosso do Sul, como matéria-prima para processos de transformação. Isso fortalece o mercado interno, movimenta a indústria e agrega valor à produção estadual”.
O cenário também ajuda a explicar por que os números de exportação precisam ser analisados em conjunto com a evolução da atividade industrial.
“O milho está deixando de ser visto somente como um produto para exportação e passa a ocupar uma posição importante como insumo para a indústria. É um movimento positivo porque cria novas possibilidades de mercado para o produtor e aproxima a produção agrícola das cadeias de transformação que estão se desenvolvendo no Estado”, destaca o analista.
Celulose assume liderança nas exportações
A mudança na dinâmica dos grãos ocorre em um cenário de diversificação da pauta exportadora de Mato Grosso do Sul. Em agosto, a celulose assumiu pela primeira vez a liderança entre os produtos exportados pelo Estado, com participação de 32,3% do total. Soja e resíduos ficaram em segundo lugar, com 28%, seguidos pela carne bovina, com 15,5%.
Balança comercial mantém superávit
O desempenho das exportações contribuiu para que Mato Grosso do Sul mantivesse um saldo positivo na balança comercial. Em agosto, o Estado registrou superávit de US$ 801 milhões, resultado de US$ 978 milhões em exportações ante US$ 176 milhões em importações.
Entre os produtos importados, o gás natural liderou, seguido por cobre e equipamentos industriais. A ureia apareceu na quarta posição, representando 3,2% das importações. O boletim destaca que a presença do fertilizante entre os principais produtos importados sinaliza a busca do Estado por atender à demanda de insumos necessária à produção agrícola.
Os dados integram os boletins de Exportações e Balança Comercial de Mato Grosso do Sul, elaborados pela equipe econômica da Aprosoja/MS com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do ComexStat.
Acesse os boletins clicando aqui e depois aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Falta de lotes de qualidade de trigo sustenta preços no Paraná e no Rio Grande do Sul – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de trigo atravessou a semana sob negociações pontuais e preços pouco homogêneos. A dificuldade para encontrar lotes aumentou, especialmente de qualidade adequada à moagem.
No Paraná, o mercado permaneceu praticamente travado ao longo da semana, com poucas ofertas e compradores em busca de trigo. O tempo abriu na segunda e na terça-feira, mas a previsão de novas chuvas até domingo manteve as incertezas sobre a qualidade dos próximos lotes, parte do cereal já colhido apresentou problemas associados a doenças como a brusone.
No início da semana, a pressão de curto prazo no Norte do estado estava ligada à falta de espaço para armazenagem, depois que a safra recorde de milho safrinha ocupou parte relevante da capacidade disponível. “Produtores com necessidade de liberar estruturas encontram menor poder de negociação, enquanto moinhos capazes de receber trigo diretamente da lavoura pressionam por melhores condições de compra”, explicou o analista de Safras & Mercado Elcio Bento.
Ao longo da semana, porém, essa leitura foi cedendo lugar a um discurso diferente: a pressão pela necessidade de armazenagem foi tratada como pontual, e o principal entrave passou a ser a falta de oferta, sobretudo de trigo com qualidade. “A avaliação é de que os moinhos poderão precisar elevar as ofertas para atrair vendedores”, disse o analista Thiago Oleto na quinta-feira (10).
Nos preços, negócios no Norte do Paraná foram fechados próximos de R$ 1.500/t FOB, com vendedores pedindo valores acima desse patamar. Nos Campos Gerais, moinhos indicaram R$ 1.550/t CIF, equivalente a cerca de R$ 1.480 a R$ 1.500/t FOB. Para entrega imediata, as indicações giravam em torno de R$ 1.500/t CIF, recuando para R$ 1.450/t em outubro e R$ 1.400/t em novembro nos negócios futuros – patamares nos quais, segundo Bento, “praticamente não há interesse dos produtores nas vendas futuras”.
No Rio Grande do Sul, a liquidez seguiu reduzida diante do distanciamento entre compradores e vendedores. Moinhos sinalizaram interesse próximo de R$ 1.400/t, enquanto vendedores pediram R$ 1.500/t. “Um eventual equilíbrio poderia ocorrer ao redor de R$ 1.450 por tonelada, mas, por enquanto, não há disposição efetiva de compradores ou vendedores nesse nível”, observou Oleto.
A referência FOB interior, ainda vinculada à safra velha, avançou 5,7% na semana e 9,1% no mês, acumulando alta de 39,0% em 2026 e de 14,3% frente ao mesmo período do ano passado, reflexo, segundo os analistas, da menor disponibilidade de trigo no estado. A influência da safra nova só deve aumentar a partir de outubro, com a aproximação da colheita.
Fonte: Agência Safras
Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Mercado de arroz mantém firmeza, mas valorização perde intensidade com menor procura – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de arroz manteve a trajetória altista nesta semana, porém com perda de velocidade, sinalizando transição de uma fase de valorização para acomodação em patamar elevado. A afirmação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
“Na origem, produtores capitalizados permanecem firmes, restringindo ofertas e aguardando melhores condições”, explica o analista. A necessidade financeira continua sendo o principal mecanismo de abertura de lotes, fazendo surgir negócios pontuais sem caracterizar aumento estrutural da disponibilidade.
Assim, pondera o consultor, a retenção na fonte segue limitando o potencial de correção baixista. “Na ponta compradora, parte das indústrias reduziu a procura após recompor estoques nas últimas semanas”, acrescenta.
Essa postura diminui a pressão de compra e explica a desaceleração dos reajustes, mas não configura excesso de matéria-prima. “A queda de braço permanece concentrada na diferença entre as pedidas dos vendedores e a capacidade de pagamento por parte das unidades de beneficiamento”, destaca Oliveira.
A entrada de indústrias do Centro-Oeste, por sua vez, adiciona concorrência regional e pode elevar a disputa por lotes disponíveis, especialmente onde a oferta já é restrita.
O vetor baixista está concentrado na menor necessidade industrial de reposição, enquanto os altistas permanecem na oferta restrita, retenção e concorrência interestadual. Para o analista, o ponto decisivo será a duração dessa combinação: se a indústria retornar antes de o produtor ampliar vendas, a valorização pode recuperar intensidade; se a procura permanecer contida e compromissos financeiros aumentarem a oferta, o mercado tende à estabilidade ou correção moderada.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotado a R$ 81,56, alta de 1,22% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço foi de 11,95%. Em relação a 2025, a valorização atingiu 22,46%.
Fonte: Agência Safras
Autor:Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
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