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7 de junho de 2026

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Radar Rural: dólar, El Niño e boi gordo são os destaques do novo episódio

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Foto gerada por IA para o Canal Rural

Queda do dólar, retorno do fenômeno El Niño e preço do boi gordo em patamar recorde. Esses são os destaques do novo episódio do Radar Rural. Apresentado pelos jornalistas João Nogueira e Beatriz Gunther, o videocast foi pensado primeiro para o Youtube e reúne os principais assuntos que movimentam o agronegócio.

O segundo episódio já está disponível:

Dólar abaixo de R$ 5 divide impactos no agro

A queda do dólar, que chegou a operar abaixo de R$ 5, traz impactos diferentes dentro do setor. Enquanto pressiona quem exporta, pode favorecer a compra de insumos — embora fatores externos ainda limitem esse alívio.

Segundo o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, ouvido pela equipe do programa, o movimento reflete um enfraquecimento global da moeda norte-americana, com investidores buscando ativos em mercados emergentes.

Retorno do El Niño acende alerta

No clima, o retorno do El Niño acende o alerta para a safra 2026/27. O fenômeno pode provocar mudanças no regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país, exigindo atenção do produtor.

De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, há possibilidade de intensificação do fenômeno nos próximos meses. Já o consultor do Planeta Campo, Renato Rodrigues, destaca que o produtor pode adotar estratégias para mitigar impactos.

Arroba do boi atinge maior valor da história

Na pecuária, a arroba do boi gordo segue em patamar recorde.

Conforme explicou o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, a alta está ligada à oferta mais restrita de animais e à demanda internacional aquecida no início do ano, especialmente por parte da China.

População de jumentos gera debate

O episódio também aborda o debate sobre a população de jumentos no Brasil, que ganhou repercussão após decisão judicial e levanta discussões sobre preservação e uso da espécie.

O Radar Rural é publicado no Youtube do Canal Rural às sextas-feiras, a partir das 15h. Na grade de TV, é exibido aos sábados, às 09h15, com reprise às segundas-feiras, às 11h30.

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Brasil busca acordo para evitar tarifa adicional de 25% dos EUA

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Imagem gerado por IA para o Canal Rural

O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.

Segundo a avaliação do governo, ainda existe espaço para um acordo que seja mais vantajoso para ambos os países do que a imposição da sobretaxa. Entre os argumentos apresentados pelo Brasil está o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral, além da baixa tarifa média aplicada pelo país aos produtos norte-americanos, atualmente estimada em 2,7%.

A recomendação do USTR foi divulgada na última semana e tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Entre os pontos citados pelo órgão norte-americano está o Pix, que teria prejudicado empresas de pagamento dos EUA. O governo brasileiro, por sua vez, rejeitou os argumentos e classificou a iniciativa como uma tentativa de interferência em assuntos internos, além de enxergar um componente de protecionismo comercial.

Prazo

O Brasil trabalha agora com o prazo de 15 de julho para buscar uma solução negociada. A data foi estabelecida pelo USTR para uma definição sobre o caso, embora ainda exista a possibilidade de prorrogação.

Os negociadores brasileiros ganharam mais tempo após o fim do prazo inicial de 30 dias estabelecido depois do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em Washington no mês passado.

Desafios nas conversas

Entre os principais obstáculos para um entendimento está o fato de os Estados Unidos conduzirem simultaneamente diversas negociações tarifárias com outros países, além de estarem envolvidos em conflitos internacionais no Oriente Médio.

O governo brasileiro também avalia a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump durante a reunião do G7, prevista para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, na França. Até o momento, porém, não há confirmação de uma reunião bilateral.

Outra dificuldade apontada por integrantes do governo é a amplitude das demandas norte-americanas, que frequentemente envolvem temas além da área comercial. O Brasil, entretanto, busca concentrar as negociações exclusivamente em questões tarifárias e comerciais, descartando a inclusão de temas como terras raras e reafirmando que o Pix não fará parte de qualquer acordo.

Tarifa global é vista como difícil de reverter

Enquanto busca evitar a sobretaxa de 25%, o governo considera pouco provável conseguir negociar a tarifa adicional de 10% a 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a cerca de 60 países sob a justificativa de combate ao trabalho análogo à escravidão.

Na avaliação brasileira, essa cobrança tem caráter mais amplo e foi estruturada para substituir o chamado “tarifaço” anterior, derrubado pela Suprema Corte norte-americana. A medida atinge não apenas o Brasil, mas também parceiros históricos dos EUA, como Japão, União Europeia, Canadá, Índia e Argentina.

Diante desse cenário, o governo aposta na continuidade das negociações para preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano e evitar impactos sobre o comércio bilateral.

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Colheita de café avança no Brasil, mas segue abaixo do ritmo histórico

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Foto: Sebastião Afonso da Silva/arquivo pessoal

Os trabalhos de colheita de café no Brasil ganharam ritmo nas últimas semanas, mas ainda seguem atrasados em comparação com anos anteriores. De acordo com levantamento da Safras & Mercado, até o dia 2 de junho, 23% da safra brasileira de café 2026/27 havia sido colhida.

O percentual representa avanço de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar da evolução, o desempenho permanece abaixo dos 28% registrados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 27%.

A colheita do café canéfora (conilon e robusta) alcançou 34% da produção estimada, também abaixo do observado no ano passado e da média histórica para o período, ambos em 40%. Em Rondônia, principal estado produtor de robusta, os trabalhos avançam de forma acelerada e já atingem 67% da safra, superando 70% em algumas localidades.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, embora o ritmo seja intenso, há preocupações relacionadas à qualidade dos grãos. Entre os problemas relatados estão maior incidência de defeitos, presença de broca e necessidade de mais tempo para secagem do café.

No Espírito Santo, a colheita do conilon também avança, mas continua atrasada. Cerca de 30% da safra foi colhida até o início de junho. O analista observa que o rendimento das lavouras apresentou alguma melhora, embora permaneça abaixo das expectativas iniciais, mantendo a atenção do mercado voltada para o desenvolvimento da temporada.

Já no café arábica, a colheita alcançou 17% da produção, contra 21% registrados no mesmo período do ano passado. O percentual também fica abaixo da média dos últimos cinco anos, de 20%. Apesar do atraso, a avaliação inicial da nova safra é positiva. A disponibilidade de café novo nas praças de comercialização ainda é limitada, mas vem aumentando gradualmente à medida que os trabalhos de campo avançam.

Com informações são da Safras & Mercado.

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O Brasil precisa voltar a discutir estoques públicos de alimentos

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Durante muito tempo, falar em estoque público de alimentos parecia assunto ultrapassado. O Brasil produzia bem, exportava cada vez mais e a sensação era de que sempre haveria comida suficiente. Mas o cenário mudou.

Hoje, muitos produtores rurais estão reduzindo o uso de fertilizantes simplesmente porque o crédito não chega mais com facilidade. Em várias regiões, o agricultor já faz conta para decidir onde cortar custo e sobreviver à próxima safra. E quando o campo reduz investimento em adubação, tecnologia e manejo, normalmente a consequência aparece depois: produtividade menor e maior risco de quebra.

Isso acontece justamente em um momento delicado para a agricultura mundial.

Com El Niño ou sem El Niño, os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção. Secas prolongadas, excesso de chuva, geadas fora de época e ondas de calor estão afetando safras em várias partes do mundo. A previsibilidade climática, tão importante para quem produz alimentos, ficou muito menor.

Ao mesmo tempo, guerras continuam pressionando energia, fertilizantes, logística e custos globais. Basta lembrar o que aconteceu nos últimos anos para perceber como rapidamente o abastecimento pode entrar em tensão quando há conflito internacional ou crise econômica.

Existe ainda outro ponto que pouca gente gosta de discutir, mas que precisa ser encarado com seriedade. Diversos cientistas e organismos internacionais alertam que uma nova pandemia global pode surgir a qualquer momento. A pandemia da COVID-19 deixou claro como cadeias de abastecimento podem ser interrompidas em poucos dias.

Diante desse cenário, o Brasil precisa voltar a discutir segurança alimentar de forma prática e estratégica.

E isso inclui a retomada de estoques públicos de alimentos.

Não se trata de interferir no mercado ou substituir a iniciativa privada. Trata-se de criar mecanismos mínimos de proteção para momentos de crise, evitando desabastecimento, explosões de preços e insegurança alimentar.

Grandes países fazem isso há décadas.

A China mantém enormes estoques estratégicos. A Índia trabalha fortemente com armazenamento público para garantir abastecimento interno. Os Estados Unidos possuem políticas permanentes de proteção agrícola e alimentar. Nenhuma potência trata comida apenas como mercadoria comum.

O Brasil, apesar de ser uma das maiores potências agrícolas do planeta, abandonou boa parte dessa discussão.

E existe um detalhe importante: produzir muito não significa automaticamente garantir abastecimento estável. Sem planejamento estratégico, até países altamente produtivos ficam vulneráveis a choques climáticos, crises econômicas ou problemas logísticos.

Por isso, talvez tenha chegado a hora de recolocar o tema no centro do debate nacional.

Discutir estoques reguladores modernos, transparentes e técnicos para alimentos essenciais como arroz, feijão, milho e trigo não é retrocesso. É prudência.

Porque o mundo está ficando mais instável.

E segurança alimentar não é apenas uma pauta do agro. É uma questão de soberania nacional.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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