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Após dois anos, produção de cacau volta a crescer no Brasil

Após dois anos de menor disponibilidade, a produção de amêndoas de cacau voltou a crescer no Brasil no início de 2026. Dados divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) mostram que o recebimento somou 28,6 mil toneladas no primeiro trimestre, alta de 61,1% em relação ao mesmo período de 2025.
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O resultado marca uma retomada da oferta no país, após períodos de restrição, mas ainda não se traduz em maior atividade industrial.
Oferta cresce, mas ainda abaixo do pico da safra
Apesar do avanço expressivo na comparação anual, o volume registrado no primeiro trimestre segue abaixo dos níveis típicos da safra principal.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve queda de 52,1%, movimento considerado esperado devido à sazonalidade da produção.
Segundo a AIPC, o crescimento atual indica recomposição da oferta, mas ainda dentro de um cenário de recuperação gradual.
A estrutura produtiva do cacau no Brasil segue altamente concentrada. Bahia e Pará responderam por 96,5% do total recebido no primeiro trimestre de 2026.
A Bahia lidera com 16,2 mil toneladas, crescimento de 38,9% na comparação anual. Já o Pará registrou o maior avanço, com alta de 169,7%, somando 11,3 mil toneladas.
Outros estados têm participação reduzida. O Espírito Santo registrou queda de 53,6%, enquanto Rondônia apresentou crescimento de 48,7%, mas com volumes ainda baixos.
Moagem não acompanha aumento da oferta
Mesmo com mais matéria-prima disponível, a indústria não ampliou o processamento. A moagem somou 51,7 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao ano anterior (-0,8%).
O dado evidencia um descompasso entre oferta e demanda no setor.
Segundo a AIPC, o principal entrave não está na disponibilidade de cacau, mas na dificuldade de competir e ampliar a demanda, tanto no mercado interno quanto no externo.
Importações caem com maior produção nacional
Com o aumento da oferta doméstica, o Brasil reduziu a necessidade de importação de amêndoas.
As compras externas somaram 18 mil toneladas no primeiro trimestre, queda de 37,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O movimento reflete um ajuste natural do mercado diante da maior disponibilidade interna.
Já as exportações de derivados de cacau totalizaram 12,5 mil toneladas no período, recuo de 15,4% na comparação anual.
A Argentina permanece como principal destino, seguida por Estados Unidos e México.
O desempenho reforça o cenário de demanda mais fraca e aumento da competitividade internacional, fatores que têm limitado a expansão da indústria brasileira.
Preços internacionais recuam com melhora na oferta global
No mercado internacional, os preços do cacau registram forte queda em 2026, após máximas históricas recentes.
As cotações recuaram cerca de 50% nos mercados de Nova York e Londres, voltando para níveis próximos de US$ 3.000 por tonelada.
A queda é explicada pela recomposição da oferta global, após anos de déficit, e pela desaceleração da demanda, que levou a indústria a reduzir o uso da matéria-prima.
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65% dos produtores acreditam ser vistos de forma negativa pela população urbana

A 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural mostra que 65% dos produtores acreditam que a população urbana os vê de forma negativa. O estudo também aponta que apenas 5% avaliam que a imagem seja positiva, enquanto 30% a consideram neutra.
Para ter um dado fiel sobre a percepção do agricultor, a iniciativa contou com 3.100 entrevistas presenciais com homens e mulheres do campo em 16 estados, abrangendo 15 culturas agrícolas e quatro cadeias pecuárias.
O resultado ganha ainda mais relevância quando comparado à pesquisa “Percepções Sobre o Agro: o que pensa o brasileiro”. O estudo mostrou que sete em cada dez brasileiros têm uma visão positiva sobre o agronegócio. Por outro lado, este mesmo levantamento mostrou que 30% dos brasileiros se declaram desfavoráveis ao agro e, destes, 51% são jovens entre 15 e 29 anos.
A comparação entre os levantamentos revela um descompasso: enquanto a sociedade demonstra uma imagem majoritariamente favorável do agro, grande parte dos produtores acredita que é vista de forma negativa pela população urbana.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), Ricardo Nicodemos, o cenário evidencia a necessidade de um projeto de construção de imagem e de um plano de comunicação perene e consistente para o setor.
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“O agro brasileiro evoluiu muito nas últimas décadas. Produzimos mais com inovação, incorporamos tecnologia, avançamos em sustentabilidade e nos tornamos uma referência mundial. Mas essa transformação precisa ser acompanhada por uma estratégia consistente de comunicação. A diferença entre a percepção do produtor e a da sociedade mostra a urgência de fortalecer a imagem do setor, que por décadas tem sido renegada”, afirma.
ências. Antes de desenvolver as peças, buscamos entender como o agro era percebido pela sociedade e validar os caminhos criativos que sensibilizavam as pessoas em diferentes etapas de pesquisa. Reputação se constrói com histórias reais, fatos, diálogo e continuidade. Não podemos contar apenas com narrativas, precisamos de relevância, consistência e estar presente na vida das pessoas com a devida frequência”, defende Nicodemos.
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Justiça suspende leilão de fazenda avaliada em R$ 77,6 milhões

A Justiça de Goiás suspendeu na última quarta-feira (22) dois leilões da Fazenda Monte Alegre, de 1.058 hectares, avaliada em R$ 77,6 milhões e localizada em Rio Verde, sudoeste do estado. A decisão, em caráter liminar, saiu uma semana antes dos certames, agendados para 30 e 31 de julho.
A propriedade havia sido cedida em alienação fiduciária ao Banco Bocom BBM, como garantia de empréstimo de R$ 72 milhões tomado pelo produtor Pedro da Silveira Leão em fevereiro de 2025.
Contudo, em dezembro do mesmo ano, o agricultor e sua família entraram com um pedido de antecipação de “stay period” (proteção contra credores) e solicitaram à Justiça o reconhecimento da essencialidade da fazenda.
Passados dois meses, em fevereiro deste ano, a juíza da 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Verde, Camila de Carvalho Gonçalves, deu ganho de causa, de forma cautelar, ao produtor, suspendendo as execuções por 180 dias. Já em junho, o Bocom BBM oficializou a fazenda em seu nome de forma extrajudicial, mas sem considerar o devido processo judicial.
Em seguida, o banco levou a propriedade a leilão, ao que o produtor e sua família entraram com ação pedindo a anulação do certame.
De acordo com o escritório Amaral e Melo Advogados, que defende o requerente, a decisão da Justiça também bloqueou a matrícula no cartório de registro do imóvel, impedindo qualquer nova matrícula ou transferência sem autorização judicial.
“Também ficou destacado que o certame não foi suspenso por conta da dívida ser alta ou por discordância do valor cobrado, mas sim por um possível erro no procedimento legal”, salienta, em nota.
Na ação anulatória, foram apontadas falhas formais em cada etapa do rito previsto na Lei nº 9.514/1997:
- Realização de uma única diligência para localizar os devedores;
- Ausência de diligência no próprio imóvel dado em garantia;
- Certificação de que a devedora estava em local incerto sem a publicação do edital exigido pelo artigo 26, parágrafo 4º; e
- Ausência de comunicação das datas, horários e locais das praças, formalidade do artigo 27, parágrafo 2º-A, que existe justamente para viabilizar o direito de preferência do proprietário.
A urgência da decisão foi reconhecida a partir do próprio edital: pagamento integral do preço em até 24 horas após a arrematação, transferência imediata da posse indireta ao arrematante e possibilidade de aceitação, no segundo leilão, de lance equivalente à metade do valor de avaliação.
A decisão também considerou que uma eventual arrematação daria ao comprador (adquirente de boa-fé) proteção jurídica, tornando mais complexo o processo de anulação da venda.
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O advogado responsável pela condução do caso, Heráclito Noé, conta que o procedimento começou com uma certidão dizendo que a devedora estava em local incerto e não sabido.
“Depois disso, sem nenhum fato novo, apareceram certidões positivas apoiadas em mensagem eletrônica enviada a um coobrigado, sem comprovação de que alguém recebeu ou leu. Foi uma diligência só. Ninguém foi até a fazenda que estava sendo dada em garantia. E não há nos autos um único documento mostrando que os proprietários foram avisados de quando o leilão aconteceria.”
Já o sócio fundador do Amaral e Melo Advogados, Leandro Amaral, ressalta que a lei permite que o credor retome o imóvel sem processo judicial. “Em troca disso, ela exige que o produtor seja avisado, pessoalmente, em cada etapa. Quando essa exigência não é cumprida, o que sobra não é um rito rápido, é um rito sem defesa. O produtor só descobre que perdeu a fazenda quando o leilão já está marcado. Não estamos discutindo aqui se a dívida existe. Estamos discutindo se o caminho até o leilão respeitou a lei”, contextualiza.
A alienação fiduciária de imóvel rural se consolidou como garantia padrão em operações de grande porte no agronegócio, e com ela cresceu o uso do procedimento extrajudicial de excussão. Para os advogados, o caso reacende a discussão sobre o grau de controle exercido sobre esse rito, que transfere a propriedade de um bem produtivo sem sentença e com prazos curtos de reação.
O mérito da ação ainda depende de contestação e produção de provas. A liminar preserva a situação atual até que a regularidade do procedimento seja definida.
A reportagem buscou contato com a assessoria de imprensa do Bocom BBM em busca de posicionamento, mas até a publicação deste texto não obteve retorno. O espaço seque aberto para manifestações.
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Chuva acima da média eleva risco no trigo gaúcho e interrompe operações na cana

A Região Sul deve seguir com volumes acumulados de chuva superiores a 100 milímetros em partes do Rio Grande do Sul nos próximos dias, segundo relatório da empresa de sensoriamento remoto EarthDaily. De acordo com a avaliação, a combinação entre umidade elevada e temperaturas acima da média aumenta o risco de doenças no trigo. No Paraná e em Mato Grosso do Sul, a chuva também reduziu o ritmo ou interrompeu temporariamente operações de campo na cana-de-açúcar.
A EarthDaily informou que, nos últimos 10 dias, os acumulados de chuva superaram 160 milímetros em algumas localidades do Sul do País. No Rio Grande do Sul, a persistência das precipitações e das temperaturas acima da média mantém um ambiente mais favorável ao avanço de doenças nas lavouras de trigo.
Na zona canavieira do Paraná e de Mato Grosso do Sul, os acumulados superaram 20 milímetros nos últimos dias. Segundo o relatório, esse quadro reduziu o ritmo dos trabalhos ou levou à interrupção temporária das operações de campo.
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Para o trigo no Paraná, o cenário descrito pela empresa é diferente. Na maior parte do Estado, a precipitação acumulada ficou acima da média nos últimos 30 dias e também superou os volumes registrados nos últimos três anos. Esse comportamento, de acordo com a EarthDaily, garante boas condições hídricas para a cultura.
O quadro mostra um contraste dentro da própria Região Sul. Enquanto o excesso de umidade no Rio Grande do Sul amplia o risco fitossanitário para o trigo, no Paraná o regime de chuva sustenta a disponibilidade de água para a mesma cultura. Já nas áreas de cana do Paraná e de Mato Grosso do Sul, o efeito imediato ocorreu sobre a execução das atividades no campo.
O relatório da EarthDaily indica continuidade da chuva no Sul, com volumes acima de 100 milímetros em partes do Rio Grande do Sul, risco maior de doenças no trigo gaúcho, boas condições hídricas para o trigo paranaense e paralisações temporárias em operações de campo da cana no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
Fonte: Estadão Conteúdo
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