Connect with us
23 de maio de 2026

Business

Nova commodity do agro? DDG se consolida como peça-chave da nova indústria do milho no Brasil

Published

on


Foto: Divulgação

O crescimento da indústria de etanol de milho no Brasil está criando um novo protagonista dentro do agronegócio em 2026: o DDG, sigla para distillers dried grains, ou grãos secos de destilaria. Muito se fala sobre o insumo, mas o que de fato ele significa?

O DDG é obtido durante o processo de fermentação do milho para produção de etanol. Nele, os componentes do grão que não são convertidos em álcool, como proteínas, fibras e lipídios, permanecem concentrados no produto final, que passa a ser utilizado na alimentação animal. No entanto, especialistas do setor dividem opiniões quanto à sua categorização como coproduto ou subproduto do milho. 

Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, acredita que o DDG deve ser definido mais adequadamente como coproduto, já que não é um resíduo secundário de baixa relevância econômica dentro da indústria de etanol de milho.

“Ao contrário, trata-se de um componente central da rentabilidade das usinas, com mercado próprio, demanda crescente e participação importante na receita das plantas industriais. Em muitos casos, a venda do DDG compensa parcela relevante do custo do milho utilizado como matéria-prima, o que evidencia sua função econômica estrutural dentro do modelo de negócios do etanol de milho”, aponta.

Advertisement

“Quando a gente analisa toda a questão de receita dentro das indústrias de etanol, ele vai ser o principal percentual. Mas o DDG é um conceito interessante, e a gente vê as usinas fomentando bastante essa parte de comercialização”, destaca Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado agropecuário do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

De subproduto a ativo estratégico no agro

Antes tratado apenas como um resíduo do processo industrial, o insumo passou a ter mercado próprio, demanda crescente e papel direto na rentabilidade das usinas.  

Para Cogo, esse movimento tende a ganhar força com a expansão da produção de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste, aliada ao aumento da escala produtiva, à padronização da qualidade, à evolução logística e à crescente demanda das cadeias de proteína animal.

“Além disso, a formação de preços cada vez mais correlacionada a outros insumos, como o farelo de soja, contribui para dar maior transparência e previsibilidade ao mercado. À medida que esses fatores avançam, o DDG deixa de ser um produto regional e passa a assumir características típicas de commodity”, afirma.

Segundo o último balanço da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), divulgado no fim de março, a produção de milho no estado chegou a 55,43 milhões de toneladas na safra 2024/25. Dessa quantidade, mais de 13,9 milhões de toneladas foram destinadas à produção do etanol de milho, tornando Mato Grosso o maior produtor brasileiro de biocombustível do grão. 

Advertisement

Na análise de Cogo, esse cenário deve se manter nos próximos anos, com uma tendência estrutural de crescimento, sustentada pela competitividade do milho brasileiro – especialmente da segunda safra -, pelo menor custo relativo de produção do etanol em relação a outras rotas e pela importância dos coprodutos na formação das margens industriais.

“O Brasil deve adicionar cerca de 7 bilhões de litros de capacidade até 2028, com dezenas de projetos em andamento, o que implica aumento relevante na oferta de DDG. No curto prazo, podem ocorrer ajustes de margem em função de eventuais excessos de oferta, mas a trajetória estrutural permanece positiva”, destaca. 

Oferta contínua garante vantagem competitiva

A disponibilidade contínua do DDG é um dos seus principais diferenciais competitivos e que contribui diretamente para a sua adoção. Diferentemente de insumos sujeitos à sazonalidade, o insumo é produzido ao longo de todo o ano, acompanhando o funcionamento das usinas de etanol. 

Assim, essa regularidade acaba proporcionando uma maior previsibilidade de custos na formulação de rações, reduz a necessidade de estoques elevados, melhora o planejamento operacional e diminui a exposição à volatilidade de preços. 

“Para cadeias intensivas, como confinamentos e integrações, essa estabilidade é um fator relevante para ganho de eficiência e gestão de risco”, aponta Cogo. 

Em fevereiro, o Brasil embarcou a primeira carga de DDG à China. A remessa de 62 mil toneladas foi enviada pelo Porto de Imbituba (SC), a primeira operação após a abertura do mercado chinês ao produto brasileiro em maio de 2025, com a assinatura do protocolo sanitário bilateral. “É um mercado crescente, demandante demais, um setor que gera valor agregado”, diz Silva, do Imea. 

Advertisement

Uso do DDG avança além da pecuária de corte

Embora o DDG já esteja amplamente consolidado na pecuária de corte, especialmente em sistemas de confinamento, há potencial de crescimento em outras cadeias, como suinocultura e avicultura, segundo especialistas. 

Esse avanço tende a ocorrer de forma gradual, devido às exigências nutricionais mais rigorosas dessas espécies, que demandam maior padronização e controle de qualidade do insumo. 

“Ainda assim, com a expansão das exportações, margens positivas e busca por alternativas competitivas ao milho e ao farelo de soja, o DDG tende a ganhar espaço nessas cadeias, especialmente à medida que a indústria evolui em qualidade e consistência do produto”, aponta Cogo. 

Tensões globais impactam mercado de etanol

Outro fator se refere às tensões geopolíticas recentes, que podem gerar impactos relevantes sobre o setor de biocombustíveis e suas cadeias associadas. Esses eventos afetam diretamente os preços do petróleo, os custos de fertilizantes, a logística global e os fluxos comerciais, influenciando tanto a competitividade do etanol quanto o custo de produção do milho. 

“Esse ambiente reforça a importância de cadeias integradas, como a do etanol de milho e do DDG, que agregam valor internamente, reduzem dependências externas e fortalecem a integração entre agricultura, energia e produção animal no Brasil”, conclui Cogo.

Advertisement

O post Nova commodity do agro? DDG se consolida como peça-chave da nova indústria do milho no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement

Business

Com acordo entre EUA e China, soja brasileira corre risco de perder espaço?

Published

on


Reprodução Soja Brasil

O mercado internacional da soja foi surpreendido no início da semana com o anúncio de um novo acordo entre China e Estados Unidos envolvendo a aquisição de produtos agrícolas americanos pelos chineses. A notícia provocou forte reação na Bolsa de Chicago, onde os contratos futuros da oleaginosa dispararam na segunda-feira, encerrando o dia na máxima de US$ 12,13 por bushel. O movimento também aqueceu as negociações nas principais praças de comercialização do Brasil.

Segundo a Casa Branca, a China se comprometeu a comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos entre 2026 e 2028. O compromisso foi firmado durante reuniões realizadas entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na semana passada, em Pequim.

O governo americano ressaltou que os valores anunciados não incluem os acordos anteriores relacionados à soja, firmados em outubro de 2025. O anúncio ocorre após a forte retração das exportações agrícolas americanas para a China, consequência direta da escalada tarifária entre os dois países no ano passado.

Para o analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o mercado segue atento aos desdobramentos da relação comercial entre China e Estados Unidos, especialmente após o novo entendimento entre as duas potências.

Segundo ele, até o momento, a presença chinesa na soja norte-americana ainda é considerada tímida, limitada basicamente ao cumprimento do acordo envolvendo cerca de 12 milhões de toneladas. “Ainda existe a expectativa de que a China adquira aproximadamente 25 milhões de toneladas da safra nova americana, movimento considerado normal dentro da sazonalidade do mercado, já que tradicionalmente os chineses intensificam as compras nos Estados Unidos a partir de outubro, período em que a oferta por lá ganha maior liquidez e competitividade”, explica o consultor.

Advertisement

Brasil segue como protagonista

Enquanto isso, o Brasil continua ocupando posição estratégica no comércio global da oleaginosa. De acordo com Silveira, o país mantém uma janela extremamente robusta de exportações, registrando volumes recordes de embarques no período.

“A China continua demonstrando firmeza na demanda por grandes volumes de soja brasileira, enquanto o país ainda sustenta um diferencial competitivo importante de preços, principalmente no curto prazo”, afirma o analista.

Ele destaca ainda que esse cenário está diretamente ligado aos prêmios praticados no mercado, reflexo do forte escoamento da safra e de um quadro confortável de oferta interna.

Apesar da reação positiva inicial em Chicago, o mercado passou a moderar os ganhos ao longo da semana diante dos fundamentos de oferta. Até a manhã de sexta-feira (22), o contrato julho, o mais negociado, acumulava valorização de 1,9%, sendo cotado próximo de US$ 11,99 por bushel.

A pressão sobre os preços veio principalmente das boas condições das lavouras nos Estados Unidos e da elevada oferta global, reforçada pela entrada de uma safra sul-americana acima das expectativas.

Advertisement

O post Com acordo entre EUA e China, soja brasileira corre risco de perder espaço? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Inteligência artificial no agro: alunos do interior de SP vencem prêmio mundial de robótica agrícola

Published

on


Foto: divulgação

A agricultura de precisão brasileira acaba de conquistar reconhecimento internacional. Alunos da Fatec Pompeia “Shunji Nishimura”, no interior de São Paulo, venceram o Farm Robotics Challenge 2026, na categoria Excellence in Artificial Intelligence (AI), uma das mais importantes competições globais voltadas à robótica e inteligência artificial aplicadas ao agro.

A disputa reuniu equipes universitárias de 13 países e cinco continentes. Entre os concorrentes estavam instituições de destaque mundial, como Carnegie Mellon University, Cornell University e universidades do sistema University of California.

Promovido pela UCANR Innovate, braço de inovação da Universidade da Califórnia para Agricultura e Recursos Naturais, o desafio é considerado uma das principais vitrines globais para tecnologias agrícolas ligadas à robótica, sensores e inteligência artificial.

Armadilha inteligente usa IA para identificar pragas

Batizada de V.A.R.D. (Agricultural Vigilance to Digital Response ou vigilância agrícola para resposta digital), a solução brasileira desenvolveu uma armadilha inteligente capaz de identificar e contabilizar insetos automaticamente em lavouras de algodão. O foco está em pragas como tripes e mosca-branca, que causam prejuízos significativos à cotonicultura.

O sistema utiliza câmeras de alta resolução, análise de imagens por inteligência artificial e iscas adesivas para monitorar os insetos em tempo real. A estrutura é alimentada por energia solar e integrada a um aplicativo móvel, permitindo que o produtor receba dados instantaneamente no campo.

Advertisement

Além da contagem automatizada, a plataforma gera indicadores técnicos usados no manejo integrado de pragas, como o nível de controle (NC) e o nível de dano econômico (NDE). Esses parâmetros ajudam o produtor a decidir quando aplicar defensivos agrícolas, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência operacional.

Redução de custos e maior sustentabilidade

Segundo os organizadores da competição, os projetos foram avaliados com base em critérios como inovação, segurança, viabilidade comercial, precisão técnica e impacto social.

A expectativa é que a tecnologia desenvolvida pelos estudantes contribua para diminuir o uso de químicos nas lavouras, melhorar a janela de aplicação e reduzir custos de produção, além de ampliar a sustentabilidade da atividade agrícola.

A solução integra um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), liderado pelo pesquisador Mario Sato, do Instituto Biológico de São Paulo.

Interior paulista ganha projeção global

A equipe vencedora é formada por estudantes dos cursos de Tecnologia em Sistemas Inteligentes, Mecanização em Agricultura de Precisão e Big Data no Agronegócio. A combinação entre diferentes áreas foi apontada como um dos diferenciais do projeto.

Advertisement

Para a diretora da Fatec Pompeia, Marisa Renaud Faulin, a conquista representa o reconhecimento internacional da capacidade brasileira de desenvolver inovação aplicada ao campo.

Segundo ela, o prêmio comprova que os estudantes da instituição conseguem competir em alto nível com algumas das universidades mais influentes do mundo nas áreas de robótica e inteligência artificial agrícola.

O post Inteligência artificial no agro: alunos do interior de SP vencem prêmio mundial de robótica agrícola apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Embrapa lança unidade de pesquisa e inovação no sudoeste da Bahia

Published

on


A pedra fundamental da nova Unidade Mista de Pesquisa e Inovação do Sudoeste Baiano foi lançada neste sábado (23), em Jequié (BA), com participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A estrutura será implantada em parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Governo da Bahia e outras instituições. A proposta é ampliar a pesquisa aplicada e a inovação para a agropecuária regional.

Segundo as informações divulgadas na cerimônia, a unidade terá foco em projetos científicos e tecnológicos voltados à agricultura familiar e empresarial, além de ações de transferência de tecnologia. O objetivo é atender cadeias produtivas com presença relevante no sudoeste baiano, como mandioca, pecuária de corte, leite e agroindústria.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirmou que a atuação deverá ocorrer em parceria com universidades, institutos federais e instituições locais. Ela citou potencial de trabalho em fruticultura, com manga, banana e maracujá, além de mandioca, feijão, pesca, piscicultura, avicultura e caprinocultura.

Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural

Advertisement

Durante o evento, André de Paula destacou o papel da pesquisa agropecuária na expansão da produção brasileira e mencionou investimentos federais na Embrapa. De acordo com o ministro, a empresa recebeu cerca de R$ 1 bilhão por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O conteúdo divulgado, no entanto, não informou o valor específico destinado à unidade de Jequié, nem o cronograma de obras e início das operações.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, disse que a nova estrutura também poderá apoiar o avanço da piscicultura e da produção de alevinos na região. A presença de diferentes cadeias produtivas no sudoeste baiano amplia o escopo técnico da unidade e pode favorecer a difusão de soluções adaptadas às condições locais de produção.

Do ponto de vista técnico, a nova unidade tende a ampliar a base regional de pesquisa, inovação e assistência ao produtor, mas os efeitos práticos dependerão da definição de orçamento, cronograma, linhas de pesquisa e modelo de transferência de tecnologia. Esses detalhes não foram informados no anúncio oficial.

Fonte: gov.br

O post Embrapa lança unidade de pesquisa e inovação no sudoeste da Bahia apareceu primeiro em Canal Rural.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT