Sustentabilidade
Associação entre herbicidas maximiza o controle químico do capim-pé-de-galinha na pós-emergência do milho – MAIS SOJA

O controle de espécies daninhas de folha estreita é um dos principais desafios enfrentados no manejo da cultura do milho. Além de apresentar similaridade com a cultura, algumas gramíneas apresentam elevado potencial competitivo, rápido crescimento e desenvolvimento, além de resistência a determinados herbicidas seletivos.
Uma dessas daninhas é o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), espécie com ampla distribuição no território nacional, que infesta culturas agrícolas como soja e milho, capaz de causar perdas de produtividade por matocompetição de até 80% (HRAC-BR, 2022).
Tendo em vista o impacto econômico que essa planta daninha pode causar no milho, o controle eficiente do capim-pé-de-galinha é crucial para a manutenção do potencial produtivo da cultura. Sobretudo, além de pertencer a mesma família do milho (Poaceae), a espécie apresenta resistência a determinados herbicidas pós-emergentes, o que dificulta ainda mais o controle efetivo dessa planta daninha.
Atualmente, há relatos de populações do capim-pé-de-galinha com resistência aos herbicidas cialofop-butil, fenoxaprop-etil e setoxidim (ACCase -2003), ao glifosato (EPSPs – 2016) e aos herbicidas fenoxaprop-etil, glifosato e haloxifop-metil (ACCase, EPSPs – 2017) (Heap, 2026).
Em regiões em que populações resistentes são predominantes, as opções de controle do capim-pé-de-galinha da pós-emergência são limitadas. No entanto, em casos em que as populações ainda não expressam resistência, tem-se uma maior amplitude de produtos para o manejo químico do pé-de-galinha no milho.
Ao avaliar o controle químico do capim-pé-de-galinha na pós-emergência da cultura do milho, Pengo et al. (2025) observaram que herbicidas como glufosinato de amônio, terbutilazina, tembotriona e até mesmo o glifosato, têm possibilitado um bom controle do capim-pé-de-galinha, desde que posicionados adequadamente com base no biotecnologia do híbrido, período de controle, dose e estádio da planta daninha. Em contraste, herbicidas usualmente comuns no milho como atrazina e nicossulfurom apresentam baixa eficiência em relação aos demais (figura 1).
Figura 1. Controle do capim-pé-de-galinha em pós-emergência da cultura do milho.

Vale destacar que a eficiência desses herbicidas pode variar de acordo com a resistência das populações do capim-pé-de-galinha a herbicidas, especialmente se tratando do glifosato. Além disso, os resultados observados por Pengo et al. (2025) demonstram que a associação entre herbicidas tende a potencializar o controle do capim-pé-de-galinha, ultrapassando 99% de controle como observado para tembotriona + atrazina e atrazina + mesotriona, sendo, portanto, interessantes alternativas para o controle de áreas altamente infestadas.
Figura 2. Pós-emergentes na cultura do Milho para o controle do capim-pé-de-galinha aos 28 dias após a aplicação.

Embora os resultados observados por Pengo et al. (2025) auxiliem no posicionamento de herbicidas no milho, vale destacar que não constituem recomendações de manejo, sendo necessário para tanto, seguir as orientações técnicas para a cultura. Confira o conteúdo completo do estudo desenvolvimento por Pengo e colaboradores (2025) clicando aqui!
Referências:
HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2026. Disponível em: < https://www.weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 30/03/2026.
HRAC-BR. CAPIM-PÉ-DE-GALINHA: SAIBA MAIS SOBRE ESSA PLANTA DANINHA. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2022. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/capim-p%C3%A9-de-galinha-saiba-mais-sobre-essa-planta-daninha >, acesso em: 30/03/2026.
PENGO, R. et al. CONTROLE DO CAPIM-PÉ-DE-GALINHA EM PÓS-EMERGÊNCIA DA CULTURA DO MILHO. Fundação De Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Rio Verde, 2025. Disponível em: < https://www.fundacaorioverde.com.br/wp-content/uploads/2025/07/4-Controle-do-capim-pe-de-galinha-em-pos-emergencia-da-cultura-do-milho.pdf >, acesso em: 30/03/2026.

Sustentabilidade
Soja mantém protagonismo nas exportações de MS – MAIS SOJA

A soja manteve a liderança entre os produtos exportados por Mato Grosso do Sul em julho de 2026. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, com dados do ComexStat, soja e resíduos representaram 35,6% da pauta de exportações do Estado no sétimo mês do ano. Na sequência aparecem celulose, com 30,6%, e carne bovina, com 15,5%.
O desempenho contribuiu para o resultado positivo da balança comercial sul-mato-grossense, que encerrou julho com saldo de US$ 1,084 bilhão. As exportações somaram US$ 1,264 bilhão, enquanto as importações totalizaram US$ 180 milhões.
Outro destaque foi o óleo de soja, que aparece entre os principais produtos comercializados pelo Estado.
“A participação da soja confirma a força da cadeia produtiva sul-mato-grossense no comércio exterior, mas o avanço de itens processados também merece atenção. É um movimento que amplia as possibilidades de geração de valor dentro do próprio Estado”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
Nas importações, o gás natural permaneceu na primeira colocação, respondendo por 39,3% do total. O cobre ficou em segundo lugar, seguido por equipamentos elétricos. A via férrea, que representou 3,6% das importações, apareceu na quinta posição.
A presença da via férrea entre os principais itens importados, segundo a análise do boletim, está relacionada à execução do projeto de curta extensão do ramal ferroviário de Inocência.
O resultado da balança comercial reforça, ainda, a diferença entre os fluxos de comércio registrados no mês: o valor exportado foi aproximadamente sete vezes superior ao importado.
Para Linneu, acompanhar a composição desses fluxos é importante para compreender não apenas o resultado mensal, mas também os movimentos estruturais da economia estadual.
“Os dados permitem enxergar onde estão os principais vetores de geração de divisas e quais setores vêm ganhando espaço na composição do comércio exterior. Essa leitura é importante para orientar decisões e avaliar os efeitos dos investimentos produtivos e logísticos no Estado”, conclui.
O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Trigo: Monitoramento da lavoura ajuda no controle de doenças – MAIS SOJA

O clima úmido, com baixa luminosidade e temperaturas amenas, pode favorecer a presença de fungos nas lavouras de cereais de inverno. Para reduzir o impacto, a Embrapa Trigo recomenda algumas estratégias de manejo das lavouras.
De acordo com a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a ocorrência ou mesmo a intensidade das doenças depende da resistência ou suscetibilidade da cultivar escolhida e das condições climáticas em cada fase de desenvolvimento da cultura. Por isso, o monitoramento das lavouras permite fazer o melhor controle das doenças fúngicas como manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela, especialmente em anos de El Niño.
“Após dias consecutivos de chuva as manchas foliares exigem maior atenção do produtor na fase inicial do trigo, já que estas doenças evoluem muito rápido e, caso não controladas, certamente vão impactar no rendimento final da lavoura”, diz Cheila. Ela explica que as plantas precisam de tecido verde para garantir a produtividade, mas como os fungos causam lesões nas folhas, tendem a comprometer a área de fotossíntese.
Outro risco para a produção de grãos de inverno em anos de El Niño é a giberela, já que chuva em dias consecutivos e temperatura entre 24 e 30ºC potencializam a ocorrência de epidemias. O fungo causador da giberela pode atacar as espigas a partir do espigamento até a fase final de enchimento de grãos, ocasionando perdas de até 25% no rendimento, além do potencial de contaminação dos grãos por micotoxinas, que prejudicam a saúde humana e animal.
“Sempre orientamos o produtor a monitorar a lavoura para fazer o manejo de doenças em trigo, mas no caso da giberela a recomendação é monitorar as previsões climáticas para fazer o controle preventivo e evitar que o fungo chegue à espiga”, explica Cheila Sbalcheiro, destacando que, para o melhor controle da doença, é preciso fazer a proteção antecipada da espiga: “Por exemplo, com previsão de chuva nas próximas 24h a 72h, a orientação é aplicar o fungicida antes da chuva e repetir a operação após 7 a 10 dias se houver nova previsão de chuva”.
Adubação assertiva
A adubação nitrogenada pode ajudar na sanidade da lavoura, evitando que a planta fique debilitada, com pouca energia para reagir a entrada de vírus, fungos e bactérias que podem causar doenças.
Em anos de El Niño, para o melhor aproveitamento da adubação nitrogenada, considerando possíveis perdas causadas pelo excesso de chuva, a estratégia indicada pela pesquisa é parcelar as aplicações de N em três momentos: na semeadura; entre duas folhas e o início do perfilhamento; e na fase reprodutiva (entre o perfilhamento e o início do alongamento).
Em teoria, o ideal é que, antes ou após a aplicação do nitrogênio em cobertura, ocorra uma chuva de 5 a 10 milímetros. Mas como isso nem sempre é possível, o produtor deve observar as condições climáticas para definir o momento da aplicação, dando preferência aos dias ensolarados com grande disponibilidade de radiação.
Em caso de volumes elevados de chuva após a aplicação de N, ocasionando lixiviação ou escoamento superficial no talhão, o produtor deve fazer a compensação da dose na próxima aplicação.
Fonte: Embrapa
Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Ceema/Soja: USDA eleva estimativas de oferta, demanda chinesa oscila e STF valida moratória – MAIS SOJA

A cotação da soja, para o primeiro mês cotado, voltou a recuar em parte da semana, chegando a US$ 11,47/bushel no dia 11/08. Já a partir do dia 12/08, após o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, o mercado subiu. Com isso, o fechamento desta quinta-feira (13) ficou em US$ 11,68/bushel, contra US$ 11,57 uma semana antes.
O relatório do USDA foi até baixista para o mercado, pois aumentou mais um pouco a estimativa de colheita nos EUA, colocando a mesma em 123 milhões de toneladas, contra 121,8 milhões em julho. Ou seja, o clima quente e seco de julho não teria provocado quebras na safra estadunidense. Os estoques finais nos EUA, para o ano 2026/27, subiram um pouco, chegando a 8,7 milhões de toneladas estimadas. Por sua vez, a produção mundial aumentou para 442,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais ficariam em 124,2 milhões de toneladas.
A demanda por importação, por parte da China, foi mantida em 115 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira e argentina foi mantida em 186 milhões e 50 milhões de toneladas respectivamente. Assim, o preço médio aos produtores estadunidenses de soja ficou mantido em US$ 11,40/bushel para o novo ano comercial.
Por outro lado, no dia 09/08 as condições das lavouras de soja dos EUA haviam recuado para 62% entre boas a excelentes, contra 68% no mesmo período do ano passado. Apesar disso, a formação de vagens chegava a 74% da área semeada, contra a média de 69%. Isso significa que o desenvolvimento das lavouras, neste ano, está mais adiantado.
Enquanto isso, as exportações de soja, por parte dos EUA, chegaram a 399.000 toneladas na semana encerrada em 06/08, fato que levou o acumulado do atual ano comercial a 39,8 milhões de toneladas, representando 18% abaixo do volume exportado no mesmo período do ano passado.
Pelo lado da demanda, a China registrou recuo de 1,6% nas suas importações de soja em julho, em relação ao mesmo mês do ano anterior, com o volume ficando em 11,48 milhões de toneladas (cf. Alfândega Chinesa). As compras recuaram devido a expectativa de menor demanda por ração, diante da diminuição do rebanho de matrizes suínas. Assim, entre janeiro e julho as compras chinesas de soja atingiram a 61,05 milhões de toneladas, registrando um aumento de apenas 0,7% sobre o mesmo período do ano anterior. Talvez este quadro melhore diante da retomada das compras de soja dos EUA. Nos primeiros seis meses do ano a China comprou apenas 9,31 milhões de toneladas do país norte-americano. O problema é que, diante da redução no consumo de ração, os estoques de farelo de soja estão se acumulando no país asiático.
Em tal contexto, a empresa estatal chinesa Sinograin teria vendido mais 516.000 toneladas de soja importada, em um terceiro leilão nas últimas semanas, visando liberar espaço nos estoques para a entrada da soja estadunidense, a qual está sendo comprada em função dos acordos comerciais entre EUA e China. Segundo os chinesas, a soja leiloada era originária das safras 2022 a 2024.
E no Brasil, os preços se mantiveram relativamente estáveis, embora o Real tenha sofrido uma desvalorização que o colocou em R$ 5,19 por dólar durante o pregão da quinta-feira (13) e os prêmios se mantenham ao redor de US$ 1,50/bushel para agosto. Assim, no Rio Grande do Sul as principais praças permaneceram em R$ 123,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os valores oscilaram entre R$ 122,00 e R$ 131,00/saco. Vale destacar que o valor FOB, nos portos, continuou entre R$ 145,00 e R$ 155,00/saco. Ou seja, os preços continuam próximos dos melhores níveis do ano, fato que leva a um avanço na comercialização da soja por parte dos produtores brasileiros.
Em Rio Grande, a soja 2026, “com entrega entre outubro e novembro, e pagamento em janeiro/27, esteve a R$ 151,50/saco. E se o pagamento for em 25 de maio, chega a R$ 157,00 por saco. Para a soja 2027, os indicativos variam de R$ 138,50 a R$ 144,00/tonelada, também a depender dos prazos de pagamento e entrega” (cf. Brandalizze Consulting). E
m condições iguais de câmbio e prêmio, o preço ao produtor de soja gaúcho, na próxima safra, a partir desta realidade no porto, tem indicativo de R$ 106,00 a R$ 110,00/saco. Enfim, o STF, nesta semana, reconheceu a legalidade da Moratória da Soja. Esta Moratória é um pacto voluntário, firmado em 2006, entre empresas exportadoras (tradings), indústrias e organizações civis, pelo qual estaria proibido a compra de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008, mesmo que o desmatamento ocorra dentro dos limites permitidos pelo Código Florestal.
O setor produtivo, diante disso, argumentava que o acordo restringe a produção legal autorizada pelo Código Florestal e gera prejuízos bilionários ao comércio, exigindo indenizações. Já os ambientalistas defendem que a iniciativa foi essencial para reduzir drasticamente o avanço do desmatamento na floresta amazônica ao impor uma barreira comercial. O STF entendeu que o setor privado tem autonomia para definir critérios comerciais e escolher de quem comprar.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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