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Milho recua com pressão da safrinha e cenário externo incerto

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Foto: Embrapa/Semeali Sementes

O mercado de milho registrou queda nas cotações ao longo da última semana, tanto no Brasil quanto no exterior. Na B3, o contrato com vencimento em maio de 2026 recuou para a faixa de R$ 72,00 por saca, refletindo o avanço da safrinha e o aumento da oferta interna, mesmo diante da valorização do dólar.

Plantio

No campo, o plantio da segunda safra ganhou ritmo no Centro-Sul, favorecido por uma trégua nas chuvas mais intensas. Apesar disso, parte das lavouras foi semeada fora da janela ideal, elevando os riscos climáticos para o desenvolvimento das plantas nas próximas semanas.

Segundo dados da plataforma Grainsights, da Grão Direto, o milho em Chicago apresentou leve queda de 0,21% na semana. Já no Brasil, o movimento foi mais intenso, com recuo de 4,38% na B3, encerrando a R$ 71,99 por saca. No mercado físico, também houve desvalorização, como em Lucas do Rio Verde (MT), onde os preços caíram 3,25%, para cerca de R$ 48,12 por saca.

O que vem por aí?

Para o curto prazo, o mercado segue atento ao relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31 de março. A expectativa é de redução da área de milho nos Estados Unidos, o que pode dar suporte aos preços no cenário global.

Por outro lado, o conflito no Oriente Médio traz preocupações relevantes. A região é importante fornecedora de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, e eventuais interrupções no fluxo podem elevar os custos de produção da próxima safra. Além disso, o Irã, um dos principais compradores do milho brasileiro, pode reduzir suas importações em caso de agravamento do cenário, o que pressionaria ainda mais os preços internos.

O clima também será determinante para a safrinha 2026. Com parte das lavouras fora da janela ideal, a dependência por chuvas regulares em abril aumenta, sendo fator decisivo para o potencial produtivo.

No campo macroeconômico, o dólar acima de R$ 5,30 ajuda a sustentar os preços em reais, mesmo com a pressão negativa nas bolsas. Ainda assim, a volatilidade deve permanecer elevada, exigindo atenção redobrada dos produtores à gestão de custos e às oportunidades de comercialização.

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Colheita de milho de verão avança no Centro-Sul e supera ritmo do ano passado, aponta consultoria

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Foto: Wenderson Araujo/CNA

A colheita da safra de verão 2025/26 de milho no Centro-Sul do Brasil alcançou 55,7% da área estimada até o dia 20 de março, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado. Os trabalhos avançam sobre uma área total de 3,608 milhões de hectares, mantendo ritmo superior ao registrado na média dos últimos anos.

O desempenho atual também supera o mesmo período da safra passada, quando 52,1% da área havia sido colhida, além de ficar acima da média de cinco anos, de 53,8%, indicando um andamento mais acelerado das atividades no campo.

Na análise por estados, o Sul lidera o ritmo de colheita. O Rio Grande do Sul apresenta 84,5% da área já colhida, seguido por Santa Catarina, com 78,2%, e Paraná, com 69,7%. Em São Paulo, os trabalhos atingem 52,5% da área cultivada.

No Centro-Oeste e Sudeste, o avanço ainda é mais moderado. Goiás e Distrito Federal registram 7,2% da área colhida, enquanto Minas Gerais chega a 20,3%. Em Mato Grosso, a colheita atinge 35,7%, embora sobre uma área menor. Já em Mato Grosso do Sul, os trabalhos ainda não haviam começado até a data do levantamento.

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Produção de milho 1ª safra deve crescer 38% em SP, aponta projeção

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Foto: Reprodução.

A produção de milho da primeira safra no estado de São Paulo deve alcançar 2,01 milhões de toneladas na safra 2025/26, aumento de 38% em relação ao ciclo anterior. Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

O crescimento é resultado da expansão da área plantada e do aumento da produtividade. A área destinada ao cultivo deve avançar 23,1%, enquanto a produtividade média está estimada em 7.469 kg por hectare, alta de 12,2%.

A produção está concentrada em regiões que respondem por 58,6% do volume total do estado.

Soja e café também avançam

A produção de soja deve atingir 4,57 milhões de toneladas, aumento de 11% na comparação anual. A produtividade está estimada em 3.663 kg por hectare.

As regiões de Itapeva, Assis e Ourinhos concentram 39,7% da produção estadual, com destaque para Itapeva, responsável por quase 19% do total.

A safra de café está estimada em 4,7 milhões de sacas de 60 kg. A área cultivada apresenta recuo de 0,9%, enquanto a produtividade deve crescer 5,7%.

A região de Franca responde por mais de 57% da produção estadual, seguida por São João da Boa Vista, com 23,6%.

Laranja registra queda de área

Na safra 2024/25, a produção de laranja foi de 268,7 milhões de caixas. A produtividade teve alta de 2,8%, enquanto a área cultivada recuou 9,5%.

O resultado está associado à incidência de greening, doença que afeta os pomares de citros, além de condições climáticas.

Cana-de-açúcar tem retração na produção

A produção de cana-de-açúcar destinada à indústria somou 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% em relação ao ciclo anterior. A área plantada recuou 4,8%, totalizando 5,5 milhões de hectares.

A produtividade foi de 78.057 kg por hectare, aumento de 0,5%. As regiões de São José do Rio Preto, Barretos e Ribeirão Preto concentram 22,2% da produção.

Os dados foram coletados entre novembro e dezembro de 2025, com participação de técnicos em 645 municípios paulistas. O levantamento considera os principais produtos do Valor da Produção Agropecuária do estado, com base em área, produção e produtividade.

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Ex-ministro Aldo Rebelo diz que Brasil tem autonomia, mas precisa cobrar reciprocidade

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Ex-ministro Aldo Rebelo, durante evento em São Paulo. Foto: Renato Medeiros

A inserção do Brasil no cenário internacional, sob a perspectiva do agronegócio, dominou os debates de um evento que reuniu autoridades e especialistas ao longo da manhã desta segunda-feira (23), em São Paulo.

Um dos painelistas do evento “A geopolítica do agronegócio”, o ex-ministro Aldo Rebelo afirmou, em entrevista ao Canal Rural, que o país reúne condições únicas para atuar com autonomia, mesmo em um ambiente globalizado.

Ao relacionar soberania e a inserção do Brasil no cenário internacional, Rebelo destacou três pilares principais: produção de alimentos, geração de energia e disponibilidade de recursos minerais estratégicos.

“O Brasil tem o mais importante, que é a capacidade de produzir alimentos e garantir sua própria segurança alimentar, além de contribuir com a segurança alimentar global”, afirmou. Ele também ressaltou a diversificação energética do país,

De acordo com o ex-ministro, o Brasil já possui autossuficiência em petróleo e uma matriz diversificada, mas ponderou que há potencial ainda não explorado. Para ele, áreas como a margem equatorial e novas fronteiras de exploração poderiam ampliar a oferta de energia.

“O Brasil tem, provavelmente, as fontes de energia mais diversificadas do mundo”, afirmou, ao citar também o avanço de fontes como eólica, solar e biomassa.

Além disso, ele apontou a relevância das reservas minerais. “Nenhum país tem a disponibilidade de minerais estratégicos que o Brasil possui”, declarou.

Dependência externa ainda é risco

Apesar das vantagens, Rebelo alertou para vulnerabilidades. Entre elas, a dependência de insumos importados e a falta de garantia sobre rotas comerciais seguras.

“O Brasil não tem garantia de insumos nem de rotas comerciais seguras”, afirmou, ao destacar a dependência externa, especialmente em fertilizantes, e a falta de estrutura para proteção das rotas de comércio.

Segundo ele, a ausência de estrutura de defesa compatível, especialmente no campo marítimo, limita a capacidade de proteção do comércio exterior brasileiro.

Relações internacionais e reciprocidade

Ao tratar das relações internacionais, Rebelo defendeu uma postura mais assertiva do Brasil, baseada na reciprocidade. Na prática, é a exigência de tratamento equivalente por parte dos parceiros comerciais.

“Parceiro estratégico não se alia a adversários dentro do próprio país”, disse, ao comentar a relação com a China, citando interlocuções com organizações que fazem críticas à agricultura brasileira.

Em relação aos Estados Unidos, ele apontou sinais de distanciamento diplomático. “Um país que quer ser parceiro não pode passar mais de um ano sem indicar embaixador”, afirmou, ao mencionar a ausência de um representante permanente no Brasil desde 2025.

Para Rebelo, situações como essas indicam desequilíbrios na relação e reforçam a necessidade de o país adotar uma postura mais firme. “O Brasil tem condições de cobrar reciprocidade nas relações internacionais”, concluiu.

Geopolítica na agenda do agronegócio

Outro ponto destacado no evento foi o papel da geopolítica no agronegócio, que ainda não é central na agenda do setor, mas que começa a aparecer aos poucos.

Painel “O Brasil na perspectiva internacional”, com o professor da FGV, Marcelo Coutinho, e o fundador da Datagro, Plinio Nastari

Segundo Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), há sinais de maior coesão entre as lideranças do agro, o que pode ampliar a capacidade de influência do setor. “Quanto mais coesa for a elite do agro, maior tende a ser sua influência no Estado”, afirmou.

O pesquisador também apontou uma tendência de alinhamento em torno de inovação, sustentabilidade e meio ambiente, temas que devem ganhar força nos próximos anos.

Já Plinio Nastari, fundador e presidente da consultoria Datagro, chamou atenção para entraves internos que ainda afetam a competitividade do agro brasileiro. “O setor é eficiente e estruturado, mas enfrenta uma burocracia que pesa e distorce a forma como o Brasil é avaliado lá fora”, disse.

Ele também ressaltou que parte das acusações externas, especialmente em temas trabalhistas e ambientais, precisa ser melhor enfrentada pelo país, com mais clareza na comunicação e defesa institucional.

Além disso, o painel indicou que assuntos estratégicos, como fertilizantes, ainda aparecem de forma intermitente no debate público, apesar da relevância para a segurança produtiva.

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