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16 de setembro de 2026

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Produtores de maçã atribuem ao Bolsa Família prejuízos com falta de mão de obra na colheita

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Foto: Divulgação Epagri

A produção brasileira de maçã deve ter um salto de aproximadamente 35% na safra 2025/26, com cerca de 1,15 milhão de toneladas. Ainda que a maior parte da fruta atenda o mercado interno, o setor projeta que as exportações mais do que quadrupliquem, com cerca de 60 mil toneladas. Porém, o que foi motivo de comemoração no início do ano, rapidamente se transformou em frustração.

Vídeos e depoimentos em redes sociais mostram produtores lamentando a quantidade de fruta se estragando no chão, resultado da falta de mão de obra para a colheita. Ainda que o problema tenha sido reportado com mais frequência na Serra Catarinense, a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) destaca que a situação acontece com mais recorrência a cada ano e aflige todas as regiões produtoras.

Segundo o diretor executivo da entidade, Moisés Lopes de Albuquerque, a falta de trabalhadores em número minimamente adequado faz com que parte da produção seja perdida, aumentando o custo dos produtores por unidade produzida e o preço do alimento para a sociedade.

De acordo com ele, a entidade já diagnosticou o motivo para a carência de pessoas nos pomares. “O maior problema que identificamos é o temor dos trabalhadores beneficiários de programas sociais do governo, como o Bolsa Família, de perderem o benefício [caso aceitem trabalho formal].”

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Por conta disso, a Associação defende que o governo federal permita que as famílias enquadradas nos programas mantenham o benefício mesmo se possuírem carteira assinada. “Dessa forma, muito deles ingressariam no mercado de trabalho, sem medo, para melhorar a renda e qualidade de vida de suas famílias, estimulando também o desenvolvimento econômico e social”, pontua Albuquerque.

Pagamento pela colheita

Produtor de maçã em Urubici, na região serrana de Santa Catarina, Mariozan Correa já iniciou a colheita e neste ano conta com menos trabalhadores do que o ideal para realizar a tarefa em sua fazenda, com 14 hectares dedicados à fruta.

“Nesta safra consegui contratar dez pessoas, sendo que o ideal seriam ao menos 12. Eu contrato por CLT, com carteira assinada, com todos os direitos assegurados e pago entre R$ 2.500 e R$ 3.000 mensais. Para trabalhadores de confiança, estendo o contrato além da colheita para que executem outros serviços necessários na fazenda”, relata.

Correa conta que, em seu caso, o problema da falta de mão de obra se agravou nos últimos três anos, atribuindo esse tipo de percalço, também, ao Bolsa Família e a outros benefícios sociais. “Costumava chamar pessoas do Maranhão, de Pernambuco e de outros estados para realizar a colheita, mas alguns já me disseram que não têm interesse porque recebem quase um salário mínimo por mês e não querem arriscar a perda desse dinheiro por um contrato de poucos meses.”

Por sorte, o produtor relata nunca ter perdido produção por conta da carência de trabalhadores na colheita, mas que conhece outros fruticultores da região que já sofreram esse prejuízo.

“Isso acontece especialmente quando se trata de maçã fuji porque ela precisa de mais intensidade na colheita, já que aguenta menos tempo que a maçã gala na árvore. Ela tem os mesmos tratos culturais e é plantada na mesma época, mas amadurece mais rápido. Já a maçã gala tem o ciclo mais longo e não sofre tanto com esse problema de falta de mão de obra”, detalha.

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Correa conta que ainda não investiu em plataformas de colheita para aumentar a produtividade do trabalho, mas que se o problema persistir nas próximas safras tende a adquirir os equipamentos.

Tecnologia na colheita de maçã

plataforma colheita de frutas
Foto: Divulgação LC Agrícola

O diretor executivo da ABPM afirma que o setor tem investido largamente em tecnologia para lidar com a carência de trabalhadores, como sistemas modernos de condução de pomares e plataformas de colheita que melhoram a produtividade no campo, além de aportes na área industrial, com equipamentos de última geração.

“Contudo, ainda assim, a realidade de falta de mão de obra nos afeta muito. É importante dizer que ainda não existe no mundo uma tecnologia que permita substituir em escala industrial a mão humana para realizar a coleta dos frutos a campo”, contextualiza.

O executivo salienta que o setor da maçã oferece vagas de trabalho com carteira assinada, com todos os direitos previstos na legislação trabalhista. “Além da remuneração, os produtores investem na qualificação, no acolhimento e bem-estar dos trabalhadores, proporcionando treinamento técnico, equipamentos de proteção, assistência médica, alimentação com acompanhamento de nutricionista, transporte e alojamentos que atendem rigorosamente às normas regulamentadoras do trabalho”, assegura.

Para Albuquerque, a carência de mão de obra enfrentada pelos produtores se estende para além dos pomares, já que se trata de uma cadeia produtiva integrada. “A redução da atividade implica em menor demanda por insumos e serviços, afetando o comércio, os prestadores e parte da rede de fornecedores. Como consequência, há reflexos sobre os empregos indiretos gerados ao longo da cadeia, ampliando os efeitos econômicos negativos para além do setor da maçã”, conclui.

A reportagem procurou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para verificar a existência de discussões a respeito da concessão de benefícios sociais a trabalhadores com carteira assinada, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para a manifestação.

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É nesta quinta! A Abertura Nacional do Plantio da Soja 26/27 vem aí; saiba como assistir ao vivo

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Imagem gerada por IA

Está chegando a hora! É amanhã, 17 de setembro, que acontece a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. A partir das 9h, pelo horário de Brasília, você poderá acompanhar ao vivo pelo Canal Rural e pelo YouTube tudo o que acontece na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (MT).

Ao longo da programação, os participantes vão acompanhar debates sobre os principais assuntos que devem movimentar o setor durante o novo ciclo. Entre os destaques está a discussão sobre a verticalização da soja na produção de alimentos e energia.

Além de marcar oficialmente a largada da safra 2026/27, a Abertura Nacional terá um significado especial neste ano. O evento também dará início às comemorações dos 15 anos do Projeto Soja Brasil, iniciativa que acompanha de perto as transformações, os desafios e os avanços da produção de soja no país.

Falta pouco! Amanhã, acompanhe a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 pelo Canal Rural e pelo YouTube.

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Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado

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Foto: Paulo Lanzetta

O primeiro leilão de compra de arroz para formação de estoques públicos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16) não obteve o sucesso esperado.

A expectativa do governo era adquirir até 127,3 mil toneladas do cereal a granel da safra 2025/26, classe longo-fino em casca, Tipo 1, a fim de mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno climático El Niño e, assim, assegurar o abastecimento no país.

No entanto, o pregão eletrônico realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade (Siscoe), resultou na compra de apenas 4,05 mil toneladas, ou 5,1% do total ofertado.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Evandro Oliveira, o leilão ocorreu em um momento inoportuno, sem qualquer pedido de ajuda por parte dos produtores, e ofereceu preços pouco atrativos, até mesmo abaixo das referências do mercado físico, dependendo da região.

De acordo com ele, já se esperava baixa adesão diante dos preços máximos oferecidos pelo leilão, entre R$ 80 a R$ 82 reais por saca, valores semelhantes aos praticados hoje no mercado físico. “Então, os preços não foram suficientemente atrativos para movimentar volumes significativos nesse leilão”, pontuou.

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No Rio Grande do Sul, nas praças de produção e comercialização de Pelotas e ainda no litoral, o arroz está sendo negociado na faixa de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca, chegando a R$ 90 no porto.

“Logo, os valores oferecidos pelo leilão ficaram bem abaixo do necessário para atrair uma demanda significativa, o que explica o fracasso da operação”, salientou o analista.

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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

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Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.

A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.

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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.

O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.

Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).

O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.

Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.

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Fonte: gov.br

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