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Por que o leite de jumenta é a nova aposta comercial do agro brasileiro

Rico em nutrientes e com baixo teor de gordura, o leite de jumenta ainda é pouco conhecido do público geral. Contudo, o produto reúne benefícios reconhecidos há séculos. Uma das histórias mais famosas é de que Cleópatra, rainha do Egito, se banhava nele para manter a juventude.
O leite de jumenta também é conhecido por sua composição nutricional próxima ao leite humano. Isso porque ele possui baixo teor de caseína, a principal proteína associada a alergias ao leite de vaca. Além disso, seu baixo percentual de gordura contribui para uma digestão mais fácil.
Nesse contexto, pesquisadores da área avançam em projetos voltados para a produção de leite de jumentas e outros produtos. É o caso de Gustavo Ferrer Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).
Em janeiro deste ano, os dois estiveram na China para um intercâmbio tecnológico na criação de jumentas, onde tiveram a oportunidade de apresentar resultados alcançados com pesquisas em reprodução equídea e manejo produtivo. Eles também visitaram fazendas dedicadas à cria, recria e engorda de asininos.

Leite de jumenta X Leite de vaca
Embora seja uma alternativa hipoalergênica e de alta digestibilidade, Lucena explica que o leite de jumenta não pode ser comparado ao de vaca, tanto do ponto de vista de produção quanto econômico. Segundo o professor de veterinária da UFAPE, a quantidade de leite produzido por animal é um dos principais fatores de diferenciação.
Enquanto uma vaca produz, em média, até 40 litros de leite por dia, dependendo da raça, cada jumenta é capaz de produzir apenas de 0,2 a 0,3 litros de leite diariamente. Mas não é só isso.
“Pela menor quantidade produzida por animal e por essas características bioativas, o leite de jumenta tem um preço de mercado mundial que varia”, diz. Lucena afirma que os preços podem ficar entre 30 e 50 euros o litro, conforme a oferta e a procura. Diante desse potencial, o produto é apelidado de ‘ouro branco’.
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Potencial na fabricação de medicamentos
Além de contribuir com a alimentação, o leite de jumenta também desperta interesse da indústria farmacêutica. Um dos principais motivos é a presença de compostos bioativos, como a lisozima, que é uma enzima com ação antimicrobiana natural e que se encontra em grande parte dos mamíferos.
Uma curiosidade é que em seres humanos, a lisozima se concentra nas lágrimas. “Ferimentos nos olhos cicatrizam mais rápido do que em outros tecidos, justamente em função dessa concentração”, diz Lucena.
De acordo com com ele, a lisozima age na destruição da parede celular de bactérias, funcionando como uma espécie de proteção natural. Essa característica, segundo o pesquisador, tem chamado a atenção diante do avanço da resistência antimicrobiana no mundo.
Com isso, os pesquisadores desenvolvem estudos para utilização do leite de jumenta na produção de diluentes de sêmen equino livres de antibióticos. A proposta é reduzir o uso desses medicamentos em biotecnologias reprodutivas, justamente para minimizar os riscos relacionados à resistência bacteriana.
“Estamos desenvolvendo um diluente de sêmen equino sem antibiótico, utilizando o leite de jumenta como alternativa”, explica Gustavo Carneiro. O pesquisador da UFRPE atua na área reprodução e multiplicação genética de asininos.
Segundo os pesquisadores, além da lisozima, outras proteínas presentes no leite também apresentam potencial de aplicação na área farmacêutica.
Tripé: leite, carne e indústria farmacêutica
O potencial do leite de jumenta e da produção de asininos não se resume somente às características nutricionais e na fabricação de medicamentos.
“Eu não vejo o leite de jumenta como um produto de uma única fonte econômica. Ele faz parte de um grande complexo, que eu chamo de indústria do jumento”, diz o professor Jorge Lucena. Ele explica que o setor forma um tripé, com produção de leite, produtos farmacêuticos e carne.
Carneiro, por sua vez, chama a atenção para o interesse do mercado na produção de híbridos, como mulas — quando há o cruzamento entre jumentos e éguas — e bardotos, frutos da junção de garanhão e jumenta. Nesse contexto, ele reafirma a importância de tecnologias de reprodução.
“Acreditamos que, somando leite, carne e biotecnologia, a cultura do jumento pode evoluir no Brasil”, afirma.
O que o Brasil pode aprender com a China e vice-versa
Durante a missão técnica na China, os professores observaram que o país já conta com uma cadeia estruturada de produção de leite asinino, com sistemas que variam entre propriedades totalmente estabuladas e fazendas com manejo mais próximo ao modelo brasileiro.
Apesar da produção em escala, os chineses ainda concentram o consumo no leite pasteurizado in natura, com menor diversificação de derivados.
Esse cenário abriu espaço para troca de experiências. Segundo Lucena, houve interesse por parte dos chineses nas pesquisas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de subprodutos, como queijos, iogurtes e doces à base de leite de jumenta.
“O Brasil tem avançado na agregação de valor, principalmente dentro das universidades, onde conseguimos testar diferentes formulações”, afirma.
Para os pesquisadores, o fortalecimento da cadeia no Brasil passa justamente pela organização produtiva e pela diversificação de produtos, permitindo que o leite de jumenta atenda diferentes nichos, da alimentação especializada à indústria farmacêutica.
Eles destacam ainda que o país possui um dos maiores rebanhos de asininos do mundo, o que representa vantagem competitiva caso a cadeia seja estruturada. Para Carneiro, a produção brasileira não está tão distante da chinesa.
“O jumento nordestino é rústico, produz volume semelhante e, por ser menor e demandar menos alimento, permite um leite com custo mais competitivo”, finaliza.
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Nova unidade de produção de sementes quer dobrar produtividade da cana até 2040

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou nesta quinta-feira (16) a Primeira Unidade de Produção de Sementes (UPS), em Piracicaba, interior de São Paulo.
A construção, as tecnologias aplicadas e o empreendimento contaram com investimento superior a R$ 100 milhões, em parceria estratégica com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Desenvolvida ao longo de 15 meses, a estrutura possui 10 mil m² e capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano operando em um turno, com potencial de expansão.
A nova unidade viabiliza a aplicação, em escala, da tecnologia de sementes sintéticas, inovação que substitui o plantio tradicional por um sistema mais leve, padronizado e de alta precisão.
O CEO do CTC, Cesar Barros, ressalta que a inauguração representa a evolução para uma nova fase de desenvolvimento científico de validação de processos em escala no campo, materializando uma nova etapa para o setor.
“Hoje marca o início de uma nova fase para o setor sucroenergético. A nossa Visão de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros se materializa ainda mais com resultados concretos no campo, a partir de agora.”
Mais produtividade na cana, mesma área
A iniciativa integra a Visão 2040 da companhia, que estabelece como compromisso dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros sem expansão de área por meio de tecnologias disruptivas que contribuam para a transição energética e a redução das emissões de carbono.
Nesse contexto, o CTC foca em melhoramento genético, biotecnologia, ciência de dados e sementes sintéticas.
“O melhoramento genético cria o potencial produtivo, a biotecnologia protege esse potencial, a ciência de dados transforma esse potencial em resultado no campo, e as sementes sintéticas conectam e ativam todo o sistema. É essa integração que vai sustentar um novo patamar de produtividade para o setor”, afirma o CEO.
O executivo detalha que a nova tecnologia é desenvolvida pela companhia desde 2013, envolvendo uma equipe de 150 especialistas, com investimento estimado, até o lançamento comercial, de R$ 1 bilhão.
Ganhos para o setor
A introdução das sementes sintéticas promove uma mudança estrutural no sistema produtivo da cana-de-açúcar. O volume de material necessário para o plantio de um hectare é reduzido de cerca de 16 toneladas de cana para aproximadamente 400 kg de sementes, com impacto direto na eficiência logística e operacional.
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Outro impacto relevante é a eliminação dos viveiros, liberando até 5% da área agrícola atualmente destinada à produção de mudas, o equivalente a cerca de 500 mil hectares.
Além disso, o novo sistema reduz o risco de disseminação de pragas e doenças, melhora a uniformidade dos plantios e acelera a adoção de novas variedades, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade.
Do ponto de vista ambiental, a tecnologia diminui o consumo de diesel, reduz a compactação do solo e contribui para a redução da pegada de carbono da produção.
“Ao transformar o modelo de plantio, estamos abrindo caminho para uma nova lógica de produção agrícola no Brasil. Isso amplia a competitividade do setor, fortalece a posição do país em bioenergia e mostra como inovação pode gerar impacto econômico e ambiental ao mesmo tempo”, afirma o CEO.
Segundo ele, ao elevar a eficiência e a produtividade, a inovação fortalece a competitividade do setor sucroenergético, amplia a produção de energia renovável e reforça o papel do Brasil como líder global em bioenergia e inovação agrícola, com potencial de exportação de tecnologia para países tropicais.
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Brasil começará a exportar 11 tipos de frutas para Arábia Saudita, El Salvador e Azerbaijão

O Brasil concluiu negociações para iniciar a exportação de produtos do agro para Arábia Saudita, El Salvador, Jordânia, Azerbaijão e Etiópia.
De acordo com anúncio desta quinta-feira (16) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), serão vendidos para a Arábia Saudita nove produtos da fruticultura nacional: abacate, atemoia, goiaba, carambola, citros, gengibre, mamão, maracujá e melancia.
O país é um dos principais mercados para o agronegócio brasileiro no Oriente Médio. Em 2025, foram vendidos para lá mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários.
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Já em El Salvador, as autoridades locais aprovaram a exportação de maçã e, no Azerbaijão, foi autorizada a venda de uvas. Segundo o sistema Agrostat, em 2025, o Brasil embarcou cerca de US$ 103 milhõs para a nação da América Central e US$ 24 milhões para o país localizado entre a Europa e a Ásia.
Na Jordânia, o aval é para a exportação de feno. No ano passado, o país importou quase US$ 500 milhões em produtos agropecuários brasileiros. Na Etiópia, por fim, foi autorizada a venda de sementes de forrageiras das espécies Brachiaria spp., Panicum spp. e Setaria spp.
Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 591 aberturas de mercado desde o início de 2023.
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Calor extremo no mar provoca perdas de até 90% na safra de ostras

O estado de Santa Catarina, responsável por cerca de 97% da produção nacional de moluscos, enfrenta uma crise na ostreicultura. Produtores relatam perdas de até 90% da safra de ostras após a temperatura da água do mar atingir níveis críticos durante o verão, comprometendo a produção, a renda das famílias e o futuro da atividade no estado.
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A produção catarinense de ostras está concentrada principalmente na região da Florianópolis, nas baías Norte e Sul da ilha, movimentando mais de R$ 8 milhões por ano e sustentando centenas de famílias. No entanto, o aumento acentuado da temperatura da água – que chegou a 34°C – provocou alta mortalidade dos animais, especialmente da espécie Crassostrea gigas, cultivada na região e mais adaptada a águas frias.
“Essa espécie não resiste a essa temperatura. Nós tivemos uma mortalidade de 90% das nossas ostras. Todos os produtores tivermos essa mortalidade, alguns um pouquinho mais, 92%, 93%, mas a gente estimou 90% de perda”, destaca o presidente da Federação das Empresas de Aquicultura de Santa Catarina (Feasc), Vinicius Marcus Ramos.
Redução na oferta
Onde antes eram comercializadas cerca de mil dúzias por dia, agora restam apenas pequenas quantidades, insuficientes para manter o ritmo das vendas.
“Estamos sem ostras para comercializar, apenas algumas poucas dúzias que sobreviveram. Então, a gente está trabalhando todos os dias para retirar uma ou outra ostra viva do meio daquela montanheira de conchas para que no final da semana a gente tenha 10 a 20 dúzias para vender, que o normal era ser vendida a 1000 dúzias por dia”, relata Ramos.
Impactos na produção
O engenheiro de aquicultura, Lincoln Venâncio, que trabalha com o pai em uma fazenda com cerca de 30 anos de produção de ostras e mexilhões, relata uma mudança drástica na atividade.
Nos últimos anos, a propriedade produzia cerca de 2 milhões de sementes de ostras, com média anual de até 70 mil dúzias. Agora, porém, a realidade é de forte retração, com perdas severas causadas pelo aumento da temperatura da água.
“Fica difícil conseguir o dinheiro para adquirir novas sementes para o plantio desse ano, para a safra 2026/2027, porque acaba não tendo rendimento. Praticamente, o que teve de venda foi para pagar só a semente do ano passado” relata Venâncio.
Antecipação de linhas de crédito
Para tentar amenizar os impactos, o governo do estado antecipou linhas de crédito para o setor, com condições facilitadas e prazo para pagamento, mas na prática os produtores têm evitado recorrer ao financiamento.
Apesar da antecipação de linhas de crédito pelo governo estadual, muitos produtores evitam assumir financiamentos diante da insegurança sobre a recuperação da atividade.
“As sementes que nós estamos botando agora para acolher na safra 2026/2027 já tão começando a morrer também. O número está chegando a 50% ou mais, alguns produtores já relatam que passou 50%. Não adianta a gente pegar um empréstimo sendo que não vai ter garantia que vai conseguir pagar”, conta Venâncio.
Medidas
Diante do cenário, o governo de Santa Catarina e instituições de pesquisa trabalham em medidas de médio e longo prazo, como a implantação de sistemas de monitoramento da temperatura e da qualidade da água nas áreas de cultivo.
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