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10 de junho de 2026

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Por que o leite de jumenta é a nova aposta comercial do agro brasileiro

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Rico em nutrientes e com baixo teor de gordura, o leite de jumenta ainda é pouco conhecido do público geral. Contudo, o produto reúne benefícios reconhecidos há séculos. Uma das histórias mais famosas é de que Cleópatra, rainha do Egito, se banhava nele para manter a juventude.

O leite de jumenta também é conhecido por sua composição nutricional próxima ao leite humano. Isso porque ele possui baixo teor de caseína, a principal proteína associada a alergias ao leite de vaca. Além disso, seu baixo percentual de gordura contribui para uma digestão mais fácil.

Nesse contexto, pesquisadores da área avançam em projetos voltados para a produção de leite de jumentas e outros produtos. É o caso de Gustavo Ferrer Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).

Em janeiro deste ano, os dois estiveram na China para um intercâmbio tecnológico na criação de jumentas, onde tiveram a oportunidade de apresentar resultados alcançados com pesquisas em reprodução equídea e manejo produtivo. Eles também visitaram fazendas dedicadas à cria, recria e engorda de asininos.

Os pesquisadores Jorge Lucena (de vermelho) e Gustavo Ferrer (de preto) participaram de palestras e visitaram fazendas chinesas

Leite de jumenta X Leite de vaca

Embora seja uma alternativa hipoalergênica e de alta digestibilidade, Lucena explica que o leite de jumenta não pode ser comparado ao de vaca, tanto do ponto de vista de produção quanto econômico. Segundo o professor de veterinária da UFAPE, a quantidade de leite produzido por animal é um dos principais fatores de diferenciação.

Enquanto uma vaca produz, em média, até 40 litros de leite por dia, dependendo da raça, cada jumenta é capaz de produzir apenas de 0,2 a 0,3 litros de leite diariamente. Mas não é só isso.

“Pela menor quantidade produzida por animal e por essas características bioativas, o leite de jumenta tem um preço de mercado mundial que varia”, diz. Lucena afirma que os preços podem ficar entre 30 e 50 euros o litro, conforme a oferta e a procura. Diante desse potencial, o produto é apelidado de ‘ouro branco’.

Potencial na fabricação de medicamentos

Além de contribuir com a alimentação, o leite de jumenta também desperta interesse da indústria farmacêutica. Um dos principais motivos é a presença de compostos bioativos, como a lisozima, que é uma enzima com ação antimicrobiana natural e que se encontra em grande parte dos mamíferos.

Uma curiosidade é que em seres humanos, a lisozima se concentra nas lágrimas. “Ferimentos nos olhos cicatrizam mais rápido do que em outros tecidos, justamente em função dessa concentração”, diz Lucena.

De acordo com com ele, a lisozima age na destruição da parede celular de bactérias, funcionando como uma espécie de proteção natural. Essa característica, segundo o pesquisador, tem chamado a atenção diante do avanço da resistência antimicrobiana no mundo.

Com isso, os pesquisadores desenvolvem estudos para utilização do leite de jumenta na produção de diluentes de sêmen equino livres de antibióticos. A proposta é reduzir o uso desses medicamentos em biotecnologias reprodutivas, justamente para minimizar os riscos relacionados à resistência bacteriana.

“Estamos desenvolvendo um diluente de sêmen equino sem antibiótico, utilizando o leite de jumenta como alternativa”, explica Gustavo Carneiro. O pesquisador da UFRPE atua na área reprodução e multiplicação genética de asininos.

Segundo os pesquisadores, além da lisozima, outras proteínas presentes no leite também apresentam potencial de aplicação na área farmacêutica.

Tripé: leite, carne e indústria farmacêutica

O potencial do leite de jumenta e da produção de asininos não se resume somente às características nutricionais e na fabricação de medicamentos.

“Eu não vejo o leite de jumenta como um produto de uma única fonte econômica. Ele faz parte de um grande complexo, que eu chamo de indústria do jumento”, diz o professor Jorge Lucena. Ele explica que o setor forma um tripé, com produção de leite, produtos farmacêuticos e carne.

Carneiro, por sua vez, chama a atenção para o interesse do mercado na produção de híbridos, como mulas — quando há o cruzamento entre jumentos e éguas — e bardotos, frutos da junção de garanhão e jumenta. Nesse contexto, ele reafirma a importância de tecnologias de reprodução.

“Acreditamos que, somando leite, carne e biotecnologia, a cultura do jumento pode evoluir no Brasil”, afirma.

O que o Brasil pode aprender com a China e vice-versa

Durante a missão técnica na China, os professores observaram que o país já conta com uma cadeia estruturada de produção de leite asinino, com sistemas que variam entre propriedades totalmente estabuladas e fazendas com manejo mais próximo ao modelo brasileiro.

Apesar da produção em escala, os chineses ainda concentram o consumo no leite pasteurizado in natura, com menor diversificação de derivados.

Esse cenário abriu espaço para troca de experiências. Segundo Lucena, houve interesse por parte dos chineses nas pesquisas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de subprodutos, como queijos, iogurtes e doces à base de leite de jumenta.

“O Brasil tem avançado na agregação de valor, principalmente dentro das universidades, onde conseguimos testar diferentes formulações”, afirma.

Para os pesquisadores, o fortalecimento da cadeia no Brasil passa justamente pela organização produtiva e pela diversificação de produtos, permitindo que o leite de jumenta atenda diferentes nichos, da alimentação especializada à indústria farmacêutica.

Eles destacam ainda que o país possui um dos maiores rebanhos de asininos do mundo, o que representa vantagem competitiva caso a cadeia seja estruturada. Para Carneiro, a produção brasileira não está tão distante da chinesa.

“O jumento nordestino é rústico, produz volume semelhante e, por ser menor e demandar menos alimento, permite um leite com custo mais competitivo”, finaliza.

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Café, leite e crédito impulsionam expansão das cooperativas em Minas Gerais

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Foto gerada por IA.

Mesmo diante de juros elevados, instabilidade financeira e desafios climáticos, o cooperativismo em Minas Gerais avançou em ritmo muito superior ao da economia estadual em 2025. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, as cooperativas movimentaram R$ 184 bilhões no período, crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior — quase 12 vezes acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, que cresceu 1,4%.

Os números serão apresentados nesta quarta-feira (10), durante o seminário de lançamento do anuário, considerado o principal censo anual do setor no estado.

Atualmente, o cooperativismo responde por 15,9% do PIB mineiro, estimado em R$ 1,1 trilhão. O setor reúne 788 cooperativas, 4,2 milhões de cooperados e 64,1 mil empregados diretos em Minas Gerais.

Entre os segmentos do cooperativismo, o ramo agropecuário foi um dos grandes destaques de 2025. As cooperativas ligadas ao agro movimentaram R$ 66,8 bilhões, alta de 26,7% em relação ao ano anterior. O avanço representou mais da metade de todo o crescimento econômico registrado pelo cooperativismo mineiro no período.

O setor agropecuário também lidera em número de cooperativas no estado. São 196 organizações, o equivalente a uma em cada quatro cooperativas mineiras. Juntas, elas reúnem 228,8 mil cooperados e geram 21,3 mil empregos diretos.

Cooperativismo agropecuário amplia peso no agro mineiro

Os dados mostram a força crescente das cooperativas no agronegócio de Minas Gerais. Em 2025, o ramo cooperativista agropecuário passou a representar 26,5% do PIB do agronegócio mineiro.

De cada R$ 100 movimentados pelo cooperativismo no estado, aproximadamente R$ 36 vieram diretamente das cooperativas agropecuárias, de acordo com o levantamento.

Em cinco anos, a movimentação econômica do segmento quase dobrou, passando de R$ 36 bilhões em 2021 para R$ 66,8 bilhões em 2025 — avanço de 85,6%.

Além da expansão financeira, o setor também teve forte impacto na geração de empregos. Somente em 2025, as cooperativas agropecuárias criaram 1.010 novos postos de trabalho, o equivalente a 36% de todas as vagas abertas pelo cooperativismo mineiro no período.

Café e leite reforçam protagonismo das cooperativas

As cooperativas também consolidaram presença estratégica em cadeias relevantes do agro mineiro, especialmente no café e no leite.

Segundo o levantamento, 63,6% do café produzido em Minas Gerais passou por cooperativas mineiras em 2025. Em nível nacional, isso significa que, a cada 100 xícaras de café produzidas no Brasil, 29 passaram por cooperativas do estado.

Na cadeia leiteira, as cooperativas responderam por 18,3% da produção mineira e por 5,1% da produção nacional.

Crédito cooperativo fortalece produtores rurais

Outro destaque do levantamento foi o desempenho das cooperativas de crédito, que seguem ampliando presença no interior e fortalecendo o financiamento ao agro.

O ramo movimentou R$ 93,4 bilhões em 2025, alta de 12,3% sobre o ano anterior. As cooperativas financeiras repassaram R$ 14,4 bilhões em crédito rural para pequenos e médios produtores mineiros, crescimento de 5,8% em relação a 2024.

Atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em 84,4% dos municípios mineiros e são a única instituição financeira com atendimento físico em 84 cidades do estado.

Cooperativismo cresce acima da média e amplia geração de renda

O levantamento também mostra avanço na geração de empregos e renda. As cooperativas mineiras criaram quase 2,8 mil vagas em um ano, crescimento de 4,6% — desempenho três vezes superior à média estadual.

O salário médio pago pelas cooperativas chegou a R$ 4.059,97, valor 36,2% maior que a média do setor privado em Minas Gerais.

As mulheres também ampliaram participação no setor. Elas representam 54,9% do quadro funcional das cooperativas mineiras e ocuparam seis em cada dez novas vagas criadas em 2025.

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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.

Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.

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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.

Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.

A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.

O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.

Fonte: gov.br

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O que é retrofit? Solução permite atualizar máquinas agrícolas com menor custo

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Foto: reprodução/Mercado & Cia

Em meio ao cenário de juros elevados, crédito restrito e margens cada vez mais apertadas no campo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a produtividade sem ampliar os custos. Uma dessas soluções que vem ganhando força no Brasil é o retrofit (processo de modernização) de máquinas e equipamentos agrícolas.

A prática consiste em atualizar máquinas já em operação com tecnologias embarcadas que aumentam eficiência, precisão e conforto, sem exigir o investimento milionário na compra de equipamentos novos.

No município de Palmeira, no interior do Paraná, o agricultor Manoel Pereira Júnior acompanha mais uma temporada do plantio de aveia, trigo e cevada enquanto busca formas de enfrentar um momento considerado desafiador para o setor.

“Juros em disparada, sem crédito oficial do governo, sem crédito rural para custeio, dólar baixo, commodities baixas e o fertilizante, principalmente nos custos, que está na estratosfera”, destaca.

Eficiência e tecnologia

A busca por eficiência não é novidade na propriedade, há quase cinco décadas, a família foi pioneira na adoção do sistema de plantio direto. Agora, a inovação chega por outro caminho, manter máquinas antigas em operação, mas equipadas com recursos de última geração.

Foi o que aconteceu com uma colheitadeira adquirida em 2023 que passou por atualização tecnológica. O resultado, segundo o produtor, foi uma máquina com desempenho próximo ao de um equipamento novo, mas com investimento muito menor.

“A prestação hoje de uma colheitadeira nova é R$ 400.000 para pagar em 6 anos mais os juros. Se você pegar esse dinheiro e reformar a colheitadeira, você vai ter uma máquina zero com o preço insignificante comparado com a nova”, afirma Júnior.

Segundo presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, as vendas nos primeiros quatro meses do ano caíram 18%. O faturamento veio para R$ 17,1 bilhões. Para o setor não há dúvidas de que o momento é de retração.

“O recurso que o agricultor tem, ele segura esse recurso para fazer custeio e deixa os investimentos para depois. Porque se ele for no mercado pegar dinheiro emprestado para fazer custeio, o juros é muito caro, isso aperta mais a margem dele”, destaca Estevão.

Atualizações disponíveis

A atualização tecnológica inclui instalação de sensores de sementes, sensores de adubo, sistemas de monitoramento por satélite e monitores de plantio que permitem acompanhar falhas e melhorar o desempenho operacional.

Entre as funcionalidades, os sensores conseguem identificar falhas na semeadura em tempo real, aumentando a precisão do plantio e reduzindo desperdícios.”O foco principal é esse, trazer resultado pro pro produtor rural a um custo acessível”, afirma o desenvolvedor de produto, Douglas Ramos. 

O planejamento de Júnior está bem desenhado, o plantio de inverno cobrindo os campos e a tecnologia aos poucos vai embarcando no velho maquinário que fará aumentar a produtividade. 

Além do ganho em produtividade, o retrofit também promete mais conforto para o operador e abre caminho para novas soluções que ainda estão chegando ao mercado, como monitores inteligentes para semeadeiras, tecnologia considerada inédita no país.

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