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16 de setembro de 2026

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Por que o leite de jumenta é a nova aposta comercial do agro brasileiro

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Rico em nutrientes e com baixo teor de gordura, o leite de jumenta ainda é pouco conhecido do público geral. Contudo, o produto reúne benefícios reconhecidos há séculos. Uma das histórias mais famosas é de que Cleópatra, rainha do Egito, se banhava nele para manter a juventude.

O leite de jumenta também é conhecido por sua composição nutricional próxima ao leite humano. Isso porque ele possui baixo teor de caseína, a principal proteína associada a alergias ao leite de vaca. Além disso, seu baixo percentual de gordura contribui para uma digestão mais fácil.

Nesse contexto, pesquisadores da área avançam em projetos voltados para a produção de leite de jumentas e outros produtos. É o caso de Gustavo Ferrer Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).

Em janeiro deste ano, os dois estiveram na China para um intercâmbio tecnológico na criação de jumentas, onde tiveram a oportunidade de apresentar resultados alcançados com pesquisas em reprodução equídea e manejo produtivo. Eles também visitaram fazendas dedicadas à cria, recria e engorda de asininos.

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Os pesquisadores Jorge Lucena (de vermelho) e Gustavo Ferrer (de preto) participaram de palestras e visitaram fazendas chinesas

Leite de jumenta X Leite de vaca

Embora seja uma alternativa hipoalergênica e de alta digestibilidade, Lucena explica que o leite de jumenta não pode ser comparado ao de vaca, tanto do ponto de vista de produção quanto econômico. Segundo o professor de veterinária da UFAPE, a quantidade de leite produzido por animal é um dos principais fatores de diferenciação.

Enquanto uma vaca produz, em média, até 40 litros de leite por dia, dependendo da raça, cada jumenta é capaz de produzir apenas de 0,2 a 0,3 litros de leite diariamente. Mas não é só isso.

“Pela menor quantidade produzida por animal e por essas características bioativas, o leite de jumenta tem um preço de mercado mundial que varia”, diz. Lucena afirma que os preços podem ficar entre 30 e 50 euros o litro, conforme a oferta e a procura. Diante desse potencial, o produto é apelidado de ‘ouro branco’.

Potencial na fabricação de medicamentos

Além de contribuir com a alimentação, o leite de jumenta também desperta interesse da indústria farmacêutica. Um dos principais motivos é a presença de compostos bioativos, como a lisozima, que é uma enzima com ação antimicrobiana natural e que se encontra em grande parte dos mamíferos.

Uma curiosidade é que em seres humanos, a lisozima se concentra nas lágrimas. “Ferimentos nos olhos cicatrizam mais rápido do que em outros tecidos, justamente em função dessa concentração”, diz Lucena.

De acordo com com ele, a lisozima age na destruição da parede celular de bactérias, funcionando como uma espécie de proteção natural. Essa característica, segundo o pesquisador, tem chamado a atenção diante do avanço da resistência antimicrobiana no mundo.

Com isso, os pesquisadores desenvolvem estudos para utilização do leite de jumenta na produção de diluentes de sêmen equino livres de antibióticos. A proposta é reduzir o uso desses medicamentos em biotecnologias reprodutivas, justamente para minimizar os riscos relacionados à resistência bacteriana.

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“Estamos desenvolvendo um diluente de sêmen equino sem antibiótico, utilizando o leite de jumenta como alternativa”, explica Gustavo Carneiro. O pesquisador da UFRPE atua na área reprodução e multiplicação genética de asininos.

Segundo os pesquisadores, além da lisozima, outras proteínas presentes no leite também apresentam potencial de aplicação na área farmacêutica.

Tripé: leite, carne e indústria farmacêutica

O potencial do leite de jumenta e da produção de asininos não se resume somente às características nutricionais e na fabricação de medicamentos.

“Eu não vejo o leite de jumenta como um produto de uma única fonte econômica. Ele faz parte de um grande complexo, que eu chamo de indústria do jumento”, diz o professor Jorge Lucena. Ele explica que o setor forma um tripé, com produção de leite, produtos farmacêuticos e carne.

Carneiro, por sua vez, chama a atenção para o interesse do mercado na produção de híbridos, como mulas — quando há o cruzamento entre jumentos e éguas — e bardotos, frutos da junção de garanhão e jumenta. Nesse contexto, ele reafirma a importância de tecnologias de reprodução.

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“Acreditamos que, somando leite, carne e biotecnologia, a cultura do jumento pode evoluir no Brasil”, afirma.

O que o Brasil pode aprender com a China e vice-versa

Durante a missão técnica na China, os professores observaram que o país já conta com uma cadeia estruturada de produção de leite asinino, com sistemas que variam entre propriedades totalmente estabuladas e fazendas com manejo mais próximo ao modelo brasileiro.

Apesar da produção em escala, os chineses ainda concentram o consumo no leite pasteurizado in natura, com menor diversificação de derivados.

Esse cenário abriu espaço para troca de experiências. Segundo Lucena, houve interesse por parte dos chineses nas pesquisas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de subprodutos, como queijos, iogurtes e doces à base de leite de jumenta.

“O Brasil tem avançado na agregação de valor, principalmente dentro das universidades, onde conseguimos testar diferentes formulações”, afirma.

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Para os pesquisadores, o fortalecimento da cadeia no Brasil passa justamente pela organização produtiva e pela diversificação de produtos, permitindo que o leite de jumenta atenda diferentes nichos, da alimentação especializada à indústria farmacêutica.

Eles destacam ainda que o país possui um dos maiores rebanhos de asininos do mundo, o que representa vantagem competitiva caso a cadeia seja estruturada. Para Carneiro, a produção brasileira não está tão distante da chinesa.

“O jumento nordestino é rústico, produz volume semelhante e, por ser menor e demandar menos alimento, permite um leite com custo mais competitivo”, finaliza.

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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

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Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.

A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.

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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.

O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.

Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).

O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.

Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.

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Fonte: gov.br

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Prefeitura abre chamada pública para compra de alimentos com investimento de R$ 324,8 mil

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A Prefeitura de Sorriso (MT) abriu uma chamada pública para agricultores familiares interessados em fornecer alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O programa permite que o poder público compre alimentos produzidos por agricultores familiares e destine esses produtos a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de programas e serviços públicos de segurança alimentar.

Em Sorriso, serão investidos R$ 324.899,20 na compra de alimentos da agricultura familiar. Entre os produtos previstos estão frutas, verduras, legumes, mandioca, farinha, mel, ovos, frango caipira, queijo, pães e bolachas caseiras, entre outros.

A chamada pública é destinada a agricultores familiares individuais que moram em Sorriso e possuem o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo.

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Os interessados deverão preparar um Projeto de Venda, informando os alimentos que produzem e pretendem fornecer ao programa, além de apresentar a documentação exigida no edital.

Como participar?

Os documentos e o Projeto de Venda deverão ser entregues presencialmente na SEMASA, entre os dias 17 e 30 de setembro de 2026, das 7h às 12h, de segunda a sexta-feira.

Entre os documentos necessários estão CPF, RG ou CNH, extrato do CAF, comprovante de endereço, Projeto de Venda e Declaração de Produção Própria. Quando for o caso, também deverá ser apresentado o CadÚnico atualizado.

Após o prazo de inscrição, a equipe técnica responsável pelo PAA fará a análise dos projetos. Os agricultores habilitados poderão ser chamados para realizar as entregas, conforme a demanda dos programas atendidos e a disponibilidade de recursos.

Local: Rua Marechal Cândido Rondon, nº 2311, Jardim Bela Vista
Prazo: 17 a 30 de setembro
Horário: 7h às 12h
Entrega: presencialmente

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Critérios

O PAA possui critérios de priorização para ampliar a participação de públicos específicos da agricultura familiar, como mulheres, agricultores inscritos no CadÚnico, assentados da reforma agrária, jovens de 18 a 29 anos, pescadores, indígenas, quilombolas, negros e integrantes de povos e comunidades tradicionais.

O edital também estabelece a participação mínima de 50% de mulheres e 60% de fornecedores inscritos no CadÚnico. As compras estão previstas para ocorrer de novembro de 2026 a julho de 2027, ou até que os recursos disponíveis sejam utilizados. O limite de comercialização é de até R$ 15 mil por agricultor, por CAF, em cada ano civil, conforme as regras do programa.

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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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