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10 de junho de 2026

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Passaporte Verde é debatido na ALMT e levanta alerta sobre adaptação de pequenos pecuaristas

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A implantação do Passaporte Verde, programa que prevê o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, foi tema de audiência pública realizada nesta segunda-feira (23), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O debate reuniu representantes do governo, do setor produtivo e lideranças municipais, com foco na inclusão de pequenos pecuaristas e nas exigências para acesso ao mercado formal.

Sancionado pelo governador Mauro Mendes no fim de 2025, por meio da Lei 13.153/2025, o programa estabelece critérios como Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo, ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008 e inexistência de embargos ambientais. A proposta é garantir a rastreabilidade do rebanho e comprovar a sustentabilidade da carne produzida no estado.

Presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Caio Penido afirmou durante a audiência que o objetivo é reintegrar produtores com pendências ambientais ao mercado.

“Atualmente, o mercado exclui os produtores que estão com alguma irregularidade ambiental e o objetivo do Passaporte Verde é justamente incluir esses pecuaristas e ajudá-los na regularização para voltarem ao mercado formal, beneficiando toda a cadeia”, disse.

Conforme o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), César Miranda, programa busca atender exigências comerciais e reforçar a imagem da pecuária estadual. “Esse projeto foi discutido por quase quatro anos para que garantíssemos ao mercado que a nossa carne é sustentável. Se não fizéssemos essa política, eles fariam por nós. Por isso aprovamos o projeto, mas não há nada que não possa ser melhorado”.

Regularização e desafios para pequenos produtores

Uma das ferramentas previstas é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem), que permite a regularização ambiental e o retorno à comercialização. Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, a iniciativa pode ampliar o acesso ao mercado.

audiência passaporte verde na ALMT foto ALMT
Foto: ALMT

“A grande relevância do Passaporte Verde, no meu ponto de vista, é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). Porque ele vai retirar da marginalidade grande parte dos produtores do estado. É uma ferramenta impressionante para colocar dentro do mercado pecuário quem tem alguma irregularidade ambiental”, ressaltou.

A secretária adjunta de Gestão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Luciane Bertinatto, pontuou que a legislação não cria novas obrigações além das já existentes no Código Florestal. “O Passaporte Verde e o Prem vêm para ajudar os produtores a ter regularidade ambiental e ter acesso a mercado”, declarou.

Durante o debate, parlamentares destacaram a necessidade de garantir que pequenos pecuaristas consigam se adaptar às novas exigências. O deputado estadual Gilberto Cattani salientou que a legislação foi aprovada com foco na proteção do setor.

“A Assembleia Legislativa aprovou uma lei porque entendeu que estava protegendo os produtores. Mas, é necessário que as pessoas possam compreender essa lei e levar para a sociedade. A Assembleia está fazendo o possível para proteger o nosso produtor rural, porque nós conhecemos e o nosso produtor rural protege o meio ambiente”, disse durante a audiência.

Articulação busca garantir adaptação dos pequenos produtores

Em reunião com o Imac, o deputado estadual Eduardo Botelho defendeu políticas específicas para pequenos produtores. “O pequeno produtor não pode ser tratado de forma igual ao grande, porque as condições são diferentes. Precisamos de um trabalho diferenciado, com apoio técnico e soluções viáveis para que ele consiga se adequar às exigências sem ser prejudicado”, afirmou.

De acordo com Caio Penido, a implantação será gradual e alinhada ao plano nacional de identificação individual do rebanho. “Existe um Plano Nacional de Rastreabilidade e Identificação Individual e o que fizemos foi adequar os prazos do estado a esse plano. O Passaporte Verde passa a ser o plano de Mato Grosso, praticamente o mapeamento do rebanho do Estado”, explicou no encontro.

Ele acrescentou que o programa terá fase inicial voluntária e uso de novas tecnologias para facilitar a adesão. “Estamos acompanhando quantas propriedades de pequenos produtores estão irregulares e o potencial de regularização. Inicialmente haverá adesão voluntária e, depois, a obrigatoriedade. A expectativa é que, nesses quatro anos, a tecnologia avance e surjam soluções que reduzam a complexidade para o pequeno produtor, como a biometria do focinho dos animais para identificação individual”, afirmou.

Botelho também destacou a necessidade de maior transparência na relação com frigoríficos. “O produtor é o elo mais fraco da cadeia. Ele entrega o gado e não consegue acompanhar a pesagem e o rendimento. Os pequenos são os mais prejudicados, porque os grandes têm maior poder de negociação. Por isso, esse debate precisa avançar”, disse no encontro.

O parlamentar também frisou que a meta é manter a competitividade do setor sem excluir os pequenos produtores. “Nosso objetivo é garantir que Mato Grosso continue líder na produção de carne com qualidade e sustentabilidade, sem deixar o pequeno produtor para trás. Vamos acompanhar de perto a implantação do Passaporte Verde e cobrar soluções adequadas, como a criação e o fortalecimento de cooperativas para atender à realidade dos pequenos produtores”.

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CNA defende uso eficiente da água e pagamento por serviços ambientais no campo

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou, nesta terça-feira (9), durante o 2º Encontro do Programa Produtor de Água, em Brasília, que o uso eficiente dos recursos hídricos e a valorização dos serviços ambientais são pontos centrais para a produção agropecuária. O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reuniu representantes de diferentes setores para discutir conservação da água e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.

Durante o painel sobre a importância do Programa Produtor de Água para os usuários de recursos hídricos, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Filho, afirmou que a água é um insumo essencial para a produção de alimentos e biocombustíveis e para a permanência do produtor rural na atividade. Segundo ele, a disponibilidade hídrica influencia diretamente o desempenho das lavouras, especialmente em cenários de janelas curtas de plantio.

Nelson Filho também destacou que cerca de 90% da água utilizada pelos produtores rurais tem origem nas chuvas. Nesse contexto, o manejo adequado e o armazenamento do recurso passam a ser fatores técnicos relevantes para reduzir perdas produtivas em períodos de menor oferta hídrica. A avaliação apresentada no encontro é de que o planejamento do uso da água precisa ocorrer ao longo de todo o ano, com foco em conservação e eficiência.

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Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água foi citado pela CNA como instrumento para incentivar práticas sustentáveis nas propriedades e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais. A entidade defendeu que esses instrumentos podem reconhecer ações de conservação já adotadas no meio rural e associá-las a ganhos de eficiência produtiva.

No debate, a CNA também relacionou o tema à produtividade do agro brasileiro. Segundo a entidade, o aumento da produção sem expansão significativa de área tem sido apoiado por intensificação e verticalização dos processos produtivos. O conteúdo apresentado no evento, porém, não detalhou valores, metas ou novos prazos para expansão dos pagamentos por serviços ambientais.

O encontro reforçou a relação entre gestão hídrica, produção agropecuária e conservação ambiental. Sem divulgação, até o momento, de novas medidas operacionais ou números adicionais sobre adesão ao programa, o avanço dessa agenda dependerá do detalhamento de mecanismos de incentivo e da aplicação prática das políticas nas propriedades rurais.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Café, leite e crédito impulsionam expansão das cooperativas em Minas Gerais

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Foto gerada por IA.

Mesmo diante de juros elevados, instabilidade financeira e desafios climáticos, o cooperativismo em Minas Gerais avançou em ritmo muito superior ao da economia estadual em 2025. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, as cooperativas movimentaram R$ 184 bilhões no período, crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior — quase 12 vezes acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, que cresceu 1,4%.

Os números serão apresentados nesta quarta-feira (10), durante o seminário de lançamento do anuário, considerado o principal censo anual do setor no estado.

Atualmente, o cooperativismo responde por 15,9% do PIB mineiro, estimado em R$ 1,1 trilhão. O setor reúne 788 cooperativas, 4,2 milhões de cooperados e 64,1 mil empregados diretos em Minas Gerais.

Entre os segmentos do cooperativismo, o ramo agropecuário foi um dos grandes destaques de 2025. As cooperativas ligadas ao agro movimentaram R$ 66,8 bilhões, alta de 26,7% em relação ao ano anterior. O avanço representou mais da metade de todo o crescimento econômico registrado pelo cooperativismo mineiro no período.

O setor agropecuário também lidera em número de cooperativas no estado. São 196 organizações, o equivalente a uma em cada quatro cooperativas mineiras. Juntas, elas reúnem 228,8 mil cooperados e geram 21,3 mil empregos diretos.

Cooperativismo agropecuário amplia peso no agro mineiro

Os dados mostram a força crescente das cooperativas no agronegócio de Minas Gerais. Em 2025, o ramo cooperativista agropecuário passou a representar 26,5% do PIB do agronegócio mineiro.

De cada R$ 100 movimentados pelo cooperativismo no estado, aproximadamente R$ 36 vieram diretamente das cooperativas agropecuárias, de acordo com o levantamento.

Em cinco anos, a movimentação econômica do segmento quase dobrou, passando de R$ 36 bilhões em 2021 para R$ 66,8 bilhões em 2025 — avanço de 85,6%.

Além da expansão financeira, o setor também teve forte impacto na geração de empregos. Somente em 2025, as cooperativas agropecuárias criaram 1.010 novos postos de trabalho, o equivalente a 36% de todas as vagas abertas pelo cooperativismo mineiro no período.

Café e leite reforçam protagonismo das cooperativas

As cooperativas também consolidaram presença estratégica em cadeias relevantes do agro mineiro, especialmente no café e no leite.

Segundo o levantamento, 63,6% do café produzido em Minas Gerais passou por cooperativas mineiras em 2025. Em nível nacional, isso significa que, a cada 100 xícaras de café produzidas no Brasil, 29 passaram por cooperativas do estado.

Na cadeia leiteira, as cooperativas responderam por 18,3% da produção mineira e por 5,1% da produção nacional.

Crédito cooperativo fortalece produtores rurais

Outro destaque do levantamento foi o desempenho das cooperativas de crédito, que seguem ampliando presença no interior e fortalecendo o financiamento ao agro.

O ramo movimentou R$ 93,4 bilhões em 2025, alta de 12,3% sobre o ano anterior. As cooperativas financeiras repassaram R$ 14,4 bilhões em crédito rural para pequenos e médios produtores mineiros, crescimento de 5,8% em relação a 2024.

Atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em 84,4% dos municípios mineiros e são a única instituição financeira com atendimento físico em 84 cidades do estado.

Cooperativismo cresce acima da média e amplia geração de renda

O levantamento também mostra avanço na geração de empregos e renda. As cooperativas mineiras criaram quase 2,8 mil vagas em um ano, crescimento de 4,6% — desempenho três vezes superior à média estadual.

O salário médio pago pelas cooperativas chegou a R$ 4.059,97, valor 36,2% maior que a média do setor privado em Minas Gerais.

As mulheres também ampliaram participação no setor. Elas representam 54,9% do quadro funcional das cooperativas mineiras e ocuparam seis em cada dez novas vagas criadas em 2025.

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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.

Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.

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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.

Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.

A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.

O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.

Fonte: gov.br

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