Sustentabilidade
O que causa as sementes esverdeadas em soja? – MAIS SOJA

Mesmo sob manejo fitossanitário adequado, em determinadas safras tem-se observado elevada ocorrência de sementes esverdeadas em algumas regiões produtoras de soja, evidenciando que esse problema nem sempre está diretamente associado a falhas de controle de pragas e doenças.
Do ponto de vista fisiológico, a coloração esverdeada das sementes decorre da interrupção da degradação da clorofila, processo ligado à redução da atividade das enzimas clorofilase e magnésio-quelatase. Em condições normais, a degradação da clorofila ocorre durante a senescência, sendo regulada por sinais endógenos e ambientais, além de alterações fisiológicas internas, como variações de pH e aumento da permeabilidade das membranas. Assim, quando esse processo é interrompido por estresses bióticos ou abióticos, a degradação da clorofila nos cotilédones é comprometida, favorecendo a formação de grãos/sementes verdes (França-Neto et al., 2012; Lemes & Catão, 2024).
Figura 1. Amostra de sementes esverdeadas de soja, resultantes da ocorrência de seca e altas temperaturas durante a fase final de enchimento de grão.
Qual a causa?
Do ponto de vista prático, as condições climáticas constituem o principal fator associado à ocorrência de sementes esverdeadas. O estresse hídrico aliado a altas temperaturas durante o período final de enchimento de grãos destaca-se como o principal desencadeador desse fenômeno, embora não seja o único fator envolvido (Pelissari; Coimbra, 2023). Adicionalmente, a interrupção da degradação da clorofila pode ser intensificada por outros fatores abióticos, como variações térmicas, baixa luminosidade e aumento do etileno, bem como por fatores bióticos, incluindo o estado sanitário da planta, a ocorrência de pragas e a predisposição genética das cultivares.
Além das adversidades climáticas, práticas de manejo também podem contribuir para a intensificação ou até mesmo para o desencadeamento da formação de sementes esverdeadas. Conforme destacado por França-Neto et al. (2016), operações como a aplicação de calcário ou fertilizantes em momentos inadequados, assim como a dessecação pré-colheita mal posicionada, podem interferir no processo de maturação, favorecendo a ocorrência de grãos verdes.
Cabe destacar ainda que a sensibilidade à formação de sementes esverdeadas varia entre cultivares. Durante a fase de pré-colheita, níveis de até 9% de sementes esverdeadas podem ser tolerados. Contudo, valores superiores a esse limite exigem a remoção dessas sementes dos lotes, o que eleva os custos de produção. Em síntese, a presença de sementes esverdeadas resulta da interrupção do processo natural de senescência, decorrente da ação isolada ou combinada de fatores bióticos e abióticos (Lemes & Catão, 2024).
Referências:
FRANÇA-NETO, J. B. et al. SEMENTE ESVERDEADA DE SOJA: CAUSAS E EFEITOS SOBRE O DESEMPENHO FISIOLÓGICO – SÉRIE SEMENTES. Embrapa, circular técnica, 91. Londrina – PR, 2012. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/59537/1/download.pdf >, acesso em: 13/02/2026.
FRANÇA-NETO, J. B. et al. TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO DE SEMENTE DE SOJA DE ALTA QUALIDADE. Embrapa, documentos, 380. Londrina – PR, 2016. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/151223/1/Documentos-380-OL1.pdf >, acesso em: 13/02/2026.
FRANÇA-NETO, J. B. SOJA ALERTA SOBRE ELEVADO ÍNDICE DE SEMENTES DE SOJA ESVERDEADAS. Embrapa, Soja Radar Tecnologia, 2020. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=6CbIaj3lN2E&t=177s >, acesso em: 13/02/2026.
LEMES, E. M.; CATÃO, H. C. R. M. SOYBEAN SEED COAT CRACKS AND GREEN SEEDS—PREDISPOSING CONDITIONS, IDENTIFICATION AND MANAGEMENT. Seeds, 2024. Disponível em: < https://www.mdpi.com/2674-1024/3/1/11# >, acesso em: 13/02/2026.
PELISSARI, F.; COIMBRA, R. A. SEMENTES DE SOJA ESVERDEADAS: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS NA QUALIDADE FISIOLÓGICA. Scientific Electronic Archives, v. 16, n. 4, 2023. Disponível em: < https://sea.ufr.edu.br/SEA/article/view/1686/1753 >, acesso em: 13/02/2026.
Foto de capa: Embrapa

Sustentabilidade
Cooperativismo catarinense cresce acima da média nacional e faturamento de 2025 supera R$ 105 bilhões – MAIS SOJA

O cooperativismo catarinense segue demonstrando sua pujança econômica e capacidade de expansão. Dados recentes do Sistema OCESC apontam que o faturamento do setor alcançou R$ 105,7 bilhões em 2025, consolidando uma trajetória consistente de crescimento nos últimos anos.
“Santa Catarina tem no cooperativismo um motor econômico real. O faturamento alcançado em 2025 é reflexo de um cooperativismo cada vez mais competitivo, mais organizado e mais presente na vida das pessoas, com capacidade de investir, gerar empregos e sustentar desenvolvimento nas regiões onde atuam”, destaca o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta.
A série histórica mostra avanço contínuo nos últimos anos. Em 2022, o faturamento das cooperativas de Santa Catarina foi de R$ 80,82 bilhões. Em 2023, subiu para R$ 84,65 bilhões e, em 2024, avançou para R$ 91,26 bilhões. O salto mais expressivo ocorreu em 2025, com crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior.
A análise da evolução do faturamento mostra um movimento contínuo de expansão. Após o crescimento expressivo de 63,3% em 2022, impulsionado pelo cenário de recuperação pós-pandemia, o setor manteve um ritmo estável nos anos seguintes, com altas de 4,7% em 2023 e 7,8% em 2024, até alcançar o avanço mais robusto em 2025.
“Os números mostram que o cooperativismo catarinense está em plena expansão, com um crescimento sustentável. Isso é resultado do trabalho conjunto das cooperativas, que investem em gestão, inovação e no desenvolvimento das pessoas e das comunidades onde estão inseridas”, afirma o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta.
A taxa de crescimento acima da média nacional é resultado da capacidade de adaptação das cooperativas, do fortalecimento da gestão e da presença cada vez mais estratégica no desenvolvimento econômico do estado. O desempenho também ressalta o papel das cooperativas como agentes relevantes na geração de riqueza, distribuição de renda e promoção do desenvolvimento regional sustentável.
As perspectivas para os próximos anos projetam que o cooperativismo catarinense deverá manter a curva de crescimento. As projeções apontam que o faturamento pode chegar a R$ 115,2 bilhões em 2026, avançar para R$ 125,9 bilhões em 2027 e alcançar R$ 137,6 bilhões em 2028.
“Essas projeções apontam para um setor com escala, governança e capacidade de continuar avançando. O cooperativismo catarinense cresce porque combina operação eficiente com presença territorial e visão de longo prazo”, conclui Zanatta.
Fonte: Sistema Ocesc, Disponível em Fecoagro
Autor:Sistema Ocesc, disponível em Fecoagro
Site: Fecoagro/SC
Agro Mato Grosso
Fundação Rio Verde fortalece intercâmbio em viagens técnicas e apresentação de pesquisas

A pesquisadora Luana Belufi participou de visitas nacionais e internacionais, e apresentou avanços da Fundação Rio Verde no manejo de doenças do Cerrado.
Sustentabilidade
De advogada a produtora rural: Flávia Garcia Cid transforma fazenda em referência nacional em óleos essenciais – MAIS SOJA

Foto de capa: Assessoria
No agronegócio onde a produção de commodities como soja e milho é proeminente, a história de Flávia Garcia Cid foge do tradicional. De advogada a empresária do campo, Flávia tornou a Fazenda Jaracatiá, em Querência do Norte (PR), em um polo de produção de plantas aromáticas, óleos essenciais e bioinsumos. Sua dedicação ao segmento a consagrou como uma das maiores produtoras de óleos essenciais orgânicos certificados do Brasil, com mais de 200 hectares de cultivo. O país é um dos três maiores exportadores mundiais de óleos essenciais, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Além disso, Flávia foi uma das vencedoras da categoria Grande Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro em 2025, promovido pela Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e que está com as inscrições abertas. Ela destaca a importância de as produtoras rurais participarem da iniciativa para dar visibilidade a seus trabalhos e impacto no setor. “O meu conselho para as mulheres que querem se inscrever no prêmio é: não hesitem, pois todas podem e serão valorizadas. Fazemos parte de uma rede que só funciona com todas atuando, e cada papel é importante.”
A transição de Flávia para o agro começou em 1999, ao lado do marido. Sem experiência prévia no setor, ela abraçou o desafio de implantar o cultivo de plantas aromáticas após uma viagem despretensiosa, que despertou no casal o interesse nas propriedades terapêuticas das plantas para o cuidado e bem-estar humano. A paixão pelo campo e o desejo de inovar guiaram sua jornada. Para a produtora, a trajetória comprova que “tudo é possível quando se coloca o coração e a dedicação ao trabalho”.
Tecnologia e ESG no DNA
A Fazenda Jaracatiá opera com um modelo de negócios inovador e verticalizado. Flávia implementou uma indústria de destilação própria, desenvolvendo maquinários específicos para culturas não convencionais e controlando todo o processo, do cultivo à comercialização direta para grandes empresas farmacêuticas, cosméticas e de aromaterapia. Um diferencial é a produção de bioinsumos a partir de resíduos de sua própria atividade, posicionando-se no mercado de insumos – neste caso totalmente naturais e de base vegetal – para grãos e pastagens.
A propriedade também é referência em práticas ESG, utilizando energia solar e biogás, promovendo a conservação da mata nativa via Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), reutilizando resíduos e otimizando a gestão hídrica com tecnologia, além de operar com desperdício zero. No âmbito social, foi criado o Instituto Fazenda Jaracatiá, para atuar junto a comunidades vizinhas com foco em suas necessidades e capacitação.
Essas práticas de ponta renderam à produtora prêmios como o Fazenda Sustentável (Globo Rural, 2024) e Produtor 4.0 (AgroBIT, 2024), além da vitória na categoria “Grande Propriedade” do Prêmio Mulheres do Agro em 2025, promovido pela Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
Prêmio Mulheres do Agro 2026
Em sua 9ª edição, o Prêmio Mulheres do Agro reforça o compromisso da Bayer com o reconhecimento de produtoras rurais que contribuem para um agronegócio mais inovador, sustentável e inclusivo. Desde sua criação, a iniciativa já recebeu mais de 1.500 inscrições e reconheceu mulheres de diferentes regiões do país por suas boas práticas no campo.
“Olho para a Flávia que subiu ao palco para receber o prêmio e vejo que é possível uma pessoa que almejava se aposentar, sem experiência no agro, hoje ser reconhecida e impactar tantas outras mulheres. É a prova de que, com paixão e esforço, podemos ir muito além do que imaginamos”, incentiva Flávia.
Em um ano simbólico, em que a Bayer celebra 130 anos de atuação no Brasil, a cerimônia de premiação ocorrerá durante um evento proprietário realizado pela Bayer e a ABAG, no segundo semestre, em São Paulo.
Daniela Barros, Diretora de Comunicação da Divisão Agrícola da Bayer no Brasil, destaca que “ao longo dos últimos anos, o Prêmio Mulheres do Agro se consolidou como uma importante plataforma de reconhecimento das mulheres no campo. Nesta nova edição, queremos ampliar ainda mais a visibilidade dessas histórias e fortalecer as conexões entre as produtoras, o setor e toda a cadeia do agronegócio.”
As produtoras rurais interessadas em participar podem se inscrever até o dia 7 de junho pelo site oficial do prêmio. Para concorrer, as candidatas devem comprovar atuação alinhada aos pilares de sustentabilidade, governança e impacto social.
Sobre a Bayer
Guiada por sua missão “saúde para todos, fome para ninguém”, a Bayer é uma empresa global que atua para desenvolver soluções inovadoras que respondam a alguns dos maiores desafios da humanidade nas áreas de saúde e agricultura. Fundada na Alemanha em 1863 e presente em mais de 80 países, está no Brasil há 130 anos — seu segundo maior mercado no mundo — com negócios nos segmentos de Agricultura, Farmacêutico e Saúde do Consumidor. É comprometida com a inovação, a diversidade e a sustentabilidade, investindo continuamente em pesquisa e desenvolvimento para promover avanços que unam produtividade, preservação ambiental e acesso à saúde de qualidade. Mais informações no site.
Sobre a ABAG
Com mais de 3 décadas de atuação, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) é a única entidade que reúne, em uma só voz, todos os elos da cadeia produtiva, do campo à indústria, distribuição e serviços. Promove uma visão integrada e de futuro para o agronegócio brasileiro, fomentando o desenvolvimento sustentado e a bioeconomia, ao mesmo tempo em que aproxima o setor de seus principais públicos estratégicos. A ABAG tornou-se referência na articulação de alianças nacionais e internacionais, estimulando conexões, diálogos e inovação, mobilizando a força de suas mais de 80 associadas para dinamizar o setor e ampliar o protagonismo de toda a cadeia.
Fonte: Assessoria

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