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Minas Gerais e República Tcheca avaliam parceria em inteligência geoespacial no café

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Produção de café em Matas de Minas | Foto: arquivo pessoal

Missão da República Tcheca visitou em janeiro a sede da Emater-MG, em Belo Horizonte, para avaliar a possibilidade de uma cooperação tecnológica, com foco no uso de inteligência de dados geoespaciais para o fortalecimento da cafeicultura, a sustentabilidade ambiental e o planejamento territorial do estado.

A embaixadora do país no Brasil, Pavla Havrlikova, ressaltou que o café brasileiro é bastante conhecido em sua nação e destacou que o trabalho desenvolvido pela Plataforma Comunidade, da Universidade Tcheca de Ciências da Vida (CZU), pode contribuir para o desenvolvimento sustentável em outras regiões.

“Viemos avaliar a possibilidade de colaboração em projetos científicos nas áreas da agricultura e meio ambiente. A Universidade de Ciências da Vida tem experiência em vários projetos nesse âmbito. O Projeto Comunidade, por exemplo, já envolve outros países da América Latina”, disse.

A iniciativa, já aplicada na Colômbia e no Chile, integra dados de satélite e informações territoriais para apoiar decisões na agricultura, na gestão hídrica e na mitigação de riscos climáticos. A proposta é oferecer aos produtores e instituições uma visão mais precisa e acessível do território, contribuindo para ganhos de produtividade e resiliência.

“Após a experiência com produtores rurais da Colômbia e do Chile, a Plataforma Comunidade avalia agora como essas soluções poderiam apoiar instituições e comunidades rurais do Brasil frente a desafios como doenças do café, estresse hídrico, incêndios e erosão do solo”, destacou o secretário-adjunto de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, João Ricardo Albanez.

Mapeamento do café

Como parte das apresentações, Minas Gerais detalhou iniciativas já desenvolvidas no estado. A Emater-MG apresentou o mapeamento do parque cafeeiro mineiro, iniciado em 2016, a partir do uso de imagens de satélite, com posterior validação em campo em 460 municípios produtores.

O trabalho, criado em parceria com diversas instituições, envolve a recepção, o processamento, a sistematização, o armazenamento e a disponibilização de informações sobre a cafeicultura por meio de um geoportal.

O mapeamento permite maior precisão da produção estadual, aprimora as estimativas de safra e possibilita identificar a localização dos cafés diferenciados e sua relação com os territórios de produção.

Também foi apresentada a plataforma Selo Verde MG, ferramenta pública e gratuita que amplia a rastreabilidade e atesta a conformidade ambiental das cadeias produtivas. Desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Governo de Minas, a plataforma aponta que mais de 90% das propriedades mineiras de café não têm a produção associada ao desmatamento.

Ao final da reunião, o diretor técnico da Emater-MG, Gélson Soares Lemes, anunciou a criação de um grupo de trabalho envolvendo as instituições mineiras, universidades e representantes do Projeto Comunidade para discutir como a parceria pode ser efetivada.

“Foram apresentadas muitas metodologias que podem nos ajudar a trabalhar em relação às mudanças climáticas e à sustentabilidade das lavouras de café e várias outras culturas”, declarou.

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Safra brasileira de noz-pecã pode chegar a 7 mil toneladas em 2026

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Foto: Public Domain Pictures

A produção brasileira de noz-pecã na safra 2026 deve ficar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, indicando recuperação em relação aos últimos ciclos. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), divulgada por meio de assessoria de imprensa.

Segundo a entidade, o volume esperado supera o da safra 2025, considerada intermediária após os impactos das enchentes de 2024, e se aproxima do patamar registrado em 2023.

Mercado e exportações

O presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, afirma que a safra deve alcançar volume semelhante ao de 2023, com possibilidade de crescimento. Ele avalia que a demanda externa pode ajudar a sustentar os preços mesmo com maior oferta.

“Nos últimos três anos, empresas e novos investidores passaram a observar com mais atenção as possibilidades de exportação, porque o preço de referência, que é o da noz norte-americana, está em um patamar interessante”, afirma.

De forma indireta, Wallauer explica que Estados Unidos e México não formaram estoques relevantes, o que mantém o mercado aquecido e reduz a volatilidade de preços no Brasil. Segundo ele, a abertura de novos canais de exportação pode funcionar como um mecanismo de proteção para produtores e investidores.

Clima e sanidade dos pomares

O coordenador técnico do IBPecan, Jaceguáy Barros, destaca que a safra se desenvolve sob volumes de chuva acima da média desde a primavera. Em dezembro, o acumulado médio foi de cerca de 240 milímetros, enquanto janeiro registrou 236 milímetros.

“Essas chuvas com temperaturas elevadas têm causado uma pressão muito grande no caso das doenças”, afirma.

De acordo com Barros, já há registros de antracnose em algumas áreas, com queda de frutos. Ele também menciona desafios operacionais relacionados à pulverização fitossanitária, já que o crescimento das árvores exige equipamentos mais potentes para garantir cobertura adequada.

Manejo e colheita

A previsão indica continuidade de chuvas acima da média nos próximos meses, o que exige atenção ao manejo da irrigação.

“Quando as chuvas ficam entre 25 e 30 milímetros, o produtor pode suspender a irrigação por um ou dois dias, mas precisa retomar rapidamente para que o enchimento dos frutos ocorra de forma adequada”, explica Barros.

Outro ponto de atenção é a disponibilidade de mão de obra para a colheita. Segundo o coordenador técnico, a operação precisa ser rápida para evitar perdas de qualidade.

“É fundamental que a colheita seja realizada rapidamente, evitando que os frutos permaneçam no solo”, diz.

Apesar das preocupações fitossanitárias, Barros afirma que o desempenho produtivo dos pomares tem sido positivo, com carga elevada de frutos e entrada de novas áreas em produção.

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Chega de diagnósticos sobre o consumo de Feijão — queremos ações

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Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

No World Pulses Day, em 10 de fevereiro, o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) — que comemora, em português, o Dia Mundial dos Feijões — reuniu entidades em São Paulo, no Transamerica Executive Faria Lima, para assumir um ponto que o Brasil não pode mais tratar como “ruído”: a queda do consumo de Feijão é uma crise real — e crise real pede execução.

O próprio calendário global liderado pela FAO existe para recolocar os pulses no centro das dietas saudáveis e dos sistemas alimentares. O resultado foi a disposição de representantes de inúmeras entidades dos produtores e do setor de arroz, Feijão, supermercados, vegetarianos, academia e imprensa, que formaram um comitê para alinhar esforços.

O que ficou muito claro ali é que o prato feito não é nostalgia: é tecnologia social. Arroz, Feijão, proteína e salada formam um padrão simples de comida de verdade, repetível e acessível. E isso não é opinião solta: os maiores especialistas do mundo reconhecem que arroz e Feijão se complementam nutricionalmente e são base ideal de alimentação adequada e saudável.

O diagnóstico por trás da urgência é direto: quando o Feijão sai da rotina, nunca entra algo melhor. A substituição mais comum empurra o consumo para ultraprocessados — e isso cobra um preço em vidas. Há estimativas de aproximadamente 57 mil mortes prematuras, segundo um estudo da USP, associadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil.

Se, no capitalismo, o choque das perdas humanas não for argumento suficiente, há ainda o impacto financeiro — e aqui está a frase que deveria orientar políticas públicas e decisões privadas: está na hora de gastar pesado na prevenção. A International Diabetes Federation coloca o Brasil entre os países com maior gasto total em saúde devido ao diabetes, com US$ 42,9 bilhões. Se o país aceita pagar esses bilhões no tratamento, não faz sentido hesitar no investimento em hábitos que reduzem risco.

Por isso, no encontro, a decisão foi sair do discurso genérico e ir para as duas frentes que mudam hábitos de verdade: escolas e influenciadores. A escola é onde o hábito nasce (ou morre), e o prato feito precisa voltar a ser rotina, não evento. As redes sociais viraram campo real de saúde pública: nutricionistas, médicos, educadores, chefs e criadores precisam ser convocados para sustentar a mensagem simples e correta — Feijão é pilar do prato feito, não coadjuvante.

Entrou na pauta também o ponto que o consumidor repete com razão: “falta praticidade”. Se a barreira é tempo, a resposta não pode ser moralismo; tem que ser solução. Está na hora de trazer para a mesa todas as indústrias capazes de colocar o Feijão pronto que o consumidor mais do que quer — precisa.

Aqui está o alinhamento que precisa ser público e objetivo: Feijão pronto sem conservantes é cesta básica também. Não é “nicho”, não é “gourmet”. É ponte de acesso para manter o prato feito na vida real de quem trabalha, pega trânsito e não tem tempo para o ideal. Se o Feijão pronto fica caro e escondido, vira exceção. Se ganha preço, presença e visibilidade de básico, vira hábito — e hábito vira prevenção.

O World Pulses Day deixou um recado claro: o Ibrafe vai formar uma frente para tratar o Feijão como parte central de uma estratégia nacional de prevenção. Não é contra a indústria, mas a favor da comida de verdade alinhada com a saúde pública. E é a favor do que sempre funcionou no Brasil: prato feito com arroz e Feijão como padrão diário.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Projeto incentiva cultivo de café sombreado em Santa Catarina

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Foto: Freepik

O governo de Santa Catarina lançou o Projeto Café Sombreado Catarinense para incentivar o cultivo de café arábica em sistema consorciado no estado.

O objetivo é fortalecer e ampliar a produção em sistema sombreado, especialmente nas regiões do Litoral e do Vale do Itajaí. O cultivo é feito em consórcio com bananeiras, palmeiras e espécies arbóreas nativas.

De acordo com a secretaria, a iniciativa atende demandas de associações de produtores, entidades da agricultura familiar e pequenas torrefações, que veem no café uma alternativa de diversificação produtiva e geração de renda.

Mesmo com poucas áreas comerciais em implantação, o sistema sombreado segue presente em propriedades familiares. Segundo o gerente de projetos da secretaria e especialista em cafeicultura, Thiago Leal, o modelo favorece plantas mais vigorosas e longevas.

“No sistema sombreado, o fruto tem maturação mais lenta, o que gera maior uniformidade dos grãos”, afirma. Ele acrescenta que a combinação entre sistema de cultivo, clima, solo e influência marítima das regiões pode resultar em cafés com perfil sensorial diferenciado, voltados ao mercado de especiais.

Apoio financeiro

O financiamento será feito por meio do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). Agricultores interessados devem procurar os escritórios da Epagri.

Podem acessar o recurso produtores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo e aptos ao cultivo de café. O valor pode chegar a R$ 50 mil por família em projetos individuais e até R$ 120 mil em projetos coletivos, com pelo menos três famílias.

O pagamento poderá ser feito em cinco parcelas anuais, sem juros, com três anos de carência. Produtores que mantiverem as parcelas em dia terão desconto de 30%. A carência depende de laudo técnico da Epagri que comprove a implantação da lavoura.

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