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Excesso de chuva ameaça produtividade do milho em Paranatinga

O excesso de chuva em Paranatinga já compromete o avanço do milho segunda safra e preocupa produtores quanto ao potencial produtivo das lavouras. O plantio, que começou dentro da janela considerada ideal, agora enfrenta solo encharcado, atraso nas operações e incertezas sobre o desempenho da cultura nesta temporada.
A chuva que garantiu o desenvolvimento da soja passou a dificultar a colheita e, consequentemente, o plantio do milho. Com o calendário apertado, produtores enfrentam dificuldades para avançar com as máquinas e manter o planejamento inicial, o que aumenta o risco de redução na área cultivada e na produtividade.
Na propriedade do agricultor Gustavo Trainotti Calgaro, o plantio começou no dia 29 de janeiro, dentro da janela considerada ideal e com expectativa positiva diante do investimento realizado. No entanto, o excesso de chuva desacelerou os trabalhos e mudou o cenário da lavoura. “Até então estava tudo dentro de uma janela perfeita. Por ter um alto investimento e estar dentro de uma janela muito boa, a gente estava muito confiante, mas agora foi por água abaixo”, afirma ao projeto Mais Milho.
Segundo ele, a sequência de dias chuvosos deixou as áreas alagadas e impediu o avanço da cultura. “Por seis dias não parou de chover. É complicado até dizer que foi plantado, nem parece. O milho não saiu, o milho não desenvolveu. É um pouco assustador esse cenário”, relata.

O produtor diz que o impacto é visível e traz frustração após meses de trabalho e planejamento. “É uma tristeza passar na frente da fazenda e ver tudo por baixo d’água, toda luta, todo o esforço que a gente vem realizando desde setembro, mas é bem desafiador, bem desanimador”, diz.
Mesmo diante das dificuldades, ele destaca a importância da cultura para o sistema produtivo da propriedade. “Nunca tinha visto nada igual. Fevereiro nunca foi de cair tanta água igual esse ano, mas é aceitar as consequências, para nós é muito importante pela questão da produtividade que o milho pode entregar e pela matéria orgânica que ele pode deixar no solo para a próxima safra de soja”, completa.
Área menor e atraso no desenvolvimento
O planejamento inicial da propriedade previa o cultivo entre 300 e 320 hectares de milho segunda safra. Porém, os primeiros 80 hectares plantados já indicam dificuldades, com excesso de umidade no solo e atraso nas aplicações necessárias para o desenvolvimento da cultura.
Conforme Gustavo, parte da área já saiu da janela considerada ideal, o que deve resultar em redução na área e no potencial produtivo. Ele explica que as condições do solo e o excesso de chuva impedem o avanço das operações. “Já saiu fora da janela, a área vai ser reduzida e a produção vai ser menor”, afirma.
O agricultor também relata ao Canal Rural Mato Grosso que já há dificuldades no manejo da lavoura neste momento. “O milho não gosta de muita água, ainda mais no nosso solo. O solo de Paranatinga é muito siltoso. Para o milho é um solo muito difícil”, diz.
Sem conseguir entrar na área, as aplicações necessárias seguem suspensas. “Não conseguimos fazer a primeira aplicação de ureia ainda. Está tudo parado esperando o clima abrir. É desafiador para a soja, desafiador para o milho e todas as expectativas vão se reduzindo”, relata à reportagem.

Em uma propriedade vizinha, o cenário também é de apreensão. Cerca de 30% da área de soja já está pronta para colheita, etapa essencial para liberar espaço ao milho segunda safra. O agricultor Fernando Petri Valdameri afirma que o volume de chuva recente surpreendeu. “Faltou chuva no começo e agora virou só água. Está com uma acumulação de 1.800 milímetros”.
O excesso de precipitação, pontua Fernando, ocorre justamente no momento decisivo da colheita da soja. “Já tem mais de 20 dias que não para de chover, e agora a soja está chegando. Tem em torno de 250 hectares pronto para começar a colher”, diz.
Preocupação atinge todo o município
A situação não é isolada e atinge diversas propriedades de Paranatinga, com reflexos diretos no calendário agrícola e no potencial produtivo da segunda safra. O atraso na colheita da soja impede o avanço do plantio do milho, considerado a principal cultura deste período.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga, Carlinhos Rodrigues, o início da safra indicava boas perspectivas, mas o excesso de chuva interrompeu o ritmo das atividades no campo. “Começamos com uma lavoura muito bonita, chegando ao ponto de colheita com a aparência muito boa, esperando boas produtividades que é o que todo mundo trabalhou para isso, e infelizmente a chuva veio e veio com força”.
Ele explica que, em algumas regiões, as máquinas estão paradas há mais de 20 dias, o que compromete tanto a colheita quanto o plantio. “Praticamente todas as lavouras estão atrasadas com a colheita e o plantio”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo ele, o atraso interfere diretamente na implantação do milho segunda safra. “Nós já teríamos que estar com a maior parte das lavouras de milho implantadas, que é a principal cultura de segunda safra, e isso infelizmente não aconteceu”.
Diante do cenário, a expectativa é de perdas e impacto financeiro ao produtor. “A realidade para o município, para a segunda safra é bem problemática. Acredita-se na implantação já com grandes perdas. Mais um ano que vem testar o coração do produtor e infelizmente mexendo no bolso”, pontua o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga.

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Café, leite e crédito impulsionam expansão das cooperativas em Minas Gerais

Mesmo diante de juros elevados, instabilidade financeira e desafios climáticos, o cooperativismo em Minas Gerais avançou em ritmo muito superior ao da economia estadual em 2025. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, as cooperativas movimentaram R$ 184 bilhões no período, crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior — quase 12 vezes acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, que cresceu 1,4%.
Os números serão apresentados nesta quarta-feira (10), durante o seminário de lançamento do anuário, considerado o principal censo anual do setor no estado.
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Atualmente, o cooperativismo responde por 15,9% do PIB mineiro, estimado em R$ 1,1 trilhão. O setor reúne 788 cooperativas, 4,2 milhões de cooperados e 64,1 mil empregados diretos em Minas Gerais.
Entre os segmentos do cooperativismo, o ramo agropecuário foi um dos grandes destaques de 2025. As cooperativas ligadas ao agro movimentaram R$ 66,8 bilhões, alta de 26,7% em relação ao ano anterior. O avanço representou mais da metade de todo o crescimento econômico registrado pelo cooperativismo mineiro no período.
O setor agropecuário também lidera em número de cooperativas no estado. São 196 organizações, o equivalente a uma em cada quatro cooperativas mineiras. Juntas, elas reúnem 228,8 mil cooperados e geram 21,3 mil empregos diretos.
Cooperativismo agropecuário amplia peso no agro mineiro
Os dados mostram a força crescente das cooperativas no agronegócio de Minas Gerais. Em 2025, o ramo cooperativista agropecuário passou a representar 26,5% do PIB do agronegócio mineiro.
De cada R$ 100 movimentados pelo cooperativismo no estado, aproximadamente R$ 36 vieram diretamente das cooperativas agropecuárias, de acordo com o levantamento.
Em cinco anos, a movimentação econômica do segmento quase dobrou, passando de R$ 36 bilhões em 2021 para R$ 66,8 bilhões em 2025 — avanço de 85,6%.
Além da expansão financeira, o setor também teve forte impacto na geração de empregos. Somente em 2025, as cooperativas agropecuárias criaram 1.010 novos postos de trabalho, o equivalente a 36% de todas as vagas abertas pelo cooperativismo mineiro no período.
Café e leite reforçam protagonismo das cooperativas
As cooperativas também consolidaram presença estratégica em cadeias relevantes do agro mineiro, especialmente no café e no leite.
Segundo o levantamento, 63,6% do café produzido em Minas Gerais passou por cooperativas mineiras em 2025. Em nível nacional, isso significa que, a cada 100 xícaras de café produzidas no Brasil, 29 passaram por cooperativas do estado.
Na cadeia leiteira, as cooperativas responderam por 18,3% da produção mineira e por 5,1% da produção nacional.
Crédito cooperativo fortalece produtores rurais
Outro destaque do levantamento foi o desempenho das cooperativas de crédito, que seguem ampliando presença no interior e fortalecendo o financiamento ao agro.
O ramo movimentou R$ 93,4 bilhões em 2025, alta de 12,3% sobre o ano anterior. As cooperativas financeiras repassaram R$ 14,4 bilhões em crédito rural para pequenos e médios produtores mineiros, crescimento de 5,8% em relação a 2024.
Atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em 84,4% dos municípios mineiros e são a única instituição financeira com atendimento físico em 84 cidades do estado.
Cooperativismo cresce acima da média e amplia geração de renda
O levantamento também mostra avanço na geração de empregos e renda. As cooperativas mineiras criaram quase 2,8 mil vagas em um ano, crescimento de 4,6% — desempenho três vezes superior à média estadual.
O salário médio pago pelas cooperativas chegou a R$ 4.059,97, valor 36,2% maior que a média do setor privado em Minas Gerais.
As mulheres também ampliaram participação no setor. Elas representam 54,9% do quadro funcional das cooperativas mineiras e ocuparam seis em cada dez novas vagas criadas em 2025.
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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.
A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.
Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.
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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.
Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.
A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.
O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.
Fonte: gov.br
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O que é retrofit? Solução permite atualizar máquinas agrícolas com menor custo

Em meio ao cenário de juros elevados, crédito restrito e margens cada vez mais apertadas no campo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a produtividade sem ampliar os custos. Uma dessas soluções que vem ganhando força no Brasil é o retrofit (processo de modernização) de máquinas e equipamentos agrícolas.
A prática consiste em atualizar máquinas já em operação com tecnologias embarcadas que aumentam eficiência, precisão e conforto, sem exigir o investimento milionário na compra de equipamentos novos.
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No município de Palmeira, no interior do Paraná, o agricultor Manoel Pereira Júnior acompanha mais uma temporada do plantio de aveia, trigo e cevada enquanto busca formas de enfrentar um momento considerado desafiador para o setor.
“Juros em disparada, sem crédito oficial do governo, sem crédito rural para custeio, dólar baixo, commodities baixas e o fertilizante, principalmente nos custos, que está na estratosfera”, destaca.
Eficiência e tecnologia
A busca por eficiência não é novidade na propriedade, há quase cinco décadas, a família foi pioneira na adoção do sistema de plantio direto. Agora, a inovação chega por outro caminho, manter máquinas antigas em operação, mas equipadas com recursos de última geração.
Foi o que aconteceu com uma colheitadeira adquirida em 2023 que passou por atualização tecnológica. O resultado, segundo o produtor, foi uma máquina com desempenho próximo ao de um equipamento novo, mas com investimento muito menor.
“A prestação hoje de uma colheitadeira nova é R$ 400.000 para pagar em 6 anos mais os juros. Se você pegar esse dinheiro e reformar a colheitadeira, você vai ter uma máquina zero com o preço insignificante comparado com a nova”, afirma Júnior.
Segundo presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, as vendas nos primeiros quatro meses do ano caíram 18%. O faturamento veio para R$ 17,1 bilhões. Para o setor não há dúvidas de que o momento é de retração.
“O recurso que o agricultor tem, ele segura esse recurso para fazer custeio e deixa os investimentos para depois. Porque se ele for no mercado pegar dinheiro emprestado para fazer custeio, o juros é muito caro, isso aperta mais a margem dele”, destaca Estevão.
Atualizações disponíveis
A atualização tecnológica inclui instalação de sensores de sementes, sensores de adubo, sistemas de monitoramento por satélite e monitores de plantio que permitem acompanhar falhas e melhorar o desempenho operacional.
Entre as funcionalidades, os sensores conseguem identificar falhas na semeadura em tempo real, aumentando a precisão do plantio e reduzindo desperdícios.”O foco principal é esse, trazer resultado pro pro produtor rural a um custo acessível”, afirma o desenvolvedor de produto, Douglas Ramos.
O planejamento de Júnior está bem desenhado, o plantio de inverno cobrindo os campos e a tecnologia aos poucos vai embarcando no velho maquinário que fará aumentar a produtividade.
Além do ganho em produtividade, o retrofit também promete mais conforto para o operador e abre caminho para novas soluções que ainda estão chegando ao mercado, como monitores inteligentes para semeadeiras, tecnologia considerada inédita no país.
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