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Programa em Minas Gerais incentiva plantas de cobertura para recuperar solos do café

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Foto: Carlos Alberto Meira/Embrapa

A Emater-MG, em parceria com o segmento exportador cafeeiro, tem ampliado o programa Construindo Solos Saudáveis, iniciativa que incentiva o uso de plantas de cobertura nas entrelinhas do café para melhorar a fertilidade do solo, reduzir a erosão e aumentar a produtividade das lavouras.

O projeto também atende à demanda do mercado internacional por práticas de agricultura regenerativa.

Em entrevista ao Planeta Campo, o coordenador estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussu, a proposta surgiu da necessidade de recuperar áreas que, ao longo de décadas de manejo mecanizado, apresentaram compactação e menor infiltração de água.

“O café é uma cultura centenária em Minas Gerais e muitas lavouras foram trabalhadas por anos com pouco uso de plantas nas entrelinhas. Isso acabou comprometendo a infiltração de água e o desenvolvimento das raízes”, explica.

Como funcionam as plantas de cobertura

A estratégia adotada foi o plantio consorciado de plantas de cobertura — também chamadas de plantas de serviço — entre as linhas de café, prática já utilizada em outras culturas agrícolas.

“Nós chegamos a plantar até 13 espécies diferentes na entrelinha. Cada uma tem um sistema radicular diferente, capaz de buscar nutrientes em profundidades distintas”, afirma Cangussu.

Entre as espécies utilizadas estão braquiária, trigo-mourisco, girassol e nabo forrageiro. Segundo o coordenador, as raízes dessas plantas ajudam a descompactar o solo e a criar canais que facilitam a infiltração de água.

“As raízes criam canais no solo quando se decompõem, favorecendo a infiltração e a atividade biológica. A parte aérea forma uma camada de proteção que reduz a temperatura e a erosão”, diz.

Após a roçada, a palhada permanece sobre o solo, contribuindo para a manutenção da umidade e o aumento da matéria orgânica. Mediçōes realizadas nas áreas demonstrativas indicam que a cobertura vegetal pode reduzir a temperatura do solo em mais de dez graus, além de proteger mudas jovens contra a incidência direta do sol.

Outro efeito observado é o aumento da biodiversidade nas lavouras, com atração de insetos benéficos ao cultivo do café.

Crescimento das unidades e apoio dos exportadores

O programa começou em 2021 com cerca de 50 unidades demonstrativas em regiões cafeeiras de Minas Gerais. Atualmente, já alcança aproximadamente mil unidades.

“Iniciamos com testes em diferentes regiões para entender o comportamento da tecnologia. Depois dos dias de campo, os próprios produtores passaram a procurar a Emater para implantar em suas propriedades”, afirma Cangussu.

A expansão também foi impulsionada pelo interesse do setor exportador. Segundo o coordenador, traders e entidades ligadas ao comércio internacional passaram a investir nas unidades demonstrativas, alinhados à demanda global por produção sustentável.

“Existe uma procura mundial por café produzido com práticas regenerativas. Os exportadores querem um produto mais sustentável para atender seus clientes no exterior”, diz.

Além dos ganhos agronômicos, a adoção dessas práticas pode facilitar o acesso dos produtores a certificações ambientais, cada vez mais exigidas pelo mercado internacional.

“Produtores e exportadores interessados podem procurar a Emater. Já estamos com unidades instaladas e a intenção é dar continuidade ao programa nos próximos anos”, conclui.

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Produtores buscam alternativas aos insumos importados e investem em sustentabilidade

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Imagem gerada por inteligência artificial

Com o aumento no custo dos insumos agrícolas e a forte dependência de produtos importados, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a rentabilidade no campo.

Entre as principais estratégias está a adoção da agricultura regenerativa e de modelos biossustentáveis, que prometem reduzir custos, preservar o meio ambiente e garantir produtividade.

Na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, a família Geller aposta na diversificação de culturas e no uso de práticas sustentáveis após enfrentar queda na produtividade com o sistema convencional.

A propriedade conta com cerca de 20 estufas de cultivo protegido e produção a céu aberto, só de morango, são aproximadamente 10 mil pés em sistema semi-hidropônico. Já nas hortaliças, a produção semanal de alface e rúcula varia entre 5 mil e 8 mil pés, além de outras culturas como couve, repolho e temperos.

Há 18 anos atuando na olericultura, a família decidiu investir em um modelo baseado na agricultura biossustentável. A mudança veio da necessidade de reduzir custos e buscar alternativas menos agressivas à saúde e ao solo.

“Com uma parceria entre faculdade e empresas privadas, estamos tentando buscar algo que seja menos impactante, primeiramente, para nós mesmos, para a saúde e para o bolso”, explica o produtor rural, Lucas Miotto Gheller.

A solução que está em fase de implantação na propriedade prioriza o uso de recursos biológicos com redução de insumos químicos e foco na saúde do solo.

“Nós trabalhamos exatamente o equilíbrio, 14 nutrientes adicionados para equilibrar esse solo. E o principal ácidos úmicos e fúlvicos. Você trabalha uma fórmula de nutrientes mais complemento, o famoso enchimento, um solo extremamente duro, com baixa absorção de água, seco e muito salino”, destaca Wanderlei Enderle.

“Se colocar isso aqui na boca, você vai achar que se colocou um grão de de cloreto de sódio, de sal, mas de verdade é cloreta de potássio e algum afloramento até de fósforo, fosfatos”, completa.

Aplicação

Em outra propriedade acompanhada por pesquisadores, o uso de fertilizantes produzidos dentro da própria fazenda apresentou desempenho superior ao sistema convencional. No cultivo de milho, a média de produtividade em quatro anos chegou a 163 sacas por hectare com manejo biológico, frente a 143 sacas no modelo tradicional.

Além da redução de custos, a produção dentro da fazenda diminui a dependência de insumos externos e aumenta a eficiência econômica. Segundo especialistas, esse é um dos pilares da agricultura regenerativa, que pode ser adotada de forma total ou combinada com o uso de insumos químicos.

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Brasil deve importar maior volume de trigo da história na safra 26/27

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Foto: Embrapa

A dependência do Brail pelo trigo importado deve aumentar no ciclo 2026/27. O atual cenário indica compras próximas a 8 milhões de toneladas, o maior volume da história, refletindo a redução da área plantada, margens apertadas e a limitação da produção nacional.

As projeções do setor indicam que a produção brasileira do cereal ficará próxima a 8 milhões de toneladas em 2025/26, frente a uma demanda de 14,8 milhões. Para 2026/27, a estimativa é de queda para cerca de 7,2 milhões.

O tema será destaque do Painel do Trigo Nacional, que abre o Moatrigo no dia 13 de abril, na Fiep, em Curitiba, no Paraná.

O debate contará com a participação do analista de trigo da Safras & Mercado Elcio Bento, do presidente da Abitrigo, Daniel Kümmel, do diretor de Trading e Originação da Bunge para a América do Sul, Eduardo Bulgarelli.

O evento também contará com a leitura do balanço global de trigo, que, embora aponte estoques elevados, apresenta forte concentração em poucos países exportadores. O documento mostra que, ao mesmo tempo, diversas regiões importadoras seguem deficitárias, tornando a fluidez do comércio internacional um fator-chave para a formação de preços.

Outro ponto relevante a ser considerado nas discussões é o cenário de curto prazo, marcado pela entressafra no hemisfério norte, que reduz a oferta imediata e aumenta a sensibilidade do mercado a fatores como clima, geopolítica e movimentação de fundos.

Para o Brasil, essa dinâmica reforça o peso das importações, com destaque para a Argentina, principal fornecedora, embora problemas de qualidade na safra recente possam limitar seu aproveitamento e exigir maior atenção da indústria.

O painel também deve abordar a competitividade das principais origens exportadoras, como Rússia, Estados Unidos e Argentina, além de fatores que influenciam o custo da farinha no Brasil, como energia, custos de produção e desafios logísticos ao longo da cadeia.

Serviço

O que: Moatrigo
Quando: Dia 13 de abril
Onde: Centro de Eventos Fiep (Av. Com. Franco, 1341 – Jardim Botânico, Curitiba-PR)
Inscrições aqui

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Agro Mato Grosso

Produção de etanol em MT deve ter alta de 17,8% na safra 2026/2027, diz projeção

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A produção de etanol em Mato Grosso deve ter uma alta de 17,8% na safra 2026/2027, com 8,44 milhões m³, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Esse resultado mostra o avanço das usinas de etanol no estado. Um dos destaques é o avanço das usinas de etanol de milho, com 12 usinas em funcionamento, outras 10 em produção e cinco em estudo.

Além disso, o estado também avança na produção de biocombustível de milho do país, com uma produção de mais de 13,9 milhões de toneladas na safra de 2024/2025, conforme o Imea.

O interesse pelo biocombustível cresce em razão da vantagem de descarbonização na economia verde e até mesmo como alternativa ao diesel importado, que vem se tornando cada vez mais caro como reflexo da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

Etanol na safra 2026/2027

  • Milho: 7,33 milhões de m³
  • Cana: 1,11 milhão de m³

 

O milho vem se destacando no estado nos últimos anos. A princípio, essa planta começou como uma segunda safra, sendo uma alternativa encontrada pelos produtores para ocupar o espaço das lavouras depois da colheita da soja.

No ano passado, as usinas também produziram 2,2 bilhões de litros de biodiesel e 2,7 milhões de toneladas de grãos e 2,7 milhões de toneladas de grãos secos destilados que são subprodutos extraídos do processamento do etanol.

Perspectivas econômicas

 

Para os próximos anos, a economia mato-grossense segue em expansão. A expectativa dos produtores para os próximos anos passa pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve criar a maior zona de livre comércio do mundo.

Esse tratado deve beneficiar Mato Grosso com a redução tarifária, acesso ampliado aos mercados, novas tecnologias europeias e estímulo à agroindustrialização do estado. O novo acordo ainda vai derrubar barreiras tarifárias que, hoje, punem os produtos processados.

O estado ainda ampliou para 15 novos mercados internacionais, em dois anos, para reforçar a pauta exportadora. Esse avanço também passa pelos novos investimentos em agroindústria da região, que cresce a cada ano.

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