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16 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Milho/RS: Colheita avança no estado e chega a 50% da área semeada – MAIS SOJA

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A colheita do milho chega a aproximadamente 50%, avançando rapidamente em função do tempo seco e quente, que reduz a umidade dos grãos de forma mais acentuada. O restante das lavouras se distribui entre maturação (21%), enchimento de grãos(16%), floração (6%), desenvolvimento vegetativo (7%). As produtividades nas áreas colhidas estão satisfatórias com média próxima à projetada inicialmente, mas há variabilidade significativa
em função das condições edafoclimáticas e do manejo.

A diminuição das chuvas e as altas temperaturas nas fases críticas, em especial pendoamento, polinização e enchimento de grãos, têm impactado negativamente o potencial produtivo, e há perdas mais expressivas em áreas com solos de menor capacidade de retenção hídrica.

A baixa umidade do solo tem limitado o plantio em segunda safra e de cultivos em sucessão, causando problemas de emergência e desenvolvimento inicial. Em termos fitossanitários, houve aumento da incidência de cigarrinha-do-milho em diversas regiões, demandando monitoramento contínuo. Há também registros pontuais de outras pragas, como lagarta-do-cartucho.

Estima-se o cultivo de 785.030 hectares e produtividade foi inicialmente projetada em 7.370 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar. Nova projeção será divulgada no início de março.

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Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita se encontra em fase final, com produtividades dentro ou acima do esperado em áreas irrigadas e abaixo do esperado em áreas de sequeiro, em função do déficit hídrico durante o florescimento e o enchimento de grãos. As lavouras remanescentes tendem a apresentar
menores rendimentos devido ao maior período de estresse térmico e hídrico nas fases críticas.

Em São Borja, nos 22.000 hectares cultivados, a produtividade varia de 9.000 a 12.000 kg/ha em áreas irrigadas, e de 4.800 a 6.000 kg/ha em lavouras sem irrigação. Na de Caxias do Sul, o volume de precipitações segue abaixo do ideal para o adequado desenvolvimento das lavouras, cuja fase fenológica predominante é o enchimento de grãos.

Embora ainda se mantenha a expectativa de uma boa safra, diversas áreas já apresentam
perdas significativas. Na de Erechim, 50% da área está nas fases de enchimento de grãos e maturação e 50% colhidos. As produtividades variam de 7.200 a 15.000 kg/ha, com média estimada de aproximadamente 9.000 kg/ha, influenciada pela irregularidade das chuvas, pelas condições de fertilidade do solo e uso de irrigação.

Na de Frederico Westphalen, aproximadamente 5% estão em fase vegetativa, 15% em maturação e 80% colhidos. A expectativa atual de produtividade apresenta redução próxima a 5% em relação à projeção inicial de 8.024 kg/ha, podendo atingir até 30% em áreas mais afetadas. Nos cultivos de milho de segunda safra, há dificuldades de estabelecimento em função do déficit hídrico.

Há alta incidência de cigarrinha-do-milho. Na de Ijuí, 70% da área foi colhida, favorecida pela rápida perda de umidade dos grãos, que atingem teores entre 22% e 25%. As produtividades alcançam até 9.000 kg/ha, variando conforme o manejo, a cultivar e os impactos da estiagem ocorrida em dezembro. Em áreas irrigadas, registram-se produtividades entre 13.000 e 15.000 kg/ha. O milho segunda safra apresenta emergência irregular e desenvolvimento inicial comprometido por baixa umidade e altas temperaturas. Aumentou a captura de cigarrinha nas armadilhas de monitoramento.

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Na de Passo Fundo, 10% estão em floração, 20% em enchimento de grãos e 70% em maturação fisiológica. As lavouras semeadas precocemente mantêm bom potencial produtivo, enquanto as tardias apresentam redução de rendimento devido ao tempo predominantemente seco.

Na de Pelotas, 27% dos cultivos estão em desenvolvimento vegetativo, 33% em florescimento, 20% em enchimento de grãos, 7% em maturação e 13% colhidas. Observa-se déficit hídrico em diversas localidades, com impacto no potencial produtivo. Registra-se
intensa presença da cigarrinha-do-milho nas lavouras. Na de Santa Maria, aproximadamente 40% foram colhidos, com produtividade próxima à projetada. Cerca de 25% das lavouras se encontram em fase reprodutiva (embonecamento e enchimento de grãos), com potencial de redução de produtividade devido à irregularidade e ao baixo volume de precipitações.

Na de Santa Rosa, a semeadura permanece em 98% da área prevista. A distribuição fenológica indica 6% em desenvolvimento vegetativo, 1% em enchimento de grãos, 7% em
maturação e 86% colhidos. As produtividades variam de 9.000 a 12.000 kg/ha em áreas irrigadas, e de 4.800 a 8.400 kg/ha em sequeiro. O milho safrinha enfrenta restrições de estabelecimento e desenvolvimento inicial devido à baixa umidade e às altas temperaturas.

Na de Soledade, a produtividades do milho do cedo varia de 4.200 a 10.800 kg/ha em sequeiro, influenciadas pela estiagem, ocorrida entre novembro e dezembro. As lavouras semeadas em período intermediário e tardio apresentam bom desempenho vegetativo e reprodutivo, mas há estresse hídrico de intensidade variável, associado à falta de chuvas e a fatores edáficos. A distribuição fenológica indica 30% em fase vegetativa, 8% em florescimento, 12% em enchimento de grãos, 20% em maturação fisiológica, 15% e maturação de colheita e 15% colhidos. Registra-se alta incidência de cigarrinha-do-milho e
ocorrência pontual de lagarta-do-cartucho.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, diminuiu 2,24%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 60,70 para
R$ 59,34.

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Fonte: Emater/RS



 

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ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

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A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.

De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.

Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.

Fonte: Cepea

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FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

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Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.

O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.

Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.

O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.

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Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).

Cuiabá

Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.

O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.

Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).

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Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).

“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.

CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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Sustentabilidade

A importância do trigo tropical e os desafios do manejo da brusone – MAIS SOJA

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Angelo Aparecido Barbosa Sussel, pesquisador da Embrapa Cerrados
Jorge Henrique Chagas, pesquisador da Embrapa Trigo

O trigo ocupa posição estratégica na agricultura brasileira, tanto pela importância econômica quanto pelo papel que pode desempenhar na diversificação dos sistemas de produção, na segurança alimentar e na utilização mais eficiente das áreas agrícolas durante diferentes épocas do ano. Historicamente, a produção brasileira de trigo esteve concentrada nas regiões Sul e Sudeste, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura. Entretanto, os avanços no melhoramento genético, no conhecimento dos ambientes de produção e no desenvolvimento de sistemas de manejo adaptados às condições tropicais vêm permitindo a expansão da cultura para regiões anteriormente consideradas marginais ao cultivo de trigo.

Nesse contexto, o trigo tropical representa uma das principais oportunidades de expansão da triticultura brasileira. A região Centro-Oeste e determinadas áreas do Sudeste, especialmente de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, apresentam condições que permitem a produção de trigo com elevado potencial produtivo, desde que sejam utilizadas cultivares adaptadas, épocas de semeadura adequadas e estratégias de manejo compatíveis com as condições climáticas locais. A própria Embrapa destaca o potencial do trigo de sequeiro no Brasil Central, associando a expansão da cultura ao desenvolvimento de cultivares com maior tolerância à deficiência hídrica e resistência à brusone, principal doença que acomete os trigais da região.

A expansão do trigo para o ambiente tropical não deve, entretanto, ser entendida como uma simples transferência do modelo de produção utilizado no Sul do Brasil. O ambiente tropical apresenta características próprias, especialmente relacionadas à temperatura, à disponibilidade hídrica e à ocorrência de doenças. Por isso, o sucesso da cultura depende de uma combinação entre genética, época de semeadura, disponibilidade de água, fertilidade do solo e manejo fitossanitário.

Uma das principais ferramentas para mitigar riscos é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Mais do que uma tabela de datas, o Zarc é um guia estratégico que cruza dados de clima, solo, ciclo da cultivar e probabilidade de eventos adversos. A indicação das janelas de plantio, atualizadas periodicamente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ajuda a proteger a lavoura nas fases mais sensíveis: espigamento, florescimento e enchimento de grãos.

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O produtor deve considerar que não existe uma única época ideal de semeadura. A janela recomendada depende do município, do sistema de cultivo, do tipo de solo, da cultivar e, em muitos casos, do sistema irrigado ou de sequeiro. A documentação técnica do Mapa destaca que, no ambiente tropical, deficiência hídrica e excesso de calor estão entre os principais fatores limitantes e que, do ponto de vista fitossanitário, a brusone constitui um dos principais problemas para a produção de trigo no Centro do Brasil, tanto em sistemas de sequeiro quanto irrigado. Não basta escolher uma cultivar produtiva. É necessário posicioná-la em uma época em que as condições climáticas sejam menos favoráveis aos principais estresses da cultura.

Entre as doenças que podem comprometer a produção de trigo no ambiente tropical, a brusone ocupa posição de destaque. A brusone pode ocorrer nas folhas, causando lesões que reduzem a área fotossinteticamente ativa, mas seu impacto econômico mais grave está associado à infecção das espigas (Figura 1). Quando a doença atinge o ráquis (eixo da espiga) ou regiões próximas ao ponto de inserção das espiguetas, pode ocorrer interrupção do fluxo de água e fotoassimilados (nutrientes gerados na fotossíntese)  para a parte superior da espiga. Como consequência, as espiguetas podem apresentar grãos chochos ou ausência de formação de grãos. Outra condição que tem sido observada é a infecção na base do colmo, matando a planta, principalmente na cultivares com maior suscetibilidade (Figura 2).

Figura 1. Espigas de trigo com sintoma de brusone-do-trigo (Foto: Angelo A. B. Sussel)
Figura 2. Colmo de trigo com lesões de brusone-do-trigo. (Foto: Angelo A. B. Sussel)

O manejo da brusone precise ser pensado em duas dimensões complementares: proteção da parte aérea e proteção da espiga. A proteção durante o período vegetativo tanto protege o trigo de manchas foliares como reduz o potencial de inóculo da brusone para o período de espigamento. A proteção durante o período de espigamento e florescimento deve ser considerada uma das principais prioridades do manejo, especialmente quando as condições ambientais favorecem a infecção da doença.

No trigo de sequeiro, a ocorrência de chuvas durante fases críticas da cultura pode criar períodos de molhamento foliar e elevar a umidade dentro do dossel (massa foliar), favorecendo a infecção e a disseminação do patógeno. Por essa razão, a escolha da época de semeadura é uma ferramenta de controle de doenças tão importante quanto a aplicação de fungicidas. A estratégia é procurar evitar que o período de maior suscetibilidade da cultura coincida com condições ambientais altamente favoráveis ao desenvolvimento da doença.

No trigo irrigado, por outro lado, o produtor consegue controlar melhor a disponibilidade de água e evitar situações de deficiência hídrica severa. Isso reduz um dos principais riscos do trigo tropical e normalmente permite maior estabilidade produtiva. Entretanto, irrigação não significa ausência de risco de brusone. A irrigação pode, inclusive, aumentar a duração dos períodos de molhamento quando manejada de maneira inadequada. Assim, o sistema irrigado exige planejamento cuidadoso do momento e da quantidade de água aplicada, evitando excesso de umidade.

A safra de 2026 merece atenção especial. No acompanhamento das lavouras de trigo tropical realizado neste ano, tem sido observada maior ocorrência de brusone inclusive em áreas irrigadas, situação que chama a atenção porque, normalmente, o sistema irrigado apresenta menor risco da doença quando comparado ao trigo de sequeiro.

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Contudo, dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizadas no Distrito Federal e em Cristalina (GO), registraram os menores somatórios de horas de temperatura mínima abaixo de 15 °C para o período de maio a agosto de 2026 dos últimos oito anos, o que indica um final de outono e início de inverno mais quente que a média do mesmo período (Figura 3). As temperaturas máximas deste ano também estão se comportando com valores superiores às médias do período (Figura 4), da mesma forma que a quantidade de horas com chuva (Figura 5). Essa condição de maior calor, associada à elevação da umidade relativa provocada pela irrigação por aspersão, permite gerar as condições favoráveis à manutenção do patógeno e à ocorrência de epidemias de brusone em trigo irrigado, principalmente nas cultivares de maior suscetibilidade, reduzindo a vantagem fitossanitária normalmente associada ao cultivo nesse sistema.

Figura 3. Somatório de horas com temperatura mínima abaixo de 15°C entre os meses de Maio e Agosto
Figura 4. Somatório de horas com temperatura máxima acima da média entre os meses de Maio e Agosto
Figura 5. Somatório de horas de precipitação entre os meses de Maio e Agosto

É importante, contudo, interpretar essa observação com cautela. A relação entre clima e brusone não depende exclusivamente da precipitação acumulada ou da temperatura média. O desenvolvimento da doença é resultado da interação entre temperatura, umidade, duração do molhamento, chuva, estádio fenológico (fase de desenvolvimento da planta), suscetibilidade da cultivar e presença de inóculo. Assim, o comportamento observado em 2026 deve ser considerado um importante sinal de alerta, e não simplesmente atribuído à irrigação. A documentação do Zarc para o Distrito Federal já reconhece que a brusone é um dos principais problemas fitossanitários do trigo no ambiente tropical, tanto no cultivo irrigado quanto no de sequeiro.

Também é fundamental a compreensão de que o controle da brusone não deve depender exclusivamente de fungicidas. O manejo mais eficiente começa antes da semeadura e envolve uma sequência de decisões. A primeira é a escolha da cultivar. Cultivares com maior resistência ou menor suscetibilidade à brusone podem apresentar vantagem significativa em ambientes de maior risco. Entretanto, resistência genética não deve ser considerada uma proteção absoluta, pois o desempenho das cultivares pode variar conforme o ambiente e a pressão da doença.

A segunda é a época de semeadura. O posicionamento da cultura dentro da janela recomendada pelo Zarc deve procurar reduzir a coincidência entre os estádios críticos do trigo e os períodos de maior risco climático. Em publicações técnicas da Embrapa para trigo irrigado no Cerrado, por exemplo, recomenda-se atenção à época de semeadura e destaca-se a importância de evitar períodos que aumentem a probabilidade de ocorrência de brusone.

A terceira é o monitoramento da lavoura. O produtor deve acompanhar especialmente as condições ambientais e a evolução da doença nas folhas antes do espigamento. A presença de sintomas foliares próximos à entrada no período reprodutivo deve aumentar o nível de atenção para a proteção das espigas.

A quarta é o manejo racional da irrigação. A água deve ser utilizada para atender às necessidades da cultura, mas evitando criar condições desnecessariamente favoráveis ao desenvolvimento de doenças. O momento, a lâmina e a frequência das irrigações devem ser definidos considerando o solo, a evapotranspiração, o estádio da cultura e a previsão meteorológica.

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Finalmente, o controle químico deve ser integrado às demais medidas. A eficiência dos fungicidas depende do produto, da dose, da tecnologia de aplicação, do momento da aplicação, da cobertura das plantas e da sensibilidade do patógeno. No caso da brusone da espiga, o posicionamento da aplicação é especialmente importante, pois uma aplicação muito antecipada ou muito tardia pode apresentar eficiência inferior à desejada.

A experiência de 2026 reforça uma mensagem fundamental: mesmo quando o produtor dispõe de irrigação e reduz o risco de deficiência hídrica, o ambiente continua determinando a ocorrência das doenças. A produção de trigo tropical, portanto, deve ser encarada como um sistema em que clima, planta, patógeno e manejo estão permanentemente interligados.

Fonte: Embrapa


FONTE

Autor:Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) Embrapa Cerrados

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Site: Embrapa

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