Sustentabilidade
Soja: Safra recorde no Brasil e oferta global em baixa devem ampliar o protagonismo do país no comércio internacional – MAIS SOJA

Estimativas iniciais indicam que o Brasil deve alcançar nova produção recorde de soja na safra 2025/26. Já a oferta global deve diminuir, resultado, sobretudo, da menor oferta nos Estados Unidos e na Argentina. Esse cenário tende a ampliar ainda mais o protagonismo brasileiro no comércio internacional, com o País podendo ser responsável por abastecer cerca de 60% da demanda mundial de soja.
Diante dessa conjuntura, os preços externos e as negociações para embarques nos portos brasileiros no primeiro semestre de 2026 indicam sinais de recuperação. Parte da valorização esperada para o mercado internacional está associada ao acordo comercial entre a China e os Estados Unidos, no qual o governo asiático se comprometeu a intensificar as importações de soja norteamericano entre 2026 e 2028.
Os contratos de 2026 de soja negociados na CME Group (Bolsa de Chicago) operam entre US$ 10,80 e US$ 11,20 por bushel, acima da média de US$ 10,37/bushel registrada em 2025.
Ainda assim, a expectativa é de que a demanda chinesa por soja brasileira permaneça elevada, sustentando os prêmios de exportação. Com isso, o preço FOB no Brasil também segue em recuperação: no porto de Paranaguá (PR), a soja em grão é negociada entre US$ 24,00 e US$ 25,50 por saca de 60 kg para embarques de fevereiro a julho de 2026, acima dos US$ 22,00 a US$ 23,50 por saca observados no mesmo período do ano anterior.
No âmbito doméstico, a rentabilidade do produtor tende a melhorar em importantes regiões. Segundo a equipe de custos de produção agrícola do Cepea, a relação receita/custo da safra 2025/26 (até agosto) pode crescer 26% em Cascavel (PR), 31,9% em Rio Verde (GO) e 17,6% em Sorriso (MT). No Rio Grande do Sul, por outro lado, as margens ainda podem permanecer negativas.
Vale destacar que a evolução da taxa de câmbio continuará a ser um fatorchave na formação dos preços internos. No cenário internacional, o dólar tende a ser pressionado pela redução da taxa básica de juros nos Estados Unidos, após o Federal Reserve cortar os juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Por outro lado, a recuperação dos preços no Brasil e nos Estados Unidos pode encontrar limites na maior competitividade da Argentina. O governo do país vizinho anunciou novas reduções das retenciones, com a alíquota sobre o grão recuando de 26% para 24%, enquanto as tarifas sobre farelo e óleo passaram de 24,5% para 22,5%, o que tende a estimular as exportações argentinas.
OFERTA E DEMANDA
De acordo com o USDA, após cinco temporadas consecutivas de expansão, a área global de soja deve recuar 1,9% em 2025/26, para 143,78 milhões de hectares, refletindo sobretudo as reduções nos Estados Unidos (-6,8%) e na Argentina (-5,5%). No Brasil, por sua vez, a área segue em trajetória de crescimento contínuo desde a safra 2007/08. A produção mundial é estimada em 425,68 milhões de toneladas, volume 0,35% inferior ao da temporada anterior.
A produção brasileira é projetada pelo USDA em 178 milhões de toneladas, o equivalente a 41,8% da safra mundial, enquanto a Conab estima volume de 176,12 milhões de toneladas. Na Argentina, a colheita deve somar 48,5 milhões de toneladas, queda de 5,1%, e nos Estados Unidos, 115,98 milhões de toneladas, retração de 2,6% em relação à safra anterior.
No comércio internacional, o USDA projeta que o Brasil exporte 114 milhões de toneladas de soja em 2025/26, aumento de 10,53% e o que consolida o País como principal fornecedor global. A Argentina deve exportar 8,25 milhões de toneladas (+4,8%) e o Paraguai, 7,7 milhões de toneladas (+16,7%). No total, a América do Sul deve responder por quase 70% do abastecimento mundial, dos quais 60,7% seriam originados no Brasil.
Já as exportações dos Estados Unidos são estimadas em 42,86 milhões de toneladas, com queda de 16,3% e o menor volume desde 2012/13. As importações da China devem alcançar 112 milhões de toneladas (+3,7%), e a União Europeia deve importar 14 milhões de toneladas, leve de 4,4%. O USDA projeta redução dos estoques globais e queda da relação estoque/processamento para 34%, o menor patamar desde 2022/23.
DERIVADOS
O processamento global de soja segue em expansão e deve atingir um recorde de 366,43 milhões de toneladas. A Argentina tende a reduzir o esmagamento para 41 milhões de toneladas (-5,1%), enquanto os Estados Unidos devem processar 69,94 milhões de toneladas (+5,1%) e o Brasil, 59 milhões de toneladas (+3,45%).
Nos EUA, o avanço do esmagamento está ligado às maiores demandas doméstica e externa por farelo, estimadas em 38,13 milhões de toneladas (+3,1%) e em 17,6 milhões de toneladas (+6%), respectivamente. No Brasil, as exportações de farelo devem alcançar 24,7 milhões de toneladas (+5,6%), e o consumo interno é projetado em 21,3 milhões de toneladas (+4,9%). Os preços futuros do farelo indicam recuperação, variando entre US$ 294,00 e US$ 315,00 por tonelada curta para contratos ao longo de 2026.
O consumo global de óleo de soja para biodiesel segue em crescimento, levando a produção mundial a um recorde de 71,13 milhões de toneladas. A Argentina deve liderar as exportações, com 6,15 milhões de toneladas, e o Brasil deve exportar 1,5 milhão de toneladas. No mercado doméstico brasileiro, o consumo permanece elevado, com 6,4 milhões de toneladas destinadas ao uso industrial e 4,05 milhões de toneladas ao setor alimentício. Nos Estados Unidos, o uso do óleo para alimentos tende a recuar, ao passo que a demanda industrial deve atingir um novo recorde histórico.

Fonte: Cepea
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TRIGO/CEPEA: Valores seguem em alta no BR – MAIS SOJA

Em movimento de alta, o preço do trigo em grão atinge em março os mesmos patamares de outubro do ano passado nos estados do Sul do Brasil. Em algumas regiões acompanhadas pelo Cepea, como São Paulo, o valor do grão é o maior em aproximadamente seis meses. Esse movimento está associado principalmente à valorização do trigo no mercado internacional e à alta do dólar frente ao Real, além de expectativas de redução de área e produção na próxima safra brasileira.
Nesse contexto, segundo pesquisadores do Cepea, produtores têm restringido a oferta do cereal no mercado spot, apostando em novas valorizações e considerando a futura necessidade de recomposição de estoques pelas moageiras no período de entressafra.
Fonte: Cepea
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
MT: Algodão entra em fase crítica e bicudo preocupa produtores no Brasil – MAIS SOJA

A Conab divulgou o acompanhamento da fenologia do algodão no Brasil. Assim, até 21 de mar/26, as lavouras se encontravam com 18,10% das áreas em fase vegetativa, 53,90% em floração e 28,00% em formação de maçãs. Nesse período, a tendência é de que a cultura fique mais suscetível à incidência de pragas, entre elas, a principal é o bicudo-do-algodoeiro.
Especificamente em Mato Grosso, conforme o relatório divulgado pelo Instituto Matogrossense do Algodão (Ima-MT), no início do ciclo da cultura, os indicadores de monitoramento registraram alta incidência do inseto no período pré-safra. Como consequência, a infestação pode provocar a queda de botões e maçãs, além de reduzir a qualidade da fibra. Diante desse cenário, o manejo adequado, aliado a condições climáticas favoráveis, são essenciais para o bom desempenho da cultura.
Confira os principais destaques do boletim:
- VALORIZAÇÃO: o preço do algodão na bolsa de NY, contrato dez/26, teve elevação de 0,88% frente à semana anterior, ficando cotado na média de ¢ US$ 72,88/lp.
- BAIXA: o dólar compra Ptax apresentou queda de 0,06% em relação à semana passada, sendo cotado na média de R$ 5,24/US$.
- ALTA: o preço pluma Imea valorizou 1,18% em relação à semana passada, sendo cotado na média de R$ 113,56/@, acompanhando os preços externos do algodão.
A alta do dólar e a valorização do algodão na bolsa de NY elevaram as paridades de exportação em Mato Grosso.
Na última quinzena (10/03 a 27/03), as paridades de jul/26 e dez/26 apresentaram aumento em relação à quinzena anterior (17/02 a 09/03). Assim, o contrato de jul/26 ficou precificado na média de R$ 119,88/@ no período analisado, alta de 4,18% no comparativo quinzenal. Já para dez/26, no mesmo comparativo, houve incremento de 4,82%, ficando na média de R$ 128,94/@. Esse contexto esteve atrelado à valorização das cotações do algodão na bolsa de Nova York, com o aquecimento da demanda internacional contribuindo
para sustentar a firmeza dos preços.
Somada a isso, a elevação do dólar também contribuiu para o suporte das paridades, associada à guerra no Oriente Médio e aos ajustes nas taxas de juros brasileiras. Por fim, além das questões citadas, as próximas semanas serão marcadas pelo início da semeadura do algodão nos EUA, o que poderá trazer novas dinâmicas para o comportamento dos preços da pluma.
Fonte: IMEA
Autor:IMEA
Site: IMEA
Sustentabilidade
MT: Colheita da soja chega a 99,7% em Mato Grosso e produção pode ser recorde – MAIS SOJA

A colheita da soja para a safra 25/26 em MT está em sua reta final, até a última sexta-feira (27/03), os trabalhos a campo haviam alcançado 99,74% dos 13,01 mil de ha previstos para a temporada, avanço de 0,60 p.p. O indicador está 1,35 p.p. acima da média dos últimos cinco anos, mas ainda 0,18 p.p. abaixo do colhido no mesmo período da safra anterior. Em relação às regiões do estado, a Oeste, e Centro-Sul atingiram 99,94%, e 99,55% das áreas finalizadas, respectivamente. Vale destacar que, na região Oeste, apenas os municípios que compõem o Vale do Guaporé ainda não finalizaram as operações.
Por outro lado, as regiões Nordeste (99,47%) e Sudeste (99,38%) seguem com atraso em relação à safra 24/25, reflexo da semeadura e do calendário mais tardio, além das condições climáticas ao longo do ciclo. Desse modo, a expectativa é de que a colheita seja totalmente encerrada na próxima semana. Com isso a produção de soja da safra 25/26 poderá ser a maior da história, projetada em 51,51 milhões de t.
Confira os principais destaques do boletim:
- MAIOR: o diferencial de base MT-CME aumentou 6,00% quando comparado à semana passada, reflexo da valorização do preço da soja em Mato Grosso.
- ALTA: motivado pela valorização do prêmio exportação no Porto de Paranaguá, a paridade
exportação mar/27 exibiu um incremento de 1,36% no comparativo semanal. - POSITIVO: o preço da oleaginosa no indicador Cepea-Paranaguá registrou acréscimo de 0,92% frente à semana passada, encerrando o período na média de R$ 129,93/sc.
Demanda aquecida pelo setor de biodiesel tem elevado os preços do óleo de soja em MT.
Nesse contexto, o avanço dos preços do petróleo no mercado internacional tem elevado o custo do diesel, aumentando a competitividade dos biocombustíveis. Como consequência, o aumento na demanda por biodiesel intensifica a procura por óleo de soja para o esmagamento, principal matéria-prima na produção. Refletindo esse cenário de maior demanda, o preço do coproduto valorizou 1,48% na semana passada, sendo negociado a R$ 5.886,75/t. Em fev/26, a produção de biodiesel no estado atingiu 195.343 m³, alta de 114,38% frente ao mesmo período do ano anterior e 64,07% acima da média dos últimos cinco anos, reforçando o consumo no mercado interno.
Quanto à produção do Brasil, MT respondeu por 22,65% da produção nacional em 2025. Por fim, a ampliação da mistura obrigatória para B16, ainda em 2026, não apenas reduz a necessidade de diesel, mas também aumenta a demanda por óleo de soja. Mesmo com safras recordes, esse movimento contribui para a absorção da oferta e dá suporte aos preços do coproduto no estado
Fonte: IMEA
Autor:IMEA
Site: IMEA
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