Connect with us
23 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Boas práticas no controle de percevejos em soja – MAIS SOJA

Published

on


Em função do elevado potencial em causar danos tanto quantitativos quanto qualitativos, os percevejos estão entre as principais pragas da soja. Os danos variam em função da espécie, período de ocorrência, densidade populacional e suscetibilidade da cultivar, havendo relatos de espécies em que cada percevejo por reduzir em até 0,21 g dia-1 a produtividade da soja. Além dos danos quantitativos, é consenso que os percevejos são capazes de reduzir a qualidade das sementes de soja, afetando atributos fisiológicos importantes como germinação e vigor.

Nesse contexto, o controle eficiente dos percevejos é determinante para o sucesso da lavoura, sendo crucial adotar boas práticas que possibilitam reduzir os danos causados por eles em soja, bem como controlar de forma efetiva a praga. Dentre essas práticas, destacam-se o monitoramento sistemático das lavouras, a integração de estratégias de manejo, o uso racional de inseticidas e o posicionamento das pulverizações.

Monitoramento sistemáticos das lavouras

O monitoramento é a chave que define a necessidade de controlar percevejos em soja, e deve ocorrer preferencialmente a partir de R1. De maneira geral, há uma tendência de aumento populacional dos percevejos durante o período reprodutivo da soja, no qual, ocorrem os maiores danos em decorrência da praga.

Para fins de manejo, considera-se como período crítico de ocorrência dos percevejos em soja, de R4 a R6 (figura 1). A amostragem deve ser realizada preferencialmente com o pano de batida, de forma regular e representativa. Ao atingir o nível de ação para o controle dos percevejos durante o período crítico, deve-se adotar medidas de controle como a pulverização de inseticidas.

Advertisement
Figura 1. Período crítico de ocorrência de percevejos em soja.

Conforme orientações de manejo, o controle químico dos percevejos em lavouras produtoras de grãos deve ocorrer quanto atingido o nível de 2 percevejos/m, e em lavouras produtoras de sementes ao observar 1 percevejo/m, durante o período crítico (Roggia et al., 2020).

integração de estratégias de manejo

Conforme os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), medidas culturais, como o manejo adequado de plantas voluntárias de soja (tigueras), o controle de plantas hospedeiras alternativas e a adoção do vazio sanitário, reduzem a sobrevivência e a multiplicação dos percevejos entre safras. Além disso, a escolha de cultivares adaptadas à região e o escalonamento adequado da semeadura contribuem para minimizar períodos prolongados de exposição da lavoura à praga.

Não menos importante, a tolerância genética também é uma ferramenta a ser explorada. Conforme observado por Neto et al. (2009), os genótipos de soja podem variar quanto a resistência a danos de percevejos. Nesse contexto, o cultivo de genótipos de soja com menor sensibilidade aos percevejos é uma estratégia que contribui para reduzir o impacto da praga na cultura.



Uso racional de inseticidas

Quando o controle químico é necessário, deve-se priorizar o uso racional de inseticidas, com base na rotação de ingredientes ativos e de mecanismos de ação. Essa prática é fundamental para reduzir o risco de resistência, um problema crescente no manejo de percevejos.

Deve-se dar prioridade para o uso de inseticidas de maior performance, adotando boas práticas de tecnologia de aplicação, bem como orientações técnicas para o uso dos inseticidas. Vale destacar que a suscetibilidade a inseticidas pode variar de acordo com a espécie e população do percevejo, podendo também, diferir com base na distribuição geográfica da praga, para uma mesma espécie.

Posicionamento das pulverizações

Além de posicionar adequadamente as pulverizações de inseticidas quanto a época de controle e eficiência dos inseticidas, também é crucial atentar para o posicionamento das aplicações quando ao horário de pulverização. Estudos demonstram que o horário de pulverização reflete na eficácia do controle dos percevejos em soja.

Advertisement

Conforme destacado pelo IRAC-BR, a exemplo do percevejo-marrom (Euschistus heros), independentemente do produto utilizado, melhores resultados de controle tem sido observados quando as aplicações dos inseticidas são realizadas durante o início da manhã (sem estresse), quando os percevejos estão mais expostos e as perdas por evaporação e deriva são menores.

Figura 2. Controle de Euschistus heros (% de eficácia). Aplicações em diferentes horários. São Martinho/PR.
Fonte: IRAC-BR

Assim, o sucesso no controle de percevejos na cultura da soja depende da adoção integrada de diferentes estratégias de manejo, que, em conjunto, configuram as boas práticas para o manejo dessa praga. Essas estratégias abrangem desde a escolha adequada da cultivar e o planejamento da semeadura até o monitoramento sistemático da lavoura e a correta tomada de decisão quanto ao controle químico, sempre baseada em níveis de ação e nos princípios do Manejo Integrado de Pragas.

Referências:

IRAC. MANEJO DA RESISTÊNICA DO PERCEVEJO-MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_23289b96aa09446f8e8a4091352aecaf.pdf >, acesso em: 09/02/2026.

NETO, A. L. F. et al. AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE SOJA [Glycine max (L.) Merr.] PARA RESISTÊNCIA AOS PERCEVEJOS PRAGA (HEMIPTERA: PENTATOMIDAE). Congresso Brasileiro De Melhoramento de Plantas, 2009. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1175550?locale=pt_BR >, acesso em: 09/02/2026.

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADE DE PRAGAS. Embrapa, Sistemas de Produção, n. 17, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 9, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 09/02/2026.

 

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Sustentabilidade

Brasil poderá importar maior volume de trigo em 30 anos na temporada 2026/27 – MAIS SOJA

Published

on


O Brasil poderá importar mais de 9 milhões de toneladas de trigo na temporada atual 2026/27, alcançando o maior volume dos últimos 30 anos, segundo estimativa apresentada pelo presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, durante a abertura do 33o Congresso Internacional da entidade nesta quinta-feira (22), no Rio de Janeiro (RJ).

A perspectiva de aumento das importações está relacionada à redução da produção nacional, afetada pelas condições climáticas nos principais estados produtores do Sul e Sudeste, e à consequente perda de produtividade e qualidade dos grãos. Segundo Barbosa, a volatilidade dos custos de produção e as oscilações dos preços internacionais também influenciaram as decisões de plantio, deixando a área colhida abaixo do potencial produtivo brasileiro.

“Como desdobramento direto dessa menor disponibilidade interna do trigo, o Brasil registrará um aumento recorde nas importações”, afirmou Barbosa.

A qualidade do trigo argentino também poderá influenciar o volume das compras externas. Caso não haja recuperação em relação à safra passada, o Brasil poderá ampliar ainda mais os desembarques para garantir o abastecimento dos moinhos e da indústria alimentícia.

Advertisement

Durante o congresso, o presidente do conselho deliberativo da Abitrigo, Daniel Kümmel, informou que os moinhos brasileiros processaram 13,275 milhões de toneladas de trigo em 2025. Ele destacou que o aumento das compras externas representa um desafio para toda a cadeia, especialmente em relação à infraestrutura portuária, à armazenagem, ao capital de giro e ao câmbio.

“Nunca trouxemos tanto trigo de fora”, afirmou Kümmel.

O aumento ocorre em um cenário de pressão sobre os custos do setor. Barbosa apontou os gastos com insumos e embalagens, a elevação de 1,17% na carga tributária sobre o trigo importado e a redução de 10% do crédito presumido entre os fatores que poderão pressionar os custos do trigo em 2026/27 e afetar os preços da farinha e de produtos derivados, como pães, massas e bolos.

A Abitrigo também pretende apresentar as demandas do setor ao novo governo a partir de janeiro. Entre as prioridades estão a formulação de uma política nacional para o trigo, melhorias na infraestrutura de armazenagem, linhas de crédito específicas para a cadeia e o incentivo à expansão do cultivo no Cerrado.

Fonte: Agência Safras

Advertisement


 

FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

Advertisement
Continue Reading

Sustentabilidade

STF decide que Funrural cobrado antes de 2018 é inconstitucional. E agora? – MAIS SOJA

Published

on


No dia 15 de outubro, por 6 a 5 votos, os ministros dos Supremo Tribunal Federal decidiram que a cobrança da contribuição previdenciária para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) feita até 31 de dezembro de 2017 é inconstitucional. A conclusão vale tanto para as cobranças feitas a produtores rurais pessoa física quanto para as empresas compradoras de produtos rurais — que faziam os pagamentos na forma de sub-rogação.

De maneira geral, o entendimento da maioria do Tribunal é de que não havia clareza e todos os requisitos legais exigidos na legislação que embasava a cobrança da contribuição. No julgamento, os ministros também concluíram que a publicação da Lei 13.606, em 2018, tornou a exigência de pagamento constitucional. Desta forma, cobranças feitas a partir de 1º de janeiro de 2018 são regulares.

E agora?

Quem possui processos administrativos/judiciais, execuções fiscais e depósitos judiciais relacionados a cobranças anteriores a 2018 poderá pedir a extinção ou anulação dos procedimentos com base na decisão do STF.

Advertisement

Porém, o Supremo não definiu se quem pagou o Funrural antes de 2018 terá direito a reaver os valores ou quais diretrizes devem ser adotadas para os parcelamentos ativos. A expectativa é de que esses pontos, considerados “efeitos” da declaração de inconstitucionalidade da cobrança, sejam esclarecidos em um novo julgamento — que não tem data prevista para acontecer.

Recomendação da Aprosoja

A recomendação da Aprosoja Brasil é de que cada produtor converse com o contador e assessoria jurídica de confiança para avaliar o seu caso individual, principalmente se houver débito inscrito em dívida ativa ou ação judicial em curso referente a período anterior a 2018.

A Aprosoja seguirá acompanhando o processo no STF até o completo encerramento do tema.

Fonte: Aprosoja Brasil

Advertisement


 

Continue Reading

Sustentabilidade

Embrapa alerta para risco de propagação de bacteriose no trigo através de sementes – MAIS SOJA

Published

on


A presença do fenômeno El Niño, com chuvas por vários dias consecutivos, combinada com temperaturas mais amenas, está favorecendo a ocorrência de bactérias nas lavouras de trigo na Região Sul. A Embrapa Trigo alerta para o cuidado na produção de sementes em áreas afetadas pela bacteriose.

A safra de trigo entra na reta final no Rio Grande do Sul. O ambiente desafiador, com excesso de chuva na maioria das regiões produtoras, agravou a incidência de doenças nas lavouras, principalmente causadas por fungos, como manchas foliares, ferrugem e oídio. Contudo, nos últimos meses, lesões translúcidas e com características de queima têm sido registradas nas folhas das plantas, possivelmente causadas pelo ataque de bactérias.

Conforme o pesquisador da Embrapa Trigo, João Leodato Nunes Maciel, longos períodos com chuva e alta umidade, combinados com temperaturas amenas, em torno de 15 a 20ºC, favorecem o desenvolvimento de bactérias da espécie Pseudomonas syringae pv. syringae, agente causal da queima bacteriana da folha de trigo. “Pseudomonas é habitante natural das folhas de trigo, mas também sobrevive em restos culturais e em sementes. Quando as condições climáticas são ideais ao desenvolvimento da bactéria, como neste ano, a população bacteriana aumenta a tal ponto que a ação das toxinas produzidas contribui significativamente para o aparecimento de sintomas de queima das folhas”, esclarece o pesquisador.

Manejo da bacteriose

Advertisement

Não existe um defensivo agrícola registrado no MAPA para controle de bacteriose na cultura do trigo e os fungicidas não servem para o controle das bactérias, que podem continuar no ambiente mesmo após a aplicação do defensivo. “No entanto, nesta época, o produtor deve fazer a aplicação de fungicidas para controlar fungos e prevenir doenças de espiga. Em algumas lavouras com cultivares suscetíveis à ferrugem e manchas, a infecção por outros patógenos, incluindo bactérias, pode ser favorecida devido à maior debilidade da planta, sendo então necessário continuar o controle para as demais doenças e não sobrestimar o potencial de dano causado pela bactéria”, afirma João Leodato.

Bactérias nas sementes de trigo

Pseudomonas syringae pv. syringae é uma bactéria capaz de sobreviver em diversos ambientes, tais como na superfície de plantas hospedeiras (se alimentando de substâncias produzidas nas folhas, mesmo sem causar sintomas), no solo, em restos culturais e nas sementes.

A partir da semente de trigo a bactéria pode ser transmitida para a nova planta. Os sintomas dessa infecção aparecem já nas folhas primárias, na forma de lesões com aspecto encharcado, de cor verde-acinzentado a marrom-claro. Entretanto, a presença de Pseudomonas em sementes de trigo não tem sido associada à podridão ou morte de raízes das plantas.

A confirmação de que P. syringae pv. syringae está presente na semente pode ser realizada por meio de testes laboratoriais. Contudo, o pesquisador João Leodato Maciel reitera que não existem produtos bactericidas oficialmente registrados para o tratamento de sementes. Ainda, segundo ele, os resultados obtidos na avaliação de tratamentos preventivos, como a termoterapia, não forneceram dados suficientes para recomendar esta prática como uma medida de manejo da doença viável tecnicamente. “A recomendação para evitar ou minimizar os danos da queima bacteriana causada por Pseudomonas é a utilização de sementes livres da bactéria, condição que está diretamente vinculada ao uso de sementes produzidas em lavouras com baixa ocorrência da doença”, orienta Maciel. O pesquisador avalia que o uso de cultivares resistentes à doença também é uma medida importante que, entretanto, no Brasil se torna limitada devido ao pouco volume de informações relativas à reação das cultivares à queima bacteriana.

Advertisement

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo

Site: Embrapa

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT