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19 de junho de 2026

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Entre a colheitadeira e a chuva: o desafio da soja no oeste de Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja avança sob forte pressão em Mato Grosso, especialmente em Campo Novo do Parecis. As chuvas frequentes em janeiro têm limitado as horas de trabalho no campo e colocado produtores em uma corrida contra o tempo para retirar a safra no momento mais sensível do ciclo.

Na região, a preocupação não se resume apenas à produtividade. O excesso de umidade ameaça a qualidade dos grãos, enquanto os custos elevados e os preços mais baixos das commodities apertam ainda mais o orçamento das propriedades.

O agricultor Milton Bazila vive esse cenário diariamente. Nesta safra, ele cultivou 3.170 hectares de soja em Campo Novo do Parecis e relata a dificuldade para avançar com as máquinas em meio às chuvas quase constantes.

“A chuva está bem intensa, está todo dia chovendo praticamente. São poucas horas em que a gente consegue colher, chuva de mangas, forma precipitação muito rápida e a chuva vem”, conta ao Patrulheiro Agro desta semana. Segundo ele, a escolha por uma soja precoce foi estratégica para garantir o plantio do algodão logo na sequência.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Corrida contra o tempo e custos elevados

Bazila explica que o atraso na colheita pode gerar perdas significativas. “Nós precisamos recolher o quanto antes da lavoura, então é um desafio. A gente pega uma época chuvosa para colheita e o plantio do algodão tem que vir logo atrás, porque a melhor janela está aí e é agora”, afirma. Para tentar minimizar os impactos, ele reforçou a operação com máquinas terceirizadas.

A pressão também é emocional. “A gente passa por uma angústia muito grande, a gente fica com uma ansiedade muito grande de não dormir direito, é um negócio a céu aberto”, relata o produtor ao Canal Rural Mato Grosso. Ele observa ainda que o volume de chuvas em janeiro foge do padrão histórico. “Isso está um pouco anormal para janeiro, normalmente a nossa chuvarada mais pesada é a partir de fevereiro e início de março”.

Com os custos em alta e a queda nas cotações, o produtor faz contas apertadas. “Os custos estão altíssimos esse ano, as commodities caíram. Nos últimos anos, comparando caiu muito, esse ano a gente está na faixa de 60 sacas hoje só de custo, então está pesado o orçamento”, diz. Dependendo do clima, resume: “A gente está com a lavoura pronta para ser retirada agora e dependemos do clima, exclusivamente do clima”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Safra avançando lentamente

Na Fazenda Três Marcos, o produtor Junior Masanobu Utida também enfrenta dificuldades. Nesta temporada, a propriedade cultivou 5,7 mil hectares de soja, mas pouco mais de 800 hectares haviam sido colhidos até agora.

Conforme ele, o ciclo começou com falta de chuva, mas rapidamente mudou de cenário. “Foi um início seco. De outubro para frente começou a chover e depois não faltou mais chuva”, explica. O acumulado impressiona: “Em 15 dias mais ou menos choveu 350 milímetros só no finalzinho de dezembro, e agora mais uns 120, 130 milímetros em janeiro”.

Mesmo com boa estrutura de máquinas, o avanço depende de dias de sol. “Temos bastante máquinas também, uma máquina para cada 600 hectares, mas precisa dar um sol para a gente colher”, afirma Utida. Parte da soja mais precoce sofreu impactos, comenta. “Essa soja plantada mais cedo em setembro é a que sofreu um pouquinho mais na questão de germinação, na questão de população”.

Diante do cenário, o produtor já projeta um ano mais conservador. “É um ano de austeridade. Vamos ter que cortar despesas, não vai investir muita coisa. A lucratividade está baixa”, relata. Ainda assim, mantém cautela. “Todo ano vai ser diferente, então não dá para a gente fazer expectativa com chuva, deixa acontecer que a gente vai vencer”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Visão do setor produtivo

De acordo com o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, a movimentação nas lavouras tende a aumentar a partir da segunda quinzena do mês, quando mais áreas entram em ponto de colheita. O presidente da entidade, Antônio César Brólio, explica que, até o momento, não há registros de perdas severas.

“Ainda não temos relatos de lavouras estragadas, com grãos estragados, mas sabemos que muita chuva em cima tira o peso desse grão que já está pronto para colheita”, alerta.

A área semeada com soja no município gira em torno de 450 mil hectares nesta safra. A expectativa é de uma produtividade semelhante à do ano passado, suficiente para cobrir os custos, mas longe de uma safra altamente rentável. “O preço hoje paga a conta para quem consegue colher bem”, resume Brólio.

O município já registra um acumulado de aproximadamente 850 milímetros de chuva, enquanto a média histórica chega a cerca de 1,6 mil milímetros ao longo do período chuvoso. Com meses ainda pela frente, o setor segue atento ao clima.

“Resta janeiro, fevereiro, março e abril. Então a gente tem longos meses pela frente para a gente finalizar essas duas safras”, diz o presidente do sindicato ao Canal Rural Mato Grosso. Apesar das dificuldades, ele mantém a perspectiva positiva. “Eu já sofri com seca, eu prefiro que caia um pouco mais de chuva do que a falta de água. Secou, não tem o que colher. É a esperança de todo agricultor que esse tempo venha abrir depois do dia 15”.

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Sementes certificadas e proteção intelectual ganham destaque em debate sobre o futuro do agro

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A inovação tecnológica tem sido um dos principais motores da expansão da agricultura brasileira nas últimas décadas. O avanço da biotecnologia, do melhoramento genético e da pesquisa permitiu ganhos expressivos de produtividade e ajudou o país a consolidar sua posição entre os maiores produtores de alimentos do mundo.

Mas, ao mesmo tempo em que novas tecnologias chegam ao campo, cresce a preocupação com a comercialização irregular de sementes e insumos agrícolas. O tema esteve no centro das discussões de um workshop realizado em São Paulo, que reuniu representantes da indústria, produtores rurais e especialistas do setor.

O debate destacou a importância da pesquisa para o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e adaptadas às diferentes regiões do país, além dos desafios para garantir que esses investimentos continuem chegando ao campo.

Para o líder do negócio de soja da Bayer, Fabiano Oliveira, o trabalho começa muitos anos antes de a semente chegar às propriedades rurais. “Tem muita pesquisa, muito tempo, tanto de laboratório quanto de campo para entender a performance de cada cultivar e de cada biotecnologia para gerar as melhores recomendações para que quando o agricultor vai plantar ele tenha sucesso”.

Os resultados dessa evolução já aparecem na produtividade. Dados apresentados durante o evento mostram que produtores que utilizaram a tecnologia IPRO colheram, em média, 96 sacas por hectare, enquanto sistemas convencionais registraram 86 sacas, uma diferença de 12%.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pesquisa e produtividade

Por trás de cada nova cultivar lançada no mercado existe um longo processo de pesquisa, testes e validações. O desenvolvimento de uma variedade pode levar mais de uma década até chegar ao campo, envolvendo avaliações em laboratório e em diferentes regiões produtoras.

Fabiano Oliveira destaca ao Canal Rural Mato Grosso que esse trabalho é realizado em conjunto com produtores, cooperativas, revendas e sementeiros para que as tecnologias cheguem ao mercado com recomendações adequadas às diferentes realidades agrícolas. Conforme ele, o objetivo é ampliar as chances de sucesso das lavouras e manter o Brasil na liderança da produção global de alimentos.

A qualidade das sementes também foi apontada como um fator decisivo para que o potencial produtivo seja alcançado. O CEO da Sementes Jotabasso, Tages Martinelli, afirmou que a empresa realizou mais de 92 mil análises nos últimos anos para garantir altos padrões de qualidade e vigor.

Para ele, a certificação oferece mais segurança ao produtor diante dos desafios enfrentados a cada safra. “Por isso a importância de uma semente certificada. É garantir que o produtor quando vai lançar essas sementes ao campo ela possa expressar todo o seu potencial e garantir assim que seus investimentos tenham valido a pena, mesmo nos desafios climáticos que a safras ano após ano vem apresentando para nós”.

A ampliação do número de cultivares disponíveis no mercado também aumentou a responsabilidade dos produtores na hora de escolher a tecnologia mais adequada para cada propriedade.

Produtor rural em Chapadão do Sul, em Mato Grosso do Sul, Pompilio Rocha cultiva cerca de 1,5 mil hectares de soja e milho segunda safra e afirma que o processo de seleção das variedades se tornou cada vez mais complexo. “Você tinha 7, 8, 10 variedades no máximo e hoje já foram passadas para nós são 2,7 mil no Brasil”.

Para reduzir riscos, ele conta que realiza testes em pequenas áreas da fazenda antes de ampliar o uso dos materiais. “A gente planta áreas pequenas para ver quais têm as melhores performances, porque eu tenho que conhecer aquela variedade na minha realidade”, explica à reportagem.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pirataria preocupa setor

Além dos avanços tecnológicos, o workshop trouxe um alerta sobre os impactos da comercialização irregular de sementes para toda a cadeia produtiva da soja.

Representantes do setor destacaram que a pirataria reduz a capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de gerar prejuízos para empresas, produtores e demais elos envolvidos na produção agrícola.

Um estudo realizado pela CropLife Brasil em parceria com a consultoria Céleres apontou que 11% das sementes de soja utilizadas no país são de origem ilegal. De acordo com a diretora da entidade, Catharina Pires, o problema apresenta índices ainda maiores em alguns estados.

“Quando a gente olha para esse número, estado a estado, por exemplo, no caso do Rio Grande do Sul, nos deparamos com um percentual ainda maior. Quase 30% da semente de soja utilizada no estado do Rio Grande do Sul é de origem ilegal”, afirma.

De acordo com ela, o uso de sementes sem certificação pode comprometer o desempenho das lavouras e trazer prejuízos ao produtor. “Isso coloca em risco em primeiro lugar o agricultor que está plantando algo sem saber o que vai colher”.

Ainda conforme o levantamento, a utilização de sementes ilegais representa um impacto econômico estimado em R$ 10 bilhões por ano para a cadeia da soja.

Para Tages Martinelli, a escolha de sementes de qualidade se torna ainda mais importante em períodos de incerteza climática e margens apertadas. “Em margens apertadas não podemos brincar com aquilo que é essencial. Se você não colocar uma semente de altíssima qualidade, o potencial não vai ser expressado”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Segurança jurídica e perspectivas

O fortalecimento da inovação também passa pela segurança jurídica. Durante o encontro, especialistas destacaram que as leis de propriedade intelectual e de proteção de cultivares foram fundamentais para atrair investimentos e ampliar a oferta de tecnologias no país.

Fabiano Oliveira pontua que os ganhos gerados pela biotecnologia podem ser observados diretamente nos resultados obtidos pelos produtores. “Quando o agricultor escolhe biotecnologias com patente válida a gente vê, através de dados robustos, incrementos da ordem de 10%, 11%, 12% a mais de produtividade em todas as regiões do Brasil”.

Conforme ele, o aumento da produtividade beneficia não apenas os agricultores, mas também cooperativas, revendas, multiplicadores de sementes e empresas ligadas ao desenvolvimento genético.

As perspectivas para a soja e o milho também estiveram em pauta durante a programação. Entre os temas debatidos estiveram os desafios econômicos enfrentados pelos produtores e as oportunidades ligadas ao crescimento da demanda por biocombustíveis.

Para o fundador da Veeries, Fábio Meneghin, o setor deve viver um novo ciclo de investimentos impulsionado por políticas voltadas ao etanol, biodiesel, HVO e SAF. “Os biocombustíveis devem trazer essa nova onda de investimentos, algo similar ao que a gente viu nos últimos 20 anos pelas proteínas animais”.

Na avaliação de Pompilio Rocha, o momento exige maior eficiência dentro da porteira. Segundo ele, custos elevados de logística e armazenagem reforçam a necessidade de escolhas mais assertivas em relação às tecnologias utilizadas. “Nós temos que priorizar o solo, temos que priorizar a tecnologia na parte de defensivos e variedade de soja. A tecnologia está aí, temos que saber até quanto usar dela para manter a rentabilidade”.

O diretor comercial da Bayer, Fábio Passos, acredita que a inovação continuará ocupando papel central para a competitividade do agro brasileiro. “A produtividade e a inovação têm que ser centrais em um momento como esse, onde eu preciso ser mais efetivo, ter mais controle de custos e recursos para produzir mais”.

Para Passos, o futuro passa não apenas por novas biotecnologias, mas também por ferramentas digitais e práticas sustentáveis. “Tem inovação digital e sustentabilidade que vai vir aí e com certeza nos impulsiona muito para esse futuro”. O desafio, frisa, será produzir mais, com eficiência e sustentabilidade, aproveitando as oportunidades que surgirão para a soja e o milho nos próximos anos.


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Comissão da CNA avalia controle de pragas e proposta sobre cancro da videira

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta sexta-feira (19), em Brasília, uma reunião para discutir temas estratégicos da defesa fitossanitária da fruticultura brasileira. O encontro também serviu para alinhar as contribuições do setor produtivo à consulta pública sobre o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira. O material divulgado não informa prazo da consulta no texto fornecido.

Durante a reunião, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentaram um panorama das ações de defesa fitossanitária em andamento no país. Segundo o material, o foco esteve nas estratégias de prevenção, monitoramento e controle de pragas e doenças que afetam a produção de frutas.

Entre os temas listados estiveram o combate à mosca-da-carambola e à monilíase na região Norte, o enfrentamento ao greening dos citros, o controle do moko da bananeira e outras iniciativas conduzidas em parceria com as secretarias estaduais de defesa agropecuária. A apresentação, de acordo com a CNA, buscou atualizar as Federações de Agricultura sobre a execução dos programas nacionais e reforçar a atuação integrada entre o Sistema CNA/Senar, os estados e o Mapa.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Outro ponto central foi a análise da proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira, submetida à consulta pública por meio da Portaria SDA nº 1.620, de 8 de maio de 2026. O representante do Mapa apresentou o histórico da regulamentação, os principais pontos da minuta e os aspectos que demandam maior atenção do setor.

A proposta estabelece estratégias diferenciadas conforme o status fitossanitário de cada unidade da Federação. Pelo texto discutido, os estados podem ser classificados como áreas com ocorrência da doença, sem ocorrência, áreas livres ou áreas sob Sistema de Mitigação de Risco (SMR). Segundo a CNA, esse modelo busca direcionar as ações de monitoramento, vigilância e controle de forma mais ajustada à realidade regional.

Os integrantes da Comissão apresentaram sugestões, dúvidas e preocupações sobre a implementação da medida. As contribuições devem embasar um posicionamento consolidado do Sistema CNA/Senar a ser encaminhado ao Ministério. O texto original não detalha quais sugestões foram apresentadas nem informa estimativa de custo ou prazo de implementação.

Para a presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Mari Anna, o fortalecimento da defesa fitossanitária depende do engajamento dos produtores na prevenção e na contenção de pragas e doenças. O material divulgado indica que o posicionamento do setor será encaminhado ao Mapa, mas não informa a data desse envio nem os desdobramentos previstos após a consulta pública.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Conhecido por dar origem à tequila, agave vira aposta para produção de bioenergia no Brasil

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Foto: Reprodução/Planeta Campo

Conhecido mundialmente por ser a matéria-prima da tequila no México, o agave ganha espaço no Brasil como aposta para produção de bioenergia em regiões de clima seco.

Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que a planta, adaptada a altas temperaturas e baixa disponibilidade de água, pode abrir caminho para uma nova fronteira agrícola e industrial no semiárido.

O estudo integra o programa Brave (Brazilian Agave Development), desenvolvido em parceria entre a universidade e o Senai Cimatec, e busca estruturar toda a cadeia produtiva do agave voltada à geração de biocombustíveis.

Segundo o professor titular do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, Gonçalo Pereira, o desafio global da energia passa pela capacidade de transformar luz solar em energia química, processo realizado naturalmente pelas plantas por meio da fotossíntese. Nesse cenário, culturas tradicionalmente utilizadas para energia, como cana-de-açúcar, milho e sorgo, enfrentam limitações em ambientes de altas temperaturas e restrição hídrica.

“É um tipo de planta que é muito conhecido no México porque ela dá origem a tequila. Você pode não conhecer o agave, mas a tequila é difícil você não conhecer. A tequila é uma espécie de cachaça. A cachaça do México, assim como a cachaça, uma bebida brasileira que vem da cana, no México eles tinham a tequila que vem do agave”, afirmou Pereira.

É justamente nesse ponto que o agave chama atenção. Adaptada às regiões semiáridas, a planta apresenta elevada eficiência no aproveitamento da radiação solar e consegue manter produtividade mesmo sob condições extremas.

Produção

Embora seja associado à produção de tequila, o agave possui características semelhantes às da cana em termos de rendimento por hectare. A diferença está na resistência climática e no tipo de açúcar armazenado.

Enquanto a cana acumula sacarose, o agave produz cadeias de frutose, compostos que ajudam na retenção de água e podem ser convertidos em biocombustíveis.

A proposta ganha relevância no contexto brasileiro, afinal, o sertão concentra o semiárido mais populoso do mundo, com cerca de 24 milhões de habitantes. Além disso, o Brasil já ocupa posição de destaque na produção de agave para fibras, especialmente com o cultivo do agave sisalana.

A implantação de biorrefinarias pode estimular a industrialização regional, gerando empregos, demanda por formação técnica e fortalecimento econômico local, processo semelhante ao observado em regiões impulsionadas pelo setor sucroenergético.

Próximos passos

Atualmente, o projeto já avançou na seleção das variedades mais promissoras e na definição dos processos de produção. A próxima etapa depende do tempo de desenvolvimento das plantas em escala de campo.

Mesmo antes da conclusão das pesquisas, uma empresa já decidiu investir no cultivo em larga escala, com previsão de implantação de uma área de 120 mil hectares destinada à produção de agave.

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