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11 de maio de 2026

Business

Soja avança e milho entra no planejamento de MT, mas preços preocupam os produtores

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja começou mais cedo em Mato Grosso e já movimenta o planejamento da segunda safra. Com lavouras avançando dentro do calendário, produtores avaliam a expansão do milho, impulsionada por uma janela mais favorável, mas ainda pressionada pelo alto custo de produção.

Nas áreas da Agrícola Zanella, em Campos de Júlio e Comodoro, a colheita da oleaginosa ganhou ritmo com o apoio do clima. Nesta temporada, foram cultivados 18,3 mil hectares entre os dois municípios, com expectativa positiva para o milho segunda safra, justamente pelo adiantamento do ciclo da soja.

Segundo o engenheiro agrônomo Alfeu Volf Júnior, o início antecipado do plantio foi decisivo. “A gente começou a plantar no dia 17 de setembro, as chuvas colaboraram e isso nos permitiu iniciar o plantio mais cedo. Trabalhamos com variedades precoces e já estamos colhendo essas áreas. Onde ainda não colhemos, estamos fazendo a dessecação. Com isso, vamos conseguir uma boa janela para a segunda safra”, explica ao projeto Mais Milho.

A previsão, frisa Alfeu, é plantar cerca de 3,3 mil hectares de milho, aproximadamente 30% a mais que no ano passado, mantendo as áreas em Campos de Júlio.

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Custos definem a estratégia do produtor

Apesar da janela favorável, o avanço do milho ainda depende da conta fechar. Conforme o Sindicato Rural de Campos de Júlio, o custo de produção varia conforme o nível de investimento e o histórico produtivo das áreas.

“O custo do milho depende do investimento. Está entre 90 e 100 sacas por hectare. Tem que estar em torno de 150 sacas para compensar plantar”, afirma o presidente do sindicato, Rodrigo Cassol. Conforme ele, áreas com histórico de baixa produtividade tendem a ficar fora do planejamento. “As áreas boas devem ser mantidas, e a tendência de produção é para ser a mesma”, completa.

Em Sapezal, onde o algodão domina a segunda safra, o milho enfrenta ainda mais restrições. De acordo com o Sindicato Rural do município, o custo elevado limita qualquer avanço significativo da cultura.

“Em se tratando de Sapezal, onde o produtor tem um alto teto produtivo e investe de forma mais pesada, o custo do milho passa de 100 sacas por hectare”, destaca o presidente Diego Dalmaso ao Canal Rural Mato Grosso. Ele avalia que as áreas mais produtivas seguem concentradas no algodão. “Não vejo fôlego para expansão do milho. A tendência é de manutenção das áreas, tanto de algodão quanto de milho, em relação ao ano passado”.

Nas áreas mais arenosas, a decisão exige cautela. “É onde a conta aperta mais. Muitas vezes, não vale colocar uma cultura de alto valor agregado com custo elevado. É hora de fazer um mix, um manejo, com braquiária ou crotalária”, pontua.

Milho avança onde há diversificação

Em Campo Novo do Parecis, o cenário é diferente. O município, conhecido pela diversificação na segunda safra, deve ampliar a área de milho, que pode chegar a cerca de 200 mil hectares, aumento estimado em 20% em relação ao ano passado.

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O presidente do Sindicato Rural, Antônio César Brolio, frisa que o milho tem ganhado protagonismo. “Na segunda safra o produtor tem investido mais, ele tem conseguido melhorar muito a média do milho, [aplicar] novas técnicas, novas variedades. O produtor tem um ganho melhor do que soja”, afirma.

A desvalorização do algodão também pesa na decisão. Com custos mais elevados e preços menos atrativos, parte dos produtores deve redirecionar investimentos. “O pessoal do algodão tirou um pouquinho do pé porque o preço está ruim, então alguns produtores vão investir mais no milho do que em algodão”, relata Brolio.

Mesmo com o planejamento em andamento, o ritmo de plantio do cereal ainda é lento no estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que apenas 0,24% da área de milho foi plantada em Mato Grosso até o momento, índice abaixo da média de 0,65% registrada nos últimos cinco anos para este mesmo período.

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Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.

Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.

Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.

Mudança na dieta e no comportamento

Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.

O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.

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Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.

Oportunidades estratégicas para o Brasil

Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.

As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.

Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.

Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

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Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

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Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

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Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

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Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

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Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


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