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Soja avança e milho entra no planejamento de MT, mas preços preocupam os produtores

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita da soja começou mais cedo em Mato Grosso e já movimenta o planejamento da segunda safra. Com lavouras avançando dentro do calendário, produtores avaliam a expansão do milho, impulsionada por uma janela mais favorável, mas ainda pressionada pelo alto custo de produção.

Nas áreas da Agrícola Zanella, em Campos de Júlio e Comodoro, a colheita da oleaginosa ganhou ritmo com o apoio do clima. Nesta temporada, foram cultivados 18,3 mil hectares entre os dois municípios, com expectativa positiva para o milho segunda safra, justamente pelo adiantamento do ciclo da soja.

Segundo o engenheiro agrônomo Alfeu Volf Júnior, o início antecipado do plantio foi decisivo. “A gente começou a plantar no dia 17 de setembro, as chuvas colaboraram e isso nos permitiu iniciar o plantio mais cedo. Trabalhamos com variedades precoces e já estamos colhendo essas áreas. Onde ainda não colhemos, estamos fazendo a dessecação. Com isso, vamos conseguir uma boa janela para a segunda safra”, explica ao projeto Mais Milho.

A previsão, frisa Alfeu, é plantar cerca de 3,3 mil hectares de milho, aproximadamente 30% a mais que no ano passado, mantendo as áreas em Campos de Júlio.

Custos definem a estratégia do produtor

Apesar da janela favorável, o avanço do milho ainda depende da conta fechar. Conforme o Sindicato Rural de Campos de Júlio, o custo de produção varia conforme o nível de investimento e o histórico produtivo das áreas.

“O custo do milho depende do investimento. Está entre 90 e 100 sacas por hectare. Tem que estar em torno de 150 sacas para compensar plantar”, afirma o presidente do sindicato, Rodrigo Cassol. Conforme ele, áreas com histórico de baixa produtividade tendem a ficar fora do planejamento. “As áreas boas devem ser mantidas, e a tendência de produção é para ser a mesma”, completa.

Em Sapezal, onde o algodão domina a segunda safra, o milho enfrenta ainda mais restrições. De acordo com o Sindicato Rural do município, o custo elevado limita qualquer avanço significativo da cultura.

“Em se tratando de Sapezal, onde o produtor tem um alto teto produtivo e investe de forma mais pesada, o custo do milho passa de 100 sacas por hectare”, destaca o presidente Diego Dalmaso ao Canal Rural Mato Grosso. Ele avalia que as áreas mais produtivas seguem concentradas no algodão. “Não vejo fôlego para expansão do milho. A tendência é de manutenção das áreas, tanto de algodão quanto de milho, em relação ao ano passado”.

Nas áreas mais arenosas, a decisão exige cautela. “É onde a conta aperta mais. Muitas vezes, não vale colocar uma cultura de alto valor agregado com custo elevado. É hora de fazer um mix, um manejo, com braquiária ou crotalária”, pontua.

Milho avança onde há diversificação

Em Campo Novo do Parecis, o cenário é diferente. O município, conhecido pela diversificação na segunda safra, deve ampliar a área de milho, que pode chegar a cerca de 200 mil hectares, aumento estimado em 20% em relação ao ano passado.

O presidente do Sindicato Rural, Antônio César Brolio, frisa que o milho tem ganhado protagonismo. “Na segunda safra o produtor tem investido mais, ele tem conseguido melhorar muito a média do milho, [aplicar] novas técnicas, novas variedades. O produtor tem um ganho melhor do que soja”, afirma.

A desvalorização do algodão também pesa na decisão. Com custos mais elevados e preços menos atrativos, parte dos produtores deve redirecionar investimentos. “O pessoal do algodão tirou um pouquinho do pé porque o preço está ruim, então alguns produtores vão investir mais no milho do que em algodão”, relata Brolio.

Mesmo com o planejamento em andamento, o ritmo de plantio do cereal ainda é lento no estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que apenas 0,24% da área de milho foi plantada em Mato Grosso até o momento, índice abaixo da média de 0,65% registrada nos últimos cinco anos para este mesmo período.

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Projeto incentiva destinação correta de resíduos orgânicos e troca material por mudas de flores

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Foto: Pixabay

Um projeto desenvolvido em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, une sustentabilidade, educação ambiental e participação comunitária para incentivar a destinação correta de resíduos orgânicos.

O “Harmoniza Chapecó – Laboratório de Compostagem” estimula moradores a separarem restos de alimentos e, em troca, oferece mudas de flores produzidas pelo Horto Municipal.

A iniciativa recebe, de forma voluntária, resíduos como frutas, legumes, erva-mate e pó de café, que passam por um processo de compostagem e são transformados em adubo. O material retorna à cidade na manutenção de praças, jardins e espaços públicos, fortalecendo o cuidado ambiental urbano.

Além do impacto ambiental, o Harmoniza Chapecó também tem um forte viés educativo e social. O laboratório recebe visitantes, estudantes, idosos e grupos comunitários para ações de sensibilização sobre a importância do descarte correto dos resíduos orgânicos.

“O projeto Harmoniza Chapecó, ele tem um impacto social, ambiental e econômico. A parte social por conta da educação ambiental, porque o projeto tem todo um processo de laboratório da compostagem, onde nós recebemos visitantes”, afirma a gerente de resíduos, Graciela Heckler.

Atualmente, cerca de 650 a 700 quilos de resíduos orgânicos são processados por mês no laboratório. O projeto integra o programa Chapecó, Cidade Limpa, Cidade Sustentável, e contribui para a redução do volume de lixo destinado ao aterro sanitário, ajudando a prolongar a vida útil do espaço e a diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

No momento da entrega do material, os resíduos são pesados e registrados. A cada 50 quilos de resíduos orgânicos leves, o participante tem direito a levar 15 mudas de flores da estação, incentivando a continuidade da prática sustentável.

Criado há cinco anos, o projeto completa uma década em 2026 e reforça que pequenas atitudes no dia a dia podem gerar impactos ambientais positivos, quando aliadas à conscientização e ao engajamento da comunidade.

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Leitura sobre acordo Mercosul-UE está equivocada, diz porta-voz de Câmara italiana

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Foto: Divulgação

À medida que as negociações eram finalizadas, os holofotes ao acordo Mercosul-União Europeia se concentrou nas salvaguardas europeias, como se o Brasil estivesse diante de um bloqueio disfarçado. No entanto, essa leitura é equivocada. Essa é a opinião do vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam), Fabio Ongaro.

Segundo ele, o debate acabou dominado por uma narrativa defensiva: cotas para carne, limites para açúcar, restrições ao etanol. “O verdadeiro impacto do acordo não está no número de toneladas autorizadas. Está no que ele pode provocar dentro do mercado agro brasileiro”, ressalta.

Ongaro pontua que a União Europeia não é o principal destino das exportações agrícolas brasileiras. China e Ásia têm peso maior em carnes e grãos. “Isso significa que o efeito direto das cotas europeias sobre o volume total exportado é relativamente limitado. O que muda não é a quantidade, mas o padrão”, destaca.

De acordo com ele, vale destacar que a Europa funciona como referência regulatória global, visto que suas exigências de rastreabilidade, controle sanitário e critérios ambientais tendem a se tornar padrão de referência internacional.

“Atender a esses requisitos não é apenas acessar um mercado específico, é elevar o nível de organização e governança da cadeia produtiva. Isso gera efeitos internos consistentes, como: produtores mais estruturados que ganham vantagem competitiva; a formalização que tende a aumentar; e a gestão e o controle de qualidade que se tornam diferenciais estratégicos.

Para Ongaro, o agro brasileiro que já é altamente produtivo pode, com o tratado entre os blocos, tornar-se também mais sofisticado e integrado.

Brasil é superavitário em alimentos

O representante da Câmara Italiana também considera que o receio de que o aumento das exportações brasileiras reduzam a oferta interna e pressionem preços não deve se concretizar, já que o Brasil é estruturalmente superavitário em alimentos.

“O mais provável é uma segmentação maior: produtos premium direcionados à exportação e grande parte da produção mantendo abastecimento regular do mercado doméstico”, contextualiza.

Para ele, trata-se de especialização, não de escassez. As salvaguardas europeias são resultado de dinâmicas políticas internas do bloco. Assim, o desafio brasileiro passa a ser essencialmente econômico e estrutural.

“O produtor nacional convive com crédito mais caro do que concorrentes globais, infraestrutura logística desigual, complexidade tributária e insegurança regulatória. Esses fatores afetam margens de forma muito mais relevante do que qualquer limite de cota”, ressalta.

Ampliação de valor agregado

Ongaro acredita que se o acordo vier acompanhado de melhorias no ambiente doméstico em infraestrutura, segurança jurídica, simplificação tributária e acesso a financiamento competitivo, o agro poderá ampliar valor agregado, não apenas volume exportado.

“Hoje, o Brasil é extremamente eficiente na produção primária. O próximo passo natural é aprofundar a industrialização da cadeia: alimentos processados, biocombustíveis avançados, bioquímica, proteínas com maior grau de transformação”, comenta.

Segundo ele, a integração com a União Europeia pode facilitar esse movimento, mas ele depende sobretudo de decisões internas. Há também um fator relevante do ponto de vista macroeconômico: previsibilidade institucional.

Na visão do vice-presidente de finanças da Italcam, um acordo com a União Europeia sinaliza estabilidade de regras no longo prazo, algo que tende a reduzir percepção de risco e estimular investimentos em tecnologia agrícola, armazenagem, logística e transformação industrial.

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e reorganização das cadeias produtivas, diversificar parcerias comerciais fortalece a posição estratégica do país.

“No fim, a questão central não é apenas o volume autorizado para exportação. É como o Brasil utilizará esse acesso para consolidar seu agro como setor cada vez mais moderno, eficiente e integrado às cadeias globais de maior valor agregado”, conclui Ongaro.

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PRF apreende mais de 1.600 kg de maconha escondida em carga de soja no Paraná

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Ministério da Justiça e Segurança Pública

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu mais de 1.600 quilos de maconha na tarde desta terça-feira (3), por volta das 18h, durante fiscalização na BR-277, no município de Irati, no Paraná.

A equipe deu ordem de parada a um caminhão com placas de Porto Velho (RO). Durante a abordagem, o motorista informou que havia carregado soja no município de Naviraí (MS) e que o destino final da carga seria Curitiba (PR).

Ao longo da fiscalização, os policiais identificaram nervosismo e contradições nas informações prestadas pelo condutor, especialmente em relação ao trajeto percorrido e aos locais de descanso. Diante da suspeita, foi realizada uma verificação detalhada da carga.

Na inspeção, a PRF localizou 153 fardos de maconha prensada, ocultos e misturados à carga de soja. Ao todo, foram apreendidos 1.609,8 quilos da droga.

O motorista foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e encaminhado, juntamente com o caminhão e o entorpecente apreendido, à Polícia Civil de Irati (PR), onde foram adotados os procedimentos legais cabíveis.

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