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18 de junho de 2026

Business

Exportações do agro crescem 3,6% em 2025

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Foto: Mapa/Divulgação

As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 169,2 bilhões em 2025, um crescimento de 3% em relação aos US$ 164,3 bilhões registrados em 2024. O desempenho respondeu por 48,5% de todo o valor exportado pelo Brasil no ano passado, consolidando o setor como principal motor do comércio exterior do país.

O resultado foi impulsionado pelo aumento de 3,6% no volume exportado, que compensou a queda de 0,6% nos preços médios internacionais.

Balança comercial do agro fecha o ano com superávit de US$ 149 bilhões

As importações de produtos agropecuários somaram US$ 20,2 bilhões em 2025, alta de 4,4% frente ao ano anterior. Com isso, a corrente de comércio do setor atingiu US$ 189,4 bilhões, e o saldo da balança comercial do agronegócio fechou o ano com superávit de US$ 149,07 bilhões.

Somente em dezembro de 2025, as exportações alcançaram US$ 14 bilhões, o maior valor já registrado para o mês e um crescimento de 19,8% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 1,62 bilhão, resultando em saldo positivo de US$ 12,38 bilhões no período.

Novos mercados

Desde 2023, o agronegócio brasileiro abriu 525 novos mercados. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, essas aberturas já geraram cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem considerar o impacto das ampliações de mercados existentes.

A diversificação de produtos elevou em cerca de 15% as exportações de itens não tradicionais em 2025 e ajudou o setor a enfrentar um cenário internacional adverso, marcado por tensões comerciais, redução de preços de algumas commodities e desafios sanitários, como a influenza aviária.

Safra recorde garante oferta interna e excedentes exportáveis

A safra de grãos 2024/2025 alcançou 352,2 milhões de toneladas, um aumento de 17% em relação ao ciclo anterior. Na pecuária, a produção de carnes bovina, suína e de frango também atingiu níveis recordes, assegurando excedentes para exportação sem comprometer o abastecimento interno.

China lidera compras do agro brasileiro

Entre os principais destinos das exportações agropecuárias em 2025, a China manteve a liderança, com US$ 55,3 bilhões, o equivalente a 32,7% do total exportado e crescimento de 11% sobre 2024. Na sequência aparecem a União Europeia, com US$ 25,2 bilhões (+8,6%), e os Estados Unidos, com US$ 11,4 bilhões, apesar de queda de 5,6%.

Outros mercados ampliaram significativamente suas compras, como Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

Soja, carnes e café lideram a pauta exportadora

A soja em grãos seguiu como principal produto exportado, com US$ 43,5 bilhões em receitas e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas. A carne bovina registrou novo recorde, com US$ 17,9 bilhões em faturamento e aumento de 39,9% em valor, além da abertura de 11 novos mercados em 2025.

Também se destacaram a carne suína, que colocou o Brasil como terceiro maior exportador mundial, a carne de frango, o café, que somou US$ 16 bilhões com alta de 30,3%, além de frutas, pescados e produtos menos tradicionais, como gergelim, feijões, DDG de milho e miudezas bovinas.

Produtos não tradicionais batem recordes

Diversos itens fora do grupo principal de commodities alcançaram marcas históricas em 2025, como pimenta, amendoim, óleo de amendoim, melões frescos e castanha de caju. O gergelim, por exemplo, gerou US$ 195,1 milhões em exportações para a China após a abertura do mercado em 2024.

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Plantio do trigo avança de forma desigual no Rio Grande do Sul

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O plantio do trigo no Rio Grande do Sul segue de forma heterogênea, conforme as condições meteorológicas observadas nos últimos dias. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18/6), a semeadura avançou nas regiões com retomada das chuvas, enquanto áreas com precipitações mais frequentes operaram apenas em curtas janelas de tempo firme. Onde há boa disponibilidade hídrica e temperaturas propícias, o estabelecimento e o desenvolvimento da cultura são considerados adequados.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, o excesso de umidade no solo, a alta nebulosidade e a elevada umidade do ar limitaram o avanço das máquinas de plantio em parte do Estado. Na região administrativa de Santa Rosa, a umidade do solo favorece a germinação e o estabelecimento inicial das plantas. Ainda assim, o desenvolvimento vegetativo está abaixo do esperado em parte das áreas, em razão da baixa incidência de radiação solar, que reduz a evapotranspiração e limita a absorção de nutrientes pelo sistema radicular.

O informativo também registra adoção de menor nível tecnológico nesta safra em algumas áreas de trigo, com redução dos investimentos em adubação de base e cobertura como estratégia de diminuição de custos e mitigação de riscos. Segundo a fonte, essas lavouras poderão ser destinadas tanto à produção de grãos quanto à cobertura do solo, a depender da evolução das condições climáticas.

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Entre as demais culturas de inverno, a semeadura da aveia-branca está praticamente concluída na maior parte das regiões produtoras. Nas áreas implantadas mais cedo, já há início do perfilhamento e realização de adubação nitrogenada em cobertura. A canola também está em fase final de implantação, favorecida pela umidade no solo, embora temperaturas mais baixas e menor radiação solar dificultem o desenvolvimento vegetativo inicial e o controle de plantas invasoras em algumas regiões.

No quadro das culturas de verão, a soja está tecnicamente colhida no Estado, e o milho alcança 99% da área cultivada. O material da Emater/RS-Ascar não informa estimativa consolidada de produtividade do trigo nem percentual estadual já semeado até o momento.

O cenário descrito pela Emater/RS-Ascar indica que o avanço do trigo no Estado segue condicionado pela distribuição das chuvas e pelas condições de operação no campo. O informativo divulgado nesta quinta-feira (18/6) não detalha prazo para conclusão do plantio nem projeção atualizada de produção para a cultura.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Portugal quer ser a porta de entrada dos produtos brasileiros na UE, diz conselheira agrícola

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Foto: Junner Schmidt

O Fórum Internacional de Agropecuária (Fiap 2026), realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira (18), reuniu conselheiros de embaixadas de diversos países para buscar entender o que as nações que eles representam esperam do Brasil.

A conselheira agrícola da Embaixada de Portugal, Joana Melo Leal, lembrou que o seu país apoiou, desde o início, o acordo entre Mercosul e União Europeia.

“Azeite e vinho são os principais produtos portugueses que chegam ao Brasil. Somos o principal exportador de vinho da Europa para o Brasil, com registros de 65 milhões de euros em vendas, mas queremos aumentar essa transferência por meio da redução de barreiras administrativas de forma recíproca, por isso, desejamos ser a porta de entrada dos produtos brasileiros na Europa. Se existe um setor em que a parceria de nossos países mais faz sentido é na agricultura”, declara.

De acordo com ela, o Brasil é o parceiro estratégico número um de Portugal por todos os laços históricos que unem as duas nações. “Mas queremos uma ligação ainda mais consistente por meio da partilha de conhecimento com ida de estudantes portugueses para cá e de brasileiros para lá. O Brasil é uma potencia mundial, um dos maiores produtores de alimentos no mundo e um país que tem apostado na ciência”, enfatiza.

A conselheira agrícola ainda destacou que Portugal e Brasil mantém parcerias de cooperação técnica nas áreas de gado de leite e de vinho. “Temos interesse em aprender as técnicas de fixação de carbono da agricultura brasileira, por isso, gostaríamos de um polo da Embrapa em Portugal.”

Acordo Mercosul Singapura

O primeiro-secretário da Embaixada de Singapura, Deng Huishan Wilson, também marcou presença no Fiap 2026 e exaltou o fato de o país asiático ter se firmado como o sétimo principal destino das exportações agropecuárias do Brasil no mundo. “Na Ásia, somos o segundo maior, atrás apenas da China. As proteínas animais do Brasil representam cerca de 50% das carnes congeladas que consumimos.”

Ele também comemorou a aprovação desta quarta-feira (17), pelo Senado Federal brasileiro, do acordo de livre comércio entre Mercosul e Singapura, assinado em 2023 no Rio de Janeiro e que deve entrar em vigor após a confirmação de todos os países-membros.

O acordo prevê que Singapura concederá isenção tarifária imediata e integral à totalidade de produtos exportados pelo Mercosul. Já o bloco comercial se compromete a eliminar, de forma progressiva, em até 15 anos, as tarifas incidentes sobre 95,8% dos produtos do país asiático, o que corresponde a 90,8% do total do valor atualmente importado.

“Queremos uma parceria aberta e livre. Singapura aguarda com expectativa a ratificação desse acordo. A simplificação dos procedimentos aduaneiros fará com que o despacho de mercadorias [entre os países] reduza de 48 horas para apenas 6 horas”, detalha. Segundo Deng, Singapura é um grande polo de entrada de países brasileiros para toda a Ásia.

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A revolução dos biocombustíveis também é uma revolução econômica, pontua CEO da Massey Ferguson

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Foto: Junner Schmidt

Durante sua participação no Fiap 2026, na palestra “Biocombustíveis: as novas tecnologias de mercado”, Luis Felli, CEO Global da Massey Ferguson, destacou o papel estratégico dos biocombustíveis para a economia, a sustentabilidade e a segurança energética do Brasil. Segundo ele, dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que os biocombustíveis podem adicionar R$ 403 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) entre 2030 e 2035.

Ao abordar a evolução do setor, Felli relembrou as transformações ocorridas desde a década de 1970. “Se formos para os anos 70, de lá para cá substituímos etanol na gasolina, tivemos carros movidos a etanol, depois os carros flex. Hoje somos importadores de óleo diesel e o principal fornecedor é a Rússia. Então, nós temos um problema referente a criar uma solução para esse descasamento entre gasolina e diesel. Como fazemos para que os biocombustíveis tenham uma presença maior e mais significativa para que possamos substituir o diesel?”, questionou.

Segundo ele, uma das principais mudanças observadas nos últimos anos foi a revolução do etanol de milho, que começou em Mato Grosso. “O que vimos acontecer foi a revolução do etanol de milho, que começou no estado”, afirmou.

Felli também destacou os impactos da Lei Combustível do Futuro, que estima evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO₂ até 2037. Além disso, a produção combinada de etanol de cana-de-açúcar e milho deverá superar 43 bilhões de litros na safra 2026/27.

O executivo explicou que o avanço do etanol de milho foi impulsionado por fatores econômicos. “O milho era barato. O diesel era caro para chegar e a gasolina também. Agora o etanol de milho tem seu coproduto, o DDG, que representa cerca de 40% da receita de uma empresa de etanol de milho”, disse.

Ele ressaltou ainda que o DDG tem provocado uma transformação significativa na pecuária brasileira. “Uma coisa que não falamos é como mudou o confinamento de gado no Brasil. Hoje, 21% do gado é confinado e, há alguns anos, esse percentual era de 4% ou 5%. Novamente, estamos subindo em uma velocidade assustadora por conta do DDG. Estamos em um processo de revolução da cadeia da proteína animal, dos biocombustíveis e de tudo o que acontece ao redor disso.”

Outro ponto destacado foi o potencial do sorgo como matéria-prima para a produção de etanol. “O sorgo é pouco plantado porque não tem mercado. Mas ele faz o mesmo trabalho do milho em uma planta de etanol. Tem um ciclo mais curto e, depois que fecha a janela do milho, surge uma oportunidade para que o produtor utilize a segunda janela da segunda safra”, explicou.

Ao falar sobre o futuro dos biocombustíveis, Felli destacou que duas questões mudaram o cenário, sendo a competitividade e a tecnologia. “Por que a competitividade é importante? Eu converso com agricultores no mundo todo e a sociedade considerada mais desenvolvida é a europeia, com forte consciência ambiental. Mas toda vez que pergunto sobre combustíveis renováveis, a resposta é a mesma eles aceitam se for econômico ou mandatório.”

Massey Ferguson na linha de frente do etanol

Nesse contexto, a Massey Ferguson trabalha em novas soluções para ampliar a adoção do etanol em máquinas agrícolas.

“Nós devemos lançar, em 2028, um motor a etanol de alta potência. Os problemas que existiam no passado, como aquecimento, foram resolvidos. O trator terá praticamente a mesma curva de torque de um motor diesel, sem perda de energia, tornando-se bastante competitivo. Existe uma competitividade muito grande na conversão para etanol por conta do ganho econômico.”

Além do etanol, Felli apontou o biometano como uma das alternativas mais promissoras para o campo. “O biometano tem aspectos importantes de retorno. É você consumir o biometano nos seus próprios equipamentos.”

Ele lembrou que o desafio atual está na continuidade da produção e na busca por novas biomassas e matérias-primas. Citou ainda a utilização crescente de caminhões movidos a biometano no transporte de cana-de-açúcar.

“Hoje já existem caminhões a biometano puxando cana. Você trabalha oito meses por ano. Então, vamos lançar, no ano que vem, um trator a metano e biometano com as mesmas características de curva de torque de um diesel, a mesma potência e o mesmo desempenho. Para quem produz, isso representa uma redução massiva de consumo.”

O executivo também mencionou outras tecnologias em desenvolvimento, como o motor movido a HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), conhecido como diesel verde, além da eletrificação da frota agrícola por meio do e-100 Vario, da Fendt.

Ao explicar o funcionamento do HVO, Felli destacou que o combustível é produzido a partir do tratamento de óleos vegetais com hidrogênio.

“Nós poderíamos vender motores a HVO, mas hoje não existe oferta suficiente do combustível. Se houver disponibilidade, podemos colocar essa solução no mercado.”

Ao encerrar sua participação, o CEO Global da Massey Ferguson reforçou que o avanço dos biocombustíveis depende da combinação entre sustentabilidade e viabilidade econômica para o produtor rural.

“A economicidade e a Lei dos Biocombustíveis fazem com que esse mercado tenha futuro. É muito melhor quando você consegue ser econômico, trazendo resultado para o agricultor. Essa é a nossa busca com essas máquinas.”

Para Felli, além dos benefícios ambientais, os biocombustíveis representam uma oportunidade única de geração de riqueza para o Brasil. “Isso também gera impacto positivo para o meio ambiente. Não se compara a geração de riqueza do agro com biocombustíveis à do petróleo. O agro tem uma capacidade muito forte de gerar renda, desenvolvimento e oportunidades para o país”, concluiu.

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