Business
Inclusão do peixe na cesta básica deve impulsionar consumo no Brasil, aposta setor do pescado

Após um ano marcado por excesso de oferta, queda brusca nos preços e desafios regulatórios, a piscicultura brasileira encerra 2025 mais resiliente e otimista em relação ao futuro. A avaliação é de Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, que projeta um cenário mais favorável para o setor em 2026, impulsionado pela recuperação do consumo, avanços na reforma tributária e maior competitividade do pescado nacional.
Segundo Medeiros, o ano foi de “águas turbulentas”, mas também de aprendizado. “O que tinha de acontecer em 2025 aconteceu. Passamos por muitas tormentas, mas chegamos ao fim do ano confiantes e com uma expectativa muito positiva para 2026”, afirmou em entrevista ao programa Planeta Campo.
Preços baixos ampliaram consumo
O dirigente reconhece que o primeiro semestre foi especialmente difícil, com preços pressionados pela alta oferta. No entanto, o cenário acabou contribuindo para ampliar a base de consumidores. “Esse período de preços mais baixos ajudou a fidelizar novos consumidores, o que é estratégico para o setor”, destacou.
A recuperação observada no segundo semestre reforça, segundo ele, a perspectiva de crescimento sustentado da piscicultura no país.
Reforma tributária deve impulsionar o pescado
Um dos principais pontos de otimismo para os próximos anos é a inclusão do peixe de cultivo na cesta básica, prevista na reforma tributária. Embora a implementação total da reforma esteja prevista apenas até 2033, Medeiros avalia que a decisão já representa uma conquista histórica para o setor.
“A entrada na cesta básica traz isonomia com outras proteínas. Hoje, algumas cadeias, como aves, não têm impostos sobre insumos como a ração, enquanto a piscicultura tem. Isso nos dá mais competitividade e permite oferecer melhores preços ao consumidor”, explicou.
Com isso, a escolha do pescado tende a deixar de ser pautada pelo preço e passar a considerar fatores como hábitos alimentares, qualidade e valor nutricional. “É algo pelo qual lutamos por muitos anos e que deve contribuir de forma significativa para o aumento do consumo de pescado no Brasil”, completou.
Baixo consumo per capita ainda é desafio
Apesar dos avanços, o presidente da Peixe BR lembra que o Brasil ainda tem um dos menores consumos per capita de pescado do mundo. “O continente africano, por exemplo, consome mais pescado por pessoa do que o Brasil”, afirmou, ressaltando que a competitividade tributária é um passo importante para mudar esse cenário.
Debate sobre espécies invasoras preocupa o setor
Outro tema sensível em 2025 foi a discussão sobre a inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras, tema que segue em debate e teve decisões adiadas para 2026. Medeiros criticou a abordagem adotada pelo Ministério do Meio Ambiente e alertou para possíveis impactos negativos sobre o consumo.
“O conceito de espécie invasora é questionado inclusive dentro da academia. Um grupo muito pequeno de pesquisadores não representa a realidade da piscicultura brasileira”, argumentou. Segundo ele, a classificação pode gerar estigmatização do produto, especialmente entre consumidores mais jovens, atentos às pautas ambientais.
“Não é preciso proibir para causar impacto. Quando o governo classifica um alimento como invasor, isso afeta diretamente a percepção do consumidor”, alertou.
Olhar para 2026
Apesar dos desafios regulatórios e do debate ambiental, Medeiros reforçou que o setor segue focado em produzir alimento de qualidade e contribuir para a segurança alimentar. “Invasora é a fome. Quem trabalha para combatê-la deveria ser valorizado, não criminalizado”, afirmou.
Para 2026, a expectativa é de mais trabalho, consolidação do consumo e fortalecimento da piscicultura nacional. “O consumidor pode confiar na tilápia, no tambaqui e nos peixes de cultivo brasileiros. Hoje eles estão presentes em todo o país e, no próximo ano, estarão ainda melhores”.
O post Inclusão do peixe na cesta básica deve impulsionar consumo no Brasil, aposta setor do pescado apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Oferta restrita mantém escalas curtas e preços do boi gordo firmes

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negociações acima da referência média nas principais regiões produtoras do Brasil. A oferta de animais terminados permanece restrita, mantendo escalas de abate encurtadas em grande parte do país.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
As pastagens ainda apresentam boas condições em grande parte do país, oferecendo boa capacidade para cadenciar o ritmo de negócios entre os pecuaristas. A guerra no Oriente Médio e a progressão da cota chinesa ainda são elementos de grande importância para a formação de preço no curtíssimo prazo, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Allan Maia.
Nas principais praças do Brasil, os preços ficaram:
- São Paulo (SP): ficou em R$ 353,42 na modalidade a prazo
- Goiás (GO): ficou em R$ 338,57
- Minas Gerais (MG): ficou em R$ 342,65
- Mato Grosso do Sul (MS): ficou em R$ 340,45
- Mato Grosso (MT): ficou em R$ 346,42
Atacado
No mercado atacadista, o cenário ainda é de manutenção dos preços da carne bovina. A semana registra escoamento mais lento entre atacado e varejo, considerando o menor apelo ao consumo. Além disso, proteínas concorrentes seguem com maior competitividade em relação à carne bovina, especialmente a carne de frango.
O consumidor brasileiro ao longo do ano tende a priorizar a demanda por proteínas mais acessíveis, como ovo, carne de frango e embutidos, disse Maia.
No atacado, os cortes seguem nos seguintes níveis:
- Quarto traseiro: R$ 27,30 por quilo
- Dianteiro bovino: R$ 21,00 por quilo
- Ponta de agulha: R$ 19,50 por quilo
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,24%, sendo negociado a R$ 5,2543 para venda e R$ 5,2523 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2432 e a máxima de R$ 5,2797.
O post Oferta restrita mantém escalas curtas e preços do boi gordo firmes apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Plantio de milho avança no Brasil, enquanto soja mantém ritmo na colheita, aponta Datagro

O plantio do milho de inverno no Brasil atingiu 94,6% da área esperada até 19 de março, segundo levantamento da consultoria Datagro. O índice está em linha com a média dos últimos cinco anos e próximo ao registrado no mesmo período do ano passado, indicando um avanço consistente dos trabalhos no campo.
De acordo com a analista da Datagro, Luiza Ezinatto, as condições climáticas, especialmente na região Centro-Oeste, têm sido favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, o que sustenta a expectativa de uma boa produção na safra atual.
“A gente observa um plantio bastante alinhado com a média histórica, com clima colaborando principalmente no Centro-Oeste, o que reforça uma perspectiva positiva para a produção de milho nesta safra”, afirma.
- Fique por dentro das principais notícias da soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!
No caso da soja, a colheita alcança cerca de 68,8% da área estimada no Brasil, também em linha com o comportamento médio dos últimos anos. Apesar de um início mais lento, causado pelo excesso de chuvas, o ritmo dos trabalhos se intensificou ao longo das últimas semanas.
“O início da colheita foi mais desafiador por conta das chuvas, mas o ritmo evoluiu bem e não deve trazer impactos relevantes ao longo da safra”, destaca Luiza.
No cenário internacional, os Estados Unidos já embarcaram cerca de 29,1 milhões de toneladas de soja no atual ciclo comercial, o que representa aproximadamente 68% da estimativa do USDA. Para o milho, os embarques somam cerca de 44,5 milhões de toneladas, equivalentes a 53% do total projetado para a temporada.
O post Plantio de milho avança no Brasil, enquanto soja mantém ritmo na colheita, aponta Datagro apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Estudo com IA mapeia áreas agrícolas abandonadas no Cerrado

Uma nova ferramenta desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de Brasília (UnB) promete ajudar a mapear áreas agrícolas que hoje estão abandonadas no país.
Com o uso de inteligência artificial e sensoriamento remoto, o sistema identifica regiões que já foram utilizadas para produção, mas que deixaram de apresentar produtividade ao longo do tempo.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
O estudo monitorou o bioma Cerrado durante quatro anos. Foram classificadas como áreas abandonadas aquelas que, embora tenham sido convertidas para uso agrícola no passado, não registraram atividade produtiva durante o período analisado.
Um dos principais exemplos está no município de Buritizeiro, região norte de Minas Gerais, onde mais de 13 mil hectares de terras agrícolas foram identificados como abandonados entre 2018 a 2022, o equivalente a cerca de 5% da área observada no início do estudo.
Segundo a Embrapa, entre os fatores que explicam o abandono estão o aumento dos custos de produção, a baixa produtividade e a mudança no uso da terra.
Com o mapeamento concluído, os dados já foram repassados a estados e municípios, a pesquisa alcançou 95% de precisão. A expectativa é que essas áreas possam ser destinadas à restauração ambiental, ao sequestro de carbono, reintegração às produções com qualidade e estudo de base para corredores ecológicos.
O post Estudo com IA mapeia áreas agrícolas abandonadas no Cerrado apareceu primeiro em Canal Rural.
Agro Mato Grosso15 horas agoPreços do milho em MT seguem firmes com demanda aquecida
Agro Mato Grosso15 horas agoALMT realiza Assembleia Itinerante no Show Safra 2026 em Lucas do Rio Verde
Agro Mato Grosso16 horas agoVBP da agropecuária deve atingir R$ 1,39 tri em 2026
Sustentabilidade14 horas agoColheita do milho avança com impactos do clima nas regiões – MAIS SOJA
Business15 horas agoSeguro rural recua 8,8% em 2025 e acende alerta sobre proteção financeira do agro
Featured15 horas agoDólar forte e acordo entre Brasil e China derrubam preço da soja na Bolsa de Chicago
Business9 horas agoCusto com importação de fertilizantes sobe 20% em março, aponta levantamento
Sustentabilidade16 horas agoTRIGO/CEPEA: Restrição de oferta e demanda firme sustentam a alta dos preços no BR – MAIS SOJA
















