Agro Mato Grosso
Mato Grosso tem maior procura de recuperação judicial no agro no 3º trimestre deste ano

Especialista explica que maior alavancagem e pouca gestão de risco estão entre os fatores para este aumento.
Mato Grosso apresentou o maior número de pedidos de recuperação judicial no agro no terceiro trimestre neste ano, de acordo com dados da Serasa Experian divulgados nessa segunda-feira (15).
No estado, foram contabilizados 112 pedidos neste trimestre, liderando o ranking nacional (confira gráfico mais abaixo).
Em âmbito nacional, este foi o período com a maior quantidade de pedidos desde 2021. Ao todo, foram 628 requisições, o que representa uma alta de 147% quando comparado com o mesmo período do ano passado, com 254 pedidos registrados.
“O produtor mato-grossense alavanca quando o preço da soja está bom. O que aconteceu? A soja despencou e teve um problema de fluxo de caixa, e gerou endividamento alto com juro alto. Isso é tipo queda de avião, muita coisa ao mesmo tempo. Teve problema climático, tem problema de queda de preço, insumos altos, mas caíram”, afirmou.
O que chama atenção, segundo o professor, é priorizar cada vez mais a gestão de risco. “A maioria não segue isso, é uma minoria, mas que o mercado sente”, disse.
Além disso, Goiás e Paraná também tiveram destaque na busca pelo recurso financeiro.

“Em especial para aqueles que já estão há alguns anos rolando dívidas sem fazer os ajustes necessários para diminuir custos, rever patrimônio e encerrar expansões mal planejadas”, disse a Serasa.
Na pesquisa, uma das orientações aos credores é reforçar a importância na análise de crédito com base em dados. Ou seja, quanto mais precisão e profundidade na avaliação dos riscos, maior a capacidade do mercado de antecipar dificuldades, ajustar limites e evitar que situações de estresse financeiro evoluam, segundo a Serasa.
Agro Mato Grosso
Estados Unidos investigam glifosato importado da China

Comissão avalia possível dano à indústria local por importações vendidas abaixo do valor justo e subsidiadas
A United States International Trade Commission iniciou investigações antidumping e compensatória sobre importações de glifosato da China. O processo avalia se há indicação razoável de dano material, ameaça de dano material ou atraso relevante na formação de uma indústria nos Estados Unidos.
As investigações receberam os números 701-TA-799 e 731-TA-1795. O produto analisado entra nos Estados Unidos pelas subposições 2931.49.00 e 3808.93.50 da Harmonized Tariff Schedule of the United States.
A comissão apura alegações de venda do glifosato chinês no mercado norte-americano por valor abaixo do justo. Também analisa a existência de subsídios concedidos pelo governo da China.
A decisão preliminar deve sair em até 45 dias, caso o Departamento de Comércio não prorrogue o prazo de início. Com esse calendário, a comissão deve concluir a fase preliminar até 14 de agosto de 2026. As conclusões devem seguir ao Departamento de Comércio até 21 de agosto de 2026.
A conferência técnica da fase preliminar foi marcada para 21 de julho de 2026, às 9h30. Os interessados em participar devem solicitar presença até meio-dia de 17 de julho de 2026.
As manifestações escritas podem ser enviadas até 17h15 de 24 de julho de 2026. Partes com apresentação na conferência devem protocolar testemunhos escritos e materiais suplementares até 16h de 20 de julho de 2026.
Agro Mato Grosso
Academia de Liderança da Aprosoja MT encerra edição com cerimônia de formatura em SP

Cerca de 30 produtores se formaram na edição de 2026, somando 141 acadêmicos na atual gestão
A edição de 2026 da Academia de Liderança da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) foi encerrada na última quinta-feira (02.07), após uma semana de atividades no estado de São Paulo voltadas ao aprofundamento dos conhecimentos sobre a logística de exportação da produção agrícola brasileira.
O quarto e último módulo da formação proporcionou aos participantes uma imersão prática nos principais elos da cadeia logística, permitindo que os produtores compreendessem como a produção cultivada em Mato Grosso percorre o caminho até os mercados internacionais.
Nos últimos dias da programação, os acadêmicos visitaram o Terminal 39, um dos principais terminais especializados na movimentação de farelo de soja, soja em grão e milho no Porto de Santos. Em seguida, conheceram as operações do Terminal Exportador de Santos (TES) e a estrutura da Praticagem de São Paulo, responsável por garantir a segurança da navegação e das manobras de entrada e saída das embarcações no complexo portuário.
Durante a visita ao Terminal 39, os produtores acompanharam de perto as etapas de recebimento, armazenagem e embarque dos grãos destinados à exportação, compreendendo como a integração entre os modais ferroviário e rodoviário garante eficiência ao escoamento da produção. O gerente geral do Terminal 39, Gustavo Ota, destacou que aproximar os produtores da realidade portuária fortalece a compreensão sobre a importância da logística para o agronegócio brasileiro.
“É um prazer receber os produtores da Aprosoja MT. Nosso propósito é ser o elo entre o agronegócio brasileiro e o mundo. Recebemos aqui a produção que vem das fazendas, principalmente por ferrovia e rodovia, e fazemos a conexão dessa carga com o mercado internacional. Conhecer essa estrutura permite ao produtor entender todo o caminho percorrido pelos grãos até chegarem aos consumidores de diversos países.”
Segundo Ota, o Terminal 39 é referência na exportação de farelo de soja e desempenha papel estratégico para o Porto de Santos. “Hoje somos responsáveis por cerca de 70% da exportação de farelo de soja realizada pelo Porto de Santos. O porto representa aproximadamente um terço da balança comercial brasileira, o que demonstra sua importância para o agronegócio e para a economia do país.”
Para o produtor rural Adriano Eloi, do núcleo Vale do Teles Pires, a experiência proporcionou uma visão que normalmente o produtor não tem sobre o destino da produção após deixar a propriedade.
“Esse módulo foi muito importante porque conseguimos entender como o grão sai da nossa região, chega ao porto e segue para exportação. O produtor conhece muito bem a produção dentro da fazenda, mas muitas vezes não conhece toda a logística que acontece depois. Vivenciar esse processo nos permite compreender melhor como funciona o escoamento da produção brasileira.”
Adriano também destacou que a Academia de Liderança proporcionou aprendizados que vão muito além da logística. “Participar da Academia agregou muito conhecimento. Ao longo dos módulos tivemos conteúdos sobre comunicação, liderança, representação institucional, política e logística. Foi uma experiência muito enriquecedora e que levarei para outros produtores, compartilhando tudo o que aprendi durante essa formação.”
No último dia da programação, os participantes seguiram para a capital paulista, onde conheceram a sede do Canal Rural. Durante a visita, acompanharam uma apresentação sobre a atuação da emissora na cobertura do agronegócio brasileiro, conheceram os bastidores da produção jornalística e participaram de uma palestra sobre as perspectivas climáticas para Mato Grosso, com foco na próxima safra.
A diretora de TV do Canal Rural, Jaqueline Silva, ressaltou a importância de aproximar os veículos especializados dos produtores rurais. “Receber os produtores da Aprosoja MT é uma grande satisfação. Há 30 anos fazemos o Canal Rural pensando no produtor, levando informação de qualidade e aproximando o campo da cidade. Nosso objetivo é mostrar a força do agronegócio brasileiro e conectar os produtores aos especialistas e aos temas que impactam diretamente sua atividade.”
Segundo Jaqueline, a visita também permitiu apresentar aos participantes a diversidade de conteúdos produzidos pela emissora e a importância das informações meteorológicas para o planejamento das atividades no campo.
“Apresentamos um pouco de tudo o que fazemos no Canal Rural, desde o jornalismo diário até os programas especializados nas diferentes cadeias produtivas. Também trouxemos uma palestra sobre as perspectivas climáticas para Mato Grosso, porque sabemos que o clima é um dos principais fatores para o planejamento da produção. Nosso objetivo foi compartilhar informações que auxiliem os produtores na tomada de decisões para a próxima safra.”
A programação foi encerrada na noite de quinta-feira, em São Paulo, com a cerimônia de formatura da turma. O evento reuniu os participantes, dirigentes da Aprosoja MT e convidados para a entrega das placas de conclusão da formação, marcando o encerramento de um ciclo de aprendizado desenvolvido ao longo dos quatro módulos.
A produtora rural Simone Botan, do núcleo de Lucas do Rio Verde, destacou que a Academia de Liderança proporcionou uma transformação pessoal e profissional, ampliando sua visão sobre o agronegócio e o papel do produtor dentro da cadeia produtiva.
“Foi uma experiência completa. Começamos conhecendo melhor a nós mesmos, aprimoramos nossa comunicação e entendemos temas que impactam diretamente nosso trabalho, como a política e o funcionamento das instituições. No último módulo, pudemos conhecer toda a logística de exportação e compreender como funciona o Porto de Santos. Além disso, a convivência com produtores de diferentes regiões de Mato Grosso foi extremamente enriquecedora. A Simone que entrou na Academia não é a mesma que está saindo. Hoje encerro essa formação com uma visão muito mais ampla, tanto como produtora rural quanto como profissional do agronegócio.”
Representando a diretoria da entidade, o vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, participou da cerimônia de encerramento e ressaltou a importância da Academia de Liderança para fortalecer a atuação dos delegados e preparar novas lideranças para representar os produtores rurais.
“Encerramos mais uma turma da Academia de Liderança com a certeza de que esse trabalho transforma pessoas e fortalece a nossa entidade. Ao longo desta gestão, qualificamos 141 dos 201 delegados eleitos, o que representa mais de 70% dos nossos representantes. Isso demonstra o compromisso da Aprosoja MT em preparar lideranças capazes de atuar nas bases, levar informações aos produtores e trazer para a entidade as demandas do campo. Esse é o caminho para construirmos uma entidade cada vez mais forte, consciente e preparada para defender os interesses dos produtores rurais.”
Ao longo da Academia de Liderança, os participantes aprofundaram conhecimentos em desenvolvimento pessoal, comunicação, liderança, representação institucional, relações governamentais e logística, vivenciando experiências práticas que ampliaram a compreensão sobre os desafios e oportunidades do agronegócio brasileiro.
Mais do que uma formação técnica, a iniciativa consolida o compromisso da Aprosoja MT em preparar produtores rurais para atuarem como lideranças em suas propriedades, em seus núcleos e na defesa dos interesses do setor, fortalecendo a representatividade da entidade e contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio mato-grossense.
Agro Mato Grosso
Programa Soja Legal promove uma produção mais sustentável e reforça confiança no agro de MT

Ao atender às demandas ligadas a sustentabilidade, os produtores não só seguem exigências globais, mas também posicionam o setor com credibilidade
O agronegócio brasileiro tem se consolidado como uma referência mundial quando o assunto é produção sustentável, especialmente em estados como Mato Grosso, onde produtividade e preservação caminham lado a lado.
Diferente de grandes concorrentes internacionais, o Brasil opera sob uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e ainda consegue alcançar altos índices de eficiência no campo, demonstrando que é possível produzir mais alimentos sem ampliar áreas de cultivo.
De acordo com o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Luiz Pedro Bier, o país possui vantagens competitivas únicas, como o clima tropical, que permite até duas safras por ano e, em áreas irrigadas, até três.
“Toda a tecnologia e técnica que foi necessária para que a gente fosse o maior produtor de soja, um dos maiores de milho, excelentes produtores de algodão, de carne de gado, ela foi desenvolvida por quem está aqui, porque não existe lugar nenhum do mundo com essa eficiência em clima tropical. Então nós temos a grande vantagem de produzir duas safras por ano”, destacou.
Ele também reforça que o Código Florestal brasileiro é um dos mais exigentes do mundo, o que coloca o país à frente em termos de sustentabilidade. Nesse cenário, Bier enfatiza que o produtor rural tem papel fundamental na preservação ambiental, inclusive dentro de áreas privadas.
“Nós temos um código florestal extremamente rígido, é o mais rigoroso que existe no mundo. A grande maioria dos países nem tem código florestal. E o Brasil é um exemplo disso. Ele tem um ativo que são as florestas que realmente são uma riqueza nacional. E nós agricultores, todo o agro brasileiro faz parte dessa paisagem, protegendo, cuidando das florestas mesmo em área privada”, afirma Bier.
Nesse contexto, iniciativas como o programa Soja Legal, da Aprosoja MT, surgem como ferramentas importantes para fortalecer ainda mais as boas práticas no campo. Segundo Luiz Pedro Bier, o programa atua diretamente nas propriedades, realizando diagnósticos e orientando os produtores sobre melhorias necessárias. A proposta é promover avanços nas áreas ambiental, social e econômica.
“O programa Soja Legal vem, neste caminho, tentando melhorar as práticas do produtor mato-grossense, fazendo diagnósticos e apontando onde são possíveis melhorias, tanto na questão trabalhista, na questão de segurança, sugestionando ao produtor o que ele pode fazer, o que ele pode melhorar e quais são as melhorias mais urgentes que precisam ser feitas na propriedade. É um programa que tem a intenção de guiar o produtor para que cada vez ele se torne mais profissional. A gente trabalha na sustentabilidade como um todo, na parte ambiental, protegendo e cuidando das nossas florestas, na parte social, cuidando dos nossos funcionários e, na parte econômica, valorizando o produto e a produção do estado”, explicou.
Na prática, produtores mato-grossenses já incorporam essas diretrizes no dia a dia. Em Lucas do Rio Verde, a produtora Denise Hasse destaca que a sustentabilidade começa com a responsabilidade sobre a própria terra. Ela afirma que adota manejo adequado de fertilizantes e defensivos, além de trabalhar com plantio direto e rotação de culturas.
“Hoje, nós só fazemos plantio direto, além de rotação de culturas. Nós atuamos com soja e milho dentro da propriedade, e o manejo é totalmente sustentável. Também temos 82% de preservação ambiental dentro dessa área. Então, o que era um solo pobre, virou um solo rico, através do manejo adequado de todos esses anos”, pontuou.
Denise também ressalta o investimento em energia solar, o respeito às Áreas de Preservação Permanente (APPs) e o cuidado com o bem-estar dos colaboradores. “Hoje, nós temos todas as APPs respeitadas, dentro de todas as normas ambientais, seguindo todos os critérios de sustentabilidade. Temos um cuidado social com todos os nossos funcionários, onde a gente leva treinamento, desenvolvimento, cuida das famílias que estão envolvidas dentro da propriedade rural. Temos energia solar que ajuda a cuidar do meio ambiente, para deixar um ambiente mais sustentável para as próximas gerações. E na lavoura a gente faz todo o treinamento para que não tenha desperdício de produtos, que os produtos sejam aplicados somente quando necessário”, comenta a produtora.
A produtora Stephane Anção, de Nova Mutum, reforça que a sustentabilidade no campo vai além da lavoura e envolve uma gestão integrada que considera aspectos ambientais, econômicos e sociais. Ela destaca que a adoção de tecnologias, como a agricultura de precisão, trouxe mais eficiência à produção, aliada a práticas como o plantio direto e a rotação de culturas, mas pondera que o conceito precisa ser mais amplo dentro das propriedades.
“Sustentabilidade não gira só em torno do campo. É uma construção que envolve o ambiental, o econômico e o social dentro da fazenda, evoluindo ano após ano. Hoje, além do manejo no campo, a gente precisa de uma gestão eficiente também no escritório, organizando recursos financeiros e documentos, porque isso traz retorno econômico e também sustentabilidade para o negócio”, explicou.
Stephane também chama atenção para iniciativas voltadas à redução da pegada de carbono e para a importância das parcerias no setor. Segundo ela, o produtor rural também exerce um papel importante para a sociedade ao participar de projetos e testes que contribuem para o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis.
“A gente participa de projetos voltados à redução da pegada de carbono e aprende muito com essas parcerias. Isso fortalece não só a propriedade, mas todo o sistema produtivo, porque é um crescimento conjunto”, afirmou.
No campo social, a produtora destaca o investimento no desenvolvimento humano dentro das fazendas, com capacitação e valorização dos colaboradores. “Hoje as propriedades buscam cada vez mais oferecer condições dignas de trabalho e desenvolvimento. Lá na fazenda, por exemplo, trabalhamos inteligência emocional há anos, o que trouxe pertencimento e crescimento profissional para os colaboradores. Isso também é sustentabilidade”, pontuou.
Outro ponto central, segundo Stephane, é a governança e a sucessão familiar, fundamentais para garantir a continuidade da produção ao longo das gerações. “Se o agricultor focar só na terra, ele perde outras áreas importantes. A sustentabilidade também está na governança, em como passar esse bastão. Nós vivemos uma sucessão intergeracional, com diferentes idades trabalhando juntas, e isso precisa estar alinhado com valores e propósito”, disse.
Ela resume o conceito como um equilíbrio entre diferentes frentes dentro da propriedade. “Sustentabilidade é cuidar das pessoas, da terra e da parte econômica do processo. É entender que o agro não é só lavoura, mas um conjunto de responsabilidades. Quando a gente cuida disso, constrói um legado para as próximas gerações”, concluiu.
Combinando tecnologia, responsabilidade ambiental e gestão eficiente, Mato Grosso se consolida como um modelo de produção agrícola sustentável. A experiência dos produtores e o apoio de programas como o Soja Legal mostram que o agro brasileiro não apenas atende às exigências globais, mas também pode servir de referência internacional na construção de um sistema produtivo mais equilibrado e duradouro.
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