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23 de outubro de 2026

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Após danos em culturas sensíveis, ofício destaca cuidados no uso de herbicidas hormonais

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Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

Três meses após decisão judicial determinar a proibição do uso do herbicida hormonal 2,4-D no Rio Grande do Sul até o final de 2025, entidades representativas do setor divulgaram ofício com recomendações técnicas para prevenir a deriva desse tipo de produto.

A ação que levou à suspensão da tecnologia se arrastava há cinco anos na justiça e foi movida por um grupo de produtores de frutas que alega prejuízos com o impacto do defensivo que, conforme estudos, se dispersa em um raio de até 30 km do local onde foi aplicado.

Os maiores impactos relatados pelos agricultores são sentidos em vinhedos, com danos na brotação e abortamento de flores que, consequentemente, geram cachos ralos e colheitas menores.

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A presidente da Associação Vinhos Finos da Campanha, Rosa Wagner, ressalta que, nos últimos anos, os produtores de uva têm sentido um declínio constante na produção. “Ninguém mais está investindo porque não sabe se vai ter produção. […] há morte dos parreirais porque há um acúmulo de herbicida na planta. […] o direito de produzir livremente é difuso, então temos o direito de produzir sem sermos atingidos por outras culturas”, diz. O 2,4-D é utilizado para o controle de plantas daninhas de folhas largas na soja, milho e arroz, principalmente.

Agora, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), em conjunto com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), a Croplife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) lança o comunicado de prevenção de uso diante do aumento de relatos de danos em culturas sensíveis associados ao uso inadequado de herbicidas hormonais.

Segundo as entidades, a intensificação das ocorrências acende um sinal de alerta para o setor. Caso o problema se mantenha, há risco de restrições mais severas ao uso desses produtos, comprometendo as estratégias disponíveis para o manejo de plantas daninhas de folhas largas.

“O uso responsável de herbicidas hormonais depende do cumprimento rigoroso de orientações técnicas. A prevenção da deriva é um compromisso coletivo e essencial para proteger culturas sensíveis e garantir a continuidade das ferramentas de manejo disponíveis aos agricultores”, destaca o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato, Fábio Kagi.

Como aplicar herbicidas hormonais

O Sindiveg reforça que a aplicação de herbicidas hormonais deve ocorrer exclusivamente com pontas de indução de ar capazes de gerar gotas grossas ou extremamente grossas, conforme previsto em rótulos, bulas e receituário agronômico.

“A seleção correta do modelo de ponta e da pressão de trabalho é determinante para alcançar o espectro de gotas recomendado, sendo que qualquer alteração nesses parâmetros, incluindo velocidade de deslocamento ou altura da barra, pode modificar o padrão gerado e aumentar o risco de deriva, exigindo nova conferência e calibração do sistema”, diz o Sindicato, em nota.

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De acordo com ofício das entidades, também devem ser reforçadas orientações sobre o volume de calda, privilegiando valores próximos ao limite máximo indicado em bula, de forma a favorecer a formação de gotas maiores e assegurar cobertura adequada, além de confirmar se o agricultor recebeu as instruções necessárias, dispõe de equipamentos adequados e encontra-se apto a conduzir a aplicação conforme bula e receita agronômica.

Instrução ao usuário

O ofício ainda esclarece que, no ato da venda, distribuidores e cooperativas devem orientar o produtor sobre a necessidade de utilizar pontas compatíveis com a tecnologia exigida para herbicidas hormonais.

“Caso o equipamento não possua as pontas adequadas, a substituição deve ser feita antes da aplicação. Para reforçar a materialidade da orientação, recomenda-se registrar que o usuário foi instruído sobre o modelo de ponta, a faixa de pressão, as condições climáticas apropriadas e as culturas sensíveis no entorno da área”, diz trecho do documento.

De acordo com as entidades que assinam o ofício, as condições meteorológicas também são determinantes para a aplicação segura. A recomendação geral é que a umidade relativa esteja acima de 55%, a temperatura abaixo de 30°C e a velocidade do vento entre 3 e 10 km/h, salvo especificações diferentes previstas em cada bula.

O documento alerta para dois cenários meteorológicos que aumentam de forma significativa o risco de deriva:

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  • Presença de inversão térmica, muito comum no início da manhã, quando o ar frio permanece próximo ao solo e impede a dispersão das gotas;
  • Correntes convectivas em dias extremamente quentes e secos, quando o solo aquecido faz o ar subir rapidamente e pode arrastar gotas para áreas indesejadas.

“Em ambas as situações, a aplicação não deve ser realizada, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo do clima”, destaca.

Culturas sensíveis

As entidades também chamam atenção para a sensibilidade de algumas culturas, como uva, maçã, tomate e algodão, que exigem atenção redobrada à direção do vento, sendo obrigatória a interrupção da aplicação quando houver risco de deslocamento do produto para áreas sensíveis.

O documento ainda reforça a importância do uso exclusivo de produtos devidamente registrados, autorizados para a cultura e adquiridos apenas em distribuidores, cooperativas agrícolas ou diretamente dos fabricantes.

“Antes da compra, devem ser verificadas a integridade da embalagem, a identificação do fabricante, o número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a conformidade das informações. Formulações ilegais, incluindo antigas versões de 2,4-D éster butílico, apresentam elevado risco de volatilidade e deriva e que não estão devidamente registradas no Brasil, com potencial de causar danos severos e comprometer a segurança e a rastreabilidade de toda a cadeia”, destaca o ofício.

“O emprego de produtos clandestinos coloca em risco a agricultura e toda a cadeia produtiva. A orientação é clara: identificar, recusar e denunciar qualquer suspeita”, reforça Kagi.

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CNA discute exportações, capacitação e sanidade da fruticultura em Juazeiro

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu nesta quinta-feira (22), no Centro de Excelência em Fruticultura do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em Juazeiro (BA), para discutir desafios e oportunidades das exportações de frutas e ações de formação profissional voltadas à cadeia produtiva. O encontro também tratou de manejo, controle de pragas e propostas para a atuação do centro.

Durante a reunião, os participantes apresentaram sugestões para fortalecer a fruticultura e debateram soluções ligadas ao manejo e ao controle de pragas nas culturas. A presidente da comissão, Mari Anna Batista, afirmou que o encontro buscou ampliar o intercâmbio de experiências e usar o trabalho desenvolvido no Vale do São Francisco como referência para atender demandas de outras regiões produtoras.

Representando a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Rui Dias destacou a organização da cadeia produtiva e a capacitação de jovens como pontos centrais. Segundo ele, o Centro de Excelência em Fruticultura tem papel na formação de mão de obra para o campo e na sucessão familiar.

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Na apresentação sobre os centros de excelência do Senar, a diretora de Operações da entidade, Monika Bergamaschi, informou que a instituição mantém atualmente quatro unidades: Fruticultura e Zootecnia, na Bahia; Bovinocultura de Corte, em Mato Grosso do Sul; e Café, em Minas Gerais. Ela afirmou ainda que o Senar prevê inaugurar, no início de 2027, o Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar, em São Paulo, seguido por unidades de Bovinocultura de Leite, no Paraná, e de Grãos, em Mato Grosso.

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O diretor do Centro de Excelência em Fruticultura, Murillo Alencar Bezerra, apresentou o modelo de gestão educacional da unidade. Segundo ele, foram mapeados 12 desafios da cadeia, que orientaram 11 frentes de atuação em quatro eixos: sanidade e genética; sustentabilidade produtiva; valor e mercado; e conhecimento e pessoas. Entre os temas estão fitossanidade e pragas quarentenárias, melhoramento genético, bioinsumos, polinização, segurança hídrica, irrigação de precisão, fertilidade do solo, pós-colheita, comercialização e pesquisa. Para 2027, o centro prevê 775 novas matrículas em 29 turmas.

Ao final da programação, o coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da CNA, Felipe Spaniol, apresentou recomendações para fortalecer a competitividade da uva, do melão e da banana no mercado internacional. Segundo ele, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 1,17 bilhão de janeiro a setembro de 2026, alta de 17% sobre o mesmo período do ano passado. A agenda da comissão durou dois dias e incluiu visitas, na quarta-feira (21), às fazendas Grand Valle e Nova Neruda, na região, com foco na produção local e nos modelos de packing house das propriedades.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Newcastle: MT não consegue suprir toda a demanda externa de frango de SC, avalia Imea

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A possibilidade de Mato Grosso ganhar espaço no mercado internacional de carne de frango após as restrições comerciais impostas a Santa Catarina esbarra na diferença de escala entre os dois estados. Embora as exportações mato-grossenses estejam em alta, o setor não conseguiria absorver imediatamente todos os pedidos que deixassem de ser atendidos pelos catarinenses, segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O tamanho dessa diferença aparece nos dados do primeiro semestre de 2026. Enquanto Santa Catarina embarcou mais de 646 mil toneladas de carne de frango, Mato Grosso exportou 56 mil toneladas, de uma produção de 224 mil toneladas. Ou seja, um quarto da carne de aves produzida no estado foi destinada ao exterior.

Para Felipe Andrade, que acompanha os setores de leite, aves e suínos no Imea, aumentar as vendas internacionais exigiria mudanças na destinação da produção. “Hoje, cerca de 25% do que produzimos é enviado ao mercado externo, então não seria viável substituir integralmente os volumes catarinenses no curto prazo”.

O desafio não é apenas produzir mais ou encontrar compradores. As empresas precisam ter condições de processamento e transporte, considerar os contratos já firmados e atender às exigências sanitárias de cada destino. Ao mesmo tempo, a produção mato-grossense continua abastecendo o mercado brasileiro.

Mercado externo impõe limites diferentes

A reação dos importadores ao foco de Newcastle em Santa Catarina não segue uma única regra. China, Chile e Arábia Saudita restringiram as compras de produtos avícolas provenientes do estado, enquanto o México suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil.

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Essa diferença de alcance interfere nas possibilidades de Mato Grosso aproveitar a demanda. O México, por exemplo, respondeu por apenas 1.437 toneladas dos embarques estaduais entre janeiro e setembro, o equivalente a 1,59% do total. A suspensão nacional, portanto, tem participação limitada nas vendas mato-grossenses, mas impede a continuidade dos negócios com esse destino enquanto a medida estiver em vigor.

Outros mercados têm peso maior na pauta estadual. A Arábia Saudita comprou 27,34 mil toneladas de carne de frango de Mato Grosso nos nove primeiros meses do ano. Hong Kong e China somaram 10,77 mil toneladas, enquanto os Emirados Árabes Unidos receberam 10,37 mil toneladas.

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações mato-grossenses chegaram a 90,12 mil toneladas, crescimento de 24,42% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O avanço demonstra a ampliação dos embarques, mas não significa que todo esse volume possa ser aumentado ou redirecionado para atender aos compradores afetados pelas restrições. Como observa o Imea, a expansão depende também da capacidade operacional das agroindústrias e das habilitações sanitárias exigidas pelos países.

Ausência de casos não dispensa prevenção

Além das implicações comerciais, a ocorrência de Newcastle reforça a importância do monitoramento sanitário na avicultura. A doença viral é altamente contagiosa entre aves e pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e mortalidade.

Em Mato Grosso, o Indea coletou amostras em 84 granjas comerciais em 2026. Todas tiveram resultados negativos para a enfermidade, conforme informações divulgadas pelo órgão nesta semana.

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Para o assessor técnico de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos Carvalho, a prevenção precisa ser mantida mesmo sem registros recentes no estado. “É fundamental que os produtores mantenham as medidas de biosseguridade, observem a saúde das aves e comuniquem imediatamente ao Indea qualquer sinal suspeito”.

A orientação é notificar o serviço veterinário oficial diante de mortalidade acima do padrão ou de sinais respiratórios e neurológicos. Embora a Newcastle não represente risco significativo à saúde humana, a confirmação de focos pode resultar em restrições comerciais e prejuízos para a cadeia avícola.


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Crédito restrito e dívidas pressionam produtores e revendas de insumos em Mato Grosso

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O aumento do endividamento rural e a dificuldade para obter novos financiamentos estão reduzindo a capacidade de investimento dos produtores de Gaúcha do Norte, em Mato Grosso. Com despesas elevadas e receitas insuficientes para quitar compromissos anteriores, agricultores recorrem às revendas de insumos para viabilizar o plantio, mas essas empresas também enfrentam limitações para manter as vendas a prazo.

A queda nos preços agrícolas é um dos fatores que ajudam a explicar o problema. O presidente do Sindicato Rural do município, Valdomiro Schulz, relata que muitos produtores deixaram de obter renda suficiente para pagar as prestações e outras dívidas. Para manter a atividade, parte deles passou a comprometer antecipadamente a produção que ainda será colhida.

“Esses preços caíram muito e, devido esses preços caírem, o endividamento aumentou, porque não se teve mais um lucro suficiente para pagar essas prestações, essas dívidas”, relata Schulz ao Canal Rural Mato Grosso.

A alternativa tem sido buscar crédito comercial e negociar a compra de sementes, fertilizantes e defensivos com pagamento em grãos após a colheita. Embora permita financiar a safra sem desembolso imediato, esse modelo transfere parte da necessidade de recursos para as revendas, que precisam honrar seus próprios compromissos mesmo quando os clientes não conseguem pagar.

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A restrição financeira, portanto, não fica limitada às propriedades. Ela alcança empresas fornecedoras, compromete a capacidade de atendimento ao produtor e aumenta a preocupação com os efeitos da atividade rural sobre a economia do município.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Revendas assumem parte do financiamento das lavouras

Dayan Della Justina Vieira conhece essa relação tanto como produtor quanto como sócio de uma revenda de insumos. Na avaliação dele, a dificuldade de acesso ao crédito tornou-se um dos principais desafios da atividade, porque as empresas comerciais passaram a ocupar um espaço maior na intermediação financeira entre fornecedores e agricultores.

“O produtor tem um crédito mais restrito, a revenda tem um papel muito grande nessa intermediação, fornecedor, cliente, e ela acaba assumindo um risco muito grande”, explica Dayan.

O risco está na obrigação de pagar pelos produtos adquiridos mesmo quando o cliente ainda não quitou a compra. Como as vendas são frequentemente vinculadas ao resultado da colheita, eventuais dificuldades na comercialização ou no cumprimento dos compromissos pelo agricultor podem comprometer o caixa da revenda.

Esse cenário também altera as condições de atendimento aos produtores. Adalberto Grando compara a situação atual com a de cerca de dez anos atrás, quando as empresas conseguiam oferecer pacotes de insumos com maior facilidade. Naquele período, o custo de produção citado por ele era de aproximadamente R$ 2 mil por hectare.

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Com o encarecimento da atividade, as revendas precisam de mais capital para atender cada cliente e ficam mais expostas quando há atrasos nos pagamentos. Grando relata que empresas do setor também passaram a enfrentar dificuldades financeiras e processos de recuperação judicial.

“Muitos grupos grandes acabaram fechando, então elas estão enfrentando impactos diretos também dessa situação. A gente viu revendas aí em situação pior do que os agricultores”, conta o produtor à reportagem.

Custo da soja supera R$ 8,2 mil por hectare

Os números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) dimensionam a pressão sobre o caixa das propriedades. O custo total de produção da soja para a safra 2026/27 supera R$ 8,2 mil por hectare, alta próxima de 7% em relação ao ciclo anterior.

Entre os componentes que mais encareceram estão as operações mecanizadas, com aumento de quase 24%, e os defensivos agrícolas, que ficaram cerca de 10% mais caros. A redução de aproximadamente 22% no custo das sementes ajudou a conter parte das despesas, mas não compensou a alta dos demais itens.

O avanço dos custos exige mais recursos para implantar e conduzir as lavouras, justamente quando parte dos produtores ainda precisa pagar dívidas de safras anteriores. A combinação reduz a margem disponível para novos investimentos e aumenta a dependência de crédito para manter a produção.

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Dayan cultiva 1,5 mil hectares de soja nesta temporada e antecipou o plantio em 15 dias. Neste início de ciclo, a prioridade é garantir o estabelecimento das plantas, em uma safra que ele considera desafiadora diante do valor dos insumos e da necessidade de controlar os gastos.

Para reduzir os riscos, a revenda procura acompanhar a utilização dos produtos nas propriedades e orientar os clientes sobre a aplicação dos recursos. O objetivo é melhorar o retorno do investimento por hectare, em vez de ampliar as despesas sem avaliar o resultado econômico.

“Estamos juntos com o produtor no campo, inclusive na gestão dos insumos dele, para ele ter uma maior eficiência econômica. Não só gastar mais por gastar, ou seja, investir melhor para ter a rentabilidade”, afirma Dayan.

custos elevados renda foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Juros e negativas dificultam a renegociação

A busca por recursos não se limita ao financiamento da safra atual. Produtores que acumularam dívidas também tentam renegociar os compromissos para reorganizar o fluxo de caixa, mas encontram obstáculos nas instituições financeiras.

Grando relata que procurou bancos para renegociar débitos com base na medida provisória voltada a essa finalidade. As solicitações, porém, não tiveram o resultado esperado. “Os bancos para quem a gente encaminhou simplesmente nos disseram: ‘Não, não vamos fazer’”, afirma.

Em outra tentativa, o produtor recebeu uma proposta com juros de 3,63% ao mês para renegociar uma dívida. Ele considera a taxa incompatível com a situação financeira de quem já enfrenta dificuldades para equilibrar os pagamentos e financiar a produção.

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“E aí o produtor fica refém de um ciclo que não gera prosperidade nenhuma”, avalia Grando.

Sem condições consideradas viáveis para reorganizar os débitos, o agricultor continua pressionado por compromissos anteriores enquanto precisa investir no novo ciclo. Ao mesmo tempo, a limitação do crédito bancário amplia a dependência das revendas, que também precisam preservar recursos para manter suas operações.

Dificuldades no campo preocupam a economia local

Os efeitos da restrição financeira podem ultrapassar as propriedades rurais e chegar às contas públicas municipais. O prefeito de Gaúcha do Norte, Ari do Prado, afirma que a arrecadação ainda se mantém, mas demonstra preocupação com a possibilidade de queda no próximo ano caso a atividade agropecuária movimente menos recursos.

“Hoje, ainda, por enquanto, a arrecadação do nosso município vem se mantendo, mas eu tenho certeza que para o ano que vem ela pode cair”, declara.

A preocupação envolve a circulação de renda gerada pela produção rural e seus reflexos sobre o comércio e os serviços. Quando produtores reduzem investimentos ou enfrentam dificuldades para honrar compromissos, os efeitos podem alcançar empresas que fornecem insumos e outros segmentos ligados à movimentação econômica do município.

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Grando associa a capacidade de investimento no campo à geração de empregos e renda também fora das propriedades. Para ele, as condições de financiamento da atividade têm reflexos sobre as oportunidades econômicas disponíveis à população.

“O governo precisa levar o agro a sério, investir em tudo que vai beneficiar a própria sociedade. A gente vai gerar mais emprego, vai gerar mais riqueza, vai gerar mais condições da cidade se desenvolver”, conclui o produtor.


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