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24 de agosto de 2026

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Após danos em culturas sensíveis, ofício destaca cuidados no uso de herbicidas hormonais

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Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

Três meses após decisão judicial determinar a proibição do uso do herbicida hormonal 2,4-D no Rio Grande do Sul até o final de 2025, entidades representativas do setor divulgaram ofício com recomendações técnicas para prevenir a deriva desse tipo de produto.

A ação que levou à suspensão da tecnologia se arrastava há cinco anos na justiça e foi movida por um grupo de produtores de frutas que alega prejuízos com o impacto do defensivo que, conforme estudos, se dispersa em um raio de até 30 km do local onde foi aplicado.

Os maiores impactos relatados pelos agricultores são sentidos em vinhedos, com danos na brotação e abortamento de flores que, consequentemente, geram cachos ralos e colheitas menores.

A presidente da Associação Vinhos Finos da Campanha, Rosa Wagner, ressalta que, nos últimos anos, os produtores de uva têm sentido um declínio constante na produção. “Ninguém mais está investindo porque não sabe se vai ter produção. […] há morte dos parreirais porque há um acúmulo de herbicida na planta. […] o direito de produzir livremente é difuso, então temos o direito de produzir sem sermos atingidos por outras culturas”, diz. O 2,4-D é utilizado para o controle de plantas daninhas de folhas largas na soja, milho e arroz, principalmente.

Agora, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), em conjunto com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), a Croplife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) lança o comunicado de prevenção de uso diante do aumento de relatos de danos em culturas sensíveis associados ao uso inadequado de herbicidas hormonais.

Segundo as entidades, a intensificação das ocorrências acende um sinal de alerta para o setor. Caso o problema se mantenha, há risco de restrições mais severas ao uso desses produtos, comprometendo as estratégias disponíveis para o manejo de plantas daninhas de folhas largas.

“O uso responsável de herbicidas hormonais depende do cumprimento rigoroso de orientações técnicas. A prevenção da deriva é um compromisso coletivo e essencial para proteger culturas sensíveis e garantir a continuidade das ferramentas de manejo disponíveis aos agricultores”, destaca o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato, Fábio Kagi.

Como aplicar herbicidas hormonais

O Sindiveg reforça que a aplicação de herbicidas hormonais deve ocorrer exclusivamente com pontas de indução de ar capazes de gerar gotas grossas ou extremamente grossas, conforme previsto em rótulos, bulas e receituário agronômico.

“A seleção correta do modelo de ponta e da pressão de trabalho é determinante para alcançar o espectro de gotas recomendado, sendo que qualquer alteração nesses parâmetros, incluindo velocidade de deslocamento ou altura da barra, pode modificar o padrão gerado e aumentar o risco de deriva, exigindo nova conferência e calibração do sistema”, diz o Sindicato, em nota.

De acordo com ofício das entidades, também devem ser reforçadas orientações sobre o volume de calda, privilegiando valores próximos ao limite máximo indicado em bula, de forma a favorecer a formação de gotas maiores e assegurar cobertura adequada, além de confirmar se o agricultor recebeu as instruções necessárias, dispõe de equipamentos adequados e encontra-se apto a conduzir a aplicação conforme bula e receita agronômica.

Instrução ao usuário

O ofício ainda esclarece que, no ato da venda, distribuidores e cooperativas devem orientar o produtor sobre a necessidade de utilizar pontas compatíveis com a tecnologia exigida para herbicidas hormonais.

“Caso o equipamento não possua as pontas adequadas, a substituição deve ser feita antes da aplicação. Para reforçar a materialidade da orientação, recomenda-se registrar que o usuário foi instruído sobre o modelo de ponta, a faixa de pressão, as condições climáticas apropriadas e as culturas sensíveis no entorno da área”, diz trecho do documento.

De acordo com as entidades que assinam o ofício, as condições meteorológicas também são determinantes para a aplicação segura. A recomendação geral é que a umidade relativa esteja acima de 55%, a temperatura abaixo de 30°C e a velocidade do vento entre 3 e 10 km/h, salvo especificações diferentes previstas em cada bula.

O documento alerta para dois cenários meteorológicos que aumentam de forma significativa o risco de deriva:

  • Presença de inversão térmica, muito comum no início da manhã, quando o ar frio permanece próximo ao solo e impede a dispersão das gotas;
  • Correntes convectivas em dias extremamente quentes e secos, quando o solo aquecido faz o ar subir rapidamente e pode arrastar gotas para áreas indesejadas.

“Em ambas as situações, a aplicação não deve ser realizada, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo do clima”, destaca.

Culturas sensíveis

As entidades também chamam atenção para a sensibilidade de algumas culturas, como uva, maçã, tomate e algodão, que exigem atenção redobrada à direção do vento, sendo obrigatória a interrupção da aplicação quando houver risco de deslocamento do produto para áreas sensíveis.

O documento ainda reforça a importância do uso exclusivo de produtos devidamente registrados, autorizados para a cultura e adquiridos apenas em distribuidores, cooperativas agrícolas ou diretamente dos fabricantes.

“Antes da compra, devem ser verificadas a integridade da embalagem, a identificação do fabricante, o número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a conformidade das informações. Formulações ilegais, incluindo antigas versões de 2,4-D éster butílico, apresentam elevado risco de volatilidade e deriva e que não estão devidamente registradas no Brasil, com potencial de causar danos severos e comprometer a segurança e a rastreabilidade de toda a cadeia”, destaca o ofício.

“O emprego de produtos clandestinos coloca em risco a agricultura e toda a cadeia produtiva. A orientação é clara: identificar, recusar e denunciar qualquer suspeita”, reforça Kagi.

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Embrapa identifica plantas resistentes à praga que pode comprometer até 100% da produção

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Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

A cigarrinha-do-arroz (Tagosodes orizicolus) é um inseto que ganhou importância nos últimos anos na rizicultura, devido a surtos de infestação e aos danos que causa pela alimentação, através da sucção de seiva das plantas.

As perdas, seja em sistemas irrigados ou em terras altas, podem chegar a 100% dependendo da intensidade de ataque. Uma das maneiras de ajudar no controle do inseto é o uso de variedades resistentes.

A Embrapa Arroz e Feijão (GO) identificou dois materiais com resistência à sogata que podem auxiliar os produtores no manejo dessa praga. A cultivar BRS A705, lançada em 2022, e o genótipo BGA 6914, armazenado no Banco Ativo de Germoplasma do centro de pesquisa, foram os mais resistentes.

Também conhecida como sogata, a cigarrinha-do-arroz possui o tamanho da cabeça de um alfinete (entre 2 e 3 milímetros). Apesar de minúscula, suas populações podem crescer rapidamente. A praga suga a seiva das folhas, colmos e panículas, provocando secamento, amarelecimento e morte das folhas.

Como consequência da alimentação, o inseto elimina também substância rica em açúcar que serve para o crescimento de fungo responsável pelo desenvolvimento de fumagina, estruturas pretas sobre as folhas que diminuem a área de fotossíntese. 

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão José Alexandre Barrigossi é um dos coordenadores das pesquisas envolvendo o controle da cigarrinha-do-arroz. Ele conta que se trata de uma praga emergente, ou seja, era um inseto encontrado no Brasil que não representava um problema para o arroz irrigado, nem para o arroz de terras altas, mas infestações regionalizadas vêm despertando a preocupação do setor produtivo.

Houve relatos em lavouras irrigadas em Santa Catarina, a partir de 2018, e, em 2020, em outras partes do Brasil, como o Vale do Paraíba, em São Paulo.

“Até bem pouco tempo, a cigarrinha-do-arroz não chamava a atenção dos agricultores, porque não eram registradas ocorrências de altas populações da praga no País. Possivelmente, isso acontecia porque existia forte pressão de controle biológico natural.

A partir de 2020, passaram a existir surtos que podem estar ligados a vários fatores, como verões mais secos e quentes, favorecendo a reprodução da espécie; ou ainda a aplicação de inseticidas nas lavouras, que acabam eliminando inimigos naturais da praga”, explica Barrigossi. 

Como uma praga emergente, ela ainda não está inclusa entre os principais insetos que atacam o arroz, tanto que não existem inseticidas registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para seu controle, informa o pesquisador.

Manejo integrado da praga

A Embrapa Arroz e Feijão realizou experimentos, ao longo de dois anos, para conhecer o nível de resistência de suas cultivares e identificar fontes de resistência ao inseto que possam ser usadas no programa de melhoramento de arroz. Esses testes foram realizados em ambientes controlados de laboratório e casa telada, em Santo Antônio de Goiás (GO).

Os estudos envolveram avaliações relacionadas à interação inseto-planta, tais como a atividade e preferência alimentar da espécie e aspectos relacionados à sua reprodução. A cultivar BRS A705 e o genótipo BGA 6914 foram os menos preferidos pela praga e os que mais interferiram negativamente no desenvolvimento e sobrevivência dela. 

“A identificação dessas fontes de resistência é um importante passo para apoiar o controle da cigarrinha-do-arroz, pois essas alternativas podem ser usadas pelo melhoramento de plantas como doadoras de genes para o desenvolvimento de cultivares, possibilitando que novas variedades da Embrapa apresentem mais um diferencial, o de resistência à cigarrinha”, diz Barrigossi.

O pesquisador pontua que, mesmo que uma cultivar não seja totalmente resistente, ela pode ser combinada a outros métodos de controle e diminuir consideravelmente a necessidade de aplicação de inseticidas. 

O manejo integrado de pragas, com diferentes métodos de controle associados, dentre eles, plantas mais resistentes, é o caminho sustentável para o controle da sogata, complementa Barrigossi. Ele aponta que utilizar exclusivamente o controle químico para combater a cigarrinha-do-arroz nem sempre é o meio mais eficaz. 

Para o futuro, a pesquisa deve seguir aprimorando o manejo integrado de pragas com sistemas de monitoramento da infestação de lavouras pela cigarrinha-do-arroz, geração de cultivares mais resistentes, estudo de agentes biológicos para o desenvolvimento de bioinseticidas e testes com produtos químicos.

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BNDES aprova R$ 42,8 milhões para ampliar armazenagem da Coasul no Paraná

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 42,8 milhões para a Coasul Cooperativa Agroindustrial ampliar a capacidade de armazenagem de grãos no Paraná. O projeto prevê acréscimo de 24 mil toneladas em Laranjal e São João, além da instalação de uma estrutura integrada de atendimento ao produtor rural. Os recursos serão liberados pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

Com contrapartida de R$ 803 mil da cooperativa, o investimento total do projeto soma R$ 43,6 milhões. Segundo o BNDES, a iniciativa deve beneficiar a base de 16,7 mil cooperados da Coasul, concentrada no sudoeste paranaense.

Em Laranjal, o plano prevê investimento de R$ 33,7 milhões para a construção de silos com capacidade estática de 12 mil toneladas. A unidade também contará com barracão para armazenagem de insumos e defensivos, área de atendimento ao público, refeitório, moradia para funcionário, cercamento e projeto executivo para um trevo rodoviário de acesso à filial.

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A estrutura em Laranjal também deve abrigar loja de peças e equipamentos para manutenção de máquinas, além da oferta de insumos e assistência técnica aos produtores.

Em São João, o investimento previsto é de R$ 9,9 milhões. O projeto inclui a construção de dois silos de 6 mil toneladas cada, um silo-moega de 780 toneladas, instalações elétricas e a compra de máquina de limpeza de grãos. Com a ampliação, a capacidade total da unidade passará de 135 mil para 147 mil toneladas.

De acordo com o BNDES, as intervenções devem ampliar a autonomia de armazenagem da cooperativa e dar mais fluidez à descarga de caminhões no pico da safra, com redução de gargalos logísticos. Em nota, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o projeto contribui para a geração e a distribuição de renda no campo e para a redução do déficit histórico de capacidade de armazenagem.

A operação aprovada pelo BNDES concentra recursos em infraestrutura de silos, recebimento de grãos e atendimento ao cooperado, com expansão da capacidade estática e reforço da estrutura operacional da Coasul em duas unidades no Paraná.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Pesquisadores transformam grãos quebrados de feijão em proteína para bebidas, cappuccino e snacks

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Foto: Mapa

Uma proteína concentrada desenvolvida a partir de grãos quebrados de feijão carioca pode abrir novas possibilidades para o uso da leguminosa pela indústria de alimentos. O ingrediente, criado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas (SP), apresenta entre 40% e 50% de proteína e contém todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano.

A tecnologia utiliza as chamadas “bandinhas”, como são conhecidos os grãos partidos durante o beneficiamento do feijão e que possuem menor valor comercial. A proposta é aproveitar esse coproduto para produzir ingredientes que possam ser utilizados em bebidas, pós instantâneos e snacks, entre outros alimentos.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), sediada no Ital e criada em 2021 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Além do aproveitamento de um subproduto da produção agrícola, os pesquisadores apontam que a tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência da indústria brasileira de proteínas vegetais de soja ou ervilha, atualmente importadas em grande parte.

“Nosso objetivo foi obter uma proteína de uma fonte vegetal brasileira. Como o Brasil é um grande produtor de feijão carioca, pensamos em transformá-lo em um ingrediente proteico para ser usado pela indústria alimentícia”, explicou Mitie Sonia Sadahira, pesquisadora do Ital e coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.

Grãos quebrados ganham nova utilização

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de feijão, com produção anual de aproximadamente 3 milhões de toneladas. A variedade carioca responde por cerca de 54% desse volume.

Durante o beneficiamento, entre 1% e 5% dos grãos acabam quebrados e perdem valor comercial. Foi justamente esse material que chamou a atenção dos pesquisadores.

“Tivemos a ideia de agregar valor a esse coproduto”, afirmou Isabela Emiliorelli, pesquisadora do Ital e participante do projeto.

Para transformar os grãos em ingredientes, a equipe utiliza uma técnica conhecida como fracionamento a seco. O método não utiliza solventes e demanda menos água e energia do que processos convencionais de extração úmida.

O feijão é inicialmente moído e transformado em farinha integral. Em seguida, um processo de separação mecânica divide o produto em duas partes: uma fração rica em amido e outra com maior concentração de proteína.

Dessa forma, uma única matéria-prima permite a obtenção de dois ingredientes que podem ser aproveitados pela indústria.

Proteína tem todos os aminoácidos essenciais

A fração proteica desenvolvida pelos pesquisadores alcançou concentração entre 40% e 50% de proteína.

As análises também mostraram que o ingrediente apresenta todos os aminoácidos essenciais ao organismo humano e supera as metas do padrão de referência estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo os pesquisadores, essa característica diferencia o produto de outras fontes vegetais que podem precisar ser combinadas com proteínas de cereais para complementar seu perfil de aminoácidos.

“Normalmente, as proteínas vegetais apresentam um ou dois aminoácidos essenciais a menos [que o necessário] e, por isso, precisam ser complementadas com uma proteína de cereal. Na farinha que obtivemos, isso não aconteceu”, explicou Sadahira.

Processo reduz fatores antinutricionais em até 95%

Outro resultado do estudo foi a redução de até 95% dos chamados fatores antinutricionais naturalmente encontrados no feijão.

Entre eles estão fitatos, inibidores de protease, taninos, lectinas e oligossacarídeos, substâncias que podem dificultar a absorção de nutrientes e provocar desconforto digestivo.

Para alcançar o resultado, os pesquisadores aplicaram métodos de pré-tratamento térmico antes da moagem dos grãos.

Com a combinação desse tratamento e do fracionamento, o ingrediente alcançou digestibilidade superior a 60%.

O procedimento também ajudou a reduzir características que poderiam limitar o uso do feijão como ingrediente industrial, como o sabor residual associado à leguminosa e a coloração escura.

Segundo a equipe, a proteína obtida apresenta sabor neutro e coloração clara, características que facilitam sua incorporação em diferentes alimentos.

Proteína de feijão é testada em bebidas e cappuccino

Os pesquisadores desenvolveram produtos para demonstrar as possibilidades de aplicação do novo ingrediente.

A fração proteica foi utilizada na elaboração de um pó instantâneo para cappuccino sem açúcar, com 5 gramas de proteína por porção.

O ingrediente também foi combinado com frutas tropicais, como manga e maracujá, para a produção de pós instantâneos posteriormente utilizados em bebidas vegetais fermentadas e saborizadas, sem necessidade de aromas ou corantes artificiais.

A parte rica em amido, que ainda mantém entre 10% e 20% de proteína, também foi aproveitada. Os pesquisadores desenvolveram snacks nas versões neutra, salgada e doce. Uma das formulações utiliza pó de manga desidratada enriquecido com 8% de proteína.

Tecnologia chega à fase de testes industriais

A proposta é oferecer ao mercado tanto a tecnologia para obtenção da proteína quanto as possibilidades de aplicação em alimentos por meio de pacotes tecnológicos.

A PBIS reúne, além do Ital, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nove empresas do setor de alimentos e a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia.

Em quatro anos e meio de operação, a plataforma desenvolveu mais de 30 ingredientes alimentícios e mais de 20 processos industriais.

No caso da proteína de feijão carioca, a tecnologia já passa por testes de processamento em escala industrial conduzidos pela SL Alimentos, uma das empresas participantes do projeto.

Segundo Gisele Anne Camargo, gestora executiva e pesquisadora principal da PBIS, a tecnologia alcançou os níveis 5 e 6 na escala TRL (Technology Readiness Level), que mede a maturidade tecnológica de uma solução em uma escala de 1 a 9.

A partir dessa etapa, o avanço da proteína de feijão carioca até os alimentos disponíveis aos consumidores dependerá do interesse e das próximas etapas de desenvolvimento conduzidas pela indústria.

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