Connect with us
7 de maio de 2026

Agro Mato Grosso

Produção de grãos do Brasil na safra 2025/26 cresce e deve alcançar 354,4 milhões de toneladas

Published

on

A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 354,4 milhões de toneladas, segundo o terceiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa um pequeno avanço de 0,6% em relação ao ciclo 2024/25, somando 2,2 milhões de toneladas adicionais ao total colhido no último ano. O desempenho é resultado de uma combinação contrastante entre o aumento de 3% na área semeada, que passou de 81,7 para 84,2 milhões de hectares, e uma leve queda na produtividade média nacional, estimada em 4.210 quilos por hectare — abaixo dos 4.310 quilos por hectare registrados no ciclo anterior.

Na abertura do plantio da 1ª safra, a soja mantém seu protagonismo e já ocupa 90,3% da área estimada para a cultura. Em Mato Grosso, principal estado produtor, a semeadura está 100% concluída, conforme boletim de Progresso de Safra. O comportamento das chuvas, porém, trouxe contrastes. Enquanto a Região Sul registrou precipitações mais regulares na primeira quinzena de novembro e ganhou ritmo no plantio, os estados do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Minas Gerais enfrentaram atrasos por causa da inconstância climática. A situação se normalizou na segunda metade do mês, acelerando os trabalhos. Com 48,9 milhões de hectares destinados à cultura, a Conab projeta 177,1 milhões de toneladas de soja, alta de 3,3% e potencial para um novo recorde nacional, caso o clima se mantenha favorável.

Outra cultura-chave da primeira safra, o arroz, deve colher 11,2 milhões de toneladas, queda de 12,4% em relação ao ciclo anterior. O recuo ocorre em meio às condições atuais de mercado e à redução da área plantada, estimada em 1,62 milhão de hectares. No Rio Grande do Sul, principal produtor do cereal, a semeadura atinge 98% da área prevista, enquanto em Santa Catarina o plantio já foi concluído.

Companheiro inseparável do arroz na mesa do brasileiro, o feijão mantém estabilidade no volume total, estimado em 3 milhões de toneladas, somando as três safras. O desempenho assegura o abastecimento interno. A primeira safra está avançada: Paraná e São Paulo já concluíram o plantio, Minas Gerais chega a 93,8% da área semeada e a Bahia atinge 67%.

Para o milho, a previsão total das três safras é de 138,9 milhões de toneladas, recuo de 1,5% sobre o ciclo passado. Ainda assim, o primeiro plantio apresenta bom ritmo: 71,3% da área prevista já está semeada, num total de 4 milhões de hectares. A produção esperada para essa etapa é de 25,9 milhões de toneladas, crescimento de 3,9% em relação ao ciclo anterior.

Advertisement

As culturas de inverno caminham para o encerramento da colheita da safra 2025. O trigo, principal cultivo do período, já tem 98% da área colhida e deve fechar com produção de 8 milhões de toneladas, aumento de 0,9% frente ao último ciclo. O resultado se apoia nas condições climáticas predominantemente favoráveis, apesar de alguns eventos adversos registrados em regiões específicas.

No mercado, a Conab manteve praticamente estáveis as estimativas do quadro de suprimentos da safra 2024/25, com pequenos ajustes decorrentes de novas informações de produção e comportamento do mercado. Um dos destaques deste levantamento é o aumento de 313 mil toneladas na previsão de exportações, elevando o total para 106,97 milhões de toneladas até o fim de 2025. Desse volume, a soja em grãos responde pela maior fatia: de janeiro a novembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil embarcou 104,79 milhões de toneladas, volume recorde que já supera as 101,87 milhões exportadas em todo o ano de 2021. O movimento rendeu ao país US$ 42 bilhões em receita apenas nos 11 primeiros meses do ano.

Continue Reading
Advertisement

Agro Mato Grosso

Agrishow: de ‘trator que fala’, veja máquinas com IA que operam sozinhas

Published

on

Fazer uma pergunta para um trator e receber a resposta na hora ou ver uma máquina trabalhando sozinha na lavoura, sem ninguém na cabine. O que parece cena de filme futurista já é realidade foram destaques da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), impulsionados pela inteligência artificial.

Com a proposta de ajudar o produtor a tomar decisões mais rápidas, aumentar a produtividade e reduzir custos, empresas apostam em tecnologias inovadoras que devem se tornar cada vez mais comuns no campo.

Trator que ‘fala’ a língua do produtor

Um dos destaques é o “Talking Tractor”, da Valtra. O modelo usa inteligência artificial para interagir diretamente com o operador, por voz ou texto, e ajudar na tomada de decisão. (assista no vídeo acima)

“A nossa maior intenção com esse projeto é fazer com que o uso da tecnologia, que hoje é infinita, para que o homem e máquina se conectem para a melhor tomada de decisão em tempo real. Ele ajuda o produtor a tomar as melhores decisões, já que a máquina fala a língua do produtor”, comenta Claudio Esteves, diretor de vendas da Valtra.

 

Na prática, o produtor pode perguntar desde informações simples, como consumo de combustível, até orientações técnicas detalhadas.

Advertisement

Trator 'falante' é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

Trator ‘falante’ é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

A tecnologia ainda está em fase de testes, mas chama atenção do público. Segundo a empresa, o sistema aprende com o uso e armazena dados históricos da operação, permitindo consultas sobre atividades realizadas até meses antes.

“A gente tem todo o dado de telemetria, tem todo o manual técnico dele ali dentro, então não só ajudar na tomada de decisão, mas em qualquer ajuste que ele precisar, técnico, ele vai poder fazer a pergunta. E claro, ele vai gravar também toda a operação. (…) Por exemplo: um ano atrás eu plantei e quero saber quanto eu gastei de combustível, tudo isso ela consegue ajudar.”

Painel do trator 'falante', que promete facilitar a vida do produtor rural, na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

 Painel do trator ‘falante’, que promete facilitar a vida do produtor rural, na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Agro e biodiesel reforça mudança de perfil de Mato Grosso

Published

on

Durante décadas, o crescimento do agronegócio brasileiro esteve associado principalmente ao aumento da produção dentro da porteira. Agora, uma nova etapa começa a ganhar força no setor: a industrialização das cadeias agropecuárias como forma de ampliar valor agregado, reduzir dependência da exportação de matéria-prima e fortalecer a economia regional.

Em Mato Grosso, esse movimento vem sendo puxado pela indústria de biocombustíveis. Dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o estado alcançou, em março, o maior volume de produção de biodiesel da série histórica, consolidando-se como principal polo nacional do segmento.

As usinas mato-grossenses produziram 228,36 mil metros cúbicos no período, o equivalente a cerca de 26% de todo o biodiesel fabricado no país. O avanço foi impulsionado principalmente pela ampliação da mistura obrigatória do biocombustível ao diesel, atualmente em 15% (B15), o que elevou a demanda da indústria.

Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o crescimento da agroindústria representa uma mudança estrutural para o setor. “O agro brasileiro começa a entrar em uma nova fase. Não basta mais apenas produzir volume. O grande diferencial econômico passa a ser a capacidade de industrializar, transformar e agregar valor àquilo que é produzido no campo”, afirma.

Segundo ele, Mato Grosso simboliza esse processo ao integrar produção agrícola e geração de energia renovável. “Quando o estado transforma soja em biodiesel, ele deixa de exportar apenas matéria-prima e passa a capturar uma fatia maior da riqueza gerada pela cadeia. Isso significa mais empregos, arrecadação, investimentos e fortalecimento da economia regional”, diz.

Rezende também destaca que a industrialização ajuda a reduzir a vulnerabilidade do produtor às oscilações externas. “Uma agroindústria forte cria demanda interna mais consistente e diminui a dependência exclusiva do mercado internacional. Isso dá mais estabilidade para o produtor e fortalece toda a cadeia produtiva”, avalia.

O avanço do biodiesel em Mato Grosso está diretamente ligado à forte integração entre a produção de grãos e a indústria de energia renovável. Segundo o Imea, o óleo de soja respondeu por 84% da matéria-prima utilizada pelas usinas no mês, mantendo a oleaginosa como principal base do setor.

Advertisement

Além do biodiesel, os dados do instituto apontam cenário positivo para outras cadeias relevantes do estado. No milho, a produtividade da safra 2025/26 foi revisada para 118,78 sacas por hectare, elevando a projeção de produção para 52,66 milhões de toneladas, favorecida pelo bom regime de chuvas em parte das regiões produtoras.

No algodão, a área cultivada foi ajustada para 1,38 milhão de hectares, enquanto a produção segue estimada em 6,14 milhões de toneladas de algodão em caroço, mantendo Mato Grosso na liderança nacional da cultura.

Na pecuária, o mercado apresentou movimentos distintos em abril. O boi gordo registrou valorização, com arroba média de R$ 350,11, sustentada pela menor oferta de animais para abate. Já o suíno perdeu força diante da demanda doméstica mais fraca, encerrando o mês com média de R$ 5,96 por quilo ao produtor.

Para Rezende, o avanço da indústria ligada ao agro deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. “O mundo busca alimentos, energia renovável e produtos de menor impacto ambiental. Mato Grosso reúne escala, produção e capacidade de processamento para ocupar posição estratégica nesse cenário. O futuro do agro passa cada vez mais pela industrialização”, conclui.

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Fertilizante feito com dejetos de porco pode reduzir dependência de fósforo

Published

on

Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começa a se consolidar como alternativa para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes fosfatados importados. Trata-se da estruvita, um insumo obtido a partir de resíduos da suinocultura que, em testes conduzidos pela Embrapa, foi capaz de suprir até 50% da demanda de fósforo na cultura da soja sem perda relevante de produtividade.

Nos experimentos, a produção alcançou 3.500 quilos por hectare, resultado próximo da média nacional de 3.560 quilos por hectare registrada em 2025 com adubação convencional. O desempenho indica que o produto pode ser incorporado ao manejo como complemento ao fósforo solúvel, especialmente em sistemas que buscam maior eficiência no uso de nutrientes e redução de custos.

A estruvita é formada pela precipitação química de nutrientes presentes em dejetos animais, gerando cristais de fosfato de magnésio e amônio. O processo transforma um passivo ambiental — comum em regiões de produção intensiva de suínos — em insumo agrícola, com potencial de reaproveitamento dentro da própria cadeia produtiva.

Do ponto de vista agronômico, o diferencial está na liberação gradual do fósforo. Em solos tropicais, onde o nutriente tende a ser rapidamente fixado e perder disponibilidade, essa característica melhora o aproveitamento pelas plantas. A reação alcalina do material também contribui para maior eficiência no solo, em contraste com fertilizantes convencionais, predominantemente ácidos.

Os estudos também avançam no desenvolvimento de formulações organominerais. Em avaliações iniciais, essas combinações apresentaram maior difusão de fósforo no solo em comparação com a estruvita granulada, ampliando o potencial de uso em diferentes sistemas produtivos.

Além do desempenho agronômico, a tecnologia traz implicações econômicas e ambientais. Ao reduzir a dependência de insumos importados,  que ainda representam cerca de 75% do consumo nacional de fertilizantes, a estruvita se insere como alternativa estratégica em um dos principais componentes de custo da produção agrícola.

Advertisement

Outro impacto relevante está na gestão de dejetos da suinocultura. A recuperação de nutrientes permite reduzir a carga de fósforo e nitrogênio aplicada ao solo, diminuindo o risco de contaminação ambiental e abrindo espaço para maior intensificação da produção nas granjas.

Apesar do avanço internacional, com unidades de produção em operação em países como China, Estados Unidos e Alemanha, o uso da estruvita ainda é incipiente no Brasil. A principal lacuna está no conhecimento sobre o comportamento do insumo em condições tropicais, marcadas por solos ácidos e alta presença de óxidos de ferro e alumínio, que influenciam a dinâmica do fósforo.

A pesquisa conduzida pela Embrapa, com participação de universidades e centros de pesquisa nacionais, busca justamente adaptar a tecnologia à realidade brasileira e viabilizar sua adoção em escala.

O avanço ocorre em linha com o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê a ampliação da produção interna e o desenvolvimento de fontes alternativas mais eficientes. Se confirmados os resultados em escala comercial, a estruvita tende a se consolidar como uma solução nacional para um dos principais gargalos estruturais da agricultura brasileira.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT