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26 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Pesquisas sobre manejo integrado de pragas, desenvolvidas na Epagri de Chapecó, foram destaque em 2025 – MAIS SOJA

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Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

Duas pesquisas, desenvolvidas no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó, ganharam reconhecimento em importantes eventos científicos realizados ao longo deste ano. Em maio, durante o II Encontro Sul-Brasileiro de Fitossanidade (Enfit-Sul), a bolsista Epagri/Fapesc, Maíra Chagas Morais, foi premiada na categoria Entomologia, com o trabalho “Misturas de desalojantes e inseticidas sintéticos no manejo da lagarta-do-cartucho: Avaliações em laboratório e campo”. Em setembro, foi a vez da mestranda Helene Jardim Pedó conquistar o prêmio de melhor comunicação oral, apresentando os resultados de seu estudo “Compatibilidade físico-química entre dimpropyridaz e micoinseticidas à base de Beauveria bassiana e Cordyceps javanica”, durante o 18° Simpósio de Controle Biológico (SICONBIOL).

Os dois trabalhos foram coordenados pelo pesquisador da Epagri/Cepaf, Leandro do Prado Ribeiro. Desde 2017, o pesquisador tem avaliado os efeitos de moduladores de comportamento sobre pragas que afetam as culturas da soja e do milho, que são os principais grão cultivados de Santa Catarina. Por outro lado, em 2021, Leandro abriu uma nova linha de pesquisa para avaliar a associação de estratégias de controle químico e biológico no manejo de pragas de sistemas de produção de milho e soja.

O trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Entomologia da Epagri, sob a coordenação do pesquisador Leandro do Prado Ribeiro, é referência no Brasil e no exterior (Foto: Helena Moraes / Epagri)

Os moduladores de comportamento são substâncias utilizadas para alterar determinadas ações dos insetos, como orientação, alimentação, reprodução e deslocamento. No manejo integrado de pragas, são misturados aos defensivos agrícolas e aplicados para induzir uma maior exposição ao inseticida, reduzindo os danos causados por pragas como a cigarrinha-do-milho, a lagarta-do-cartucho e os percevejos marrom e barriga-verde. Impulsionados pelos benefícios divulgados, os moduladores comerciais, assim como as soluções caseiras, ganharam espaço entre os produtores rurais. O pesquisador recorda que, em 2017, surgiram populações da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) resistentes a alguns eventos transgênicos (Bt). Diante disso e dos impactos provocados pelos insetos nas lavouras, muitos agricultores passaram a adicionar creolina aos tanques de pulverização, acreditando que o cheiro forte da substância ajudaria a movimentar ou desalojar as pragas. Entretanto, essa prática carecia de respaldo técnico, já que não existiam evidências científicas que comprovassem a eficácia dessas combinações.

Para oferecer suporte a estas ações, a Epagri uniu esforços com o setor produtivo, universidades e agências de fomento, como a Fapesc, para analisar os benefícios e possíveis incompatibilidades do uso associado desses produtos. “A ausência de base científica, até então, posiciona a Epagri como protagonista da produção de conhecimento sobre o uso de mistura no manejo integrado de pragas. Os trabalhos desenvolvidos aqui são inéditos e estão sendo publicados nas principais revistas científicas internacionais, servindo de base para recomendação de manejo no Brasil e no exterior”, afirma Leandro.

O pesquisador destaca que a repercussão do trabalho desenvolvido no Laboratório de Entomologia da Epagri em Chapecó tem despertado interesse da iniciativa privada e de diversos órgãos públicos de pesquisa, que buscam aplicar métodos semelhantes em estudos conduzidos em outras regiões do país. “Nossa maior satisfação é que isso tem gerado uma implicação prática nas recomendações e na tomada de decisões dos agricultores catarinenses”, diz.

O reconhecimento, como o que Maíra e Helene receberam, também o enche de orgulho. “Como supervisor dos dois trabalhos premiados em importantes eventos científicos este ano, digo que é uma grande satisfação, porque, além de contribuir para o desenvolvimento regional e para a solução dos problemas do campo, as pesquisas também contribuem para a formação de pessoas. Os profissionais que passam por aqui, sejam estagiários ou bolsistas, saem com um nível de capacitação muito elevado e ajudam a divulgar o nome da Epagri em pesquisas pioneiras, inéditas e que servem de referência para todo o país”, observa.

Compatibilidade de inseticidas e micoinseticidas no controle da cigarrinha-do-milho

Helene realizou seu estágio final de graduação na Epagri. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, viveu também em Aracaju, onde ingressou na faculdade de Medicina Veterinária. No entanto, ela admite que não havia se identificado plenamente. Vinda de uma família de engenheiros-agrônomos, cresceu entre os corredores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e sempre sonhou em estudar ali. Quando decidiu trocar a veterinária pela Agronomia, não teve dúvidas de para onde queria ir.

Ela considera que a experiência no Laboratório de Entomologia da Epagri foi um divisor de águas em sua formação acadêmica, porque trouxe novos conhecimentos e a permitiu conhecer o sistema produtivo no Oeste de Santa Catarina, que possui características diferentes das do Sul do Rio Grande do Sul. Durante o período em que estagiou na Epagri, desenvolveu pesquisas relacionadas ao manejo da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), integrando produtos químicos e biológicos, tema que continua desenvolvendo no mestrado sob orientação do professor Daniel Bernardi e coorientação de Leandro.

O trabalho apresentado por Helene durante o SICONBIOL analisou a compatibilidade físico-química do inseticida dimpropyridaz, recentemente registrado no Brasil para o manejo de pragas sugadoras como a cigarrinha-do-milho, associado a micoinseticidas. Os micoinseticidas são produtos biológicos desenvolvidos a partir de fungos utilizados no controle de insetos. Esses fungos, conhecidos como entomopatogênicos, são microrganismos capazes de causar doenças em diferentes espécies de insetos e têm sido amplamente empregados como agentes de controle biológico aplicado em diversas culturas agrícolas.

Helene explica que, no caso da cigarrinha-do-milho, “o controle químico de forma isolada não tem se mostrado eficaz. Por isso, o manejo integrado, associando produtos químicos e biológicos, é cada vez mais recomendado aos produtores. Além disso, o uso de produtos biológicos também é uma boa alternativa, pensando em um manejo mais sustentável, pois utiliza elementos que oferecem menos riscos para a saúde dos seres humanos”, diz. Por esse motivo, estudos de compatibilidade são cada vez mais necessários para saber se a composição dos produtos utilizados na mistura não irá interferir na eficácia dos agentes biológicos. Isso ajuda os produtores a adotarem as práticas mais eficazes de manejo, reduzindo prejuízos econômicos decorrentes de aplicações incorretas.

Helene comemora o reconhecimento do trabalho desenvolvido na Epagri durante o Simpósio de Controle Biológico, realizado em Gramado (Foto: Divulgação / Epagri)

Os dados apresentados indicam que não foi observada incompatibilidade físico-química na mistura de calda do inseticida dimpropyridaz com micoinseticidas à base dos fungos Beauveria bassiana e Cordyceps javanica. A pesquisadora ressalta que estes são resultados preliminares e, para descartar qualquer dissonância, é necessário que também sejam realizadas verificações de compatibilidade biológica. Segundo Leandro, o uso de produtos compatíveis pode resultar em ganhos de produtividade que variam entre 9 e 11 sacas por hectare na cultura do milho.

Outro benefício dos agentes de controle biológico é a redução do uso de moléculas sintéticas. “Os produtos biológicos já representam cerca de 6% do mercado de defensivos agrícolas e a expectativa é que sua participação cresça de três a quatro vezes nos próximos dez anos. Em Santa Catarina, praticamente todas as culturas de relevância econômica, das hortaliças aos cereais de inverno, passando por pastagens e grãos, apresentam potencial para adoção do manejo biológico, sobretudo aquelas que buscam reduzir resíduos e avançar na produção sustentável”, assegura Leandro.

O SICONBIOL recebeu 1.000 trabalhos científicos, dos quais apenas 36 foram escolhidos para apresentação oral. Entre eles, Helene não apenas foi selecionada, como também conquistou o prêmio de melhor apresentação. Entre os palestrantes do evento estavam a bolsista Epagri/Fapesc, Michele Trombin De Souza, e os pesquisadores Leandro do Prado Ribeiro e Marcelo Mendes de Haro, da Estação Experimental de Itajaí.

Misturas de desalojantes e inseticidas sintéticos no manejo da lagarta-do-cartucho

Assim como Helene, Maíra também é natural do Sul do Rio Grande do Sul. Nascida na cidade de Camaquã, estudou Agronomia na Universidade Federal de Pelotas, instituição onde também realizou o mestrado e o doutorado, no programa de pós-graduação em Fitossanidade, sob orientação do professor Daniel Bernardi. Sua pesquisa de doutorado, voltada ao estudo de desalojantes e arrestantes disponíveis no mercado para o controle da lagarta-do-cartucho e dos percevejos-marrom e barriga-verde, foi desenvolvida na Epagri. Atualmente, Maíra é bolsista Fapesc e atua, principalmente, no projeto voltado ao manejo da cigarrinha-do-milho com produtos naturais derivados de nim. No entanto, ela não se desvencilhou totalmente do objeto de sua tese e segue conduzindo ensaios sobre os efeitos dos moduladores de comportamento sobre os percevejos e a lagarta-do-cartucho, tema que lhe rendeu o prêmio de melhor trabalho na categoria de Entomologia no II Enfit-Sul.

O trabalho inclui desde a manutenção das criações laboratoriais das pragas-alvo até a análise da compatibilidade físico-química de misturas de tanque e do acompanhamento do comportamento dos insetos em diferentes cenários. Com ajuda de um software, que atua como uma espécie de GPS, Maíra consegue observar parâmetros como distância total percorrida e velocidade de caminhamento dos insetos quando expostos às misturas e ao controle (água).

No artigo que foi premiado e recentemente publicado na revista Journal of Crop Helath, Maíra se concentrou sobre a eficácia das misturas de inseticidas sintéticos e desalojantes, como enxofre e creolina, no combate à lagarta-do-cartucho. Para ser considerada apta, além da compatibilidade química, a calda deve apresentar determinadas características físicas, como, por exemplo, ausência de grumos. “Se a mistura formar grumos, ela não é indicada para o uso porque vai entupir o bico dos pulverizadores. Outros fatores a serem considerados são a separação de fases e alterações de parâmetros, como pH. A separação de fases é resolvida com agitação. Os tanques de pulverização possuem, em sua grande maioria, um sistema de agitação, então é só manter a calda agitando o tempo todo para resolver. Agora, o pH, se estiver muito elevado, prejudica a performance do inseticida. Por exemplo, um desalojante com pH na faixa de 10, misturado a um inseticida que tem pH 5, tem uma mistura elevada para 11, então, esse inseticida não vai ser eficaz no controle da praga-alvo”, explica.

Com até 3.000 ovos por ciclo de vida, a lagarta-do-cartucho se multiplica rapidamente e representa uma ameaça para as lavouras (Foto: Helena Moraes / Epagri)

O uso de misturas em tanque é uma prática comum entre agricultores e está autorizado pela legislação brasileira. Contudo, sem os devidos cuidados, aquilo que deveria ser um aliado no controle de pragas e na redução de custos com insumos, combustível e mão de obra pode se tornar um risco à produtividade, comprometendo o desempenho das lavouras. Antes da aplicação, a pesquisadora recomenda que os produtores realizem testes de pH, que podem ser feitos com as fitas utilizadas para medir a acidez ou alcalinidade de piscinas. É preciso estar atento aos valores especificados no rótulo do produto, garantindo que estejam dentro da faixa adequada para seu pleno funcionamento.

Os ensaios indicaram que a combinação de inseticidas com desalojantes à base de enxofre aumentou a eficácia dos inseticidas sintéticos associados. No entanto, quando misturado à creolina se observou uma redução significativa na efetividade do controle da lagarta-do-cartucho. Este resultado refuta a ideia que norteou a hipótese inicial da pesquisa de Leandro, de que a creolina poderia potencializar o manejo de pragas.

Segundo Maíra, uma das maiores dificuldades para escrever o artigo foi encontrar referências científicas que respaldassem seus resultados, dado o pioneirismo dos ensaios realizados na Epagri. Apesar disso, ela afirma que esta tem sido uma experiência muito gratificante: “A gente se empolga com o trabalho e, quanto mais pesquisamos, mais descobertas surgem. Cada nova resposta abre caminho para outras perguntas, e assim acabamos com mais dúvidas”, diz. Leandro destaca que os trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Entomologia, em Chapecó, sobre os moduladores de comportamento de pragas, especialmente os desalojantes utilizados no manejo da lagarta-do-cartucho, servem de guia para as práticas a serem adotadas no campo. Além disso, eles revelam que estes estudos abriram caminho para novas abordagens e hipóteses de investigação.

Dentre as novas questões a serem analisadas estão os efeitos da pressão atmosférica sobre o comportamento dos insetos-praga sob ação dos moduladores, estudo que está sendo realizado pela estagiária do curso de agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Ana Paula Madaloz. “Nós detectamos em alguns dos nossos insetos-modelo que a pressão atmosférica exerce um papel importante nos parâmetros comportamentais avaliados”, conta Leandro. Outra linha aberta recentemente é a avaliação da habituação, uma vez que os receptores olfativos das pragas podem ser ativados ou desativados quando expostos a produtos com cheiro forte, geralmente desagradável ou marcante”, esclarece Leandro.

Os resultados obtidos reforçam a importância da produção científica desenvolvida pela Epagri e evidenciam a necessidade de que os produtores adotem cuidados específicos no manejo integrado de pragas, garantindo maior eficiência dos produtos e resultados positivos nas lavouras.

Fonte: Epagri



 

FONTE

Autor:Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

Site: Epagri

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Sustentabilidade

CMN flexibiliza uso de recursos para renegociar dívidas rurais – MAIS SOJA

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Em vigor desde o fim de julho, a renegociação especial de dívidas dos produtores rurais será facilitada. Nesta segunda-feira (24), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que flexibiliza o uso de recursos obrigatórios pelos bancos e cooperativas de crédito para quitar ou reduzir débitos contratados originalmente com outras fontes de financiamento.

A medida está relacionada à renegociação de dívidas rurais autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026 e busca resolver uma dificuldade que vinha limitando a atuação das instituições financeiras.

O que mudou

Os bancos são obrigados a destinar uma parcela dos recursos captados em depósitos à vista para determinadas finalidades. Atualmente, 31,5% dos depósitos à vista são destinados ao crédito rural.

Antes da decisão do CMN, esses recursos só poderiam ser usados para renegociar operações que tivessem sido contratadas originalmente com a mesma fonte de recursos. Na prática, isso restringia a quantidade de dívidas que cada instituição financeira conseguia renegociar.

Com a mudança, os recursos obrigatórios poderão ser utilizados para liquidar ou amortizar operações contratadas originalmente com outras fontes. A exceção são as operações vinculadas aos fundos constitucionais.

Dessa forma, um banco passa a ter mais liberdade para usar os recursos obrigatórios disponíveis para ajudar na renegociação de dívidas rurais, mesmo quando o financiamento original não veio daquela mesma fonte.

A regra anterior determinava que as instituições considerassem os saldos das fontes de recursos apurados em 22 de julho. Segundo o Ministério da Fazenda, esse mecanismo dificultava a operacionalização e o controle das renegociações.

Limite de 40%

A flexibilização, porém, tem um limite. Os agentes financeiros poderão usar até 40% da exigibilidade do ano-safra em renegociações.

A exigibilidade é, de forma simplificada, a parcela dos recursos que as instituições financeiras são obrigadas a destinar a determinadas modalidades de crédito.

O teto de 40% foi estabelecido para evitar que os recursos destinados ao crédito rural sejam consumidos em grande parte pelo refinanciamento de dívidas. A intenção é preservar dinheiro também para novos empréstimos aos produtores.

Juros das operações

Poderão ser utilizados recursos direcionados não controlados ou recursos livres não controlados, respeitando as taxas de juros previstas para as renegociações. Os juros ficarão entre 5% e 12% ao ano, conforme o nível de perdas comprovado pelo produtor rural. A taxa, portanto, não será necessariamente a mesma para todos. A situação de cada produtor e a comprovação das perdas influenciarão as condições da renegociação.

Mais bancos

A medida também pode ampliar o número de instituições financeiras capazes de participar da renegociação das dívidas rurais.

Em 14 de agosto, o Ministério da Fazenda distribuiu R$ 25,8 bilhões em limites de equalização entre dez instituições financeiras.

A equalização é um mecanismo usado pelo governo para compensar instituições financeiras pela diferença entre o custo de captação dos recursos e os juros cobrados em determinadas operações.

Com a nova regra, bancos que não receberam limites de equalização naquela distribuição também poderão participar das renegociações usando os recursos obrigatórios.

Quem recebeu menos

A mudança também beneficia instituições que receberam um limite de equalização menor do que o necessário para atender à demanda de seus clientes. Esses bancos poderão usar até 40% das exigibilidades dos recursos obrigatórios para complementar os valores destinados à renegociação.

Na prática, a medida amplia a capacidade das instituições financeiras de atender produtores que buscam reorganizar suas dívidas, sem retirar totalmente os recursos que precisam continuar disponíveis para novos financiamentos rurais.

Efeito esperado

O objetivo central da decisão do CMN é destravar as renegociações de dívidas rurais.

Ao permitir que mais fontes de recursos sejam utilizadas e ao ampliar a quantidade de instituições que podem participar das operações, o governo espera facilitar a repactuação dos débitos.

Ao mesmo tempo, o limite de 40% procura equilibrar os dois objetivos: ajudar produtores endividados a reorganizar suas dívidas e preservar recursos para que o sistema financeiro continue concedendo novos créditos rurais.

Fonte: Agência Brasil



 

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Sustentabilidade

Plano Safra: Canola amplia alternativas de produção no inverno – MAIS SOJA

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O amarelo que toma conta das lavouras durante a floração da canola tem ganhado cada vez mais espaço no campo e também na estratégia dos produtores rurais. Em Crissiumal, no Noroeste do Rio Grande do Sul, a cultura vem sendo uma alternativa para diversificar a produção durante o inverno e aproveitar melhor as áreas agrícolas.

Os cooperados Janiel Frasson Helfenstein e sua esposa, Luana Unser Prediger, iniciaram o cultivo da canola em 2025. Na propriedade, localizada na comunidade de Vila Planalto, são destinados aproximadamente 30 hectares para a cultura nesta safra.

A escolha pela canola está relacionada principalmente à possibilidade de diversificação e à adaptação da cultura ao sistema produtivo da região. Além de ser uma oleaginosa cultivada no período de inverno, a canola pode participar da rotação de culturas, contribuindo para a quebra de ciclos de doenças e para o melhor aproveitamento da área agrícola. Estudos da Embrapa destacam esse potencial da cultura no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Uma nova alternativa para a lavoura

Para os produtores, apostar na canola também significa buscar novas possibilidades de renda e aproveitar um período em que a propriedade poderia ter parte de sua área com menor utilização.

Janiel conta que decidiu investir na cultura principalmente pela maior resistência da canola às chuvas. Antes, durante o inverno, a área era destinada ao cultivo de trigo. A mudança trouxe uma nova alternativa para a propriedade, com a expectativa de um retorno financeiro maior devido à valorização da canola no mercado. Para esta safra, a previsão é colher entre 25 e 30 sacas por hectare. 

O cultivo exige atenção desde o planejamento da lavoura até a colheita. Entre os principais cuidados estão a escolha da cultivar, a época de semeadura, o manejo do solo, a adubação e o acompanhamento das condições climáticas. No Rio Grande do Sul, a canola é cultivada durante o outono e o inverno, e o planejamento da semeadura é um dos fatores importantes para o desempenho da lavoura.

Crédito para o cultivo 

Para garantir os recursos necessários ao desenvolvimento da cultura, os cooperados buscaram na Cresol o apoio do Plano Safra. Por meio da linha de custeio, puderam contar com recursos para as despesas ao longo do ciclo produtivo, contribuindo para um melhor planejamento e desenvolvimento da lavoura. 

“A Cresol facilitou a nossa produção pela agilidade na liberação do crédito e pela praticidade na contratação. E também tem o atendimento próximo, porque a gente sabe que pode contar com eles quando precisa. Com o tempo, acaba criando até uma amizade”, comenta Janiel.

Mais do que disponibilizar o crédito, a proximidade com o associado faz parte da atuação da Cresol no campo. A cooperativa busca compreender a realidade de cada propriedade para oferecer soluções que estejam de acordo com as necessidades do produtor.

Canola ganha espaço no Rio Grande do Sul

A experiência dos produtores de Crissiumal acompanha um movimento de expansão da cultura no Rio Grande do Sul. De acordo com a projeção da Emater/RS-Ascar para a safra 2026, o Estado deve cultivar 353.397 hectares de canola, um crescimento de 102,64% em relação à área cultivada em 2025. O avanço reforça a cultura como uma das principais alternativas entre os cultivos de inverno. 

No Noroeste gaúcho, a cultura já possui histórico de adaptação e vem sendo estudada como alternativa para os sistemas de produção da região. Além da possibilidade de geração de renda no inverno, a canola contribui para a diversificação e pode ser inserida em sistemas de rotação com outras culturas.

Para Christian Renz, gerente da agência da Cresol em Crissiumal, apoiar atividades como a produção de canola faz parte do compromisso da cooperativa com o desenvolvimento das propriedades e da economia local. “Sabemos que diversificar a produção também é uma forma de buscar novas oportunidades no campo. A Cresol está ao lado dos agricultores para apoiar essas decisões e incentivar que conheçam e avaliem novas alternativas de cultivo, sempre considerando a realidade e os objetivos de cada propriedade”, destaca.

A expectativa dos associados para os próximos ciclos é seguir investindo na canola como alternativa para diversificar a produção. Com planejamento, conhecimento e acesso aos recursos necessários, a cultura passa a ocupar um espaço cada vez mais estratégico na propriedade.

Série especial Plano Safra

Desde 2003, o Plano Safra é uma das principais políticas de incentivo ao desenvolvimento da agropecuária brasileira, oferecendo linhas de crédito para custeio, investimento e modernização das propriedades rurais.

Nesta série especial, a Cresol apresenta histórias de produtores que utilizam esses recursos para investir em tecnologia, ampliar a produção e fortalecer a sucessão familiar. A cada reportagem, uma atividade mostra como o cooperativismo contribui para o desenvolvimento do campo em diferentes regiões do Brasil. 

Sobre a Cresol

Com 31 anos de história, mais de 1,2 milhão de cooperados e 1.060 agências de relacionamento no Brasil, a Cresol é uma das principais instituições financeiras cooperativas do país. Com foco no atendimento personalizado, fornece soluções financeiras para pessoas físicas, empresas e empreendimentos rurais.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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Milho ganha força, enquanto soja espera por novos sinais de demanda no mercado internacional – MAIS SOJA

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Enquanto o milho começa a encontrar espaço para uma recuperação no mercado internacional, a soja ainda enfrenta um obstáculo conhecido: a demanda. Os dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em agosto mostram uma mudança importante no equilíbrio entre os dois grãos. No milho, estoques menores aumentam a sensibilidade do mercado a novas perdas de produção ou surpresas na demanda. Na soja, o aumento da oferta americana mantém os preços mais dependentes de novos estímulos, especialmente das compras chinesas.

No Brasil, porém, o comportamento das bolsas internacionais é apenas parte da formação dos preços, que também depende de câmbio, prêmios e demanda.

Soja ainda depende da demanda

Na soja, a produtividade americana foi revisada de 59,40 para 59,07 sacas por hectare, mas a área colhida aumentou 1,7%, para 34,72 milhões de hectares. Com isso, a produção chegou a 122,99 milhões de toneladas, acima das 121,8 milhões esperadas pelo mercado. Os estoques finais ficaram em 8,71 milhões de toneladas, enquanto a previsão de importação da China permaneceu em 115 milhões de toneladas.

Para Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o aumento da oferta americana reduz o espaço para uma alta mais consistente. “O que trava a soja hoje é demanda. O esmagamento maior sustenta farelo e óleo, mas não resolve o excedente de grão que precisa sair dos Estados Unidos”, afirma.

A produção brasileira de soja para 2026/27 permanece projetada em 186 milhões de toneladas. Nesse cenário, o mercado passa a depender de novos sinais de demanda chinesa ou de perdas mais significativas nas lavouras americanas para ganhar sustentação.

Milho tem estoques mais apertados

No milho, a combinação entre exportações maiores e estoques menores mudou a percepção do mercado. As exportações americanas para 2025/26 subiram de 84,46 milhões para 86,36 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem recuaram de 51,31 milhões para 49,40 milhões. Para 2026/27, os estoques finais foram projetados em 41,98 milhões de toneladas, queda de 7,65%.

“A relação estoque/uso americana saiu do cenário mais  confortável e entrou em patamar justo, e assim o mercado começa a precificar risco: com pouco colchão, qualquer problema de clima ou surpresa de demanda gera reação de preço desproporcional ao tamanho do dado”, explica Isabella.

Apesar da produção americana continuar elevada, em 406,75 milhões de toneladas, o menor volume disponível reduz a margem para novas perdas de produtividade ou aumento das exportações. A relação estoque/uso caiu de 11,01% para 10,12%, reforçando a mudança no balanço do cereal.

Câmbio segue decisivo para o produtor

No mercado brasileiro, os efeitos desse cenário ainda dependem de fatores domésticos. A projeção de estoques finais de milho para 2026/27 caiu de 11,1 milhões para 10,1 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno subiu de 98 milhões para 100 milhões de toneladas.

Para Isabella, a movimentação internacional precisa ser analisada em conjunto com as condições do mercado brasileiro. “Câmbio, prêmios da soja e exportações brasileiras de grãos continuam definindo quanto do movimento externo chega ao produtor. No milho, o consumo doméstico brasileiro também ganha importância”, afirma.

O cenário desenhado pelos dados do USDA coloca milho e soja em momentos distintos. Enquanto o cereal passa a operar com menor margem de segurança nos estoques americanos e fica mais sensível a fatores como clima e demanda, a soja ainda precisa de novos estímulos para reduzir a pressão provocada pela oferta. Para o mercado brasileiro, a combinação entre esses fatores externos e as condições domésticas será determinante para definir os próximos movimentos de preços.

Sobre a Biond Agro

Empresa especializada em gestão e comercialização de grãos para o produtor brasileiro, originária de um grupo de companhias com 25 anos de experiência (Fyo, CRESUD e Brasil Agro). Compreendendo os números e especificidades do negócio e como interagir com os mercados. A Biond Agro desenha estratégias de comercialização e execução de negócios, profissionalizando a gestão de riscos para tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. Saiba mais em https://www.biondagro.com/

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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