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25 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Monitoramento de doenças em soja – MAIS SOJA

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Ao longo do ciclo de desenvolvimento da soja, diversas doenças podem acometer as plantas, causando desde a redução da produtividade, até a depreciação das sementes produzidas, reduzindo atributos qualitativos como germinação e vigor. Alguns patógenos causadores de doenças em soja são considerados necrotróficos, ou seja, sobrevivem em resíduos culturais. Já outros por sua vez, são classificados como biotróficos (necessitam de um hospedeiro vivo para sobreviver). Nesse contexto, determinados patógenos podem estar presentes na área de cultivo, antes mesmo da semeadura da soja, sobrevivendo na palhada ou em plantas voluntárias/hospedeiras.

Além disso, há doenças consideradas monocíclicas e policíclicas. No caso das monocíclicas, a doença apresenta apenas um ciclo durante o desenvolvimento da cultura. Já as doenças policíclicas, apresentam vários ciclos durante o desenvolvimento da planta, podendo o inóculo produzido infectar outras plantas ou os tecidos saudáveis da planta hospedeira, permitindo a ocorrência de múltiplos ciclos da doença ao longo do cultivo (Tabela 1).

Sendo assim, o controle de doenças policíclicas é mais complexo, requerendo maior frequência de intervenção, principalmente sob condições climáticas e ambientais favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos.

Tabela 1. Classificação das doenças da soja quanto ao tipo de ciclo (monocíclicas e policíclicas).

O potencial em causar danos varia de acordo com a natureza do patógeno, suscetibilidade da cultivar e severidade da doença. Contudo, dependendo do estádio em que as plantas são infectadas e da agressividade da doença, perdas de produtividade de até 100% podem ser observadas em soja, caso as devidas medidas de controle não sejam adotadas. Dentre as principais e mais preocupantes doenças que incidem sobre a soja, destacam-se a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), a antracnose (Colletotrichum truncatum) a mancha-parda (Septoria glycines), o oídio (Microsphaera diffusa), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) e o crestamento foliar (Cercospora kikuchii)

Figura 1. Potencial de danos das principais doenças fúngicas da soja.

Tendo em vista o impacto gerado pelas doenças em soja, adotar estratégias de manejo que preconizem a manutenção da sanidade da lavoura é determinante para a obtenção de altas produtividades. Ainda que, para determinadas doenças as recomendações de manejo estabeleçam que o controle deva ocorrer de forma preventiva ao desenvolvimento do patógeno, o monitoramento das áreas de cultivo ainda é indispensável para avaliar possíveis focos de infecção e a severidade das doenças. Para tanto, visando identificar as doenças ainda no início do seu desenvolvimento, é crucial compreender a dinâmica de ocorrência que envolve as doenças em soja, visto que algumas ocorrem predominantemente em dado estádio do desenvolvimento da cultura.



Figura 2. Período de ocorrência da doenças da soja.

Especialmente em áreas com pouca palhada, o monitoramento deve ser intensificado durante o estabelecimento da cultura. Nessas áreas, a soja fica mais suscetível a infecção por fungos necrotróficos dispersos pela chuva. Os respingos de solo, causados pela gota da chuva são alguns dos principais veículos da dispersão de fitopatógenos (figura 3), carregando o fungo do solo para a folha da planta, dando início a infecção do patógeno.

Figura 3. Efeito da gota da chuva sobre a dispersão de patógenos em soja. Folhas de soja com solo, proveniente dos respingos de chuva.

A palhada na cobertura do solo, serve como uma barreira física, reduzindo o impacto da gota da chuva e consequentemente a dispersão de patógenos do solo, que desencadeiam a infecção na planta, iniciada normalmente no terço inferior (baixeiro). Assim como áreas de baixa palhada, o monitoramento de doenças em soja deve ser intensificado sob condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento de doenças, sendo que, chuvas frequente, seguidas de temperaturas amenas e alta umidade relativa do ar, são propícias para o desenvolvimento da maioria dos fungos fitopatogênicos.

Sendo assim, a análise das condições climáticas e ambientais, atreladas aos períodos de predominância de doenças em soja, podem ser utilizados para melhor posicionar o monitoramento de doenças em soja. No entanto, vale destacar que se tratando de doenças de elevado potencial destrutivo, bem como cultivares suscetíveis, o manejo proativo e preventivo constitui uma das principais estratégias de controle para uma lavoura sadia.


Veja mais: Primeiros casos de ferrugem começam a surgir na safra 2025/2026


Referências:

PICININI, E. C.; FERNANDES, J. M. DOENÇAS DE SOJA DIAGNOSE, EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE. EMBRAPA, Documentos, n. 16, 2003. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/820515/1/CNPTDOC.1603.pdf >, acesso em: 01/12/2025.

SPOLTI, P.; VALDEBENITO-SANHUEZA, R. M. M. SOBREVIVÊNCIA, COMPONENTES EPIDEMIOLÓGICOS EPIDEMIOLÓGICOS E CONTROLE DO INÓCULO INÓCULO INICIAL DA PODRIDÃO OLHO DE BOI DE BOI. I Workshop sobre a podridão olho de boi, 2018. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1355300/37478345/Sobreviv%2B%C2%ACncia%2C+componentes+epidemiol%2B%C2%A6gicos+e+controle+.pdf/4fb0e75e-627e-16fb-d5d6-3506a42bc9ff >, acesso em: 01/12/2025.

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Sustentabilidade

Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

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O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.

Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.

Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.

Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.

Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.

Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.

Resultados em sementes de baixo vigor

Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.

De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.

Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).

Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Crop Evo® = bioinsumo a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total, nitrogênio, enxofre, boro, cobalto, ferro, cobre, manganês, molibdênio e zinco.
Fonte: Machado et al. (2026)

Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.

Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!


Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja



Referências:

ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.

MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

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Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

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O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.

Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.

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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.

Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.

O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

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As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.

Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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