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5 de novembro de 2026

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Atraso na soja pode reduzir potencial do milho em Mato Grosso

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O atraso no plantio da soja em Mato Grosso e a irregularidade das chuvas nas principais regiões produtoras começam a desenhar um cenário mais desafiador para a sequência da temporada, com reflexos diretos sobre o milho segunda safra. Produtores relatam lavouras com porte atrasado, estandes falhados e dificuldades para tomar decisões de replantio diante dos custos elevados.

Mato Grosso encerrou o plantio da soja com uma das operações mais longas dos últimos anos. Conforme o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, houve propriedades que levaram mais de um mês e meio para concluir a semeadura. “Foi um plantio desafiador que teve um andamento muito rápido no início e no final ficou atrasado atrás da média dos últimos cinco anos, ou seja, reflete em um dos plantios mais longos da história”, explica ao Patrulheiro Agro desta semana.

Ele lembra que, embora a semeadura tenha sido concluída, os volumes de chuva continuam abaixo da média em boa parte do estado, com localidades registrando menos de quatro milímetros diários nos últimos 30 dias. “Isso preocupa bastante. A soja ficou com um porte mais atrasado”.

As temperaturas extremas no início de novembro reforçaram o estresse das plantas, aumentando a necessidade hídrica e elevando o risco de perdas. “O ano passado o estado fechou com 66 sacas de média. Esse ano, no início, o Imea projetava 60, que seria algo mais realista. (…) Hoje nós dificilmente ultrapassamos 58 sacas por hectare no estado ou pode ser até menos”, observa o presidente da Aprosoja Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Segundo ele, a perda de potencial produtivo deve pesar na rentabilidade. “O produtor precisa de mais sacas de soja para pagar suas contas e há seis meses atrás o Imea mostrava que, considerando só a cultura da soja, o produtor que paga arrendamento estava com R$ 600 de prejuízo, quase seis sacas por hectare”.

Com lavouras mal distribuídas e falhas pontuais, muitos tiveram de decidir entre replantar ou seguir com a área comprometida — uma escolha que pode custar entre 6 e 10 sacas por hectare, somando tecnologia, dessecação, sementes e tratamento. “Isso preocupa muito. (…) Além da saca de soja perder o poder de compra, tudo tem aumentado de preço”, reforça Beber.

Paranatinga e Canarana já trabalham fora da janela do milho

O avanço tardio da soja pressiona o cronograma do milho segunda safra em diversas regiões. Em Paranatinga, o presidente do Sindicato Rural, Carlinhos Rodrigues, confirma que a janela está praticamente encerrada.

“Para milho mesmo Paranatinga praticamente já fechou a janela e para outras culturas já começa a entrar no risco depois da colheita e o plantio da segunda safra”, comenta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Ele destaca ainda que parte dos produtores enfrenta dificuldades com crédito e custos, o que deve deixar algumas áreas sem plantio.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A situação é semelhante em Canarana. O diretor do Sindicato Rural do município, Camilo Ramos, reforça que não há mais espaço seguro para o milho. “O milho segunda safra já fechou, não tem mais janela para plantar. O ano passado já não foi a área que Canarana tem potencial para plantar, (…) então já teve uma redução”, lembra.

No município, a cultura deve ocupar aproximadamente 120 mil hectares nesta temporada, conforme dados do Sindicato Rural. E, para Ramos, falar em “safrinha” já não condiz com o peso econômico da cultura. “Não se pode nem falar em safrinha mais, é segunda safra pelo tamanho da importância no cenário econômico que a gente vive”, frisa.

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Atraso e clima elevam risco para o milho

Em Água Boa, as dificuldades enfrentadas pelos produtores tornam o cenário ainda mais cauteloso. O presidente do Sindicato Rural, Geraldo Antônio Delai, prevê redução no ritmo do plantio e até devolução de pacotes tecnológicos.

“Com os preços atuais e com as condições atuais, com as dificuldades que os agricultores estão passando, nós teremos sim uma dificuldade na nossa região de plantio de milho safrinha. Quem plantar agora já está no risco. Sabe de muitos produtores que, inclusive, já entregou, devolveu os pacotes de milho para revendas”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, apesar do atraso, a área destinada ao milho segunda safra em Mato Grosso deve crescer 1,83% frente ao ciclo passado, totalizando 7,39 milhões de hectares. A produtividade estimada caiu para 116,61 sacas por hectare, e a produção prevista é de 51,7 milhões de toneladas.

O cenário, porém, é de maior risco para as áreas plantadas por último. Conforme Lucas Costa Beber, o produtor tende a semear mesmo em condições adversas, já que grande parte das sementes é adquirida antecipadamente. “Fica difícil de devolver, (…) então ele vai semear, mas em um risco maior e com um investimento menor também”, pondera.

A Aprosoja Mato Grosso estima que os 60% finais do plantio do milho devem ficar fora da janela ideal, sendo que os últimos 40% podem enfrentar atrasos mais graves. “Esses sim devem ficar mais atrasados, comprometendo a safrinha do milho”, conclui o presidente da entidade.

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Ventos de até 250 km/h e temporais destroem lavouras de soja, milho e tabaco no Sul

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Fortes temporais atingem com força o Sul do país desde a tarde desta terça-feira (3). No Rio Grande do Sul muitas lavouras foram destruídas pelo granizo. Em Santa Catarina, estragos em diversas regiões, enquanto no Paraná foi confirmada a passagem de um tornado.

Em território gaúcho, após dias de altas temperaturas, os temporais vieram com força. As cidades mais atingidas ficam no norte e noroeste, mas também há estragos na Fronteira e Vale do Taquari.

Entre os transtornos estão alagamentos com rompimento de estradas, galpões destelhados e muitos danos em lavouras, especialmente as de milho, que já estavam em estádios mais avançados, indo para floração.

Conforme a Defesa Civil, foram registradas ocorrências em 62 municípios gaúchos. Quatro pessoas ficaram feridas. Além do milho, também houve danos em plantações de soja e em culturas como uva, além de outros cereais de inverno que estavam em período de colheita.

Estragos em SC e tornado no Paraná

Chuvas fortes e granizo também alcançaram várias cidades de Santa Catarina. Produtores relataram muitos prejuízos nas lavouras de tabaco, algumas com 100% de perdas. Conforme a Defesa Civil catarinense, ventos acima de 90 km/hora derrubaram estruturas do Aeroporto de Chapecó, no oeste do estado.

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Já no Paraná, meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do estado (Simepar), confirmaram que o fenômeno que atingiu Maringá, no norte paranaense, na última segunda-feira (2), foi um tornado.

O coordenador de Operações do órgão, Marco Jusevicius, ressaltou que as informações meteorológicas disponíveis sobre o evento levaram à definição do fenômeno como de categoria F2, cuja velocidade varia entre 180 km/h a 250 km/h.

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Produtor de tabaco poderá acompanhar a classificação das folhas dentro de sua propriedade

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O Projeto de Lei (PL) 119/2023, que trata da classificação do tabaco produzido no Paraná, foi aprovado pela Assembleia Legislativa do estado (Alep) nesta quarta-feira (4).

A proposta permite que a seleção das folhas seja realizada na própria propriedade rural ou na integradora. Na visão do setor, a mudança amplia as possibilidades de acompanhamento de uma etapa que influencia diretamente o preço pago ao fumicultor.

Para o Sistema Faep, a nova lei representa um avanço em uma discussão de anos. Em abril de 2025, por exemplo, a entidade mobilizou 700 fumicultores de 18 municípios para uma audiência pública na Alep, em Curitiba, dedicada ao projeto e às condições de comercialização do tabaco.

A participação dos agricultores levou ao debate as dificuldades enfrentadas por quem produz longe das unidades de recebimento e classificação. Anteriormente, a concentração dessa etapa em poucas localidades limitava o acompanhamento da análise e dificultava a contestação quando o produtor discordava da classificação atribuída às folhas.

“A aprovação do projeto representa um avanço para os produtores de tabaco do Paraná. A possibilidade de acompanhar a classificação na propriedade aproxima o fumicultor de uma etapa decisiva da comercialização e amplia as condições para negociar”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.

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Classificação do tabaco

A classificação do tabaco é uma análise técnica que organiza as folhas em classes, conforme características e outros critérios estabelecidos pela Instrução Normativa 10/2007 do Ministério da Agricultura (Mapa). O enquadramento interfere diretamente no preço do produto e, consequentemente, na renda do fumicultor.

“A possibilidade de realizar a classificação diretamente na propriedade representa uma alternativa para ampliar a transparência e a equidade nesse processo. Essa modalidade permite que o fumicultor, que tem dificuldades em se deslocar até a indústria, acompanhe o procedimento no próprio local de produção, conheça a classificação atribuída e discuta as condições da venda”, diz a técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Cibelle Tamiris de Oliveira.

Para o presidente da entidade, além de reduzir as dificuldades logísticas e os custos relacionados ao deslocamento da carga, a medida possibilita que eventuais divergências sejam discutidas no momento da avaliação, fortalecendo a participação do produtor nas decisões relativas à comercialização de sua produção.

“Até então existia esse conflito de análise e precificação. Como está distante das áreas de industrialização, o fumicultor acabava aceitando a condição da indústria. Agora existe a possibilidade de diálogo no momento da classificação”, afirma Meneguette.

O Brasil é, atualmente, o maior exportador mundial do produto, respondendo, anualmente, por uma parcela de 20% do comércio global. A produção brasileira está concentrada na Região Sul. O Paraná é o terceiro maior produtor nacional de tabaco, atrás do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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O município paranaense de São João do Triunfo, maior produtor sul-brasileiro, teve produção de 25 mil toneladas em 10,4 mil hectares em 2025.

Em 2025, o tabaco alcançou quase R$ 3,7 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) no Paraná, em uma área de 83 mil hectares. Na safra 2025/26, cerca de 27 mil produtores paranaenses se dedicaram à atividade, conforme a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

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Quedas em Chicago pressionam preços da soja no Brasil e afastam produtores das negociações

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O mercado brasileiro de soja apresentou preços predominantemente mais baixos nesta quarta-feira (4), embora as perdas tenham sido moderadas. De acordo com o analista da Safras & Mercado., Rafael Silveira, a queda das cotações na Bolsa de Chicago pressionou os preços domésticos, enquanto o dólar não ofereceu sustentação às referências.

Os prêmios de exportação também não apresentaram ajustes significativos ao longo do dia. Diante desse cenário, os produtores permaneceram afastados das negociações, enquanto as tradings trabalharam com poucas ofertas.

No mercado físico, os preços da soja registraram as seguintes movimentações:

• Passo Fundo (RS): caiu de R$ 153,50 para R$ 152,50

• Santa Rosa (RS): caiu de R$ 154,50 para R$ 153,50

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• Cascavel (PR): caiu de R$ 149,00 para R$ 148,00

• Rondonópolis (MT): caiu de R$ 141,00 para R$ 140,00

• Dourados (MS): manteve em R$ 140,00

• Rio Verde (GO): caiu de R$ 142,00 para R$ 141,00

• Paranaguá (PR): caiu de R$ 160,00 para R$ 159,00

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• Rio Grande (RS): caiu de R$ 161,50 para R$ 160,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta quarta-feira. A queda do petróleo e o cenário fundamental pressionam os contratos, que atingiram os menores níveis em onze semanas.

O bom avanço da colheita nos Estados Unidos pressiona o mercado pelo lado da oferta. Os americanos estão disponibilizando a maior safra da história. Apesar das recentes vendas, a demanda por parte da China frustrou as expectativas e completa o cenário fundamental negativo.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 167.000 toneladas de soja para a Espanha, a serem disponibilizadas na temporada 2026/27.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com baixa de 11,75 centavos de dólar ou 0,96%, a US$ 12,02 1/4 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 12,10 1/4 por bushel, com retração de 10,50 centavos de dólar ou 0,86%.

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Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 0,60 ou 0,18% a US$ 318,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 63,53 centavos de dólar, com perda de 1,75 centavo ou 2,68%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,65%, negociado a R$ 5,4502 para venda e a R$ 5,4482 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4497 e a máxima de R$ 5,4977.

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