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20 de junho de 2026

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Atraso na soja pode reduzir potencial do milho em Mato Grosso

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O atraso no plantio da soja em Mato Grosso e a irregularidade das chuvas nas principais regiões produtoras começam a desenhar um cenário mais desafiador para a sequência da temporada, com reflexos diretos sobre o milho segunda safra. Produtores relatam lavouras com porte atrasado, estandes falhados e dificuldades para tomar decisões de replantio diante dos custos elevados.

Mato Grosso encerrou o plantio da soja com uma das operações mais longas dos últimos anos. Conforme o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, houve propriedades que levaram mais de um mês e meio para concluir a semeadura. “Foi um plantio desafiador que teve um andamento muito rápido no início e no final ficou atrasado atrás da média dos últimos cinco anos, ou seja, reflete em um dos plantios mais longos da história”, explica ao Patrulheiro Agro desta semana.

Ele lembra que, embora a semeadura tenha sido concluída, os volumes de chuva continuam abaixo da média em boa parte do estado, com localidades registrando menos de quatro milímetros diários nos últimos 30 dias. “Isso preocupa bastante. A soja ficou com um porte mais atrasado”.

As temperaturas extremas no início de novembro reforçaram o estresse das plantas, aumentando a necessidade hídrica e elevando o risco de perdas. “O ano passado o estado fechou com 66 sacas de média. Esse ano, no início, o Imea projetava 60, que seria algo mais realista. (…) Hoje nós dificilmente ultrapassamos 58 sacas por hectare no estado ou pode ser até menos”, observa o presidente da Aprosoja Mato Grosso.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Segundo ele, a perda de potencial produtivo deve pesar na rentabilidade. “O produtor precisa de mais sacas de soja para pagar suas contas e há seis meses atrás o Imea mostrava que, considerando só a cultura da soja, o produtor que paga arrendamento estava com R$ 600 de prejuízo, quase seis sacas por hectare”.

Com lavouras mal distribuídas e falhas pontuais, muitos tiveram de decidir entre replantar ou seguir com a área comprometida — uma escolha que pode custar entre 6 e 10 sacas por hectare, somando tecnologia, dessecação, sementes e tratamento. “Isso preocupa muito. (…) Além da saca de soja perder o poder de compra, tudo tem aumentado de preço”, reforça Beber.

Paranatinga e Canarana já trabalham fora da janela do milho

O avanço tardio da soja pressiona o cronograma do milho segunda safra em diversas regiões. Em Paranatinga, o presidente do Sindicato Rural, Carlinhos Rodrigues, confirma que a janela está praticamente encerrada.

“Para milho mesmo Paranatinga praticamente já fechou a janela e para outras culturas já começa a entrar no risco depois da colheita e o plantio da segunda safra”, comenta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Ele destaca ainda que parte dos produtores enfrenta dificuldades com crédito e custos, o que deve deixar algumas áreas sem plantio.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A situação é semelhante em Canarana. O diretor do Sindicato Rural do município, Camilo Ramos, reforça que não há mais espaço seguro para o milho. “O milho segunda safra já fechou, não tem mais janela para plantar. O ano passado já não foi a área que Canarana tem potencial para plantar, (…) então já teve uma redução”, lembra.

No município, a cultura deve ocupar aproximadamente 120 mil hectares nesta temporada, conforme dados do Sindicato Rural. E, para Ramos, falar em “safrinha” já não condiz com o peso econômico da cultura. “Não se pode nem falar em safrinha mais, é segunda safra pelo tamanho da importância no cenário econômico que a gente vive”, frisa.

Atraso e clima elevam risco para o milho

Em Água Boa, as dificuldades enfrentadas pelos produtores tornam o cenário ainda mais cauteloso. O presidente do Sindicato Rural, Geraldo Antônio Delai, prevê redução no ritmo do plantio e até devolução de pacotes tecnológicos.

“Com os preços atuais e com as condições atuais, com as dificuldades que os agricultores estão passando, nós teremos sim uma dificuldade na nossa região de plantio de milho safrinha. Quem plantar agora já está no risco. Sabe de muitos produtores que, inclusive, já entregou, devolveu os pacotes de milho para revendas”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, apesar do atraso, a área destinada ao milho segunda safra em Mato Grosso deve crescer 1,83% frente ao ciclo passado, totalizando 7,39 milhões de hectares. A produtividade estimada caiu para 116,61 sacas por hectare, e a produção prevista é de 51,7 milhões de toneladas.

O cenário, porém, é de maior risco para as áreas plantadas por último. Conforme Lucas Costa Beber, o produtor tende a semear mesmo em condições adversas, já que grande parte das sementes é adquirida antecipadamente. “Fica difícil de devolver, (…) então ele vai semear, mas em um risco maior e com um investimento menor também”, pondera.

A Aprosoja Mato Grosso estima que os 60% finais do plantio do milho devem ficar fora da janela ideal, sendo que os últimos 40% podem enfrentar atrasos mais graves. “Esses sim devem ficar mais atrasados, comprometendo a safrinha do milho”, conclui o presidente da entidade.

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‘Brasil está ficando grande demais para ser ignorado’: desafios do agro no novo cenário global

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Imagem criada por IA para o Canal Rural

Exigências ambientais mais rígidas, mecanismos de rastreabilidade e novas barreiras comerciais estão redesenhando as regras do comércio internacional. Diante desse cenário, uma pergunta ganha força entre especialistas e representantes do agronegócio: o Brasil está preparado para atender às novas demandas dos mercados globais?

Esse foi o principal debate de um evento realizado na última quarta-feira (17), em São Paulo, que reuniu representantes do setor produtivo, da academia e do mercado.

“Somos bons em criar leis, mas não somos tão bons em implementá-las”, resumiu Leonardo Munhoz, advogado no VBSO e doutor em direito agroambiental. Ele também é autor do livro “Restrições Ambientais ao Comércio Internacional e o Direito: O Agronegócio do Brasil está preparado?”, lançado durante o evento.

Ao longo da programação, especialistas discutiram os impactos das novas exigências ambientais sobre o comércio internacional e os desafios que elas impõem ao agronegócio brasileiro. O discurso de abertura ficou por conta do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger.

Segundo ele, a capacidade do Brasil de produzir alimentos e proteínas animais em larga escala e com preços competitivos aumenta a pressão de produtores locais por mecanismos de proteção em diferentes mercados. “O incômodo dos outros países não é a quantidade, mas a indução do preço”, afirmou.

Comércio internacional e competitividade

Entre os temas discutidos estiveram a rastreabilidade da produção, a importância do Código Florestal, os mercados de carbono e os desafios de governança para atender às crescentes exigências dos compradores internacionais.

De um lado, a legislação florestal brasileira, que é considerada uma das mais rígidas do mundo; de outro, o desafio de conseguir gerenciar essas normas. De acordo com Munhoz, o Brasil não consegue estruturar a governança necessária para isso. Nesse contexto, ele reforça que o país está “parcialmente” preparado, o que não é suficiente para os desafios que se desenham.

“Falta uma resposta mais efetiva do Estado, tanto para fiscalização e punição quanto para a gestão de mecanismos econômicos, como o mercado de carbono, os programas de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) e os órgãos gestores desses sistemas”, disse.

Desafios da inclusão

Outro ponto levantado durante o evento foi o impacto das novas exigências sobre diferentes perfis de produtores. Para o coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV Agro, Guilherme Bastos, a maior parte da cadeia exportadora brasileira já atende aos requisitos exigidos pelos mercados internacionais.

“Boa parte desse comércio exportador está aderente às normas. Eles cumprem as exigências”, afirmou.

Na avaliação dele, o desafio está principalmente em ampliar a inclusão de pequenos e médios produtores nas cadeias voltadas à exportação. “À medida que você vai aumentando a barra, vai tornando mais difícil cumprir as exigências. Com isso, só consegue atender quem é grande, estruturado e tem margem para fazer isso”, destacou.

Segundo Bastos, sem mecanismos que facilitem a adaptação às novas demandas, parte dos produtores pode acabar direcionando sua produção apenas ao mercado doméstico.

Preocupação ambiental ou protecionismo?

A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês) continua sendo o maior motor dessa transformação no comércio internacional. Na prática, o regulamento do bloco proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas após dezembro de 2020. Itens como café, cacau, soja e madeira do Brasil serão impactados.

Para Munhoz, a decisão envolve dois aspectos principais. “É proteção ambiental ou há algum aspecto de protecionismo por trás dessa justificativa?”, questionou.

Segundo ele, a preservação ambiental passou a ocupar espaço central nas discussões globais e vem sendo incorporada cada vez mais às regras que orientam o comércio internacional.

“As medidas ambientais e a preservação do meio ambiente são preocupações que vêm dominando a pauta e estão sendo incorporadas às jurisprudências internacionais, tanto da OMC quanto da Corte Internacional de Justiça”, explicou.

Nesse contexto, Munhoz avalia que normas e diretrizes que antes tinham caráter apenas orientativo vêm ganhando força prática nas relações comerciais entre os países. “O que era um soft law, não vinculante, está se tornando cada vez mais vinculante”, disse.

Apesar dos desafios, a avaliação predominante entre os participantes foi de que o Brasil reúne condições para manter uma posição de liderança no comércio global de alimentos. “O Brasil está ficando grande demais para ser ignorado”, afirmou Giuliano Ramos Alves, diretor do Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAg) da Abag.

Para isso, porém, será necessário avançar em áreas como governança, rastreabilidade e implementação das normas já existentes, transformando diferenciais como a agricultura tropical e o Código Florestal em vantagens competitivas cada vez mais reconhecidas pelos mercados internacionais.

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Dia do Vinho Brasileiro terá programação em Bento Gonçalves e Dom Pedrito neste domingo

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O Dia do Vinho Brasileiro será celebrado neste domingo (21), em Bento Gonçalves e Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul, com correalização do Instituto de Gestão, Planejamento, Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A programação reúne ações abertas ao público e voltadas à divulgação de vinhos, espumantes e sucos de uva.

Em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, a Praça das Rosas receberá o evento das 10h às 19h. Segundo o material divulgado, 11 vinícolas participarão da exposição com comercialização e degustação de vinhos, espumantes e sucos de uva: Amitié, Artisti, Casa Ottone, Cave Bertamoni, Gallon, Nova Aliança, Peterlongo, Piccola Cantina, Sotterrani, Speranza e Rotava. Os 50 primeiros clientes de cada vinícola receberão taças personalizadas.

A programação no município também inclui opções de gastronomia e atrações artísticas. A correalização local é da Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, com apoio da Sicredi Serrana e do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria da Região Uva e Vinho (SEGH).

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Em Dom Pedrito, a ação será realizada das 14h às 18h, na Rua Coberta, junto à Praça General Osório. O evento prevê degustação de vinhos e sucos de uva. De acordo com o texto de divulgação, esta é a primeira vez que a região vitivinícola da Campanha Gaúcha promove uma ação para marcar a data. A correalização é da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com estudantes, servidores e professores do curso de Enologia, e apoio da Prefeitura Municipal de Dom Pedrito.

O Consevitis-RS informou que o Dia do Vinho Brasileiro é comemorado oficialmente no primeiro domingo de junho, com ações ao longo de todo o mês. A data foi instituída a partir do Projeto de Lei 3801/2004. No Rio Grande do Sul, há também uma lei estadual própria, promulgada em dezembro de 2003, que estabelece o período de celebrações do vinho brasileiro.

Segundo Cristina Carniel, gerente de Promoção para o Mercado Interno do Consevitis-RS, as iniciativas buscam aproximar o público dos produtos e homenagear a cultura vitivinícola brasileira. Em caso de chuva, os eventos serão transferidos para domingo (28).

Os dois eventos são abertos ao público e concentram ações de divulgação da cadeia vitivinícola gaúcha. O material fornecido não informa estimativa de público, volume de produtos comercializados ou impactos econômicos diretos para produtores e vinícolas.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Cecafé apresenta ações socioambientais do café brasileiro em evento da Embaixada da Alemanha

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, nesta quarta-feira (18), do evento “Multilateralidade dos direitos trabalhistas e dos direitos humanos: o exemplo da cadeia produtividade do café”, realizado pela Embaixada da Alemanha no Brasil, no Goethe Institut, em Salvador (BA). No encontro, a entidade apresentou iniciativas voltadas ao monitoramento socioambiental, à rastreabilidade e à capacitação na cafeicultura brasileira.

O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, integrou o painel “Meio Ambiente como Direito Humano”, moderado pela jornalista Georgina Maynart. O debate abordou uso correto do solo na cafeicultura brasileira, questões fundiárias, clima e certificações. Também participaram o gerente de Fornecimento Responsável da JDE Peet’s, Bruno Ribeiro, e o diretor da Rainforest Alliance no Brasil, Yuri Feres.

Na apresentação, Matos detalhou ações conduzidas pelo conselho no ambiente pré-competitivo. Entre elas, citou a “Plataforma de Monitoramento Socioambiental dos Cafés do Brasil”, desenvolvida em parceria com a Serasa Experian. Segundo o material divulgado, a ferramenta busca permitir aos importadores acesso a informações socioambientais do produto com base em bancos de dados públicos e oficiais.

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De acordo com o Cecafé, a iniciativa está inserida em um esforço de adequação às novas regras do comércio mundial. Em sua fala, Matos defendeu um protocolo baseado na legislação brasileira para questões sociais e ambientais e afirmou que a entidade acompanha mudanças regulatórias, fluxo de comércio, geopolítica e temas ligados à soberania dos bancos de dados públicos e oficiais.

O diretor-geral também destacou a importância da União Europeia como um dos principais importadores dos cafés do Brasil. No eixo social, mencionou iniciativas público-privadas como o “Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura” e o Programa Trabalho Sustentável (PTS), ambos em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o texto original, essas ações buscam ampliar o diálogo entre os agentes do setor e o governo, além de promover capacitação no campo em parceria com associados do conselho nas principais regiões produtoras.

O evento ainda contou com boas-vindas da embaixadora Bettina Cadenbach e incluiu debates sobre “Regulação & Direitos Humanos” e responsabilidade por direitos humanos e trabalhistas na cadeia do café.

No encerramento de sua participação, o Cecafé afirmou que a comunicação estruturada e o uso de tecnologia para reunir evidências verificáveis são parte da estratégia da entidade para apresentar informações sobre a produção brasileira. O material divulgado não informa prazos, volume de adesão às iniciativas nem resultados quantitativos das ações mencionadas.

Fonte: cecafe.com.br

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