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17 de junho de 2026

Business

Inadimplência rural sobe a 7,9% e grandes produtores lideram endividamento, aponta Banco Central

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Durante audiência pública no Senado, realizada na quarta-feira (19), que discutiu medidas do Governo Federal para apoiar produtores rurais do Rio Grande do Sul afetados por enchentes e secas, o chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) do Banco Central, Cláudio Filgueiras Pacheco Moreira, apresentou um diagnóstico preocupante sobre o endividamento no campo e os riscos crescentes para a sustentabilidade financeira do setor.

Filgueiras afirmou que visitou pessoalmente propriedades atingidas no estado e destacou o peso dos produtores rurais gaúchos no endividamento coberto pela Medida Provisória (MP) 1.314/2025, que liberou R$ 12 bilhões para novas linhas de crédito rural. Segundo ele, “o Rio Grande do Sul representa quase 98% da parte do endividamento da MP”.

Ao apresentar estudo do Banco Central sobre o envidamento do setor, Filgueiras afirmou que a inadimplência no crédito rural vem crescendo de forma acelerada, e que o problema não pode ser atribuído somente aos eventos climáticos extremos.

“Nós tivemos problemas climáticos sim, mas também tivemos situações onde os produtores rurais perderam em um ano, perderam no ano seguinte e apostaram muito mais, perderam de novo e apostaram muito mais no terceiro ano. Ao invés de tratar com cautela, houve uma situação que aumentou demais o endividamento e ficou muito difícil os produtores pagarem essa dívida.”

Ele classificou o cenário como preocupante, destacando que muitos produtores passaram a operar fora de sua capacidade financeira.

Números

Filgueiras apresentou números inéditos sobre margens financeiras na safra 2024/25, com destaque para a situação dos arrendatários:

  • Arrendatário com 100% dos custos financiados: –2,6% de margem (prejuízo);
  • Arrendatário sem financiamento: 14,8% de margem positiva;
  • Proprietários com financiamento: 22,6%;
  • Proprietários sem financiamento: 35,7%.

Para ele, os números mostram um problema estrutural no modelo de financiamento e devem recalibrar as políticas públicas. “Talvez esse dado nos leve a refletir um pouco sobre como a política pública deveria tratar o financiamento do crédito rural”, opinou.

Filgueiras reforçou ainda que o arrendatário que financia 100% dos custos hoje não consegue pagar qualquer operação que venha a fazer, mesmo com recursos com equalização, no teto do Conselho Monetário Nacional.

“O arrendatário que financia tudo hoje, mesmo que use todas as taxas disponíveis, não consegue ter resultado na sua produção. É hora de parar e pensar se a política está sendo feita da forma que deveria.”

Inadimplência

O chefe do Derop explicou que a inadimplência entre produtores pessoas físicas chegou a 7,9% no primeiro trimestre de 2025, acima dos 7% registrados no ano anterior.

Os grandes produtores são os mais afetados, com taxa de 10,7%, especialmente no Centro-Oeste, além de Paraná e São Paulo.

Filgueiras também destacou que a inadimplência é maior nas operações realizadas com recursos obrigatórios, como custeio. “Recurso obrigatório é custeio e operações curtas, é onde tem mais problema. É algo para se pensar sobre a distribuição.”

Já os financiamentos com origem na poupança rural registram menor inadimplência, por serem destinados a investimentos de prazo mais longo. No agregado nacional, aproximadamente 15% das operações de crédito rural estão inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas. No Rio Grande do Sul, o índice dobra, chegando a 30,6%.

“Há um crescimento significativo de operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, com impacto em diversos estados”, afirmou Filgueiras.

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Preços do arroz voltam a cair no RS com oferta elevada e demanda enfraquecida

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os preços do arroz em casca registraram nova queda no Rio Grande do Sul, interrompendo o movimento de recuperação observado no início de junho. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta o aumento da oferta disponível e as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado como os principais fatores de pressão sobre o mercado.

Segundo os pesquisadores, a ampla disponibilidade do cereal tem mantido os compradores cautelosos, em um momento em que as indústrias enfrentam dificuldades para escoar o produto beneficiado. Esse cenário reduz o interesse por novas aquisições de matéria-prima e contribui para o recuo das cotações.

Demanda externa não sustenta preços

De acordo com o Cepea, a demanda internacional segue ativa e continua oferecendo alternativas de comercialização para parte dos produtores. No entanto, o efeito das exportações sobre os preços internos tem sido limitado diante da oferta elevada disponível no mercado doméstico.

Além disso, os mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) perderam força como fator de sustentação das cotações.

Indústrias mantêm postura cautelosa

Outro fator que pesa sobre o mercado é a dificuldade na venda do arroz beneficiado. Com menor fluidez nos negócios, as indústrias têm reduzido o ritmo das compras de arroz em casca, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Na avaliação do Cepea, a combinação entre oferta abundante, demanda industrial enfraquecida e menor impacto dos mecanismos de sustentação do mercado mantém o cenário desafiador para as cotações do cereal no estado.

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Chuvas interrompem colheita e impulsionam preços do café arábica

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

Depois de iniciar junho em forte queda, os preços do café arábica voltaram a subir na segunda semana do mês, impulsionados pelas chuvas registradas nas principais regiões produtoras do país. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço da colheita da safra 2026/27 pressionou as cotações do arábica no início do mês. No entanto, a partir do dia 10 de junho, o mercado passou a reagir diante das precipitações que atingiram áreas produtoras, afetando o ritmo dos trabalhos no campo e reduzindo pontualmente a oferta da variedade.

Além de dificultar a colheita, as chuvas nesta fase do ciclo também acendem um alerta para a qualidade dos grãos. De acordo com os pesquisadores, agentes do setor têm relatado problemas relacionados à qualidade e ao tamanho dos grãos colhidos, com desempenho inferior ao observado na temporada passada.

O cenário ocorre mesmo diante de estimativas oficiais que apontam para uma safra recorde de café no Brasil.

Robusta segue mais firme

No mercado do café robusta, os preços seguem mais sustentados em comparação ao arábica. Conforme o Cepea, a firmeza das cotações está relacionada às projeções de uma safra menor que a registrada na temporada anterior.

Com expectativa de oferta mais restrita, a variedade tem encontrado suporte adicional no mercado, mantendo os preços em patamares mais elevados.

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No G7, Brasil cobra da União Europeia revisão de restrições às exportações de carne

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira (16) com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para pedir a revisão das restrições a produtos brasileiros, incluindo carne e materiais siderúrgicos.

O encontro ocorreu em Évian, na França, onde o presidente do Brasil participa como convidado da Cúpula do G7, grupo formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e União Europeia.

Segundo Lula, em postagem nas redes sociais, o Itamaraty vai trabalhar em conjunto com funcionários da Comissão Europeia “para identificar as dificuldades” em relação aos produtos.

“Nos comprometemos a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, em consonância com o acordo Mercosul-União Europeia”, escreveu o presidente.

Veto a partir de setembro

A União Europeia decidiu proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil no último dia 6. O veto entraria em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

A decisão foi anunciada em maio, depois da entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias do bloco, especialmente a de não utilizar, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

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