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Sustentabilidade

Cresce a possibilidade de estabelecimento da La Niña no Oceano Pacífico Equatorial – MAIS SOJA

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Acompanhe quais foram as condições meteorológicas ocorridas em outubro de 2025 no Estado do Rio Grande do Sul 

O volume de precipitação diminuiu em outubro, principalmente na Metade Sul do Estado. Em toda a Campanha e Zona Sul, os acumulados ficaram abaixo dos 80 mm. Nas demais regiões arrozeiras, os acumulados variaram entre 80 e 120 mm, em média, com alguns pontos com valores superiores (Figura 1A). Assim, praticamente toda a Metade Sul ficou com anomalias negativas de precipitação, enquanto a parte Norte ficou com anomalias positivas (Figura 1B). Com o maior predomínio do tempo seco, a semeadura do arroz avançou no Estado, fechando o mês de outubro com 70% da área semeada.

Mapa da precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B). – Foto: Fonte de dados: INMET

Figura 1. Mapa da precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B), em mm, no estado do Rio Grande do Sul, durante o mês de outubro de 2025, em relação aos valores da Normal Climatológica, relativa ao período 1991-2020. Fonte de dados: INMET.

Houve certa frequência nas precipitações, com volumes máximos na casa dos 20 mm/dia. As temperaturas oscilaram bastante, com dias com máximas próximas aos 30°C e dias com mínimas na casa dos 6 a 9°C (Figura 2). A média mensal da temperatura do ar ficou acima da Normal Climatológica (NC) entre a Zona Sul e a Campanha e, dentro da NC, nas demais regiões da Metade Sul.

Figura 2. Temperaturas do ar máxima e mínima diária (°C) e suas respectivas Normais Climatológicas (°C). – Foto: Fonte de dados: INMET

Figura 2. Temperaturas do ar máxima e mínima diária (°C) e suas respectivas Normais Climatológicas (°C) relativas ao período 1991-2020 (nas linhas pontilhadas em vermelho e azul) e precipitação pluvial diária (mm) referentes ao mês de outubro de 2025, em seis municípios da Metade Sul do RS, representativos de seis regiões arrozeiras. Fonte de dados: INMET.

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas

Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 13 de novembro de 2025, o sistema acoplado oceano-atmosfera no Oceano Pacífico equatorial refletiu a presença da La Niña. Em outubro, a anomalia mensal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 foi de -0,5°C, sendo o primeiro mês com anomalia em limite de La Niña. A região Niño 1+2, esteve com 0,0°C (Figura 3). A anomalia trimestral, referente a Ago-Set-Out/2025, baixou para -0,5°C, também sendo o primeiro trimestre com anomalia de La Niña.

Anomalia da temperatura (°C) da água da Superfície do Mar no mês de outubro de 2025. – Foto: Fonte de dados: CPTEC.

Figura 3. Anomalia da temperatura (°C) da água da Superfície do Mar no mês de outubro de 2025. O retângulo central na imagem mostra a região do Niño3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade de distribuição das chuvas, ou seja, sua regularidade de ocorrência no estado do RS. Fonte: Adaptado de CPTEC.

A fase Neutra do ENOS é compreendida por temperaturas entre -0,5 e +0,5°C pelo conceito da NOAA e, de -0,8 a +0,8°C, pelo conceito do Centro Australiano de Meteorologia. Para os australianos, esse limiar de -0,8°C precisa ser sustentado por, pelo menos, três meses, para haver um indicativo de La Niña, além de ser acompanhado por uma resposta atmosférica consistente. O fato de a NOAA ter declarado estado de La Niña tão precocemente, ainda no início de outubro, pode estar atrelado ao índice ONI relativo (RONI), já mencionado no texto de setembro.

Na atualização do início de novembro, a NOAA elevou a probabilidade de estabelecimento da La Niña para 84%, para o trimestre Out-Nov-Dez/2025 e para 69% no trimestre seguinte. Mas, a Neutralidade deve retornar já no trimestre Jan-Fev-Mar/2026, com 61% de probabilidade. Logo, o que parece se desenhar é um evento curto e de fraca intensidade, se o resfriamento no Pacífico prosseguir por mais tempo. Chamou a atenção, a probabilidade de 40% para o desenvolvimento de um El Niño, a partir do trimestre Jun-Jul-Ago/2026. Mas isso é um assunto a ser acompanhado nas próximas atualizações, para ver se vai prosseguir mesmo.

O bolsão de águas subsuperficiais com anomalias negativas se mantem, desde agosto (Figura 4), sustentando o resfriamento em superfície. Como ele não aumentou de tamanho, nem de magnitude, espera-se que o resfriamento m superfície, também não aumente muito.

Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. – Foto: Fonte de dados: CPC/NCEP/NOAA.

Figura 4. Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de agosto a novembro de 2025. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.

Previsão de Precipitação – trimestre dezembro de 2025, janeiro e fevereiro de 2026 no RS

Para este trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica déficit de chuvas para todo o RS. Da mesma forma, o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, também prevê precipitações abaixo da NC para o trimestre em questão, havendo possibilidade da precipitação ficar mais próxima da NC na parte Leste mas, apenas em fevereiro. Por sua vez, a previsão do modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) indica precipitações abaixo da NC em dezembro para todo o RS, devendo ser mais pronunciada entre o Oeste e o Noroeste. Para janeiro, a previsão é de chuvas abaixo da NC, com exceção da parte Norte das Planícies Costeiras Interna e Externa. A previsão de chuvas abaixo da NC segue para fevereiro, com exceção da Zona Sul (Figura 5).

Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para dezembro de 2025, janeiro e fevereiro de 2026. – Foto: Fonte de dados: INMET

Figura 5. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para dezembro de 2025, janeiro e fevereiro de 2026 no estado do RS. Fonte: adaptado de INMET.

O resfriamento no Oceano Pacífico Equatorial começou antes nesse ano, em outubro mais precisamente, comparado ao ano anterior, que começou em dezembro. Com isso, espera-se que os períodos de deficiência hídrica também comecem mais cedo. E já se percebe isso, ainda em novembro, as chuvas já estão mais espaçadas, e quando chega uma frente fria, a chuva dura um ou dois dias apenas. Independentemente de caracterizar uma La Niña, ou não, o pico do resfriamento deverá ocorrer entre o final de 2025 e o início de 2026. Depois disso, a atmosfera volta a se encaminhar para a neutralidade. O risco de déficit hídrico será maior durante o verão, potencializado pelas altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar.

Diante desse prognóstico, cresce a atenção para a restrição hídrica durante o ciclo das culturas de primavera-verão no RS, pois independentemente do cenário, se sob Neutralidade ou uma La Niña de fraca intensidade, sempre há risco de estiagem durante o verão.

A tendência geral é de que as chuvas diminuam mais significativamente a partir de novembro, devendo prosseguir por dezembro e janeiro. Há a expectativa de que as chuvas retornem a partir de fevereiro, pelo menos nas áreas mais ao Leste. Lembrando que as chuvas no período do verão são irregulares (mal distribuídas) e, com isso, pode ocorrer de chover mais em alguns locais, que outros.

O RS segue em fase de semeadura do arroz e da soja, sendo necessário manter a atenção quanto à umidade do solo e à previsão do tempo, para não correr riscos e garantir o adequado estabelecimento inicial da lavoura.

Diante desse cenário, recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias), como estratégia para melhorar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber o quanto o Oceano Pacífico irá resfriar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.

Fonte: IRGA



 

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Arroz/RS: Colheita do arroz avança no RS com boa produtividade – MAIS SOJA

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Na cultura do arroz irrigado, predominam as lavouras em maturação e em colheita nas diversas regiões produtoras.

As condições climáticas no período, como a continuidade de tempo firme, favoreceram a redução da umidade dos grãos e a evolução das operações de colheita. De maneira geral as
produtividades têm se mantido satisfatórias. Há registros de resultados elevados em diversos talhões, apesar das variações associadas às condições meteorológicas ocorridas durante o período reprodutivo.

Em parte das lavouras, especialmente naquelas submetidas a menor radiação solar e a episódios de temperaturas mais baixas durante o emborrachamento e enchimento de grãos, observam-se limitações na formação de panículas e ocorrência de grãos malformados, o que reflete em redução do rendimento em comparação ao potencial inicial. Ainda assim, a qualidade do grão colhido está, de modo geral, boa, com bom rendimento de engenho.

O manejo da irrigação se encontra em fase de finalização, e ocorre a retirada gradual da água dos quadros para viabilizar a colheita. A disponibilidade hídrica está satisfatória na maior parte das regiões produtoras, sustentando o desenvolvimento adequado das lavouras
até o final do ciclo.

Seguem as atividades de monitoramento fitossanitário, com atenção a pragas e doenças típicas da fase final, bem como práticas de manejo pós-colheita em áreas já colhidas.

A área cultivada é de 891.908 hectares (IRGA). A produtividade está projetada em 8.744 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, o tempo seco favoreceu a perda de umidade dos grãos e o avanço da colheita. Em Uruguaiana, cerca de 15% dos 71.090 hectares cultivados foram colhidos. As produtividades estão inferiores às obtidas na safra passada, inclusive em áreas com as mesmas cultivares, devido à baixa radiação solar entre o final de dezembro e início de janeiro, além das temperaturas reduzidas durante o emborrachamento e enchimento de grãos, que resultaram em falhas de panículas e grãos gessados.

Situação semelhante é relatada em Alegrete e Manoel Viana, onde as produtividades estão pouco abaixo da expectativa inicial. Apesar disso, a qualidade dos grãos colhidos está satisfatória até o momento. Em São Borja, há dificuldades operacionais relacionadas ao fornecimento de óleo diesel, que precisa ser adquirido em pequenas quantidades, o que pode impactar o ritmo da colheita.

Na de Pelotas, a colheita avançou aceleradamente em todos os municípios produtores. A distribuição das fases indica 64% das lavouras maduras e prontas para colheita, 12% em enchimento de grãos e 24% colhidas. As condições climáticas do período permitiram a continuidade das operações e favoreceram o desenvolvimento final das lavouras, consolidando o potencial produtivo em grande parte das áreas.

Na de Santa Maria, a área cultivada está estimada em 124.415 hectares. A colheita supera 20%, e cerca de 50% das lavouras estão em maturação. As produtividades confirmam desempenho elevado, com médias superiores a 8.000 kg/ha. Em São João do Polêsine, as lavouras colhidas apresentam produtividade média de 9.000 kg/ha. Em talhões colhidos, os
rizicultores realizaram práticas de manejo, como gradagem superficial, visando reduzir o banco de sementes de arroz vermelho e outras plantas daninhas. O cenário produtivo indica safra cheia na região.

Na de Santa Rosa, as lavouras se encontram em fase final de ciclo. Os produtores estão reduzindo gradualmente a irrigação nas áreas em preparação para o início da colheita nos próximos dias, que está condicionado às condições meteorológicas e à umidade dos grãos, fatores determinantes para a qualidade, especialmente no rendimento de grãos inteiros.

Na de Soledade, 5% estão em florescimento, 40% em enchimento de grãos, 35% em maturação e 20% colhidos. As produtividades são satisfatórias, e há excelente qualidade de grãos, com destaque para o rendimento de engenho. Segue o monitoramento fitossanitário, especialmente para percevejos e brusone, com intervenções conforme a necessidade.

Comercialização (saca de 50 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 1,54%, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 54,68 para R$ 55,52.

Fonte: Emater



 

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Cálcio: o nutriente que pode estar limitando sua lavoura – MAIS SOJA

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Embora a calagem seja uma prática de manejo voltada principalmente a correção da acidez e pH do solo, o calcário é uma das principais fontes de Cálcio para o sistema de produção. Ainda que varie em função da cultivar e expectativa de produtividade, em média são requeridos cerca de 22 kg de Cálcio por tonelada de grãos de soja produzida (Oliveira Junior et al., 2020), o que torna o Cálcio um dos macronutrientes mais demandados pela soja, atrás apenas do Nitrogênio, Fósforo e Potássio.

Embora menos frequente, a deficiência de Cálcio pode ocorrer na cultura da soja e comprometer seu desempenho. Assim como para os demais nutrientes, o desequilíbrio nutricional causado pela limitação de Cálcio reduz o potencial produtivo, mesmo quando os demais nutrientes estão disponíveis em níveis adequados na solução do solo.

Os sintomas são observados principalmente nos pontos de crescimento e folhas jovens, além de causar distúrbios fisiológicos na planta. Folhas primárias que emergem sob condições de deficiência de Ca geralmente apresentam aspecto ercarquilhado (Borkert et al., 1994), podendo inclusive comprometer o desenvolvimento da planta, afetando a população da lavoura (figura 2).

Figura 1. Sintomas de deficiência de Cálcio em soja.
Fonte: Viecelli (2017)
Figura 2. Deficiência de Cálcio em soja.
Fonte: Santos & Consonni (2024)

Considerando que o número de plantas por área é um dos principais componentes da produtividade da soja, o adequado equilíbrio nutricional do solo, levando em conta as exigências da cultura, os teores de cálcio e as expectativas de rendimento. é fundamental tanto para minimizar os efeitos da deficiência desse nutriente quanto para garantir o bom estabelecimento do estande de plantas.

Vale destacar que embora estudos demonstrem que a adubação foliar com Cálcio possa surtir efeito positivo sobre o desenvolvimento da planta e produtividade da cultura, esse benefício é limitado, uma vez que o Cálcio é considerado um nutriente imóvel na planta, o que limita sua capacidade de ser translocado. Nesse contexto, o ajuste dos níveis de Cálcio via adubação do solo é uma das principais e mais eficiente estratégias para suprir a demanda desse nutriente, sendo a calagem, a forma mais usual e econômica de realizar essa adubação.

Além disso, a disponibilidade do Cálcio na solução do solo esta condicionado ao seu pH, sendo que o intervalo de pH do solo de 5,5 a 6,5 proporciona os maiores níveis de Calcio disponíveis para as plantas. Coincidentemente, esse é o pH recomendado para culturas de sequeiro como a soja, uma vez que também concentra a maior disponibilidade da maioria dos macro e micronutrientes requeridos pela cultura.

Sobretudo, quando se optar pela adubação de Cálcio via calagem, vale lembrar que o calcário demanda um período de reação no solo para que ocorram as devidas correções do pH. Tecnicamente, recomenda-se que a calagem seja realizada ao menos três meses (90 dias) antes do plantio (Fráguas, 2005). Esse tempo garante a correção do pH e o adequado aumento dos níveis de Cálcio no solo, contudo, pode variar de acordo com as características físico-químicas do corretivo.

Logo, ainda que muitas vezes não seja o foco da calagem, o ajuste dos níveis de Cálcio do solo é determinante para o sucesso do cultivo, impactando o estabelecimento das plantas, crescimento e desenvolvimento da cultura.

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Referências:

BORKERT, C. M. et al. SEJA O DOUTOR DA SUA SOJA. Potafos, Arquivo Agronômico, n. 5, 1994. Disponível em: < https://www.npct.com.br/npctweb/npct.nsf/article/BRS-3140/$File/Seja%20Soja.pdf >, acesso em: 19/03/2026.

FRÁGUAS, J. C. PREPARO DO SOLO, CALAGEM E ADUBAÇÃO. Embrapa, 2005. Disponível em: < https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Uva/UvasRusticasParaProcessamento/calagem.htm >, acesso em: 19/03/2026.

OLIVEIRA JUNIOR, A.  et al. FERTILIDADE DO SOLO E EVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA SOJA. Embrapa Soja, Tecnologias de produção de soja, Sistemas de Produção, n. 17, cap. 7, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 19/03/2026.

SANTOS, M. S.; CONSONNI, A. C. GUIA ILUSTRADO DE DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS DA SOJA. Metrics, 2024. Disponível em: < https://conteudo.maissoja.com.br/guia-ilustrado-de-deficiencias-nutricionais >, acesso em: 19/03/2026.

VIECELLI, C. A. GUIA DE DEFICIÊNIAS NUTRICIONAIS EM PLANTAS. PUCPR Câmpus Toledo; Grupo Marista; ASSOESTE, 2017. Disponível em: < https://archivum.grupomarista.org.br/pergamumweb/vinculos//00005e/00005e1f.pdf >, acesso em: 19/03/2026.

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Sustentabilidade

Soja/RS: Soja no RS entra na fase final com queda de produtividade e impacto do clima – MAIS SOJA

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A cultura da soja apresentou avanço significativo de fases, aproximando do final do ciclo. Predominam as fases de enchimento de grãos (50%) e de maturação (37%), além da colheita (5%), que avançou e se estendeu para diferentes regiões administrativas.

As condições climáticas do período, caracterizadas por precipitações irregulares e mal distribuídas, associadas às temperaturas elevadas, continuam determinando forte variabilidade no desempenho das lavouras.

De forma geral, as lavouras implantadas no início da janela de semeadura se encontram em maturação fisiológica ou em colheita. Já as áreas semeadas mais tardiamente ainda estão em enchimento de grãos, dependendo de condições hídricas adequadas para definição do rendimento. O estresse térmico e hídrico durante o período reprodutivo acelerou a senescência foliar e antecipou o ciclo em parte das áreas, reduzindo o potencial produtivo. A heterogeneidade entre lavouras, mesmo em localidades próximas, permanece elevada, refletindo diferenças de época de semeadura, regime hídrico e condições de manejo.

Em relação à sanidade das lavouras, segue a intensificação dos manejos fitossanitários, com destaque para o controle de ferrugem-asiática e de pragas associadas à fase de enchimento de grãos.

A estimativa atual da Emater/RS-Ascar indica produtividade média de 2.871 kg/ha, o que representa redução de 9,7% em relação à estimativa realizada no início da safra, refletindo os efeitos da irregularidade hídrica. A área cultivada está estimada em de 6.624.988 hectares.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita teve início, especialmente em Manoel Viana, nas lavouras precoces semeadas em outubro. As produtividades iniciais variam entre 3.000 kg/ha nas áreas de sequeiro, em localidades beneficiadas pelas chuvas, e 3.600 kg/ha nas áreas irrigadas. Os produtores já realizam dessecação, visando uniformizar a maturação de áreas implantadas na mesma época.

Em Uruguaiana, aproximadamente 85% dos 3.000 hectares são irrigados, e a produtividade está estimada em 3.180 kg/ha, influenciada por altas temperaturas na fase reprodutiva e por limitações pontuais no uso de água. Em áreas de sequeiro, a estimativa é de cerca de 2.000 kg/ha, indicando forte impacto da restrição de umidade. Em Itacurubi, as perdas atingem até 50% do potencial produtivo, havendo registros de perda total em áreas semeadas em outubro.

Na Campanha, há lavouras em maturação em Dom Pedrito (15%), Caçapava do Sul (10%) e Hulha Negra (4%), e o início da colheita está previsto para a última semana de março. Em Dom Pedrito, cerca de 25% dos 165.000 hectares estão cultivados em áreas de várzea, mantendo potencial produtivo superior, o que contribui para elevar a média municipal.

Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as chuvas do período, apesar de irregulares, amenizaram parcialmente as perdas nas lavouras tardias. Em Muitos Capões, áreas precoces estão sendo colhidas com rendimentos entre 1.800 e 2.400 kg/ha. As condições das lavouras tardias estão melhores, e a produtividade estimada está próxima de 3.000 kg/ha, ainda inferior à expectativa inicial de 4.200 kg/ha.

Na de Erechim, as lavouras estão em fase de formação de legumes, enchimento de grãos e início de maturação. O abortamento de flores, associado ao excesso de calor, tem levado produtores a reavaliar o potencial produtivo. Segue a intensificação do monitoramento e controle da ferrugem-asiática com base em sistemas de detecção regional. A colheita deverá iniciar nos próximos dias nas áreas mais precoces.

Na de Frederico Westphalen, 5% estão em desenvolvimento vegetativo, 5% em floração, 45% em enchimento de grãos, 40% em maturação e 5% colhidos. As produtividades obtidas apresentam redução de 15% em relação às projetadas.

Na de Ijuí, a cultura evolui rapidamente para a maturação, e mais de 30% da área alcançou essa fase; cerca de 3% foram colhidos. A má distribuição de chuvas e o calor têm antecipado o ciclo, reduzindo o potencial produtivo. Em Santa Bárbara do Sul, onde houve manutenção da umidade do solo, as lavouras apresentam elevado potencial produtivo. As lavouras em maturação apresentam folhas com coloração verde-amarelada, indicando boa sanidade. O desenvolvimento das áreas de segundo cultivo está apropriado, mas o porte está inferior ao ideal. Nas lavouras tardias, os manejos foram direcionados ao controle de tripes, ácaros, percevejos e doenças.

Na de Passo Fundo, 35% estão em fase de formação de vagens, 40% em maturação fisiológica, 10% maduros para colheita e 5% já colhidos. As lavouras precoces apresentam redução de produtividade em torno de 30% em função do estresse hídrico. Observou-se aumento da necessidade hídrica, e diversas áreas estão entrando em déficit.

Na de Pelotas, o desenvolvimento das lavouras está normal e em recuperação, que foi favorecida pela continuidade das chuvas. A distribuição das fases indica 1% em desenvolvimento vegetativo, 19% em floração, 74% em enchimento de grãos e 6% em maturação. Embora muitas lavouras já tenham definido seu potencial produtivo, parte das perdas não será revertida. O avanço da maturação permitirá o encaminhamento gradual das áreas para a colheita nas próximas semanas.

Na de Santa Maria, a área cultivada está estimada em 1.035.576 hectares e a produtividade média em 2.843 kg/ha, representando redução de 7,1% em relação à expectativa inicial de 3.059 kg/ha. A colheita avançou para 5% da área. Em lavouras em floração e enchimento de grãos, seguem as aplicações de fungicidas e inseticidas, com atenção à incidência de ferrugem-asiática.

Na de Santa Rosa, 5% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 12% em floração, 57% em enchimento de grãos e 25% em maturação. Cerca de 1% foi colhido com produtividade entre 1.500 e 3.000 kg/ha. As condições climáticas continuam limitando o enchimento de grãos, e as perdas de produtividade podem alcançar 40%. Áreas implantadas após o milho, no final de janeiro, iniciaram a floração, mas o potencial produtivo está reduzido devido ao estresse inicial.

Em Garruchos, as lavouras implantadas no início de novembro apresentam sinais de final de ciclo. Já as áreas de dezembro ainda estão em enchimento de grãos, e houve formação de legumes no terço superior do dossel após chuvas recentes, o que pode resultar tanto em aumento de rendimento em cultivares de ciclo longo quanto em desuniformidade de maturação em materiais de ciclo curto.

Na de Soledade, o regime de chuvas esparsas manteve os níveis de umidade do solo adequados para parte das lavouras, que avançam seu ciclo. A distribuição das fases indica 2% em desenvolvimento vegetativo, 5% em floração, 43% em enchimento de grãos, 40% em maturação fisiológica, 7% em maturação de colheita e 3% colhidos. As áreas colhidas apresentam produtividades variadas, inferiores à média projetada, em muitos casos, devido às limitações de manejo de solo, que intensificaram os efeitos da estiagem. Seguem intensos os manejos fitossanitários, com aplicações de fungicidas para ferrugem-asiática e doenças de final de ciclo, frequentemente realizadas em horários de menor temperatura. Também são realizadas aplicações de inseticidas para controle de tripes, ácaros, lagartas (em baixa incidência) e percevejos direcionados as lavouras em formação de grãos.

Comercialização (saca de 60 quilos)

A cotação média da soja passou de R$ 119,69 para R$ 119,57, reduzindo 0,10% em relação à semana anterior, conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar.

Fonte: Emater



 

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