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4 de novembro de 2026

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Boi gordo: preços se estabilizam apesar das escalas de abate mais curtas

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O mercado do boi gordo registrou nesta semana um movimento de acomodação nos preços, apesar de as escalas de abate nos frigoríficos permanecerem mais curtas.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o mercado avaliou o posicionamento do Ministério da Agricultura e Pecuária, que afastou rumores sobre a presença do carrapaticida Fluazuron em carne brasileira destinada à China. “Esse boato impactou fortemente a B3 ao longo da primeira quinzena de novembro”, explica.

Outro ponto de atenção, segundo Iglesias, é a investigação conduzida pela China sobre os efeitos das importações brasileiras na produção local. A expectativa é que o país anuncie os resultados até 26 de novembro. Até lá, o mercado deve seguir em estado de alerta.

Preços do boi gordo

O balanço da semana apontou para preços de estáveis a levemente mais altos nas principais praças de comercialização do Brasil, na modalidade a prazo, conforme levantamento de 14 de novembro:

  • São Paulo (Capital): R$ 330,00 a arroba – estável
  • Goiás (Goiânia): R$ 325,00 a arroba – alta de 1,56%
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 315,00 a arroba – alta de 1,61%
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 330,00 a arroba – estável
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 310,00/@ a arroba – estável
  • Rondônia (Vilhena): R$ 295,00 a arroba – estável

Mercado atacadista

No atacado, Iglesias destaca que os preços apresentaram alta consistente ao longo da semana. O cenário é impulsionado pelo aumento do consumo doméstico, com a chegada do décimo terceiro salário, criação de postos temporários de trabalho e as confraternizações típicas do período.

  • Quarto traseiro do boi: R$ 26,00/kg – alta de 4%
  • Quarto dianteiro do boi: R$ 19,50/kg – alta de 4%

Exportações

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil atingiram, até o momento em novembro (5 dias úteis), US$ 554,034 milhões, com média diária de US$ 110,806 milhões. O volume total exportado chegou a 100,536 mil toneladas, com média diária de 20,107 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.510,80.

Na comparação com novembro de 2024, houve crescimento de 89,4% no valor médio diário exportado, alta de 67,5% na quantidade média diária e avanço de 13,1% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

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Em Brasília, governo de SP cobra mudanças nas regras de renegociação de dívidas rurais

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O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, defendeu mudanças nas regras federais de renegociação de dívidas rurais para atender produtores afetados por perdas climáticas, doenças e queda de rentabilidade. A proposta foi apresentada na terça-feira (3), durante reunião-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília.

No encontro, o secretário apresentou um diagnóstico elaborado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento e publicado em 21 de outubro pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta). O levantamento analisou preços recebidos pelos produtores, custos de produção, margens, condições climáticas e problemas fitossanitários em três cadeias: amendoim, laranja e cana-de-açúcar.

A discussão ocorre em meio à tramitação de medidas relacionadas à renegociação de dívidas rurais no Congresso Nacional. Para o governo paulista, as regras precisam considerar diferentes causas de perda de renda, já que a redução da capacidade de pagamento compromete tanto o cumprimento de financiamentos quanto o custeio da safra seguinte.

Foto: Divulgação/Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Amendoim acumula perdas e enfrenta entraves para prorrogar dívidas

Na região de Ribeirão Preto, produtores de amendoim sofreram perdas climáticas e encontraram dificuldades para prorrogar parcelas de financiamentos, mesmo após o reconhecimento da situação de emergência, segundo Geraldo Melo Filho.

O secretário afirmou que o governo paulista procurou o Conselho Monetário Nacional (CMN) para tentar viabilizar a prorrogação automática das dívidas, mas recebeu resposta negativa.

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“Na prática, os produtores daquela região perderam o direito e a oportunidade de simplesmente fazerem a prorrogação de suas dívidas, que pese a lei garanta a eles esse direito”, afirmou.

De acordo com o diagnóstico do IEA-Apta, a produção paulista de amendoim caiu 28,7% na safra 2023/24. Para 2026, o estudo projeta resultado negativo de R$ 5.940 por hectare.

Na citricultura, a preocupação é com o efeito do greening sobre a produtividade e a rentabilidade dos pomares. A doença, que afeta os citros, provoca perdas de produção e pode comprometer a viabilidade econômica da atividade.

“É um problema que afeta diretamente a rentabilidade desses produtores com quebra na produção”, disse o secretário.

O levantamento estima margem negativa de R$ 4.837 por hectare em áreas sadias e de R$ 9.020 por hectare em áreas afetadas pela doença.

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Diante desse quadro, Melo Filho defendeu a aprovação da Emenda nº 109, apresentada pelo deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) à Medida Provisória nº 1.376/2026.

A proposta prevê incluir, entre as causas de perda de renda consideradas para acesso às linhas de renegociação, a redução de produtividade provocada por praga ou doença de controle quarentenário, desde que comprovada por laudo técnico.

Setor canavieiro pede ampliação de subvenção

Para a cadeia da cana-de-açúcar, o secretário defendeu a extensão da subvenção federal de R$ 12 por tonelada, destinada aos produtores independentes do Nordeste, aos fornecedores de São Paulo e de outros estados produtores.

“O que a gente está pedindo é que o benefício seja estendido também para os produtores de cana das outras regiões”, afirmou.

O auxílio foi autorizado originalmente pela MP nº 1.374/2026, que perdeu a vigência em 28 de outubro. Em seguida, o Congresso aprovou o Projeto de Lei nº 5.649/2026, que mantém o benefício para produtores independentes do Nordeste na safra 2025/26. O texto foi encaminhado à sanção presidencial, segundo o material divulgado.

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O diagnóstico paulista também aponta aumento dos custos de produção. Entre as safras 2020/21 e 2025/26, o custo agrícola da cana subiu de R$ 102,30 para R$ 177 por tonelada.

Segundo Melo Filho, a pressão sobre a rentabilidade atinge tanto os fornecedores de matéria-prima quanto as usinas.

Governo paulista prepara medidas para o setor sucroenergético

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas instituiu, por meio do Decreto nº 70.855/2026, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A equipe deverá propor medidas para fortalecer a competitividade do setor sucroenergético.

“O grupo está instituído e nós vamos trabalhar nisso”, afirmou o secretário.

A pasta também informou que orienta os produtores sobre os procedimentos para renegociar dívidas com base na MP nº 1.376/2026.

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*Com informações da assessoria de imprensa

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Plantio de soja ganha ritmo, mas irregularidade das chuvas mantém alerta para trabalhos em campo

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O plantio da soja da safra 2026/27 ganhou velocidade na segunda metade de outubro, com recuperação dos trabalhos nas principais regiões produtoras do Brasil. Segundo análise da consultoria Agro do Itaú BBA, o avanço reduz, neste momento, o risco de atrasos generalizados no calendário agrícola e melhora as perspectivas para a implantação da segunda safra. Apesar disso, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas seguem como pontos de atenção, especialmente em áreas do Centro-Oeste.

Em Mato Grosso, a semeadura acelerou com o retorno das precipitações. No entanto, depois das boas chuvas registradas no fim de setembro e início de outubro, a frequência e a intensidade dos volumes diminuíram em algumas áreas. Com o calor, a perda de umidade do solo também se intensificou, aumentando a necessidade de novas precipitações para garantir o estabelecimento das lavouras.

O relatório do Itaú BBA aponta relatos pontuais de necessidade de replantio em Mato Grosso, mas os casos ainda são limitados e, até o momento, não comprometem o potencial produtivo do estado. A expectativa é de que as chuvas previstas pelos modelos meteorológicos favoreçam a recuperação da umidade e a continuidade dos trabalhos no campo.

Em Mato Grosso do Sul e Goiás, a evolução do plantio também é consistente. Entretanto, períodos quentes e secos entre os eventos de chuva podem reduzir a umidade superficial do solo e comprometer a uniformidade da emergência das plantas.

No Paraná, o avanço da semeadura ocorreu de maneira relativamente contínua, favorecendo a distribuição das operações e a liberação das áreas para o milho de segunda safra. Mais recentemente, o excesso de chuva provocou desaceleração dos trabalhos e levantou preocupações sobre possíveis prejuízos às lavouras, incluindo a necessidade de replantio. Ainda assim, o estado conta com uma janela de plantio mais extensa, o que tende a reduzir os impactos sobre o calendário.

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Outras culturas no radar

A velocidade do plantio da soja também influencia diretamente as perspectivas para o milho e o algodão de segunda safra. De acordo com a análise do Itaú BBA, quanto maior a parcela da oleaginosa semeada até o fim de outubro, maior a possibilidade de colheita dentro de um período que preserve a janela ideal para as culturas seguintes.

Quando o plantio avança para novembro, a colheita tende a ser deslocada, reduzindo o intervalo disponível para a implantação da safrinha. O produtor pode precisar acelerar as operações, reduzir a área planejada ou até optar por culturas com maior resiliência climática.

Em Mato Grosso, a recuperação observada na segunda metade de outubro diminuiu a probabilidade de atrasos generalizados na segunda safra. A avaliação aponta que a área de soja equivalente à projetada para milho e algodão de segunda safra no estado foi implantada dentro da janela considerada ideal. O resultado é melhor que o observado em 2015/16, outro ciclo sob influência do El Niño, e apresenta um desenho ligeiramente mais favorável que o de 2023/24.

Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a aceleração da semeadura também reduz o risco de deslocamento do milho para datas mais tardias. A preocupação, nesses estados, é que o El Niño costuma estar associado ao encerramento mais antecipado das chuvas em partes do Cerrado, aumentando a exposição das lavouras implantadas fora da janela preferencial.

Previsão de chuva será decisiva

Para o curto prazo, os modelos meteorológicos indicam aumento da amplitude e dos volumes de chuva entre 29 de outubro e 12 de novembro. A melhora pode favorecer a continuidade do plantio e a recomposição da umidade do solo no Centro-Oeste, embora a distribuição das precipitações permaneça mais irregular no Norte do país.

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Para o período entre novembro e fevereiro, o Itaú BBA destaca um cenário de contrastes regionais, com maior propensão a volumes acima da média no Sul e chuvas mais irregulares em áreas do Centro-Norte.

Na Bahia, Tocantins e Maranhão, o avanço da semeadura depende da consolidação das chuvas, enquanto a irregularidade das precipitações pode provocar interrupções nas operações. Em Minas Gerais e São Paulo, o plantio segue trajetória mais próxima do padrão sazonal, com melhora após a ampliação das chuvas no Brasil Central.

No Rio Grande do Sul, a semeadura ainda está em fase inicial, em linha com a janela mais tardia do estado. Por enquanto, as condições de umidade são consideradas mais confortáveis que no Centro-Oeste.

Apesar dos desafios regionais, a avaliação do Itaú BBA mantém como cenário-base a perspectiva de uma nova boa safra de soja no Brasil. A confirmação das chuvas previstas para o início de novembro será determinante para consolidar a emergência das lavouras, reduzir a necessidade de replantio e preservar o potencial produtivo da safra 2026/27.

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Alta do diesel pode elevar custo do frete em MT e pressionar produtor na safra de soja

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O produtor rural de Mato Grosso pode enfrentar uma conta mais alta para transportar a temporada 2026/27 de soja. A cada 5% de aumento no preço do diesel, o custo operacional do frete rodoviário cresce aproximadamente 1,5%, conforme estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com o combustível acumulando valorização de até 20% em 2026, a pressão sobre a logística preocupa principalmente com o período de colheita em janeiro e o escoamento dos grãos.

A influência do diesel sobre o transporte é significativa porque o combustível representa aproximadamente 30% das despesas operacionais do frete. Considerando uma alta entre 15% e 20% entre janeiro e outubro deste ano, o Imea calcula um aumento de 4,5% nesses custos. A variação ainda não foi integralmente incorporada aos valores cobrados pelo serviço.

O efeito, entretanto, não fica restrito às transportadoras. O combustível também encareceu as operações realizadas dentro das propriedades e passou a ocupar uma parcela maior do orçamento destinado à produção agrícola.

Na soja, os gastos com diesel nas operações mecanizadas da safra 2026/27 estão estimados em R$ 198,59 por hectare, crescimento de 23,8% em relação ao ciclo anterior. O valor considera atividades como semeadura, aplicações e colheita.

“Hoje o diesel corresponde a 30% de todo o custo operacional do frete. Quando aumenta 5% o preço do combustível, isso acarreta um aumento de 1,5% no custo operacional do transporte para o produtor”, explica a analista de logística do Imea, Ébila Ferreira, ao detalhar a relação entre a valorização do combustível e as despesas do transporte.

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Diesel muda a composição dos custos da soja

A participação do combustível no custeio da soja chegou a 4,59% em Mato Grosso. O percentual é o maior da série histórica acompanhada pelo Imea e supera a média de 3,82% registrada nas últimas cinco safras.

Outro dado mostra a dimensão dessa mudança: aproximadamente 27% do aumento do custeio da cultura entre as safras 2025/26 e 2026/27 está relacionado ao diesel. Portanto, a valorização do combustível interfere simultaneamente no custo para produzir e na despesa para levar os grãos ao mercado.

A pressão também se intensificou no período mais recente. Entre setembro e outubro, o preço do diesel avançou aproximadamente 6%, ampliando o peso do insumo nas contas do setor.

Para o produtor, essa combinação representa uma exposição maior às oscilações do combustível. Mesmo que o reajuste do frete não acompanhe imediatamente a alta do diesel, o custo de transporte permanece sujeito à recomposição das despesas das empresas responsáveis pelo serviço.

Demanda por transporte será decisiva

A diferença entre o aumento dos custos operacionais e os valores efetivamente cobrados pelo frete ajuda a explicar por que a pressão ainda não apareceu integralmente nas tarifas. Na comparação entre janeiro e outubro, as médias praticadas em Mato Grosso permaneceram equivalentes.

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O mercado de transporte, porém, não depende apenas do preço do combustível. A disponibilidade de caminhões, a movimentação de grãos e as condições de negociação também interferem nos valores. Durante a colheita, a concentração da demanda pode alterar esse equilíbrio.

É nesse período que o Imea identifica a possibilidade de repasse dos aumentos acumulados. Com maior necessidade de caminhões para retirar a soja das propriedades, os transportadores poderão ter mais espaço para negociar tarifas que contemplem os custos operacionais.

“Quando começar a colheita e o escoamento da soja, o valor do frete pode refletir esses aumentos do diesel que vêm acontecendo agora”, avalia Ébila.

A subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, prorrogada na última semana, também entra nessa equação. O benefício ajuda a amortecer a pressão sobre o combustível, mas sua continuidade durante a colheita é uma preocupação para o setor.

A analista alerta que o encerramento do auxílio nesse intervalo poderá ampliar as despesas justamente quando a demanda por transporte estiver maior. “Essa subvenção ajuda a retardar os efeitos que podemos enfrentar posteriormente. A preocupação é saber se ela continuará no período da colheita e do escoamento da soja, quando os fretes já tendem a ser mais altos naturalmente”, afirma.

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Assim, além do comportamento do diesel, a evolução das tarifas durante a retirada da soja será determinante para dimensionar quanto da pressão sobre o transporte chegará efetivamente ao caixa dos produtores.


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