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Modelos que estimam a densidade do solo reduzem custo para monitorar o estoque de carbono no solo MT

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e instituições parceiras avançaram nos estudos para estimar a densidade aparente do solo — variável essencial para calcular o estoque de carbono e viabilizar projetos agrícolas de crédito de carbono — sem a necessidade de amostragem intensiva em campo. A pesquisa consistiu na proposição de funções de pedotransferência (FPTs), modelos matemáticos que permitem estimar a densidade com base em atributos como teor de carbono, areia, silte e argila, comumente disponíveis em pacotes analíticos oferecidos pelos laboratórios de análise de solo.
Essa abordagem reduz o esforço amostral de campo nos talhões agrícolas e, consequentemente, os custos associados, além de dar maior operacionalidade na quantificação e monitoramento do estoque de carbono no solo em áreas de grãos no Brasil.
De acordo com Ruan Carnier, colaborador da Embrapa Meio Ambiente, o estudo analisou mais de 8 mil amostras de solo coletadas em 47 propriedades rurais sob regiões nativas e cultivo de grãos, como soja e milho, na região Centro-Sul — responsável por cerca de 85% da produção nacional. Com base nesses dados, os pesquisadores testaram 33 funções existentes na literatura internacional e desenvolvimento quatro novas (F34 a F37), específicas para as condições tropicais e de manejo agrícola brasileiro.
Agricultura e carbono
O trabalho reforça a importância da densidade aparente na contabilização do carbono do solo, que representa um dos maiores depósitos globais de carbono — cerca de 1.505 gigatoneladas (Gt) até um metro de profundidade. A adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, como o plantio direto, tem potencial de sequestrar até 0,95 Gt de carbono por ano, o equivalente a 0,33% das emissões humanas acumuladas desde a Revolução Industrial.
Contudo, explica Carnier, a determinação da densidade do solo em campo é um dos maiores gargalos para quantificar o estoque de carbono de forma precisa. O procedimento exige abertura de trincheiras e coleta de amostras indeformadas com anéis volumétricos — procedimento trabalhoso e demorado. Por isso, o uso de FPTs representa uma alternativa para viabilizar a quantificação e monitoramento dos estoques de C no solo, usando para isso outras variações mais facilmente determinadas no solo. As FPTs vêm ganhando espaço em protocolos e orientações dedicadas ao mercado de carbono, bem como em políticas de mitigação climática. O grande desafio é o estabelecimento de FTPs representativas regionalmente, para culturas e manejos adotados.
Modelos adaptados às condições tropicais
As funções de pedotransferência foram inicialmente desenvolvidas em países de clima temperado e, portanto, podem gerar erros quando aplicadas em solos tropicais altamente intemperizados, como os do Cerrado e da Mata Atlântica. O estudo liderado pela Embrapa Meio Ambiente demonstrou que modelos regionais, calibrados com dados locais, apresentam melhor desempenho.
Para o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Cristiano Andrade, os resultados mostraram que as funções F36 e F37 tiveram o melhor desempenho, alcançando os maiores índices de brilho entre os valores previstos e os medidos (r entre 0,74 e 0,81) e erro médio inferior a 0,1. Isso indica que essas funções podem estimar a densidade do solo com precisão detalhada de complexidade direta.
A pesquisa projetou a F37 especificamente para estimar a densidade para camadas abaixo de 30 centímetros, enquanto a medição direta ainda é indicada nas camadas superficiais, mais importantes em termos de carbono e mais afetadas pelo manejo agrícola, e de mais fácil amostragem para quantificação da densidade. Quando aplicado conjuntamente com as medições superficiais, o modelo obtido é de 0,99, demonstrando alto potencial para estimar estoques de carbono com segurança.
Impacto para projetos de carbono no solo
A aplicação das funções de pedotransferência pode tornar mais acessível e escalável o monitoramento de carbono do solo, etapa essencial para a geração de créditos de carbono. Ao reduzir a necessidade de amostragem profunda, os modelos desenvolvidos pela Embrapa são direcionados para baixar custos e ampliar a adoção de práticas sustentáveis em áreas de grande extensão.
Os autores destacam que os erros observados nas estimativas são pequenos em relação às taxas médias de sequestro de carbono observados em sistemas agrícolas brasileiros. Considerando um projeto de cinco anos, por exemplo, a subestimação do estoque final pelo modelo F37 seria inferior a 7%.
Solos e políticas climáticas
A quantificação do carbono estocado não só é estratégica não apenas para o mercado de carbono, mas também para o aprimoramento de inventários de emissões e avaliações mais completas na lógica da análise de ciclo de vida de sistemas de produção e produtos. No Brasil, a integração dessas metodologias deve contribuir para refinar os fatores de mudança de uso da terra e melhorar os balanços de carbono para aferição de metas climáticas assumidas por setores da economia, regiões ou no nível do país.
Segundo Carnier, os resultados confirmam que o uso de funções baseadas em dados regionais é uma alternativa confiável às questões indiretas, especialmente em projetos de grande escala, o que pode significar maior escalabilidade e menor custo final.
O estudo é um dos resultados do grupo de trabalho – WP1 associado ao projeto PRO Carbono em parceria com a Bayer Crop Science e também envolveu os pesquisadores Alfredo Luiz, Joaquim Ayer, Nilza Ramos, Sandra Nogueira e Cristiano Andrade. O artigo foi publicado na revista Geoderma Regional sob o título “Pedotransfer-based bulk denso: Uma abordagem alternativa para permitir a contabilidade de carbono do solo em regiões de grãos do Brasil”.
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Embrapa apresenta novas cultivares de arroz e feijão na AgroBrasília 2026

A Embrapa Arroz e Feijão vai apresentar, durante a AgroBrasília 2026, quatro cultivares de feijão e três de arroz de terras altas voltadas a diferentes sistemas de produção. A feira será realizada entre segunda-feira (19) e sexta-feira (23), no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, com foco em tecnologia e negócios para produtores de diferentes portes.
No feijão, os lançamentos incluem duas cultivares do grupo carioca, BRS ELO FC424 e BRS ELO FC429, e duas do grupo comercial preto, BRS FP426 e BRS FP327. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os materiais foram desenvolvidos com características agronômicas distintas, como arquitetura ereta, adaptação à colheita mecanizada direta e diferentes níveis de tolerância ou resistência a doenças de solo e da parte aérea.
A BRS ELO FC424 foi posicionada para a Região Sul, com possibilidade de expansão para Centro-Oeste e Nordeste. Já a BRS ELO FC429 tem como diferencial o escurecimento lento dos grãos, característica que, segundo a estatal, amplia a flexibilidade de comercialização e o tempo de prateleira. No grupo preto, a BRS FP327 reúne ciclo precoce e adaptação à mecanização, enquanto a BRS FP426 foi indicada para ambientes com maior risco sanitário, especialmente sob pivô central.
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No arroz, a Embrapa mostrará os avanços com as cultivares BRS A502, BRS A503 e BRS A504, voltadas ao cultivo em terras altas, inclusive em sistemas irrigados por pivô central. De acordo com a instituição, esses materiais podem atingir potencial produtivo de até 8.700 quilos por hectare, além de serem usados em rotação com feijão, soja, cebola, alho, cenoura e batata.
A unidade também levará à feira um conjunto motocultivador para controle de plantas daninhas em pequenas lavouras de grãos, em sistemas convencionais ou agroecológicos. O corpo técnico da Embrapa estará no evento para orientar produtores e visitantes. Não foram divulgadas estimativas de adoção comercial das tecnologias apresentadas.
A apresentação das cultivares e do equipamento na AgroBrasília amplia a transferência de tecnologia ao produtor, principalmente em temas como mecanização, sanidade e diversificação de sistemas de cultivo. O efeito prático sobre adoção e mercado dependerá da resposta dos produtores e do desempenho regional dos materiais nas próximas safras.
Fonte: embrapa.br
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Embrapa e Fapcen levam agenda de inovação, clima e inclusão ao AgroBalsas no Maranhão

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen) destacam, no AgroBalsas 2026, uma agenda voltada à transferência de tecnologia, sustentabilidade e inclusão produtiva no campo. A programação será realizada de domingo (11) a sexta-feira (16), em Balsas, no Maranhão, com participação de pesquisadores, produtores, representantes do setor público e comunidades tradicionais.
Segundo Marco Bonfim, pesquisador da Embrapa, a parceria entre as instituições começou em 2000 e consolidou uma atuação conjunta em pesquisa, difusão tecnológica e organização produtiva. De acordo com ele, a edição deste ano amplia o foco para debates sobre mercado, inovação e acesso à informação por agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
Na segunda-feira (12), o painel “Regenerando a Agricultura” discutirá o uso de bioinsumos. A atividade será conduzida por Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja e vencedora do World Food Prize 2025. Conforme a Embrapa, as pesquisas da cientista em fixação biológica de nitrogênio contribuem para uma economia de até R$ 25 bilhões por ano ao Brasil com fertilizantes químicos, além de reduzir impactos ambientais.
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Ainda na segunda-feira (12), o painel sobre clima será liderado por Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente. O debate incluirá o Plano Estratégico Maranhão 2050, apresentado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), além de temas como Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) e rastreabilidade. Segundo Packer, a sustentabilidade no agro precisa ser analisada pelos pilares ambiental, social e econômico.
Na terça-feira (13), o IV Workshop do Agronegócio Familiar reunirá pequenos produtores de municípios maranhenses. Entre os projetos apresentados estarão o Reniva, voltado à mandioca, e o programa Roça Sustentável, com campos demonstrativos em municípios do sul do estado. A programação também prevê vitrines tecnológicas diárias, das 8h às 16h, com 14 espécies de capins, híbridos e cultivares de milho, arroz, feijão e mandioca.
A agenda técnica do AgroBalsas indica um esforço de integração entre pesquisa, produção e organização de cadeias locais. Na prática, o evento concentra discussões sobre adoção de tecnologias, diversificação produtiva e modelos de sustentabilidade adaptados às condições do Maranhão e do Matopiba.
Fonte: embrapa.br
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Máquinas agrícolas: nova regra de emissões pode elevar preço em até 25%

A AliançaBiodiesel manifestou preocupação com os termos em discussão para a implementação do Proconve MAR II, novo padrão de emissões para máquinas agrícolas e rodoviárias conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Segundo a entidade, uma iniciativa da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a proposta concentra esforços na redução de poluentes locais emitidos por máquinas fora-de-estrada, mas deixa em segundo plano o debate sobre descarbonização e mudanças climáticas.
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Para a associação, o novo marco regulatório deveria seguir a tendência internacional de incentivo aos biocombustíveis, como biodiesel e etanol, considerados alternativas aos combustíveis fósseis.
De acordo com a AliançaBiodiesel, o modelo em discussão pode desviar investimentos da indústria destinados à descarbonização para adaptações no parque de motores ciclo diesel. A entidade argumenta ainda que a proposta entra em contradição com a Lei do Combustível do Futuro, ao priorizar o controle de emissões locais em regiões de baixa concentração populacional, como áreas agrícolas.
A associação também aponta fragilidades na fiscalização das futuras regras. Segundo o setor, o Brasil não possui um sistema estruturado de controle pós-venda para máquinas agrícolas, o que poderia estimular adaptações irregulares nos equipamentos e comprometer a efetividade das exigências.
Outro ponto levantado pela entidade é o impacto econômico da medida. A estimativa é de que o preço das máquinas agrícolas suba entre 15% e 25%, podendo ultrapassar esse percentual em equipamentos menores utilizados pela agricultura familiar.
Além disso, o custo operacional das máquinas poderia aumentar entre 9% e 20% devido à obrigatoriedade do uso do diesel S10 e do Arla-32. A AliançaBiodiesel afirma ainda que empresas nacionais sem fabricação própria de motores teriam custos adicionais em relação às multinacionais, o que poderia ampliar a concentração de mercado.
Na avaliação da entidade, o aumento de custos tende a ser repassado para cadeias como alimentos, obras e serviços, gerando impactos diretos para consumidores e produtores rurais.
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