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22 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Análise Ceema: Cotações da soja continuaram subindo nesta semana em Chicago – MAIS SOJA

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Por Argemiro Luís Brum

As cotações da soja, em Chicago, continuaram subindo nesta semana, com o bushel da oleaginosa, para o primeiro mês, fechando em US$ 11,32, contra US$ 10,91 uma semana antes. O farelo igualmente subiu, chegando a US$ 328,50/tonelada curta, enquanto o óleo se manteve um pouco acima dos 50 centavos de dólar por libra-peso em Chicago.

Este movimento altista se dá devido as especulações quanto a real safra estadunidense que se aproxima do final de colheita, já que o mercado ficou sem informações oficiais por mais de 40 dias devido a paralisação dos serviços públicos nos EUA. Além disso, a expectativa de a China voltar a comprar soja estadunidense ajudou a aquecer o mercado. Soma-se a isso o plantio brasileiro com certa dificuldade no Centro-Oeste, devido a falta de chuvas.

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Quanto ao serviço público estadunidense, finalmente no dia 12/11 houve um acordo no Congresso dos EUA para desbloquear novas verbas para o orçamento público e o retorno das atividades dos órgãos públicos se iniciou. Assim, para este dia 14/11 estava previsto o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, correspondente a novembro. O mercado esteve apostando em uma redução na produção de soja em relação ao inicialmente estimado. No próximo boletim iremos analisar em detalhes os referidos números que dali sairão. Mas não se pode descartar que o mercado venha a ser surpreendido, se obrigando a rever posições.

Pelo sim ou pelo não, o fato é que as especulações elevaram o bushel para níveis que não eram vistos há 16 meses em Chicago.

Antes do anúncio do relatório, depois do apagão de informações, a produção estadunidense de soja estava sendo prevista entre 113 a 118 milhões de toneladas, com média de 116,1 milhões. O último relatório divulgado, em setembro, trouxe 117,06 milhões de toneladas. A produtividade da oleaginosa era esperada entre 58 e 60,5 sacos por hectare, com média de 59,5 sacos/ha, diante dos 60 sacos indicados em setembro. Os estoques finais da oleaginosa nos EUA são esperados entre 5,09 e 13,44 milhões de toneladas. A média de 8,27 milhões está próxima do número de dois meses atrás, de 8,16 milhões de toneladas.

Quanto às compras pela China, o mercado igualmente deverá ser surpreendido negativamente, pois os estoques chineses de soja estão no máximo, especialmente pelas compras no Brasil, e um pouco na Argentina. Hoje atingem 10,3 milhões de toneladas, um novo recorde. Em outubro, a China importou 9,5 milhões de toneladas, um recorde para o mês, e 17% maior do que o registrado em outubro do ano passado. No mês passado, o Brasil exportou 6,7 milhões de toneladas de soja, também registrando um recorde para o mês, e 43% a mais na comparação anual. A maior parte deste volume tem a China como destino principal. Além disso, os preços da soja brasileira e argentina estão mais baratos do que o produto dos EUA. Assim, o mercado vê com dificuldades os chineses comprarem o produto norte-americano (cf. Agrinvest Commodities).

Em síntese, a China tem excesso de soja após meses de importações recordes, o que reduz a possibilidade de compras dos EUA. Além disso, as margens de esmagamento das indústrias chinesas estão muito baixas, embora a demanda pelo farelo local continue firme. Os preços chineses do farelo de soja, usado para a ração suinícola em especial, caíram mais de 20% em relação ao pico registrado em abril nas principais regiões costeiras do país, ficando em US$ 421,00/tonelada. Segundo industriais situados na China, não haveria mais espaço para o país aumentar suas importações de soja, pois os estoques da oleaginosa são muito elevados e a demanda do setor de rações é muito lenta.

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Assim, somando os dois fatores abordados aqui, Chicago pode voltar a recuar para níveis abaixo dos US$ 11,00/bushel nas próximas semanas. Os números do relatório deste dia 14/11 deverão ser um balizador para tal comportamento.

E no Brasil, os preços elevados em Chicago não têm causado efeitos altistas nos valores da soja. A média gaúcha veio a R$ 124,04/saco nesta semana, e as principais praças locais mantiveram-se entre R$ 122,00 e R$ 123,00/saco. Nas demais regiões do país, os valores oscilaram entre R$ 119,00 e R$ 126,00/saco. O motivo é o Real muito forte, abaixo dos R$ 5,30 por dólar na semana, assim como prêmios portuários com viés de baixa no momento.

Dito isso, mesmo com certas dificuldades climáticas no Centro-Oeste, o plantio no Brasil, da nova safra, chegou a 57,7% da área esperada nesta semana, contra 58,9% na média histórica.

Enfim, conforme o último relatório da Conab, a expectativa é de uma safra brasileira ao redor de 177,6 milhões de toneladas em 2025/26, diante de uma área semeada de 49,06 milhões de hectares. A área nacional pode crescer, portanto, 3,6%, o que seria superior ao esperado inicialmente. Em tal contexto, o Brasil deverá exportar 112,1 milhões de toneladas no novo ano comercial, contra 106,7 milhões neste último ano. O processamento no país também cresceria para 59,4 milhões de toneladas. Mas, como sempre, tudo isso dependerá, daqui em diante, do comportamento climático nas regiões produtoras nacionais.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

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1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).



 

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Qual é o potencial produtivo do milho em Santa Catarina, e por que grande parte dele ainda não é alcançado? – MAIS SOJA

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O potencial produtivo (Yp) de uma cultura representa o máximo que pode ser produzido em determinado ambiente, considerando apenas o clima e as características genéticas da cultivar, sem limitações de água, nutrientes, pragas ou doenças. Quando se considera também a disponibilidade hídrica do ambiente, obtém-se o potencial de sequeiro (Yw). A diferença entre esse potencial e a produtividade média obtida pelos produtores é chamada de gap (ou lacuna) de produtividade. A análise desses gaps permite identificar o quanto ainda pode ser produzido na mesma área, só com melhorias nas práticas de manejo, sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola.

Um estudo recente conduzido pela Equipe FieldCrops, estimou esses indicadores para a cultura do milho em Santa Catarina, combinando simulações de modelo de cultura com dados reais de manejo coletados em 293 lavouras monitoradas nas safras 2020/21 e 2021/22. Os resultados indicaram um PP de 17,4 t ha⁻¹ e um PS de 14,7 t ha⁻¹ para o estado. No entanto, a produtividade média dos produtores foi de 7.0 t ha⁻¹ o equivalente a somente 47,6% do PS (Figura 1).

Figura 1. Potencial produtivo do milho (Yp) (A), potencial produtivo limitado pela água (Yw) (B), produtividade atingível (75% do Yw) (C) para um período de 15 anos (2006–2020), e produtividade real dos produtores (Ya) para um período de 5 anos (2016–2020) (D) em nove zonas-tampão (BZs) no estado de Santa Catarina, Brasil. As siglas representam as estações meteorológicas de referência (RWSs): Caçador (CA), Campos Novos (CN), Dionísio Cerqueira (DC), Lages (LA), Major Vieira (MV), Rancho Queimado (RQ), Rio do Campo (RC), Urussanga (UR) e Xanxerê (XA). Fonte: Equipe FieldCrops.

Ao decompor esse gap total de 10,4 t ha-1, determinou-se que 2,7 t ha-1 são atribuídos à limitação hídrica, enquanto 7,7 t ha-1 são explicados por falhas no manejo. Comparando lavouras de alta e baixa produtividade, os fatores que mais se destacaram foram a população de plantas estabelecidas, a época de semeadura, a dose de potássio (K₂O) aplicada e o intervalo entre aplicações de calcário, sendo a população de plantas o fator de maior peso identificado pelo estudo (Figura 2).

Figura 2. Árvore de regressão mostrando a variação na produtividade de grãos de milho em Santa Catarina, Brasil, em função de fatores de manejo da cultura. Os valores dentro de cada nó terminal indicam a produtividade média de grãos, em base de 13% de umidade (em Mg ha⁻¹, o mesmo que t ha-1), e a porcentagem de observações. Fonte: Equipe FieldCrops.

Esses resultados mostram que ajustes relativamente “simples” no manejo como semear dentro da janela ideal (entre 31 de agosto e 2 de outubro), ajustar a população de plantas, elevar a dose de potássio e manter intervalos mais curtos entre calagens têm potencial para reduzir significativamente o gap de produtividade do milho. O estudo revela que se todas as lavouras do estado alcançassem 75% do PS, a produção de Santa Catarina poderia aumentar em 1 milhão de toneladas na mesma área atualmente cultivada.



Referências:  

PILECCO, I.B.; et al. Identifying maize yield potential and farm yield gaps in Southern Brazil. Agronomy Journal, v. 117, n. 6, 2025. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/agj2.70258 >, acesso: 25/09/2026.

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Soja em Chicago sobe após oito sessões de queda com apoio do petróleo e da demanda chinesa

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Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta quinta-feira (22) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), interrompendo uma sequência de oito sessões consecutivas de queda. Após atingir o menor patamar em dois meses, o mercado encontrou espaço para uma recuperação técnica, impulsionada por compras de barganha, pela valorização do petróleo e pela demanda chinesa.

A alta do petróleo contribuiu para sustentar as cotações, diante da relação entre o mercado energético e o óleo de soja utilizado na produção de biodiesel. Outro fator positivo foi a continuidade das compras chinesas no mercado norte-americano. Nesta quinta-feira, exportadores privados dos Estados Unidos anunciaram a venda de 202 mil toneladas de soja para o país asiático.

Os dados de exportação também reforçaram o cenário de demanda. As vendas líquidas norte-americanas de soja para a temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2,841 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as aquisições, com 2,179 milhões de toneladas.

O volume total ficou dentro das expectativas dos analistas, que projetavam vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.

Preços da soja em Chicago

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 7,75 centavos de dólar, ou 0,62%, cotados a US$ 12,53 por bushel. Já a posição janeiro avançou 6,50 centavos de dólar, equivalente a 0,51%, encerrando a US$ 12,6475 por bushel.

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Entre os subprodutos, o farelo de soja para dezembro encerrou em queda de US$ 1,00, recuo de 0,28%, a US$ 347,30 por tonelada.

O óleo de soja, por outro lado, acompanhou o movimento positivo do mercado energético. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 66,74 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,77 centavo, ou 1,16%.

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Abiove atualiza projeções da soja para 2026 e divulga estimativas para o próximo ano

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A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) atualizou as projeções para o balanço de oferta e demanda do Complexo Soja em 2026 e divulgou as primeiras estimativas para 2027. O esmagamento de soja no Brasil deve alcançar 63,6 milhões de toneladas em 2026, alta de 0,2% em relação à projeção anterior. Para 2027, a estimativa é de 66 milhões de toneladas.

No segmento de derivados, a produção de farelo de soja em 2026 está projetada em 48,95 milhões de toneladas, aumento de 0,1% frente à estimativa anterior. A fabricação de óleo de soja deve atingir 12,8 milhões de toneladas.

As exportações brasileiras de soja em grão em 2026 foram estimadas em 113,9 milhões de toneladas, recuo de 1% em relação à projeção prévia. Para o farelo de soja, os embarques devem somar 25,3 milhões de toneladas. Já as exportações de óleo de soja estão projetadas em 1,95 milhão de toneladas, alta de 8,3% na comparação com a estimativa anterior.

Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, o ritmo de esmagamento acompanha o aumento da demanda interna por farelo, utilizado na produção de alimentos, e por óleo de soja, empregado na fabricação de biocombustíveis e destinado ao mercado externo.

“O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações. Esse cenário consistente de alta no processamento nos prepara estrategicamente para continuar suprindo o país diante da expectativa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março”, afirma o diretor.

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Projeções do Complexo Soja para 2027

As primeiras estimativas da Abiove para 2027 indicam esmagamento de 66 milhões de toneladas de soja. As exportações do grão devem alcançar 113 milhões de toneladas, enquanto as importações estão projetadas em 900 mil toneladas para suplementar a cadeia produtiva.

A produção de farelo de soja deve totalizar 50,8 milhões de toneladas no ciclo de 2027, com exportações estimadas em 26,3 milhões de toneladas.

Para o óleo de soja, a fabricação está projetada em 13,27 milhões de toneladas. Os embarques internacionais devem somar 1,9 milhão de toneladas, enquanto as importações estão estimadas em 100 mil toneladas.

Processamento mensal e acumulado

Em agosto de 2026, o processamento de soja no Brasil alcançou 5,03 milhões de toneladas, queda de 1,8% em relação a julho. Na comparação com agosto de 2025, houve aumento de 9%, considerando o ajuste pelo percentual amostral.

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o volume processado chegou a 38,67 milhões de toneladas, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, também com ajuste pelo percentual amostral.

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