Sustentabilidade
Análise Ceema: Cotações da soja continuaram subindo nesta semana em Chicago – MAIS SOJA

Por Argemiro Luís Brum
As cotações da soja, em Chicago, continuaram subindo nesta semana, com o bushel da oleaginosa, para o primeiro mês, fechando em US$ 11,32, contra US$ 10,91 uma semana antes. O farelo igualmente subiu, chegando a US$ 328,50/tonelada curta, enquanto o óleo se manteve um pouco acima dos 50 centavos de dólar por libra-peso em Chicago.
Este movimento altista se dá devido as especulações quanto a real safra estadunidense que se aproxima do final de colheita, já que o mercado ficou sem informações oficiais por mais de 40 dias devido a paralisação dos serviços públicos nos EUA. Além disso, a expectativa de a China voltar a comprar soja estadunidense ajudou a aquecer o mercado. Soma-se a isso o plantio brasileiro com certa dificuldade no Centro-Oeste, devido a falta de chuvas.
Quanto ao serviço público estadunidense, finalmente no dia 12/11 houve um acordo no Congresso dos EUA para desbloquear novas verbas para o orçamento público e o retorno das atividades dos órgãos públicos se iniciou. Assim, para este dia 14/11 estava previsto o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, correspondente a novembro. O mercado esteve apostando em uma redução na produção de soja em relação ao inicialmente estimado. No próximo boletim iremos analisar em detalhes os referidos números que dali sairão. Mas não se pode descartar que o mercado venha a ser surpreendido, se obrigando a rever posições.

Pelo sim ou pelo não, o fato é que as especulações elevaram o bushel para níveis que não eram vistos há 16 meses em Chicago.
Antes do anúncio do relatório, depois do apagão de informações, a produção estadunidense de soja estava sendo prevista entre 113 a 118 milhões de toneladas, com média de 116,1 milhões. O último relatório divulgado, em setembro, trouxe 117,06 milhões de toneladas. A produtividade da oleaginosa era esperada entre 58 e 60,5 sacos por hectare, com média de 59,5 sacos/ha, diante dos 60 sacos indicados em setembro. Os estoques finais da oleaginosa nos EUA são esperados entre 5,09 e 13,44 milhões de toneladas. A média de 8,27 milhões está próxima do número de dois meses atrás, de 8,16 milhões de toneladas.
Quanto às compras pela China, o mercado igualmente deverá ser surpreendido negativamente, pois os estoques chineses de soja estão no máximo, especialmente pelas compras no Brasil, e um pouco na Argentina. Hoje atingem 10,3 milhões de toneladas, um novo recorde. Em outubro, a China importou 9,5 milhões de toneladas, um recorde para o mês, e 17% maior do que o registrado em outubro do ano passado. No mês passado, o Brasil exportou 6,7 milhões de toneladas de soja, também registrando um recorde para o mês, e 43% a mais na comparação anual. A maior parte deste volume tem a China como destino principal. Além disso, os preços da soja brasileira e argentina estão mais baratos do que o produto dos EUA. Assim, o mercado vê com dificuldades os chineses comprarem o produto norte-americano (cf. Agrinvest Commodities).
Em síntese, a China tem excesso de soja após meses de importações recordes, o que reduz a possibilidade de compras dos EUA. Além disso, as margens de esmagamento das indústrias chinesas estão muito baixas, embora a demanda pelo farelo local continue firme. Os preços chineses do farelo de soja, usado para a ração suinícola em especial, caíram mais de 20% em relação ao pico registrado em abril nas principais regiões costeiras do país, ficando em US$ 421,00/tonelada. Segundo industriais situados na China, não haveria mais espaço para o país aumentar suas importações de soja, pois os estoques da oleaginosa são muito elevados e a demanda do setor de rações é muito lenta.
Assim, somando os dois fatores abordados aqui, Chicago pode voltar a recuar para níveis abaixo dos US$ 11,00/bushel nas próximas semanas. Os números do relatório deste dia 14/11 deverão ser um balizador para tal comportamento.
E no Brasil, os preços elevados em Chicago não têm causado efeitos altistas nos valores da soja. A média gaúcha veio a R$ 124,04/saco nesta semana, e as principais praças locais mantiveram-se entre R$ 122,00 e R$ 123,00/saco. Nas demais regiões do país, os valores oscilaram entre R$ 119,00 e R$ 126,00/saco. O motivo é o Real muito forte, abaixo dos R$ 5,30 por dólar na semana, assim como prêmios portuários com viés de baixa no momento.
Dito isso, mesmo com certas dificuldades climáticas no Centro-Oeste, o plantio no Brasil, da nova safra, chegou a 57,7% da área esperada nesta semana, contra 58,9% na média histórica.
Enfim, conforme o último relatório da Conab, a expectativa é de uma safra brasileira ao redor de 177,6 milhões de toneladas em 2025/26, diante de uma área semeada de 49,06 milhões de hectares. A área nacional pode crescer, portanto, 3,6%, o que seria superior ao esperado inicialmente. Em tal contexto, o Brasil deverá exportar 112,1 milhões de toneladas no novo ano comercial, contra 106,7 milhões neste último ano. O processamento no país também cresceria para 59,4 milhões de toneladas. Mas, como sempre, tudo isso dependerá, daqui em diante, do comportamento climático nas regiões produtoras nacionais.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Sustentabilidade
B25: ‘Biodiesel é alavanca para produção de proteínas’, diz presidente da Ubrabio

A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) comemorou a autorização do governo federal para o início dos testes que podem ampliar a mistura de biodiesel no diesel brasileiro até o B25. A medida integra a política de transição energética e deve trazer impactos positivos para o agronegócio, a indústria e a geração de empregos.
Em entrevista ao Mercado & Companhia, o presidente da entidade, Donizete Tokarski, afirmou que a ampliação da mistura representa um avanço importante para o desenvolvimento econômico do país. “O biodiesel faz parte do desenvolvimento econômico do Brasil. Ele não é só a produção de energia líquida, ele é muito mais do que isso. É um mercado muito grande para o agro brasileiro”, disse.
Impacto para o agro
Segundo Tokarski, atualmente cerca de 40 milhões de toneladas de soja são processadas para produção de óleo destinado ao biodiesel. O processo também gera aproximadamente 30 milhões de toneladas de farelo, utilizado na cadeia de proteínas animais.
De acordo com ele, o avanço da mistura fortalece a industrialização nacional e amplia oportunidades no interior do país. “Além da produção de combustível, isso gera emprego, desenvolvimento regional e fortalece a produção de proteínas e alimentos”, afirmou.
O presidente da Ubrabio também ressaltou que o avanço até o B25 já está previsto na Lei dos Combustíveis do Futuro e destacou o apoio político à proposta no Congresso Nacional.
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Testes para o B20 e B25
Os testes serão realizados em etapas, inicialmente para o B20 e posteriormente até o B25. Segundo Tokarski, o objetivo é comprovar a segurança e a viabilidade técnica do uso em veículos novos e antigos.
“Esses testes vão simplesmente comprovar que a viabilidade técnica está devidamente assegurada”, afirmou. A entidade defende ainda que o cronograma avance rapidamente para permitir a adoção gradual de misturas maiores nos próximos anos.
“Nossa preocupação é que os testes sejam feitos com velocidade para operacionalizar o B16, o B17 e chegarmos ao B20 em 2030 com tranquilidade”, disse.
Valor além do preço
Tokarski também afirmou que o biodiesel deve ser analisado não apenas pelo preço, mas pelos efeitos econômicos, sociais e ambientais que gera.
“Hoje o biodiesel está mais barato do que o diesel no mercado internacional. Mas não temos que analisar apenas o preço, e sim o valor desse combustível”, destacou.
Segundo ele, o aumento da mistura também pode contribuir para reduzir emissões e melhorar a segurança energética do país.
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Sustentabilidade
China compra 84% da soja de MS e tensão com Taiwan pode afetar custos no campo – MAIS SOJA

A dependência de Mato Grosso do Sul do mercado chinês voltou ao centro das discussões econômicas após o aumento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos. O tema é destaque do Informativo Econômico 02/2026, divulgado pela Aprosoja/MS.
O documento mostra que aproximadamente 84,3% da soja exportada pelo estado tem a China como principal destino. Isso significa que qualquer instabilidade envolvendo o país asiático pode refletir diretamente no agro sul-mato-grossense, principalmente nos custos de produção e na comercialização da safra.
Além da exportação de grãos, o levantamento destaca que o Brasil também depende da importação de fertilizantes e insumos agrícolas ligados ao comércio internacional asiático. Entre os principais fornecedores estão Canadá (14%), Rússia (14%) e China (12%).
Segundo a análise da Aprosoja/MS, mesmo sem um conflito direto, um aumento das tensões na região pode provocar alta no frete marítimo, valorização do dólar e aumento no preço de fertilizantes, defensivos e combustíveis utilizados no campo.
O estudo aponta ainda possíveis reflexos como:
- aumento dos custos de produção;
- maior volatilidade nos preços da soja e do milho;
- pressão sobre o planejamento financeiro do produtor;
- encarecimento de insumos agrícolas dolarizados.
Por outro lado, o material também destaca que o Brasil pode ampliar sua posição como fornecedor estratégico da China, especialmente em um cenário de redução da dependência chinesa dos produtos norte-americanos.
De acordo com os analistas econômicos da Aprosoja/MS, o principal desafio do produtor rural será acompanhar a relação de troca, o custo operacional e a capacidade financeira em um cenário de maior volatilidade internacional.
O informativo foi elaborado pelos analistas Raphael Flores Gimenes e Linneu Borges Filho.
Confira o estudo completo clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Milho segunda safra mantém bom potencial produtivo em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

O milho segunda safra 2025/2026 segue com bom desenvolvimento em Mato Grosso do Sul, mas o avanço do clima seco e o risco de geadas colocam os agricultores em alerta. De acordo com o levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, com recursos do Fundems/Semadesc, 71,5% das lavouras do Estado apresentam boas condições, enquanto 17,8% estão em situação regular e 10,7% em condições ruins.
As melhores condições das lavouras estão concentradas nas regiões norte, nordeste, oeste e sudoeste do estado, onde os índices de áreas classificadas como boas variam entre 75,4% e 92,1%. A região norte tem 92,1% das áreas em boas condições. Já a região oeste apresenta 84,6% das lavouras classificadas como boas.
Por outro lado, as regiões centro, sul, sul-fronteira e sudeste demonstram maior sensibilidade às condições climáticas. Nessas áreas, o percentual de lavouras classificadas como ruins é 23,8%, principalmente devido à irregularidade das chuvas e ao risco de estiagem e geadas durante o ciclo da cultura. Na região centro, que engloba municípios como Sidrolândia, Rio Brilhante e Campo Grande, 57,9% das áreas apresentam bom potencial produtivo, enquanto 23,8% já registram perdas.
Além disso, episódios climáticos recentes chama a atenção dos produtores. Na terceira semana de maio, municípios como Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul e Ivinhema foram atingidos por granizo, causando danos pontuais nas lavouras de milho.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário ainda é favorável, mas dependerá do comportamento climático nas próximas semanas. “O cenário do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul é positivo, porém, o produtor precisa manter atenção redobrada às condições climáticas nas próximas semanas. Temos áreas do centro e sul do estado que já demonstram impacto da irregularidade das chuvas, além de ocorrências pontuais de granizo e risco de geadas durante a fase reprodutiva da cultura. Isso pode comprometer parte do potencial produtivo dessas regiões.”
O coordenador destaca ainda que o plantio realizado dentro da janela ideal ajuda a sustentar as expectativas produtivas da safra.
“Boa parte da área foi semeada dentro da janela mais favorável, o que contribui para manter o potencial produtivo. Ainda assim, o comportamento climático entre maio e junho será decisivo para consolidar os números projetados para esta safra.”
O levantamento da Aprosoja/MS também mostra mudança importante no perfil produtivo do estado. Nesta safra, o milho ocupará aproximadamente 46% da área anteriormente destinada à soja, percentual abaixo dos 75% registrados em anos anteriores. A redução está diretamente relacionada ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que influencia as decisões de plantio dos produtores.
No cenário climático, os modelos meteorológicos indicam 92% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no trimestre entre junho e agosto de 2026, com tendência de intensificação ao longo do segundo semestre. Entre os impactos esperados estão temperaturas acima da média histórica e maior frequência de ondas de calor.
No mercado, o milho disponível em Mato Grosso do Sul foi cotado, em média, a R$ 51,14 por saca em 18 de maio. Já a comercialização da segunda safra 2026 alcançou 22% da produção estimada até o momento.
A estimativa atual do Projeto SIGA-MS indica o cultivo do milho em 2,206 milhões de hectares, com produtividade média esperada de 84,2 sacas por hectare e produção projetada em 11,139 milhões de toneladas.
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
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